LAURA MATTOS/FOLHA
DE SÃO PAULO
foto-O ator Leonardo Miggiorin, que vai dar vida a Roni, um dos personagens do núcleo gay de "Insensato Coração"
Depois de matar em uma explosão um casal de lésbicas em "Torre de Babel" (1998) e de cortar uma cena de beijo entre homens em "América" (2005), a Globo terá, a partir de amanhã, uma novela com um núcleo de personagens homossexuais.
Nova trama das 21h, "Insensato Coração" terá um quiosque na praia frequentado por gays. A dona (Louise Cardoso) é mãe de um garoto homossexual e se envolve com um jornalista (Cássio Gabus Mendes) homofóbico. Segundo Gilberto Braga, autor da novela, a relação dos dois será a questão mais importante do núcleo. Começará no capítulo 100 e será uma comédia romântica. Para ele, a criação de um núcleo gay não é uma evolução em relação a tramas anteriores, que já tiveram casais homossexuais. "É uma tentativa de ter alguma novidade", afirma Braga. O autor declarou que não haverá em "Insensato Coração" o primeiro beijo gay da teledramaturgia brasileira. Doutor em teledramaturgia, Mauro Alencar diz que "é preciso caminhar passo a passo, pois as diferenças do pensar e sentir no Brasil são gigantes, e a novela é um gênero que dialoga com todas as camadas sociais". "Mas pressinto que a qualquer momento o tão esperado beijo gay poderá ocorrer, como já aconteceu na novela argentina 'Botineras', de 2009/10. Outras intimidades, como o carinho entre o casal gay de "Ti Ti Ti", já estão com boa aceitação", diz.
André Fischer, diretor do portal GLS Mix Brasil, afirma que "a Globo tem dado provas de que é simpatizante à causa gay, pela maneira positiva como apresenta casais gays em suas novelas".
"Os canais GNT e Multishow, da Globo, têm uma extensa programação gay e simpatizante onde não faltam beijos gays. Além disso, 'Jornal Nacional' e filmes já mostraram vários beijos gays. Ou seja, o tabu é beijo em novela", avalia.

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