Homens e mulheres em conflito com o corpo e a identidade de gênero. Para essa parcela da população, acesso à saúde, educação, cultura e ao emprego são desafios que devem ser vencidos. É o que conta a ativista Rafaelly Wiest, integrante da diretoria da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e da Antra (Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Tranagêneros). Rafaelly concedeu entrevista exclusiva à Agência de Notícias da Aids para marcar este 29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans. Leia a seguir:
Agência Aids: Quais são as principais demandas do público trans?
Rafaelly: Respeito e inclusão na sociedade. Isso está relacionado aos direitos básicos que toda pessoa deve ter, como a acesso à saúde, educação, cultura e ao emprego. Outra demanda importante é o reconhecimento do nome social.
Agência Aids: Como está nacionalmente o reconhecimento do nome?
Rafaelly: Incentivados pelo Ministério da Saúde, 14 Estados possuem portarias que nos dão esse direito em alguns âmbitos públicos. É um avanço.
Agência Aids: O que falta em relação à saúde?
Rafaelly: Acesso integral. O movimento social teve importantes conquistas na área de HIV e aids, e isso é muito importante. Porém, hoje falamos não só em combate a doenças, mas sim em promoção da saúde. É importante termos atendimento integral desde a atenção básica.
Agência Aids: Como é o mercado de trabalho para o público trans?
Rafaelly: Este ano o acesso ao emprego e à geração de renda será foco das nossas ações. Existem travestis e transexuais com graduação, mestrado e doutorado. Mas, os empregadores têm preconceito em oferecer oportunidades para travestis e transexuais.
Agência Aids: Muitos são obrigados a se prostituir?
Rafaelly: Há duas questões: existem aqueles que querem se prostituir - e nós respeitamos essa escolha - e há quem se prostitui porque não consegue outra forma de renda. Como um travesti ou transexual vai ter boa formação se geralmente é expulso da escola quando começa a expressar a sexualidade?
Agência Aids: A instituição do Dia da Visibilidade Trans está contribuindo para a mobilização do segmento e conquista de direitos?
Rafaelly: A cada ano a mobilização é maior. Conseguimos, por exemplo, que o Ministério da Saúde implantasse a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, em maio do ano passado. Agora precisamos fazer com que essa política seja colocada em prática.
Pela primeira vez, o Big Brother Brasil teve uma participante transexual e isso foi destaque em várias mídias. O que você acha dessa visibilidade?
Rafaelly: Uma dessas repercussões foi uma reportagem do Fantástico. Foi muito boa, pois mostrou diferentes histórias de transexuais. É importante não padronizar comportamentos porque toda pessoa, seja trans ou não, tem suas especificidades.
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