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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Saiba como ocorre o resgate dos corpos do acidente do voo AF 447

Baixa temperatura e alta pressão podem ter gerado conservação.Içamento pode desintegrar corpos no percurso, diz especialista da FAB.

Tahiane Stochero Do G1, em São Paulo

Nesta quinta-feira (5), o Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) da França informou que um primeiro corpo de vítima do acidente do voo da Air France foi resgatado do fundo do mar, onde estava a 3.900 metros de profundidade. O órgão informou que, durante o processo de içamento, "não foi possível manter a integridade do corpo".
Segundo o o diretor do Instituto de Medicina Aeroespacial da Aeronáutica, coronel Eduardo Camerini, os corpos  estão conservados no oceano, mas são pequenas as chances de eles resistirem completamente ao içamento à superfície, sem se desintegrarem no percurso, devido às mudanças de pressão e temperatura. O oficial foi responsável por coordenar a perícia dos 50 corpos retirados do mar logo após a tragédia, ocorrida em 31 de maio de 2009 e que deixou 228 mortos.
info af447 corpos air france (Foto: Arte G1)

“A temperatura naquele lugar está próxima de zero e a pressão é muito alta, de 400 atmosferas. Por isso os corpos estão mantidos conservados. Contudo, a possibilidade de chegarem em cima inteiros é muito pequena, pois o gás acumulado fará o corpo aumentar de volume e dilatar, possivelmente desintegrando-o pelo caminho”, afirma o coronel.
“A pressão na superfície é 400 vezes menor  que a que os corpos enfrentavam no fundo do mar. É uma mudança imensa, pois o corpo se desmonta inteiro com a pressão exercida durante a subida”, acrescenta.
Segundo ele, haverá dificuldade de se fazer exame de DNA porque a composição “pode ter sido perdida” durante o tempo em que o corpo ficou submerso. “Normalmente se faz exame de DNA usando o cabelo, mas todos os que retiramos do mar na época já estavam sem cabelo”, afirma ele. “A questão (da retirada do corpo do mar) tem uma representação mais religiosa, para se encerrar um ciclo”, diz.
Uma das caixas-pretas do Airbus da Air France foi localizada neste domingo (Foto: BEA/Divulgação)
Robô operado remotamente recolhe a caixa-preta da aeronave e agora atua no resgate dos corpos das vítimas (Foto: BEA/Divulgação)
Operado remotamente, o robô Remora 6000 mergulha no fundo do oceano e prende os corpos dentro de uma cesta, que é vazada e semelhante à que recolheu as caixas-pretas, mas de tamanho maior. Em seguida, a gaiola é presa a um cabo e içada ao navio Ile de Sein, que está em alto mar para a retirada de destroços, explica o oficial.A França informou que o material passará por exames de DNA. Na quarta-feira (4), houve uma primeira tentativa de retirada de um corpo também preso ao assento da aeronave, que foi fracassada, segundo as autoridades francesas.
Temperatura
Segundo o oceanógrafo David Zee, professor da Universidade do Estado Rio de Janeiro (Uerj), a possibilidade de o corpo chegar à superfície inteiro dependerá do estado de conservação de cada um. “Lá no fundo eles estão bem conservados, mas isso não significa que eles não se esfarelem no caminho. Assim que chegarem ao nível do mar, devem ser colocados em uma câmara para manter-se refrigerados, onde podem resistir por algum tempo”, diz.Para o comandante Carlos Camacho, diretor de segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas e que acompanha os trabalhos dos investigadores, a pressão e a temperatura “contribuíram para que os corpos se mantivessem inteiros no mar”, mas  “a nova realidade ambiental, na superfície, poderá alterá-los”. “O que ocorrer com este corpo retirado vai mostrar a eles se será possível retirar os demais ou deixar que o mar seja o melhor túmulo para eles. A retirada de todos os corpos é um trabalho enorme, lento, que pode demorar meses”, acrescenta. 

França fará DNA em corpo de vítima do 447, diz email enviado a famílias

Informação foi dada às famílias em carta do núcleo francês de investigação.No documento, BEA afirma que haverá novas tentativas de resgate de corpos.

Alícia Uchôa Do G1 RJ

O corpo encontrado nos destroços do avião da Air France nesta quinta-feira (5) vai passar por exame de DNA a ser feito por um laboratório francês. Segundo Nelson Marinho, presidente da Associação Brasileira de Famílias de Vítimas, a informação foi dada às famílias através de email do Escritório de Investigações e Análises (BEA), órgão francês encarregado das buscas. O avião caiu no Oceano Atlântico em 2009, com 228 pessoas a bordo.Na carta, o BEA conta que uma tentativa “infrutífera” chegou a ser feita na quarta-feira (4), mas que só nesta quinta a missão teve sucesso. O órgão afirmou ainda que o içamento do corpo aconteceu com “a preocupação constante de preservar a integridade da vitima”, mas por causa das condições “particularmente difíceis” não foi “possível manter a integridade” (do corpo). Ainda segundo o BEA, outras tentativas serão feitas.
Corpo estava em assento de avião
Os despojos estavam ainda atados pelo cinto de segurança a um dos assentos do voo, a uma profundidade de 3.900 metros, e pareciam degradados, segundo o comunicado da polícia francesa.
"As tentativas de recuperação são feitas em condições particularmente complexas e até agora inéditas", continua o comunicado. "Persistem fortes incertezas sobre a possibilidade técnica da recuperação dos corpos."Oito pessoas da gendarmeria francesa estão a bordo do navio participando dos trabalhos. A recuperação "demorou muito tempo", disse um porta-voz da polícia francesa. Segundo ele, os corpos estão bem preservados no fundo do mar por conta da pressão e da temperatura, mas trazê-los para cima para águas mais quentes provoca a decomposição, o que dificulta o resgate.
Caixas-pretas
Um das caixas-pretas, com o dispositivo que grava as informações da cabine,  foi encontrada na terça-feira pela equipe francesa que trabalha nas buscas, na área próxima ao último local de contato da aeronave com os radares.A outra caixa, que grava a atividade dos instrumentos de voo, foi achada no domingo passado, e o estado exterior de ambas "é bom", disse Jean-Paul Troadec, diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA) encarregado das buscas.Embora o achado do material seja considerado "um grande passo para a compreensão do acidente", resta saber se será possível resgatar os dados de seu interior, pois há o receio de que o óxido e a pressão tenha danificado os instrumentos de gravação.
A equipe de busca localizou os destroços do Airbus 330 há um mês, depois de quase dois anos de buscas no fundo do mar.
A segunda caixa-preta foi resgatada pelo robô-submarino nesta terça (3). (Foto: Divulgação / BEA)
A seCaixa-preta resgatada pelo robô-submarino nesta terça-feira (3) (Foto: Divulgação / BEA)

VALE ESTE: arte af 447 (Foto: Editoria de Arte/G1)

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