segunda-feira, 4 de maio de 2015

EXORCISMO-IGREJA CATÓLICA VOLTA A DAR ATENÇÃO A SUA BRIGA DIRETA CONTRA O DEMÔNIO

A IGREJA CATÓLICA VOLTA A DAR ATENÇÃO A SUA BRIGA DIRETA CONTRA O DEMÔNIO NUM RITUAL QUE AINDA PROVOCA FASCÍNIO E MEDO: O EXORCISMO

Paulo Terron Repórter especial multimídia do UOL. Usa medalhas de São Bento e Santa Bárbara para garantir. 

Você vai virar exorcista?!?" Foi essa a pergunta que ouvi 100% das vezes em que comentei com amigos que iria fazer o Curso de Exorcismo e Prece de Libertação do Instituto Sacerdos, ligado ao Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma. E aí a conversa seguia para a explicação de que não, fazer um curso recomendado pelo Vaticano não quer dizer que você vá se tornar um combatente oficial do capeta, já que esses - para a Igreja Católica - precisam ser padres ou religiosos nomeados por um bispo. Eu seria apenas um dos leigos, geralmente pessoas que ajudam os exorcistas durante os rituais, acompanhando a semana de aulas. Então uma exclamação recorrente aparecia: "que medo!". "Não é bem assim", eu respondia. O curso tem aulas de teologia, psicologia, psiquiatria e até de direito - tudo puxando para a relação dessas áreas com casos que a igreja considera possessões demoníacas. O que levou o TAB a pegar o caminho de Roma é uma retomada pelo catolicismo - mesmo que lentamente - desse ritual tão temido e que também gera tanta curiosidade. Durante décadas, a existência do diabo e de demônios como entidades perdeu força mesmo dentro da igreja, com grupos que preferiam associar tais símbolos mais a um conceito amplo de mal do que a indivíduos de uma realidade paranormal. Consequentemente, o exorcismo - o ritual de orações dedicado a expulsar um demônio (ou vários) que teria se apossado do corpo de um ser humano - foi colocado de lado, como algo exagerado e antiquado. Mas no meio do ano passado, a Congregação para o Clero da Igreja Católica surpreendeu um grupo que era renegado havia anos dentro da própria instituição.

A Associação Internacional dos Exorcistas, criada na Itália em 1994, foi reconhecida como "entidade jurídica privada" (ou seja, que não fala em nome do Vaticano, mas de certa forma se reporta a ele). Na ocasião, o presidente da associação, o padre Francesco Bamonte, disse esperar que outros religiosos passassem a levar a "dramática realidade" do ritual em consideração, já que ele é "geralmente ignorado ou tem sua importância minimizada". O monsenhor Rubens Miraglia Zani, exorcista nomeado pelo bispo da Paróquia de Bauru (329 Km a noroeste de São Paulo) e que faz parte do ainda jovem grupo, coloca em dois pilares o reconhecimento clamado por Bamonte. Um deles é a associação organizar os religiosos para que haja uma boa formação e uma troca saudável de experiências. "A segunda coisa importante", diz o monsenhor, "é ajudar os bispos a pensarem na realidade da nomeação de exorcistas, porque deveria haver pelo menos um por diocese. Não existe uma obrigação canônica, mas um bom senso pastoral". Um exemplo de como isso ainda não é uma unanimidade na igreja é a Arquidiocese de São Paulo, a maior do Brasil, não ter um exorcista. Para exercer essa função, o escolhido precisa da nomeação feita pelo bispo e, idealmente, passar pelo curso na Itália. Para o padre Valeriano dos Santos Costa, coordenador do curso de teologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), o reconhecimento formal da associação aponta para uma aceitação interna mais clara desse ritual. "O gesto tende para isso", afirma. "Acho que vai caminhar nessa linha, a não ser que haja no meio do caminho algum bloqueio. Mas o gesto é muito claro. É o que tem de ser implantado". "Sou instrumento, não tenho poderes sobrenaturais. Não sou um Super Padre. Isso é absurdo. É a fé da igreja - e o exorcista que não tiver consciência disso nunca vai conseguir fazer um exorcismo que preste." Monsenhor Rubens Miraglia Zani, padre exorcista da paróquia de Bauru

JESUS E O DIABO CONVERSAM
Encontros entre católicos famosos e Lúcifer são razoavelmente incomuns, mas uma história envolvendo o topo da hierarquia do Vaticano atravessou séculos. Perto do fim do século 19, o papa Leão 13 ficou paralisado ao terminar de celebrar uma missa. Durante cerca de dez minutos pareceu estar em transe, preocupando os presentes. Quando se recuperou, o pontífice correu para seu escritório e escreveu a "Oração de São Miguel Arcanjo". Especula-se que ele teve a visão de uma conversa entre Jesus Cristo e Satanás, na qual o segundo pedia "entre 75 e cem anos" para passar a dominar o planeta. A prece seria uma forma de resistência e passou a ser recitada depois das missas sob a recomendação de que os padres a utilizassem o máximo possível - o que ocorreu até o meio dos anos 60. Apesar de ser uma oração contra Satanás, essa prece não está no "Ritual de Exorcismos e Outras Súplicas".

SÓ PARTE DA RELIGIÃO
Enquanto ganhou o subconsciente popular de forma fantástica depois da onda puxada por "O Exorcista" (o livro saiu em 1971, lançada por William Peter Blatty, e o filme teve sua vez dois anos depois, pelas mãos do diretor William Friedkin), dentro do catolicismo o exorcismo seguiu a fazer parte da vida de muitos fiéis. Mas o sucesso do ritual na ficção provocou, segundo o monsenhor Rubens Zani, uma espécie de dissociação das responsabilidades pessoais e uma banalização da crença em uma possessão demoníaca. "Acontece muito de acharem que qualquer coisa é ação do demônio", conta. "Cansei de receber gente assim: 'ah, estou tendo uma fase ruim, será que não é ação dele?'. Se a pessoa tem um problema no trabalho, financeiro, de saúde, até psíquico, acha que é o demônio", completa. Muitas religiões aproveitaram para puxar o exorcismo para a linha de frente, utilizando-o como bandeira de promessa de milagres instantâneos. Para o padre, essa é uma característica tipicamente nacional que prejudica uma percepção real do que é estar sob domínio diabólico. "O brasileiro tem um sentimento religioso muito aflorado, mas não tem um credo definido. É difícil encontrar gente neste país que tenha fé definida: 'eu sou isto'. O brasileiro vai atrás daquilo que, para ele, naquele momento, parece ser a salvação da lavoura", afirma o monsenhor. "Não crer em Satanás é um fato gravíssimo que tem consequências terríveis. É um pecado pelo qual são responsáveis, desgraçadamente, muitos homens da igreja." Padre Gabriele Amorth, exorcista fundador da Associação, no livro "O Último Exorcista"

POSSESSÕES FAMOSAS
Entre as orientações especificadas no livro "Ritual de Exorcismos e Outras Súplicas", uma observação de Dom Manoel João Francisco, atual presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, deixa claro que os exorcismos não devem ser transformados "em espetáculo". Alguns casos, entretanto, ganharam notoriedade.

"O EXORCISTA" VERDADEIRO
A imagem popular dos exorcismos deve bastante ao filme "O Exorcista", de William Friedkin, adaptado do romance de mesmo nome, escrito por William Peter Blatty. O autor se baseou na história de um menino de 13 anos, Roland (ou Robbie), que teria sido possuído (e depois libertado) no fim dos anos 40. Segundo os confusos relatos de jornais da época, a criança explodia em surtos de raiva e gritos - inclusive falando latim nesses momentos -, além de fazer com que objetos e móveis da casa se movessem inexplicavelmente. Depois de passar pelo ritual em uma igreja, o menino relatou ter tido uma visão de São Miguel Arcanjo. O caso divide opiniões até hoje.

DEMÔNIOS BRASILEIROS
No meio dos anos 70, aproveitando-se da popularidade de "O Exorcista", o jornal "Notícias Populares" publicou uma série de relatos exagerados sobre a ação do demônio no Brasil. Famoso pelo sensacionalismo, o "NP" colocou nas bancas nove artigos que exploravam o mundo dos combatentes do diabo. Em um deles, o padre italiano Luis Stefanello se dizia vencido pelas legiões de demônios que dominaram duas garotas, Maria e Lídia: testemunhas alegavam que a dupla chegou a voar de ponta cabeça até o teto da igreja onde estava sendo exorcizada.

TRIBUNAL INFERNAL
Quando a alemã Anneliese Michel morreu, em 1975, investigações descobriram que ela estava desidratada e malnutrida. O caso gerou grande controvérsia já que, apesar de ter passado por pelo menos uma instituição psiquiátrica, a garota vinha sendo exorcizada. Anneliese sofria de epilepsia, o que fazia com que ela tivesse constantes ataques convulsivos. Quando um padre acreditou que ela estivesse possuída, realizou uma série de exorcismos com a autorização do bispo (o procedimento determinado pela Igreja Católica). Os pais e o padre foram condenados pela Justiça, mas cumpriram somente penas de liberdade condicional. A história inspirou os filmes "O Exorcismo de Emily Rose", "Réquiem" e "Anneliese: The Exorcist Tapes"

PAPA EXORCISTA
O pontífice João Paulo 2º é figura central para o exorcismo. Tanto que, durante o papado dele, teria realizado o ritual algumas vezes, segundo o padre Gabriele Amorth, um dos exorcistas mais atuantes do mundo. Em um dos casos, a italiana Francesca Fabrizi foi levada até o papa em 1982 e, ao vê-lo, começou a gritar descontroladamente e se jogou no chão. Ela só se controlou quando João Paulo disse que rezaria uma missa por ela. Outra jovem, Sabrina, foi levada à Praça de São Pedro em 2000 e teve uma reação parecida, babando e berrando obscenidades. O papa a atendeu individualmente e a abençoou, mas ela ainda precisou passar por outros exorcismos depois disso.

NERDS CONTRA O COISA RUIM
Se você esperava que o curso de formação de exorcistas fosse um ambiente sinistro, é bom parar de assistir a tantos filmes de terror. Ao chegar para o primeiro dia da 10ª edição do Curso de Exorcismo e Prece de Libertação, a primeira impressão que se tem, ainda naquele tumulto organizado que precede qualquer evento, é relativa à quantidade de sorrisos: são padres e religiosos, alguns poucos leigos, conversando alegremente sobre viagens (há gente do Congo, Coreia do Sul, Colômbia, Filipinas, México, uma grande mistura de nacionalidades) e outros assuntos corriqueiros enquanto pegam suas credenciais. O clima é sério, mas sem tensão - todos ali já estão acostumados à doutrina católica e muitos já têm experiência prática com exorcismo. Para um leigo é difícil evitar a fascinação de imaginar o acesso a um conhecimento tão específico, o que se provaria verdade ao longo dos dias seguintes, mas de um modo muito mais acadêmico do que misterioso e secreto. Dentro do Auditório João Paulo II - que acomoda os mais de cem participantes -, há aquele clima típico de congressos, com três ou quatro alunos que caem no sono durante as palestras. São 8h30 e isso vira até piada, com o mediador brincando que é permitido tirar uma soneca - só o ronco é vetado. A abertura é feita pelo padre Francesco Bamonte, presidente da associação e exorcista da diocese de Roma, que palestra sobre o discernimento a respeito da ação extraordinária dos demônios. Mais uma decepção para fãs do exorcismo pop: ele diz que em muitos anos de batalha contra o Tinhoso só viu um possuído levitar, um garoto de 12 anos, que flutuou enquanto ele abençoava um ambiente. O curso também não tem exibição de vídeos de sessões de exorcismo e coisas desse tipo, e mesmo os relatos sobre casos específicos são breves.

O demônio é assunto, mas não está presente. No decorrer dos seis dias de curso, diversos palestrantes condenam práticas que levem ao pensamento esotérico - do tarô ao Reiki, da astrologia ao espiritismo. A diferença que, insistem os sacerdotes, deve ficar clara para exorcistas e seus colaboradores é que o ritual não é algo mágico, mas sim uma série de orações feitas em nome de Deus e da igreja que expulsam um diabo de um corpo humano. E que o possuído deve seguir uma vida católica para se ver completamente livre do Mal. Mais uma vez: os exorcistas não são como um grupo de caça-fantasmas, que prendem o Anjo Caído e o levam embora. A função deles também é manter viva e ativa a fé e prática cristã. Mais de uma dezena de brasileiros participam do evento, como o padre Pedro Paulo Alexandre, 29. Ele é de Anitápolis, Santa Catarina, e está fazendo o curso a pedido do seu bispo. "Ele também me pediu para fazer antes o curso de parapsicologia, para desmistificar", explica. Outro que está ali para se especializar é o padre Anderson Guerra de Andrade, 33, da diocese de Santo Amaro, em São Paulo. Ele já recebeu autorizações específicas do bispo para fazer alguns exorcismos, mas agora deve encarar de vez o cargo. "Sinto esse chamado para estudar mais detalhadamente a cura, a libertação e, em último caso, exorcismo", afirma. Sobre ser nomeado, ele está ciente do desafio. "É uma responsabilidade grande. Não é medo, é um temor - primeiro de não fazer muito bem o que tem de ser feito. Tenho tido muitos sinais. Por exemplo, não vim atrás do curso, ele apareceu para mim. Então, vou conversar com o meu bispo. Se eu disser que nunca quis ser exorcista, estaria mentindo. Vejo que é uma área que precisa de muita ajuda", afirma. Entre as questões mais práticas do curso estão possíveis problemas legais (segundo as leis italianas e europeias, no caso), o reconhecimento da ação de cultos satânicos (algo extremamente em destaque na mídia da Itália) e até uma aula sobre efeitos de substâncias químicas no corpo humano. Nessa última, a descrição dos efeitos colaterais de uma droga incluía canibalismo e aborto, o que levou uma das tradutoras simultâneas a soltar um espontâneo "ai, que horror!". A complexidade do assunto também leva a eventuais conflitos. Na palestra de direito, alguns religiosos ficaram agitados com a sugestão de uma advogada quanto ao consentimento do exorcizado e ao processo do ritual, sugerindo a presença de um médico.

Com o burburinho, ela se justifica dizendo que analisava a questão a partir de um ponto de vista legal. Outra fala, de uma especialista em rituais sobre significados dos arcanos no tarô, revolta um frade, que discursa dizendo que ela havia ido longe demais e extrapolado os limites de mera pesquisa acadêmica causando desconforto físico nele. Então, sim, é assunto que causa reações intensas mesmo dentro da Igreja Católica. E também muitas dúvidas. Como cada dissertação é seguida de uma sessão de perguntas e respostas, os padres têm chance de tirar dúvidas - desde especificidades do ritual e da teologia até questionamentos quanto a programas de TV que pregam que anjos e demônios são, na verdade, extraterrestres. (Caso você tenha ficado curioso: segundo o padre e teólogo Pedro Barrajón, como a "Bíblia" não menciona ETs, então não, os demônios não são seres de outros planetas). Na manhã de um sábado, uma mesa redonda entre exorcistas fecha a semana de curso. Nela, os padres Bamonte, François Dermine e o frade Benigno Palilla puderam detalhar melhor os desafios de se exercer esse ministério. Dermine, por exemplo, defendeu que ninguém deveria se oferecer ou mesmo querer ser exorcista - em especial pela quantidade sem fim de acúmulo de trabalho que isso gera na vida de um religioso. Já Palilla contou sobre a única vez em que acreditou ser atacado pelo demônio. Ele dormia e sentiu a cama chacoalhar violentamente, o que o levou a rezar pedindo ajuda a Deus. No dia seguinte, perguntaram se ele tinha sentido o terremoto noturno que fez a cidade tremer. Você pode se preparar intensamente para algo, mas não há curso que preveja as surpresas do dia a dia. "É mais cômodo eu acreditar que uma pessoa que amo está influenciada pelo demônio do que eu acreditar que ela é safada, sem vergonha, está fazendo corpo mole para a vida, sendo desonesta, se aproveitando da família." Monsenhor Rubens Zani, padre exorcista

CAÇADORES DE DEMÔNIOS UNIDOS
Os encontros da associação também são uma forma de colocar os padres nomeados em contato com experiências diversas relatadas por exorcistas de vários países - algo que chega a ter o poder de mudar opiniões. "O malefício existe", conta o monsenhor Rubens sobre feitiços, maldições e atos semelhantes. "Nunca fiz caso disso, sempre achei que fosse mentalidade de mágica. Do tipo placebo: faz efeito porque você confia. Por outro lado, ouvi relatos de companheiros nos encontros..." Como o ocorrido em um país da África portuguesa, onde um rapaz teria feito um pacto demoníaco, por meio de um feiticeiro, para virar um esportista de sucesso, com direito a patrocínios e muito dinheiro. "De fato o rapaz ficou um raio: ninguém o vencia, quebrava recordes, era uma coisa fantástica", conta o monsenhor. Depois de um tempo, o feiticeiro pediu para que ele jurasse de morte um familiar como uma homenagem ao demônio. O escolhido foi o irmão mais novo, que teria morrido repentinamente. E o esportista continuou subindo na profissão. Depois, outro pedido de morte: o beneficiário do acordo deveria ceder a alma da mãe. Ele se negou. O sucesso acabou, e o material esportivo que ele tinha em casa virou cinzas.

HORA DE CHAMAR O EXORCISTA
Monsenhor Rubens, hoje com 54 anos, cresceu em um ambiente de fé. Ele é de uma família descendente de italianos e bastante religiosa ("de uma fé madura", ele diz) do interior de São Paulo. Isso não o poupou, entretanto, de certa resistência quando quis ser padre. Mas ele fez prevalecer sua vontade. Mais tarde, estudou direito canônico e fez mestrado e doutorado na Itália - uma possível explicação para um leve sotaque italiano que carrega. "Me dizem isso, mas eu não noto", afirma, sorrindo. O gosto pelo estudo também foi o que o levou ao exorcismo. Ouviu falar da existência do curso do Instituto Sacerdos, em Roma, e participou dele em 2011 - e novamente no ano seguinte. "Quis voltar para me aprofundar nos aspectos que não são da minha formação de base: psiquiatria, farmacologia. Voltei para estudar especificamente essas realidades", afirma. No retorno ao Brasil, foi conversar com o bispo da diocese dele e pediu para ser nomeado exorcista. "E não é para o meu bem!", reforça. "Padre nenhum é padre para si mesmo. Ou não deveria ser", afirma. Ele diz até hoje não ter conhecimento de nenhum outro exorcista atuando na diocese dele (ou na de São Paulo, que confirma não ter um nomeado há alguns anos). Ainda no curso, ele conheceu exorcistas notórios, como o padre Gabriele Amorth (fundador da Associação Internacional dos Exorcistas) e Francesco Bamonte, sendo que este insistiu em inscrevê-lo como membro na mesma hora. A Associação Internacional dos Exorcistas não tem uma representação oficial no Brasil - ela se divide em secretariados baseados na língua e nas regiões do planeta, e o português ainda não tem o seu -, mas o monsenhor Rubens Zani participa não só das reuniões internacionais como também das dedicadas aos exorcistas italianos. Esses encontros se alternam a cada ano.

Ele também é a quem Bamonte recorre quando tem dúvidas ou precisa de alguma ação no Brasil, como dar uma entrevista para o TAB, por exemplo. Os integrantes dessa curiosa organização internacional são exorcistas na ativa: os que deixaram o ministério, os que receberam nomeação para caso único - o que também acontece - e todos os possíveis auxiliares. Esse último grupo é composto por profissionais que podem ser médicos, psiquiatras, psicólogos e uma série de leigos que ajudam em todas as fases do exorcismo, da detecção até o ritual em si. Os não religiosos têm direito de voto nas assembleias, só não são exorcistas. Assim como Lúcifer pode atacar junto a vários outros demônios, o exército do exorcismo tem soldados de rankings diversos. Além dos oficiais invisíveis, aqueles que dão mais tranquilidade ao monsenhor Rubens e removem um possível medo de encarar o Diabo. "Se fosse só eu e ele? Mas tenho a igreja inteira comigo, tenho Cristo comigo", fala sem hesitação. "Ou melhor, é Ele falando por meio de mim. Eu me recolho à minha insignificância de instrumento." O confronto direto com o Mal ele ainda não teve, por enquanto. "Posso te dizer que, até agora, não encontrei nenhum capetinha na minha vida. Deus está me poupando, teve compaixão e não me colocou fuça a fuça com o Tinhoso. Se precisar, estamos aqui", avisa o exorcista.

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