quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

RENATO KRAMER-"BBB12": primeira prova exaure candidatos e telespectadores

Ao iniciar a edição do segundo dia de "BBB12", a primeira prova do líder ainda não havia terminado. Três participantes resistiam bravamente: o vendedor Ronaldo, a estudante Jakeline e a assistente comercial Kelly. Até o final do programa de ontem os três ainda competiam. Bem no final da noite, Ronaldo desistiu, afirmando que já estava tendo alucinações. "Começou bem, começou muito bem!", afirmou Pedro Bial em relação ao "BBB12". Embora as pesquisas apontem uma menor audiência na estreia desse ano, nem que seja para ficar falando mal, o assunto da vez passa a ser o reality. "É tempo de 'BBB', BeBê!", diria 'Tereza Torloni'. Vale lembrar que cada cidadão ainda é o dono do seu próprio controle remoto. A estudante de medicina gaúcha foi a segunda candidata a deixar a prova. Laisa foi de encontro ao representante comercial João Carvalho, que se recuperava do pavor de ficar trancado no porta-malas. "Eu ainda tô tremendo", queixou-se ele. Em seguida falaram de coisas mais brandas. "O João (Maurício) é lindo", afirmou Laisa. "Lindo", confirmou o outro João. "Pra mim é o mais bonito", completou.
Não demorou muito para que o pecuarista fosse desclassificado. Por causa de um biscoito. Ao chegar na cozinha, declarou para o xará mais maduro: "mais dois dias e eu traço o perfil de todos aqui da casa", comentou João Maurício. A estudante de medicina passou pela sala. "A Laisa é linda", comentou o pecuarista. "E ela é meiguinha", acrescentou João Carvalho. "E a gente vê que ela não tem maldade", arrematou João Maurício. Sites especializados em "BBB" já apostam em possíveis casais. No fundo, somos incorrigíveis românticos!
Simpático e com ar de 'moço bom', o veterinário do Mato Grosso do Sul, Fael não foi nada romântico ao explicar para o apresentador porque abandonara a prova. "Bexiga, Bial, tava apertadíssimo!". O Mister Mundo gaúcho Jonas agüentou praticamente vinte e duas horas e resolveu sair também. Alegou estar cansado de ficar lá dentro, mas saiu sorrindo, sem sinais do cansaço. Foi aplaudido. "Pode receber os aplausos, porque vai ser só isso que você vai receber por ter ficado 22 horas lá!", ironizou Pedro Bial, que já parecia bem mais à vontade em seu posto.
A apresentadora paulista Fabiana resistiu o que pode, e desandou num pranto sentido ao deixar a prova. E ainda teve que ouvir um comentário gracioso ao sair. Uma sister disse de longe: "ela ficou esse tempo todo lá (no carro) e manteve o rímel no lugar!". Mulher observa tudo.
"Vocês estão ao vivo para todo o Brasil: alguém quer desistir gloriosamente?", perguntou Pedro Bial para os três remanescentes. Kelly gritou: "Jamais!". Ronaldo: "Sem chance!". Jakeline não disse nada. Momentos antes de terminar a edição do programa, o apresentador insistiu: "alguém vai desistir?". "De jeito nenhum. Essa palavra não existe no meu dicionário", afirmou com firmeza a mineira Kelly. "Jamais", declarou a baiana Jakeline. "Eu já tô de motorista, Bial. Só saio daqui de carro", foi a vez do paulista Ronaldo. Mas perdeu a vez. Logo mais, perto da meia-noite, o vendedor deixou a prova nas mãos das duas moças. Até terminar esse texto, as duas ainda permaneciam na competição.
No "BBB1" essa mesma prova de resistência durou 14 horas. Até o final da edição de ontem, a prova já passava das 24 horas de duração. Mais tarde já havia batido o record de prova mais longa de todas as edições. "Mas eles (os brothers do 'BBB1') ainda eram muito ingênuos", comentou Bial. "Vocês já são mais maliciosos", completou.
Malícia ou determinação, o fato é que as meninas estão torcendo para ganhar o carrão zero. "O que é que está valendo mais, a imunidade ou o carro?", perguntou o apresentador. "Os dois', foi a resposta geral. "O carro é muito bom", acrescentou Kelly.
A essas alturas, uma das meninas, Kelly ou Jakeline, já é a líder da semana e proprietária de um belo carrão. E isso é só o começo.
Natural de Porto Alegre, formou-se em Estudos Sociais pela PUC/RS. Começou a fazer teatro ainda no sul. Veio para São Paulo e ingressou na Escola de Arte Dramática (USP), formando-se ator. Escreveu, dirigiu e atuou em diversos espetáculos teatrais. Fez algumas colaborações para a Ilustrada e, sempre à convite, assinou a coluna Antena, da "Contigo". Nesse meio tempo, fez crítica de teatro para o "Jornal da Tarde" e na rádio Eldorado AM. Mais recentemente foi colunista da Folha.com, comentando o BBB11. Atualmente, além de atuar, cursa Filosofia.
BBBs repetem bordão do "Pânico na TV" e Bial não entende
O bordão de Zina, ex-integrante do "Pânico na TV", foi repetido várias vezes durante a prova de resistência do "Big Brother Brasil 12". (O corintiano Zina aparecia em uma vinheta do humorístico da Rede TV! dizendo "Ronááldo!", na época o ex-jogador Ronaldo Nazario era atacante do time.)
"Ronááldo!", gritavam os BBBs durante a prova do "BBB". Um dos finalistas se chama Ronaldo.
Durante uma conversa entre BBBs e Pedro Bial ao vivo na Globo, um dos participantes gritou novamente.
E Bial, desentendido, perguntou: "Por que Ronaldo? Por que ele é homem?" Um breve silêncio e alguém tentou explicar, mas não precisou.
Frederico Rozário/TV Globo
"Ronaldo?", perguntou Pedro Bial
"Ronaldo?", perguntou Pedro Bial
TONY GOES-Será que o "BBB" é a Dercy do futuro?
Ontem foi possível detectar um certo consenso na internet. Nos blogs, nas redes sociais e até mesmo no "live blogging" do "F5", todo mundo parecia concordar numa coisa: as duas estreias da Globo nesta terça teriam qualidades opostas. Primeiro, a porcariada do "Big Brother Brasil". Em seguida, uma produção requintada sobre uma figura emblemática do teatro brasileiro: Dercy Gonçalves. O que se viu na telinha meio que confirmou as expectativas. Apesar de algumas novidades, o "BBB" continua o mesmo. Não vai conquistar um único novo fã; quem odiava o programa vai continuar odiando. O desafio de agora é conservar os fãs antigos.
João Miguel Júnior/Tv Globo
Heloisa Perissé como Dercy
Heloisa Perissé como Dercy

O primeiro capítulo de "Dercy de Verdade" também não desapontou. Excelente reconstituição de época, atores em estado de graça, ritmo ágil.
Nem o tsunami de palavrões que sai da boca da protagonista ofusca a impressão de que estamos diante de um produto luxuoso, daqueles que só a Globo fazer. E, no entanto, houve um tempo em que Dercy Gonçalves era tão execrada quanto os "brothers" e "sisters" de hoje.
Seus programas de auditório tinham muita audiência nos anos 60, mas eram esnobados pela "intelligentsia" brasileira. Foi só depois de sumir por muito tempo da TV que Dercy ressurgiu com a aura de grande dama.
Quando morreu, em 2008, era respeitada como um dos nomes mais importantes da cultura nacional (ainda bem). Na verdade, o estigma de Dercy não se dissipou totalmente. Há anos que Fafy Siqueira luta para montar um espetáculo teatral em homenagem à estrela desbocada, com texto de Maria Adelaidade Amaral (a mesma autora da minissérie e da melhor biografia de Dercy). E por que este projeto não sai do papel? Por falta de patrocínio. Grandes anunciantes não querem se associar a uma personagem tão sem papas na língua. Isto talvez mude agora, com o sucesso de "Dercy de Verdade". E a interpretação de Fafy chega a ser aflitiva de tão boa.
Heloísa Perissé está ótima como a Dercy jovem, e realmente pareceu incorporar a diva na cena da antológica "primeira cuspida". Mas Fafy Siqueira vai além: a voz, a boca, o gestual, foi difícil acreditar que não era a própria Dercy quem aparecia na tela.
Será que o que se passou com Dercy Gonçalves também acontecerá com o "BBB"? Hoje o "reality show" é considerado lixo em estado puro, mais ou menos como o era Dercy 50 anos atrás.
Mas não duvido que, lá por 2040, o "Big Brother" vire assunto para filmes e minisséries da maior seriedade (isto se ainda houver cinema e TV, é claro). O "trash" de hoje é o "cult" de amanhã. Quem viver, verá.
Tony Goes tem 50 anos. Nasceu no Rio de Janeiro mas vive em São Paulo desde pequeno. É publicitário em período integral e blogueiro, roteirista e colunista nas horas vagas. Escreveu para vários programas de TV e alguns longas-metragens, e assina a coluna "Pergunte ao Amigo Gay" na revista "Women's Health". Colaborador frequente da revista "Junior" e da Folha Ilustrada, foi um dos colunistas a comentar o "Big Brother 11" na Folha.com.

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