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segunda-feira, 26 de março de 2012

Filas atrasam show de Roger Waters em Porto Alegre

Alexandre de Santi
Do UOL, em Porto Alegre

Um único imprevisto escapou ao controle da impecável produção do espetáculo “The Wall”, do músico inglês Roger Waters, que abriu sua temporada brasileira na noite deste domingo (25) no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. As filas que serpenteavam o estádio desde as primeiras horas da tarde atrasaram o início do show em 42 minutos. Mas este foi o único detalhe que manchou a apresentação de Waters na sua primeira noite no Brasil. Em quase duas horas de show, dedicado ao brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em 2005 pela polícia londrina ao ser confundido com um terrorista, o ex-integrante do Pink Floyd foi uma espécie de coadjuvante de luxo de um espetáculo em que a grande atração é o muro e suas projeções de alta definição, como se a plateia assistisse a uma sessão de cinema executada ao vivo.


Roger Waters apresenta a turnê "The Wall" no Estádio Beira Rio, em Porto Alegre (25/3/2012). Essa é a estreia do show no Brasil que passará ainda por São Paulo e pelo Rio de JaneiroÀs 20h30, após meia hora de atraso, um locutor anunciou à plateia que a produção havia decidido aguardar a entrada de todo público que ainda estava do lado de fora do Beira-Rio. Havia ingressos à venda ao longo do domingo, mas, segundo a produção, todas as 48 mil entradas foram vendidas até o início da apresentação. O público que lotou o estádio enxergou Waters no palco às 20h42 ao riff de “In the Flesh?”, canção que abre o disco homônimo e o repertório da turnê. Em dois atos de aproximadamente uma hora cada, separados por um intervalo de cerca de 20 minutos, Waters segue o mesmo roteiro sem qualquer margem para surpresas - fãs de Pink Floyd que sonham em ouvir hits dos outros discos da banda podem abandonar qualquer esperança.
O muro não é construído com espontaneidade e improviso. O alicerce de “The Wall” está fincado numa força oposta: a produção meticulosa, capaz de impressionar o mais crítico dos espectadores ou pessoas que jamais ouviram “The Wall” e sequer conhecem a mensagem de espetáculo. É seguro dizer que o público brasileiro jamais viu show de rock parecido, mesmo após o país ter assistido recentemente a grandes produções como as de Paul McCartney e U2. Enquanto essas turnês dão destaque aos artistas e suas músicas, “The Wall” foca no desenvolvimento do roteiro do álbum de 1979 através de mensagens visuais. Como num musical da Broadway, a música, é claro, está lá e ajuda a apresentar o tema - as frustrações e o medo que levantam paredes metafóricas entre um personagem autobiográfico de Waters e a sociedade e que provocam isolamento e intolerância. Até Waters fica em segundo plano diante da grandiosidade das projeções lançadas sobre o cenário em formato de muro de 137 metros de largura por 11 de altura.Ou seja, embora contenham as mesmas músicas, o disco “The Wall” e o espetáculo “The Wall” são experiências totalmente distintas. Até quem não é ligado ao rock progressivo do Pink Floyd pode ter um momento de deleite visual diante da nova produção. Logo na primeira música, fogos de artifício são disparados do palco e a réplica de um avião da Segunda Guerra Mundial explode contra o muro. A pirotecnia introduz o primeiro dos traumas abordados em “The Wall”: a morte do pai na guerra. O som “quadrifônico” produzido pelas caixas de som laterais ajuda a compor o clima com sons de tiros, aviões e helicópteros. Na segunda canção, “The Thin Ice”, os 36 projetores de alta definição exibem rostos de pessoas mortas em guerras recentes nos 424 blocos que compõem o paredão. A música mais conhecida do espetáculo, “Another Brick in the Wall”, partes 1 e 2, vem na sequência com o apoio de 15 crianças da ONG Canta Brasil que vestiam uma camiseta onde se lia “Fear Builds Walls” (o medo ergue paredes). Um boneco inflável do professor cruel de Waters e as projeções visuais são o argumento definitivo para convencer a plateia de que ela está diante de um show de rock diferente. O muro se transforma numa enorme tela de cinema em alta definição abastecida com elementos gráficos inspirados no graffiti, com animações do filme “The Wall” e com imagens impressionantes do próprio Waters mescladas à colagem visual.Embora tenha sido composto originalmente como um mergulho introspectivo nas próprias frustrações, Waters ampliou a mensagem do novo “The Wall” na tentativa de mostrar que a intolerância, a guerra e o isolamento individual surgem dos mais variados muros erguidos sobre medo, traumas e frustrações. “Quero dedicar este concerto a Jean Charles de Menezes”, disse Roger Waters, em português, após saudar o público e agradecer às crianças que participaram do espetáculo. “E a todas as outras vítimas de terrorismo de Estado em todo o mundo. Vamos lembrar de vocês”, continuou o músico, ainda em português. Os pais de Jean Charles, Matozinhos Silva e Maria Menezes, assistiram ao show no Beira-Rio segundo a produção.
“The Wall não é sobre mim. É sobre Jean Charles e todos nós”, explicou Waters, agora já apelando para o inglês. Em seguida, tocou “Mother”, quando os caprichos da produção ficaram evidentes. Após o verso “Mother, should I trust the government?” (Mãe, devo confiar no governo?), o telão mostrou a resposta: “NEM F...”, em português e em letras garrafais. No primeiro ato, além de falar da morte do pai, do professor cruel e da mãe superprotetora, “The Wall” ainda aborda o casamento falido como mais uma das frustrações que se transformam em tijolos empilhados um a um entre o personagem e a sociedade. Literalmente, os blocos vão sendo levantados por técnicos ao longo da primeira hora de espetáculo. O muro vai se formando em frente ao palco, deixando pequenas frestas para o público observar a banda, e Waters canta a última música da primeira parte, “Goodbye Cruel World”, dentro do último buraco da parede.

Após o intervalo de 20 minutos, “Hey You” é interpretada pela banda inteiramente atrás do muro. Aos poucos, o personagem vai revelando o desconforto do seu isolamento, como em “Nobody Home”, quando Waters canta inserido em um cenário de uma sala com cadeira e TV que se abre dentro do muro. A metade final tem conteúdo mais político, abordando a intolerância de Estado gerada a partir dos muros. O tradicional porco inflável que sobrevoa a plateia traz mensagens políticas em português, como “Por um país melhor” e “Tudo ficará bem, siga apenas consumindo”. Em “Run Like Hell”, o telão provoca perguntando: “Tem muitos paranoicos no estádio hoje?”. O muro só cai de verdade na 27ª canção, “The Trial”, depois da banda tocar na parte da frente e de traz do muro - uma ginástica da produção que a plateia praticamente nem percebe. Às 23h03, Roger Waters agradeceu e saiu de cena sem que o público pedisse bis.

Depois de deixar Porto Alegre, a turnê segue para o Rio de Janeiro, onde se apresenta no Engenhão, na quinta-feira (29). Roger Waters ainda tocará em São Paulo nos dias 1º e 3 abril, no estádio do Morumbi.

quarta-feira, 21 de março de 2012

'The Wall', do Pink Floyd, ganha versão de luxo e preciosidades

A versão Immersion de 'The Wall' conta com sete discos. Foto: Divulgação A versão Immersion de 'The Wall' conta com sete discos
Foto: Divulgação

Osmar Portilho/TERRA
Roger Waters ainda não desembarcou no Brasil para sua turnê, mas já é possível entrar no clima de The Wall. A ópera rock do Pink Floyd, originalmente lançada em 1979, ganha nova versão lançada pela EMI na etapa final do projeto "Why Pink Floyd", que colocou nas prateleiras versões remasterizadas dos álbuns do quarteto britânico. Depois de Dark Side of the Moon e Wish You Were Here, é a vez de The Wall ser relançado nas versões Experience e Immersion. Além do álbum duplo íntegra, ambos trazem extras inéditos, a melhor parte de todo o pacote lançado pela gravadora. A edição Experience, a mais simples, conta com o álbum duplo e um disco extra batizado de Work in Progress. Embora o CD duplo tenha recebido um tratamento especial e reforçado diversos arranjos vitais na peça em sua remasterização, é no terceiro CD que está o maior trunfo do lançamento. Work in Progress tem 26 faixas, sendo boa parte delas rápidos temas e transições sonoras características da ópera rock.
Já a versão Immersion, que é importada, oferece um pacote mais luxuoso: sete discos. Entre eles, há um DVD com imagens da turnê de 1980, o documentário Behind the Wall, um disco ao vivo e algumas versões inéditas de Comfortably Numb e Run Like Hell. Seja na versão Experience ou Immersion, o grande trunfo da série é mostrar através de verdadeiras preciosidades o processo de criação de The Wall. Fãs da banda certamente exercitarão seus ouvidos para buscar detalhes nas versões demo e as finalizadas das canções até a exaustão.
Além deste passatempo, o pacote ainda inclui trechos de transições não utilizadas no álbum e as características ilustrações do artista Gerald Scarfe, responsável por "dar cara" aos personagens de The Wall.
Entre tantas faixas, algumas versões deixadas de fora do álbum final ganham destaque.
Another Brick in the Wall, Pt. 1
Figurinha repetida entre as rádios de rock clássico, Another Brick in the Wall ficou famosa por sua parte 3, mas vem nesta versão demo com uma bonita introdução ao violão, um verso com mais swing e um refrão marcado por um um bonito arpejo que acompanha o tema em segundo plano.
The Thin Ice
Ainda com cara de demo, The Thin Ice coloca o vocal de Roger Waters mais introspectivo e menos cantado. Os arranjos da sua sequência final ainda contam com um solo de guitarra e outra roupagem.
Empty Spaces
Outro momento "tenso" da ópera rock, Empty Spaces mostra nesta versão um peso maior em relação ao disco final. Sintetizadores ganham peso e ficam em primeiro plano lembrando muito a fase do grupo em Wish You Were Here com canções como Welcome to the Machine. A voz de Roger Waters passeia pelos fones cheia de efeitos de eco.
Mother
Também cantada por Roger Waters, Mother vem mais "cheia" desde o começo em sua demo, em vez de ter o tom crescente da versão final de The Wall. Nesta prévia da canção, os vocais de David Gilmour ainda não haviam sido gravados. Com o vocal "gritado" de Waters, fica uma boa alternativa para essa bonita balada.
Another Brick in the Wall, Pt. 3
A parte 3 de Another Brick in the Wall é conduzida também por esse arpejo não aproveitado em suas versões finais, mas que dão uma cara diferenciada ao tema.
The Doctor
Nada mais do que uma prévia de Comfortably Numb, The Doctor mostra uma versão crua da canção que se tornaria um dos hinos de The Wall. A faixa mostra os versos de Roger Waters com um vocal um arrastado, mas com a mesma intensidade de Gilmour nos vocais do refrão. As frases do solo de Gilmour também são as mesmas, mas a canção mostra uma ponte no trecho final não usada no final.
Run Like Hell
Com um início mais vibrante e até "dançante", a demo de Run Like Hell mostra a esturtura básica que a canção ganharia em sua versão finalizada.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PINK FLOYD-Viagem ao lado obscuro de "The Dark Side of the Moon"

David Gilmour e Roger Waters revelam por que a frágil colaboração por trás de The Dark Side of the Moon, a obra-prima do Pink Floyd, estava fadada a se desmanchar
por Brian Hiatt/Rolling Stone

Poderia ser uma música nova do Pink Floyd, se a banda ainda existisse como algo além de uma memória, mais do que uma parceria comercial apenas cordial. David Gilmour está sentado em cima de uma estante de equipamentos na sala de controle de sua casa-barco extravagante nos arredores de Londres, dedilhando uma progressão de acordes descendentes em um antigo violão Martin de 12 cordas, enquanto entoa uma canção melancólica e sem palavras. “Estou inventando isso agora”, ele diz e continua a tocar.

Na parede atrás dele, o rio Tâmisa bate no casco sob o céu cinzento do outono prematuro.
“Há alguns anos”, Gilmour prossegue em seu sotaque britânico refinado, “eu estava fazendo a mesma coisa na sala de controle número 3 e saiu isto aqui.” E ele mostra a introdução inconfundível de “Wish You Were Here”, de 1975. “Isso foi composto e tocado neste violão – então, se sair alguma coisa, a gente tem que prestar atenção.”“Wish You Were Here” é um caso raro no catálogo do Pink Floyd: uma colaboração indiscutível, cara a cara, entre Gilmour e Roger Waters – o baixista, letrista e força criativa do Pink Floyd durante o período de maior sucesso da banda. “Roger disse: ‘Tem algo aí, eu tive uma ideia’”, diz Gilmour, “e daí ele escreveu os versos e o refrão juntos – ele escreveu as palavras.”
Apesar de também dividirem o crédito em outro clássico do Pink Floyd, “Comfortably Numb”, entre outras faixas, Gilmour e Waters nunca formaram nada que chegasse perto de uma dupla de composição consistente, ao estilo de Lennon e McCartney. Como Waters declarou à Rolling Stone em 1987, após a sua rancorosa saída da banda: “Nós nunca conseguimos chegar a uma visão comum da dinâmica que existia dentro da banda, de quem fazia o que e se estava certo ou não”. Até hoje essas questões permanecem à tona e até hoje ninguém chegou a um acordo.

Mas atualmente as relações são civilizadas o bastante para Gilmour, Waters e o outro integrante sobrevivente, o baterista Nick Mason, terem chegado a um acordo que pode representar sua última reunião de forças conjuntas: o projeto do relançamento de todo o catálogo do Pink Floyd. Todos os álbuns de estúdio foram remasterizados, e os três que fizeram mais sucesso – The Wall, de 1979, Wish You Were Here, de 1975, e a obra-prima The Dark Side of the Moon, de 1973, que vendeu 40 milhões de cópias – estão recebendo o tratamento de caixas de luxo, com sobras de estúdio que estavam perdidas há muito tempo, gravações ao vivo e vídeos. “Nós estamos fugindo daquela coisa de ser seletivos em excesso”, conta Gilmour, “para não deixar de lançar qualquer coisa que seja considerada abaixo do padrão. Tudo que existe vai sair, de um jeito ou de outro”.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Datas dos shows de Roger Waters no Brasil serão alteradas

Ex-Pink Floyd tem compromissos em Porto Alegre, Rio e SP em março.Mudança é devido as sete apresentações que ele fará em Buenos Aires.

Do G1, em São Paulo
A produtora Time for Fun divulgou um comunicado na manhã desta quinta-feira (1) que a série de shows que Roger Waters fará no Brasil em março de 2012 será remanejada. A mudança acontecerá devido as sete apresentações que o músico fará em Buenos Aires - cinco delas extras, sendo que a última está agendada para 17 de março.
No mesmo dia Waters está programado para toca em Porto Alegre. Ele também tinha agendado shows em São Paulo (21 e 22 de março) e no Rio, no dia 25 do mesmo mês. A produtora afirma que as novas datas e informações sobre o início da venda de ingressos serão anunciadas em breve.
Roger Waters durante a turnê 'The wall'. Show tem muro/telão de 137 metros de largura (Foto: Divulgação)
Roger Waters durante a turnê 'The wall'. Show tem muro/telão de 137 metros de largura (Foto: Divulgação)
Os shows de Waters pela América do Sul fazem parte da turnê "The wal". e faz referência ao clássico álbum do Pink Floyd, escrito e produzido pelo músico. Ela conta com um muro de 137 metros de largura que forma um telão e reproduz os efeitos especiais da turnê original, como imagens originais de Gerald Scarfe, o avião batido e o som quadrafônico, além de pirotecnia e bonecos infláveis gigantescos (como o porco voador).Lançado em 1979, "The wall" é um disco duplo conceitual que se tornou um dos álbuns mais vendidos da história. O Pink Floyd tocou as músicas do disco entre 1980 e 1981 em shows realizados em Los Angeles, Londres e Nova York. Posteriormente, em 1990, Waters reuniu um grupo de artistas para interpretar o álbum ao vivo por ocasião da queda do Muro de Berlim. Ná época, foi transmitido ao vivo para centenas de países e, posteriormente, virou CD e DVD.Waters, que apresentou a atual turnê pela América do Norte no segundo semestre do ano passado, já havia tocado ao vivo o lendário álbum "The dark side of the moon", também do Pink Floyd, entre 2007 e 2008.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pink Floyd anuncia lançamentos para o final do ano

  . Foto: Getty Images O projeto inclui CDs, DVDs e um novo álbum, que reunirá os maiores sucessos da banda
Foto: Getty Images

A banda Pink Floyd anunciou detalhes sobre três novos projetos, que começarão a ser lançados em setembro deste ano. As informações são do GigWise.

O projeto Why Pink Floyd?... inclui CDs, DVDs e um novo álbum, que reunirá os maiores sucessos da banda. "Essa é uma colaboração única entre a EMI e uma das bandas mais criativas e influentes da história", comemorou Roger Faxo, CEO da gravadora.
O primeiro lançamento será uma edição especial de The Dark Side Of The Moon, marcado para sair no dia 26 de setembro. Depois, a banda apresentará uma retrospectiva, A Foot In The Door - The Best of Pink Floyd, no dia 7 de novembro.
Já em 27 de fevereiro de 2012, The Wall, Immersion e Experience serão lançados em vinil.

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