terça-feira, 27 de setembro de 2011

"Ele só queria assustar a professora", acredita diretora

A partir desta segunda-feira, seis psicólogos prestarão atendimento a funcionários e alunos da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão

Bruno Abbud/VEJA
Velório do estudante de 10 anos que atirou na professora e depois se matou com um tiro na cabeça, em São Caetano do Sul Velório do estudante de 10 anos que atirou na professora e depois se matou com um tiro na cabeça, em São Caetano do Sul (Zanone Fraissat/Folhapress)
Nesta segunda-feira, Márcia Gallo, diretora da Escola Municipal Professora Alcina Dantas Feijão, onde o aluno do 4º ano D.M.N. atirou contra a professora Rosileide Queirós de Oliveira antes de se suicidar, prestou depoimento à delegada Lucy Mastellini Fernandes, titular do 3º Distrito Policial em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Na oitiva, ela disse acreditar que a tragédia foi uma "brincadeira que deu errado". Márcia contou que, pelas conversas que teve com uma psicóloga da escola que conversou com alguns alunos, a intenção de D.M.N. não era a de matar, mas de assustar a professora. O crime aconteceu na última quinta-feira, 22. D.M.N. tinha 10 anos.No dia do crime, um dos colegas de sala de D.M.N. voltou à escola acompanhado dos pais e procurou a coordenadora pedagógica Meire Bernardete Cunha e a psicóloga Ana Cláudia para dizer que D.M.N. não queria matar a professora. "Ele disse que a intenção de D.M.N. era a de assustar", contou Meire. A coordenadora foi uma das primeiras a se deparar com o corpo do estudante. "Minha vontade era ter pego ele nos braços", lembra. "Mas as pessoas diziam para eu não tocar nele".A partir de hoje, seis psicólogos prestarão atendimento a funcionários e alunos da escola. A primeira reunião com os professores que dão aulas à tarde, período em que ocorreu o crime, aconteceu nesta segunda-feira. "Nós queremos ouvir o que eles têm a dizer", disse o psicólogo Sérgio Mayer, do Ambulatório de Saúde Mental de São Caetano do Sul, segundo relato de Meire. "Este é um período de acolhimento". Mayer não quis atender aos jornalistas.A sala de aula que foi o palco da tragédia ficará trancada e, depois, será transformada numa espécie de biblioteca, com livros, gravuras e desenhos para que sejam debatidos temas ligados à violência. A diretora Márcia também contou que a escola não tomará medidas para aumentar a segurança. "Não há o que se fazer além do que já era feito".Na próxima quarta-feira, dia 28, haverá uma reunião com todos os alunos no auditório da escola para que eles sejam ouvidos pelos professores. "Nós vamos chorar muito", acredita Meire. "Vamos abraçá-los e beijá-los e, nessa hora, vamos ouvir o que eles têm para nos dizer".
No próximo dia 7 de outubro, uma sexta-feira, funcionários e alunos da escola sairão em passeata pelas ruas de São Caetano do Sul com o objetivo de propor uma reflexão sobre a violência. A iniciativa foi tomada por Meire, que também pretende fazer uma grande campanha de arrecadação de armas de brinquedo. "Como disse o pai do D.M.N. na televisão, as crianças têm que saber que a arma só serve para matar", disse a coordenadora.Ainda nesta semana, a polícia pretende colher os depoimentos de alguns alunos. Na quarta-feira, 28, a delegada Lucy irá à escola ouvir as crianças. Lucy selecionou cinco alunos para os primeiros depoimentos, mas garante que ouvirá mais. O objetivo é esclarecer qual foi o motivo do crime. A professora Rosileide Queirós de Oliveira, que continua internada no Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo, deve ser ouvida nesta quinta-feira. Na sexta-feira, o pai de D.M.N., Milton Nogueira, prestará depoimento oficialmente. Na última sexta, Milton conversou informalmente com a delegada.

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