A testemunha visitava o túmulo do pai, no cemitério, quando ligou para a central da Polícia Militar, e descreveu a execução de uma pessoa que estava dentro da viatura.
Uma mulher que estava em um cemitério da Grande São Paulo acabou se tronando testemunha de um crime cometido por um policial e, com um celular, acabou fornecendo informações valiosíssimas para as investigações. O Copom, Centro de Operações da Polícia Militar, gravou toda a ligação telefônica.
A testemunha visitava o túmulo do pai, no cemitério, quando, chocada, liga para o Copom, a central da Polícia Militar, e descreve o que acaba de ver: “A Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro".
O atendente pede o prefixo da viatura. “Eu estou olhando a viatura, mas não dá para ver o prefixo. Essa hora do dia fazer isso? Diz que já é normal fazer isso aqui, mas não é normal eu assistir isso. Eu estou no Cemitério das Palmeiras, a viatura está parada, está ali”.
A testemunha vê que o carro vai sair. “Espero que eles não me matem também. Olha lá. A placa é DJL-0451. O prefixo é 29411, M29411”.
Um dos policiais que estavam na viatura se aproxima. Ela não se intimida. “Oi, desculpa senhor. O senhor que estava naquela viatura? O senhor que efetuou o disparo ali? É o senhor que tirou a pessoa de dentro ali atrás de onde nós estávamos? Eu estou falando com a Polícia Militar”.
PM suspeito: Não, não. Eu estava socorrendo o rapaz.
Testemunha: Socorrendo? Meu senhor, olha bem para minha cara.
PM suspeito: Calma, senhora. A senhora não sabe o que o rapaz fez.
Testemunha: Eu sei.
O Copom grava tudo. “Eu sei bem. Eu não sei o que ele fez. É mentira, senhor. É mentira. Eu não quero conversar com o senhor. O senhor paga o que o senhor faz. O senhor tem a consciência do que senhor”, disse a testemunha.
Segundo o Comando da PM, o homem que foi executado tinha passagem pela polícia por roubo, receptação, formação de quadrilha. E, naquele dia, ele teria roubado um veículo. Ainda de acordo com o Comando, os dois policiais perseguiram o ladrão, que desceu do carro atirando e tentou fugir a pé, até que foi capturado e levado para o cemitério.“Essa pessoa que foi ferida ela veio a óbito. Ela levou um tiro na perna esquerda e depois um tiro também, esse tiro que foi visto pela testemunha que está preservada, levou um tiro no peito”, afirmou o tenente coronel Roberto Fernandes, comandante da PM.A pessoa que ligou para o Copom está agora em um Programa de Proteção a Testemunhas. Os policiais, soldado Ailton Vital, 18 anos de profissão, e soldado Felipe Damel, cinco anos de profissão, estão presos, à disposição da Justiça.
A testemunha visitava o túmulo do pai, no cemitério, quando, chocada, liga para o Copom, a central da Polícia Militar, e descreve o que acaba de ver: “A Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro".
O atendente pede o prefixo da viatura. “Eu estou olhando a viatura, mas não dá para ver o prefixo. Essa hora do dia fazer isso? Diz que já é normal fazer isso aqui, mas não é normal eu assistir isso. Eu estou no Cemitério das Palmeiras, a viatura está parada, está ali”.
A testemunha vê que o carro vai sair. “Espero que eles não me matem também. Olha lá. A placa é DJL-0451. O prefixo é 29411, M29411”.
Um dos policiais que estavam na viatura se aproxima. Ela não se intimida. “Oi, desculpa senhor. O senhor que estava naquela viatura? O senhor que efetuou o disparo ali? É o senhor que tirou a pessoa de dentro ali atrás de onde nós estávamos? Eu estou falando com a Polícia Militar”.
PM suspeito: Não, não. Eu estava socorrendo o rapaz.
Testemunha: Socorrendo? Meu senhor, olha bem para minha cara.
PM suspeito: Calma, senhora. A senhora não sabe o que o rapaz fez.
Testemunha: Eu sei.
O Copom grava tudo. “Eu sei bem. Eu não sei o que ele fez. É mentira, senhor. É mentira. Eu não quero conversar com o senhor. O senhor paga o que o senhor faz. O senhor tem a consciência do que senhor”, disse a testemunha.
Segundo o Comando da PM, o homem que foi executado tinha passagem pela polícia por roubo, receptação, formação de quadrilha. E, naquele dia, ele teria roubado um veículo. Ainda de acordo com o Comando, os dois policiais perseguiram o ladrão, que desceu do carro atirando e tentou fugir a pé, até que foi capturado e levado para o cemitério.“Essa pessoa que foi ferida ela veio a óbito. Ela levou um tiro na perna esquerda e depois um tiro também, esse tiro que foi visto pela testemunha que está preservada, levou um tiro no peito”, afirmou o tenente coronel Roberto Fernandes, comandante da PM.A pessoa que ligou para o Copom está agora em um Programa de Proteção a Testemunhas. Os policiais, soldado Ailton Vital, 18 anos de profissão, e soldado Felipe Damel, cinco anos de profissão, estão presos, à disposição da Justiça.
‘É uma heroína’, diz irmã de homem executado por PMs sobre testemunha
Mulher ligou para o 190 e relatou execução promovida por policiais.Família só soube das circunstâncias da morte nesta segunda.
A família de Dileone Lacerda de Aquino, de 27 anos, ainda está em choque após descobrir, 20 dias depois de sua morte, que ele foi assassinado por policiais militares. Segundo o boletim de ocorrência, ele havia sido morto durante uma troca de tiros com PMs ao resistir à prisão após um furto. Entretanto, uma testemunha viu quando policiais o executaram dentro de um cemitério de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e ligou para o 190 para fazer a denúncia. O caso aconteceu em 12 de março. Os policiais foram presos.
“Ela é uma heroína. Estou em choque ainda, louvo a Deus pela vida dessa mulher. Se não fosse por ela talvez nós nem tivéssemos a oportunidade de velar meu irmão, se ela não tivesse visto sabe lá o que eles [os policiais] teriam feito com o corpo”, disse uma das irmãs da vítima, uma advogada de 31 anos que não quis se identificar. “Ela foi uma mulher corajosa, eu não sei se eu ia ter essa coragem que ela teve. Se todo mundo tivesse essa atitude algumas coisas seriam bem diferentes”, afirmou o pai do rapaz morto, o garçom Dorian Ferreira Aquino, de 53 anos.
Até esta segunda-feira (4), quando o caso foi divulgado pela imprensa e a gravação feita pela testemunha ao 190 acabou veiculada, a família ainda não sabia das circunstâncias da morte de Dileone. Ele foi pego pela polícia ao perder o controle de uma van furtada e bater em carros e no muro de um condomínio. Testemunhas disseram que ele não estava armado e que foi baleado na perna por policiais ao tentar fugir.
“Foi uma covardia o que fizeram com ele, ele saiu daqui vivo. Ele bateu o carro, saiu correndo sem nada na mão, e os policiais foram atrás dele disparando. Um tiro pegou na perna e ele foi pego. Os policiais trouxeram ele algemado e arrastando”, contou uma testemunha. “Todo mundo que viu falou que ele saiu vivo. Inclusive arrastaram ele, que disse ‘senhor, não faça isso que eu também sou ser humano’. E levaram embora”, disse o pai da vítima.A pessoa errou, tem que prender, não matar. Ninguém tem esse direito de matar"
Apesar dos relatos de quem viu a ação policial, o caso foi registrado como morte após resistência à prisão. Mesmo assim, a família não acreditou – a irmã advogada estava colhendo informações e depoimentos e pretendia entrar com uma representação contra os policiais. “Nós nem chegamos a fazer a ocorrência da morte, porque estávamos procurando elementos para comprovar. Queria fazer uma representação para que o caso fosse relatado como homicídio doloso”, afirmou a advogada.
Choque
Desde segunda, a vida da família mudou. “Foi um choque, não imaginávamos que tivesse acontecido dessa forma, tão cruel, tão brutal, e por pessoas que trabalham para proteger a sociedade. Foi um crime bárbaro. Não importa que ele tivesse uma vida pregressa de qualquer forma. O ato equipara os policiais ou os torna piores que qualquer bandido”, afirmou a irmã de Dileone. “Não acho justo, a polícia está para nos defender. A pessoa errou, tem que prender, não matar. Ninguém tem esse direito de matar ninguém”, afirmou o pai do rapaz.Segundo a polícia, Dileone já havia sido preso por suspeita de roubo, desacato, receptação, formação de quadrilha e resistência à prisão. Ele já cumpriu pena em Bauru, no interior de São Paulo, e estava de volta à casa dos pais, no Itaim Paulista, Zona Leste de São Paulo, há cerca de oito meses. De acordo com a família, ele havia prometido parar de se envolver com o crime.“Não tinha dado problema mais não, falou que ia ficar tranqüilo, ia parar, ia trabalhar, pegar um serviço fixo. Inclusive todo mundo aqui gostava dele. Mas a pessoa nunca deve mexer com coisas erradas”, disse o pai do rapaz.
Homem foi pego pelos policiais após bater com
van roubada no portão do condomínio (Foto: Juliana
Cardilli/G1)Policiais
Os dois policiais, um com 18 e outro com cinco anos de carreira na PM, estão presos no Presídio Romão Gomes e respondem a um inquérito policial militar. Segundo o coronel Roberto Fernandes, do 29º Batalhão da Polícia Militar, no Itaim Paulista, o soldado veterano se envolveu antes em três ocorrências de resistência seguida de morte.Após atirarem no rapaz dentro do cemitério, os policiais colocaram o corpo de volta no carro de polícia e levaram até um pronto-socorro. Foi nesse momento que a denunciante viu a ação criminosa e ligou para o 190.Graças à atuação da mulher, os policiais foram presos em flagrante. Segundo o coronel, no primeiro momento os policiais negaram o homicídio. Os dois ainda não depuseram formalmente, mas decidiram manifestar-se apenas em juízo. Segundo o coronel, eles devem ser submetidos a um conselho que pode resultar em expulsão. Os dois respondem também por homicídio. O auto de prisão em flagrante foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar e de lá será encaminhado à justiça comum.Além da mulher que ligou para o 190, outras testemunhas contam ter visto o homem entrando com vida no carro da polícia. A Corregedoria da PM de São Paulo abriu um inquérito para apurar o caso.
“Ela é uma heroína. Estou em choque ainda, louvo a Deus pela vida dessa mulher. Se não fosse por ela talvez nós nem tivéssemos a oportunidade de velar meu irmão, se ela não tivesse visto sabe lá o que eles [os policiais] teriam feito com o corpo”, disse uma das irmãs da vítima, uma advogada de 31 anos que não quis se identificar. “Ela foi uma mulher corajosa, eu não sei se eu ia ter essa coragem que ela teve. Se todo mundo tivesse essa atitude algumas coisas seriam bem diferentes”, afirmou o pai do rapaz morto, o garçom Dorian Ferreira Aquino, de 53 anos.
Até esta segunda-feira (4), quando o caso foi divulgado pela imprensa e a gravação feita pela testemunha ao 190 acabou veiculada, a família ainda não sabia das circunstâncias da morte de Dileone. Ele foi pego pela polícia ao perder o controle de uma van furtada e bater em carros e no muro de um condomínio. Testemunhas disseram que ele não estava armado e que foi baleado na perna por policiais ao tentar fugir.
“Foi uma covardia o que fizeram com ele, ele saiu daqui vivo. Ele bateu o carro, saiu correndo sem nada na mão, e os policiais foram atrás dele disparando. Um tiro pegou na perna e ele foi pego. Os policiais trouxeram ele algemado e arrastando”, contou uma testemunha. “Todo mundo que viu falou que ele saiu vivo. Inclusive arrastaram ele, que disse ‘senhor, não faça isso que eu também sou ser humano’. E levaram embora”, disse o pai da vítima.A pessoa errou, tem que prender, não matar. Ninguém tem esse direito de matar"
Irmã do rapaz morto por PMs
Choque
Desde segunda, a vida da família mudou. “Foi um choque, não imaginávamos que tivesse acontecido dessa forma, tão cruel, tão brutal, e por pessoas que trabalham para proteger a sociedade. Foi um crime bárbaro. Não importa que ele tivesse uma vida pregressa de qualquer forma. O ato equipara os policiais ou os torna piores que qualquer bandido”, afirmou a irmã de Dileone. “Não acho justo, a polícia está para nos defender. A pessoa errou, tem que prender, não matar. Ninguém tem esse direito de matar ninguém”, afirmou o pai do rapaz.Segundo a polícia, Dileone já havia sido preso por suspeita de roubo, desacato, receptação, formação de quadrilha e resistência à prisão. Ele já cumpriu pena em Bauru, no interior de São Paulo, e estava de volta à casa dos pais, no Itaim Paulista, Zona Leste de São Paulo, há cerca de oito meses. De acordo com a família, ele havia prometido parar de se envolver com o crime.“Não tinha dado problema mais não, falou que ia ficar tranqüilo, ia parar, ia trabalhar, pegar um serviço fixo. Inclusive todo mundo aqui gostava dele. Mas a pessoa nunca deve mexer com coisas erradas”, disse o pai do rapaz.
van roubada no portão do condomínio (Foto: Juliana
Cardilli/G1)
Os dois policiais, um com 18 e outro com cinco anos de carreira na PM, estão presos no Presídio Romão Gomes e respondem a um inquérito policial militar. Segundo o coronel Roberto Fernandes, do 29º Batalhão da Polícia Militar, no Itaim Paulista, o soldado veterano se envolveu antes em três ocorrências de resistência seguida de morte.Após atirarem no rapaz dentro do cemitério, os policiais colocaram o corpo de volta no carro de polícia e levaram até um pronto-socorro. Foi nesse momento que a denunciante viu a ação criminosa e ligou para o 190.Graças à atuação da mulher, os policiais foram presos em flagrante. Segundo o coronel, no primeiro momento os policiais negaram o homicídio. Os dois ainda não depuseram formalmente, mas decidiram manifestar-se apenas em juízo. Segundo o coronel, eles devem ser submetidos a um conselho que pode resultar em expulsão. Os dois respondem também por homicídio. O auto de prisão em flagrante foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar e de lá será encaminhado à justiça comum.Além da mulher que ligou para o 190, outras testemunhas contam ter visto o homem entrando com vida no carro da polícia. A Corregedoria da PM de São Paulo abriu um inquérito para apurar o caso.
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