Ditador disse que manifestantes estão 'a serviço de bin Laden'.
Para analistas, ele deve deixar o poder em breve.
Quando a televisão estatal líbia anunciou, nesta quinta-feira (25), que o ditador Muammar Kadhafi faria um pronunciamento, os líbios - e o mundo - esperavam para ver o que o homem que governa o país ha 42 anos teria para falar sobre a atual violenta crise política na nação. A surpresa veio não de sua insistência em permanecer no poder - afinal, ele é um ditador -, mas dos argumentos para a revolta popular. Kadhafi disse que os rebeldes estão 'a serviço de Osama bin Laden' e que agem de maneira alucinada, sob o efeito de drogas.
"Kadhafi está numa posição difícil e a natureza brutal de seu regime indica que ele deve ser acusado de genocídio ou outro crime contra a humanidade se permanecer na Líbia. Além disso, parece que virtualmente nenhum país do mundo daria asilo a ele. Consequentemente, ele deve ter poucas chances a não ser morrer na Líbia", diz Ronald Bruce.
Muammar Kadhafi, em pronunciamento na Líbia (Foto: AP)
Para o líbio Mansour O. El-Kikhia, professor de ciência política da Universidade do Texas e autor de 'Libya's Qaddafi: The Politics of Contradiction', a fala do ditador, além de demonstrar sua megalomania, foi um recado para europeus e líbios: "Ele diz: 'se eu não estiver aqui haverá uma guerra civil entre as tribos. E para os europeus é a mesma mensagem: se eu não estiver aqui, haverá a emergência de Bin Laden. Ele não acredita que as pessoas possam viver sem ele. Ele não acredita que ele mesmo é o problema. Não acha que o fato de ter sido um péssimo líder todo esse tempo seja ruim. O problema é que os líbios pagam por seus erros".Como líbio, Mansour diz que está chorando e rindo ao mesmo tempo. "Chorando pelas vidas que estão sendo tomadas. Mas estou feliz, pois os líbios estão reagindo depois de 40 anos de pesadelo."
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