segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sacerdote anglicano permite ordenação de gays em Ribeirão Preto

Dom Ricardo Lorite de Lima defende benção divina para casamento entre pessoas do mesmo sexo

Apoiador da Parada Gay,dom Ricardo Lorite de Lima, arcebispo da Igreja Anglicana do Brasil, entrou em uma verdadeira cruzada religiosa. Há dez anos em Ribeirão Preto, o líder religioso defende abertamente, e pratica no dia-a-dia de sua igreja, o que ele chama de postura inclusiva para os homossexuais.Além de permitir a ordenação sacerdotal de gays, também começou a celebrar casamentos, com benção da igreja, entre pessoas do mesmo sexo. “Nossa igreja já vem há alguns anos discutindo o assunto. Em 2008, aprovamos uma resolução na qual aceitamos a ordenação de homossexuais. Mais recentemente resolvemos fazer a benção homoafetiva”, afirma.
Lima alega não representar o pensamento vigente da instituição religiosa. “Existem vários grupos de anglicanos, os mais conservadores e os mais liberais”, diz, complementando que constantemente é perseguido por seu modo de pensar. A respeito do outdoor com mensagem bíblica contra a união homoafetiva, dom Ricardo considera a ação publicitária abusiva. “Eu li e achei um absurdo, ainda mais usar a questão do direito de liberdade religiosa. Isso aí é uma provocação.”Ele argumenta ainda que a citação bíblica usada na placa, embora verdadeira, é colocada fora de contexto. “Existem vários trechos bíblicos que são traduzidos fora do seu contexto, e hoje existe uma releitura bíblica que é chamada de inclusiva. Temos vários teólogos com visões diferentes e atualizadas da Bíblia”, afirma, citando que outras passagens do livro sagrado que fariam menção à homossexualidade. “Temos textos bíblicos que inclusive citam que o Rei Davi dizia preferir o amor do filho do Rei Saul ao amor das mulheres.”

 Parada Gay de Ribeirão Preto tem público abaixo do esperado
 
Com público abaixo do esperado, a sétima edição da Parada do Orgulho LGBTT de Ribeirão Preto reuniu homossexuais e simpatizantes na Avenida Nove de Julho, neste domingo (21), a partir das 13h. Aos poucos, a multidão – que segundo a Guarda Municipal não passou de três mil pessoas, bem abaixo dos 15 mil participantes esperados - foi se formando até que, às 15h30, a festa começou oficialmente.
 
Muitas famílias, com crianças e idosos, foram vistas no meio do povo, agitado pelo som de música eletrônica e consumindo bebidas alcoólicas, como cerveja e uísque, vendidas por ambulantes. Houve distribuição gratuita de preservativos e panfletos de grupos que lutam pela diversidade sexual. Até o início da noite, de acordo com a GM, apenas foi registrado o furto de um telefone celular. A Polícia Militar confirmou que não atendeu nenhuma ocorrência relacionada à manifestação.Fantasiados ou não, com adereços que variavam da simplicidade de bandeiras do arco-íris a produções mais elaboradas, lésbicas, gays, transexuais e representantes públicos seguiram cinco trios elétricos em alto som – a despeito da existência de ao menos quatro hospitais nos arredores -, em direção às avenidas Presidente Vargas e Antonio Diederichsen.O trajeto deste ano foi alterado após uma ação do Ministério Público, segundo o coordenador de infraestrutura da parada, Fábio de Jesus, 22 anos. “Houve uma denúncia na Praça Sete de Setembro. A população não queria que a festa fosse lá. A promotoria entrou com uma ação contra nós permitindo fazer a parada em qualquer outro lugar, menos lá”, afirmou, adiantando que para o ano que vem os organizadores devem investir em divulgação para atrair mais participantes da região.
Foi ele o autor da denúncia contra a placa publicitária religiosa com mensagem homofóbica instalada em frente à Câmara Municipal, dias antes do evento. “Foi um afronte à comissão da parada gay”, disse.Também marcaram presença na manifestação líderes religiosos, o vice-prefeito Marinho Sampaio e Heloísa Gama Alves, coordenadora de políticas de diversidade sexual da Secretaria de Justiça do Estado.“A parada gay é um momento de festa, mas é um dia de reflexão também. É momento de pensarmos o quanto essa população tem sua cidadania garantida e momento de se mostrar que são pessoas comuns”, afirmou Heloísa.

EPTV

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