O show da banda californiana Red Hot Chilli Peppers, na quarta-feira, dia 21, na Arena Anhembi, decepcionou seus fãs. Claro, é regra geral os fãs entrarem no modo decepção, pois duas horas de show é pouco tempo para saldar as contas de uma vida de espera. No caso da banda do baixista Flee e do vocalista Anthony Kiedis, foram dez anos de espera dos admiradores. Naquela época, bem me lembro, a banda se mostrou entediante no palco.Dez anos são uma vida inteira, e parece que o fato não abala Flee e Kiedis, que se mantêm há 28 à frente dos Chilli Peppers. Os fãs ansiavam por um show de lembranças do “Red Hot” (o Brasil é o único país que chama a banda assim), com um passeio em coro pelos sucessos. Não foi o que aconteceu. Flee, sempre em luta para mostrar que é mais importante que Kiedis, comandou o espetáculo, propondo aos espectadores uma mistura de sucessos e novas faixas. O grande baixista, com suas tatuagens de Jimi Hendrix e Motörhead, parece uma enciclopédia esgotada de mitos do rock. Flee já devia estar dando aulas em uma universidade, e não de cabelo azul bancando o menino. Assim também Kiedis, que trocou a vasta cabeleira por uma franja emo e um traje completo de beisebol. Kiedis devia montar uma escolinha de rock.
O problema é menos visual que sonora. A banda sooou o tempo todo mais inovadora com com hits de vinte anos atrás do que os atuais. A poção de funk, heavy metal, rap e punk, que encantou outras décadas, hoje se mostra mais do que vencida. Ninguém mais se anima com as cabriolas que restam a Kiedis. O novo guitarrista, Josh Rubin, não foi capaz de substituir o brilho de John Frusciante, for da banda desde 2009. Rubin passou o show tentando afinar seu instrumento, e às turras com o retorno e as distorções do amplificador. Restam Flee e seu virtuosismo flamejante, virtude que poderia ser utilizada em um gênero musical mais nobre. Os grandes talentos podem desperdiçar suas carreiras com escolhas erradas. Meu conselho a Flee é que ele tente carreira solo – e na música improvisada do jazz. Do jeito que está, os Chilli Peppers perderam o tempero. São uma banda histórica, no sentido mais jurássico do termo.
Foto: Marcos Hermes / Midiorama/ÉPOCA
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