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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Susan Sarandon chama Papa Bento XVI de 'nazista'

Atriz participou de evento no final de semana em Nova York.
Ela diz ter dado a João Paulo II cópia de 'Os últimos passos de um homem'.

A atriz Susan Sarandon (Foto: AFP)A atriz Susan Sarandon (Foto: AFP)
Durante participação no evento The Hamptons, em Nova York no último final de semana, Susan Sarandon fez críticas ao Papa Bento XVI. Em sabatina realizada por Bob Balaban no teatro Bay Street, a atriz comentou que deu ao papa uma cópia do livro "Os últimos passos de um homem", que ela estrelou nos cinemas.
"Foi para o último", comentou, sem citar o nome de João Paulo II. "Não esse nazista que temos agora". Segundo o site The Hollywood Reporter, o comentário provocou risos na plateia.
Baseado em uma história real, "Os últimos passos de um homem" deu a Susan o Oscar de melhor atriz em 1995. No filme ela interpreta a freira Helen Prejean, responsável por ajudar condenados que estão à espera da execução. Segundo a atriz, a cópia do livro foi entregue após autorização da própria Helen.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Filme sobre papa fujão divide opiniões de católicos na Itália

Comédia de Nani Moretti retrata pontífice à beira de um ataque de nervos.Cena em que cardeais jogam partida de vôlei irritou alguns setores da igreja.

Da AP
 
O diretor e ator Nani Moretti em cena de 'Habemus papam', em que cardeais jogam vôlei enquanto aguardam retorno de papa fujão (Foto: Phlippe Antonello/Divulgação/AP)O diretor e ator Nani Moretti em cena de 'Habemus
papam', em que cardeais jogam vôlei enquanto aguardam retorno de papa fujão (Foto: Phlippe Antonello/Divulgação/AP)
O filme "Habemus papam", de Nanni Moretti, está dividindo opiniões entre católicos italianos, uma semana após sua estreia no país, em 15 de abril. A comédia, que também será destaque no Festival de Cannes, em maio, acompanha a história de um cardeal que entra em pânico diante da perspectiva de se tornar pontífice e abraçar a enorme responsabilidade do cargo.O influente "Avvenire", publicação que representa o episcopado católico italiano, divulgou uma carta em que um expert em Vaticano pede que o filme fosse boicotado. "Por que deveríamos financiar aqueles que ofendem nossa religião?", questiona.
Na resenha do filme, o crítico do jornal culpa Moretti por representar "a morte de uma igreja velha e confusa" e por deixar de lado aspectos cruciais da fé católica e da comunhão com Cristo.
Alguns analistas católicos, no entanto, elogiaram o diretor por oferecer um retrato humanizado de um papa em apuros - interpretado no filme pelo ator Michel Piccoli, de 85 anos. "Não há nenhum sarcasmo nem caricatura", disse um crítico da Rádio Vaticano.
O papa no divã
O filme abre com cenas de um enterro papal - que incluem imagens do funeral real do papa João Paulo II, em 2005 - e do conclave subsequente. Depois de ser eleito como pontífice, o cardeal interpretado por Piccoli entra em pânico, grita e foge correndo enquanto as palavras "Habemus papam" (latim para "temos papa") são pronunciadas na sacada da Basílica de São Pedro diante de uma multidão ansiosa.
"Estão vendo em mim uma qualidade que eu não possuo", diz o papa a um psicanalista - o próprio Moretti - que é chamado ao Vaticano para tentar ajudar o petrificado pontífice. "Eu não consigo!", ele grita em outro momento, sob pressão.
Psicanalista vivido por Moretti faz consulta com o papa em crise (Michel Picolli) em cena de 'Habemus papam' (Foto: Phlippe Antonello/Divulgação/AP)
Psicanalista vivido por Moretti faz consulta com o papa em crise (Michel Picolli) em cena de 'Habemus papam' (Foto: Phlippe Antonello/Divulgação/AP)
Antes mesmo de a identidade do novo papa ser conhecida pelos fiéis, ele escapa do Vaticano e começa a vagar pelas ruas de Roma em busca de respostas.
Enquanto o mundo espera, cardeais e o psicanalista permanecem enclausurados no Vaticano, ocupando-se com jogos de cartas e até um surreal torneio de vôlei.
Conhecido por suas sátiras políticas, como no recente "Il caimano", sobre o primeiro ministro Silvio Berlusconi, ou em "A missa acabou", quando ele mesmo interpretou um padre confuso 25 anos atrás, Moretti sustenta que não tinha intenção de fazer um filme sobre o Vaticano.
"É um filme sobre as dificuldades de atender às expectativas de outras pessoas", disse o diretor. "É a história de um homem que tem de reconhecer seus limites."
Novo 'Código da Vinci'?
Ainda que, no filme, o porta-voz do Vaticano apareça sempre mentindo - pressionado pelas circunstâncias sem precedentes do papa fujão -, a representação do colegiado de cardeais tem tudo para agradar a igreja.
Os religiosos são retratados como velhinhos inofensivos que se preocupam com seu papa, e não como pessoas movidas por interesses de poder e política."A imagem que Moretti dá da igreja é de uma natureza boa, não há nada de confrontativo ou cáustico", escreveu o autor católico Vittorio Messori, lembrando ainda que o cineasta se abstém de citar na história os recentes escândalos sexuais e financeiros envolvendo o Vaticano.Mesmo assim, certos analistas católicos questionaram alguns pontos do filme, como a cena do jogo de vôlei ou mesmo a escolha de um papa mais adequado como premissa para o longa.Nenhuma dessas críticas, entretanto, partiu de autoridades diretas do Vaticano, diferentemmente do que se deu em 2006, com o lançamento do filme "O código da Vinci".Na ocasião, um oficial do Vaticano pediu que os fiéis boicotassem o longa, uma adaptação do romance homônimo de Dan Brown que retrata a organização católica Opus Dei como sendo uma seita assassina. "Anjos e demônios", a continuação lançada três anos depois, também recebeu críticas do jornal do Vaticano, como sendo inverossímil, mas inofensivo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O pânico de um Papa recém-eleito está no novo filme de Moretti

(AFP) -O pânico que acomete um Papa, após sua eleição ao trono de Pedro, inspira o novo filme do italiano Nanni Moretti, "Habemus Papam", uma comédia psicanalítica que se passa entre os luxuosos corredores e palácios do Vaticano.
O filme, que começa com as imagens cinematográficas reais dos funerais do Papa João Paulo II na praça de São Pedro, em abril de 2005, descreve com respeito, graça e delicadeza um conclave e a dramática crise interior que sua eleição gera no novo pontífices.O diretor, ator, produtor e roteirista cinematográfico italiano, de 57 anos, conhecido pela refinada ironia e pelo sarcasmo com o qual aborda as angústias de sua geração, confessou que quis realizar antes de tudo "uma comédia"."Interessava a mim mostrar um personagem frágil, que se sente inadequado ante a este poder que lhe outorgam. Inserir este personagem dentro da comédia", assegurou o diretor após a sessão para a imprensa.Selecionado nesta quinta-feira para participar do festival de Cannes (França), o novo filme de Moretti, autor de "Palombella Rossa" (1989), "Aprile" (1998) e "La Stanza del Figlio" ("O quarto do filho") (2001), que conquistou a Palma de Ouro no festival francês, tampouco poupa críticas a um de seus temas favoritos, a psicanálise.O terror, a crise de pânico, o medo para assumir um cargo tão importante paralisam o novo papa, interpretado pelo magnífico ator francês Michel Piccoli, de 85 anos, justamente no momento em que o cardeal carmelengo anuncia à multidão a partir da varanda da basílica de São Pedro o clássico "Habemus Papam".Brilhantemente retratados com suas capas e barretes vermelhos, os cardeais pedem a ajuda de um psicanalista, "o melhor de Roma", interpretado por Moretti, para salvar o novo pontífice.
"Ajudem-me, não aguento, não aguento", corre espantado entre os corredores do palácio apostólico o novo Papa, após sua primeira sessão de psicanálise, perante todos os cardeais.O novo eleito termina por fugir do Vaticano, passear de ônibus, ir ao teatro, ao restaurante, como dizem que costumava fazer o falecido papa João Paulo II no início de seu pontificado."Acredito que esta sensação de se sentir inadequado é sentida por todos os cardeais eleitos pontífices", sustenta Moretti, que combina em seu filme momentos divertidos e não cai na irreverência de Federico Fellini.Para Francesco Piccolo - entrevistado pela AFP - um dos roteiristas do filme, junto com Federica Pontremoli, a história "não se inspira em nada"; nem no episódio narrado pela revista italiana Limes sobre o cardeal argentino Jorge Bergoglio, que suplicou no último conclave com "seu rosto sofrido" que não fosse eleito após entrever esta possibilidade.Filmado em grande parte nos espetaculares salões da embaixada francesa, no Palazzo Farnese, com uma magnífica Capela Sistina reproduzida nos estúdios de Cinecittá, o filme representa fielmente pátios, salões, uniformes e cores assim como o clima internacional imposto pelo Papa polonês.
"Se algumas pessoas veem referências a João Paulo II não se equivocam. Quis de qualquer jeito evitar falar dos escândalos recentes da Igreja. Quando escrevemos o filme e o rodamos não me deixei envolver por ele. O filme era outra coisa", ressaltou Moretti.A crise do sucessor de Pedro se encerra com um discurso perante a multidão sobre a situação da Igreja, no qual renuncia a governá-la, o que foi interpretado como uma crítica à distância entre a hierarquia e os fiéis.
Vaticanista sugere a Bento XVI assistir ao filme "Habemus papam", de Moretti

Bento XVI deveria ver "Habemus papam", o filme "genial" de Nanni Moretti sobre um papa confrontado à depressão, após ter sido eleito, estima Marco Politi, vaticanista do jornal italiano "Il fatto", em entrevista à AFP.
Pergunta: Qual é sua opinião sobre o filme de Nanni Moretti?
Resposta: É um filme genial. É uma pesquisa sobre o sentido do poder, da solidão, sobre a necessidade de afeição. Um grandde filme com um Michel Piccoli soberbo. O sedutor, que conhecíamos durante tantas décadas, está irreconhecível; mas deixa entrever sua capacidade de interpretar, o trabalho de ator e a sede de vida que marcaram Michel Piccoli, tanto como sedutor quanto, agora, papa.
P: Quais são os elementos interessantes do filme sobre a Igreja contemporânea?
R: Acho interessante que o elemento feminino apareça de forma recorrente no filme. Ao mesmo tempo, Moretti se faz intérprete de uma busca da sociedade que pede uma Igreja capaz de amor e de compreensão e que esteja em contato com todos. Por causa disso, então, acho que o secretário do papa deveria levar para ele o videocassete e fazê-lo ver, porque é estimulante.
Q: Como o filme será acolhido no Vaticano segundo o senhor?
R: Este filme exprime um grande respeito pela Igreja. Diria mesmo que, no fundo, é fruto dos 27 anos de pontificado de João Paulo II, que conseguiu tornar de novo a Igreja interessante para milhões de pessoas, inclusive para os não crentes. "Interessante" significa também poder discutir, debater. A Igreja não ficou mais à margem, mas foi levada ao centro da cena.
Por sua vez, Bento XVI, que é tão diferente de João Paulo II, alimenta interrogações sobre o que deve ser a Igreja no mundo contemporâneo. Acho que Moretti, enquanto artista, teve a intuição de fazer compreender a qual ponto a responsabilidade de um papa é grande, assim como o peso de um pontificado para os ombros de um único homem.

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