Seu Jorge, Patrícia Pillar e Sandra de Sá gravam especial "Som Brasil" ao lado da homenageada, a cantora Marina Lima, nos estúdios da Globo, no Rio (31/5/2011)
Prestes a lançar seu novo álbum, "Clímax", a cantora e compositora Marina Lima será homenageada no programa "Som Brasil", nas vozes dos consagrados cantores Seu Jorge e Sandra de Sá e dos novos talentos Dani Black, Letuce e Os Outros. O programa, apresentado pela atriz Patrícia Pillar, deve ir ao ar na última sexta-feira de julho e foi gravado entre segunda (30) e terça (31) no Projac, complexo de estúdios da Globo no Rio."É maravilhoso ver o meu trabalho sendo revisitado por essas pessoas", elogiou Marina, em um dos intervalos da gravação, acompanhada pelo UOL. "Estou felicíssima. E as bandas que foram escolhidas para cantar minhas músicas aqui hoje são muito boas".
Ao lado da amiga Sandra de Sá, Marina cantou "À Francesa" e "Virgem". As duas gravaram as canções três vezes. Ao final da parceria com Marina, Sandra contou como se sentiu ao voltar a cantar com a amiga depois de 20 anos. "Sou amiga da Marina há quase 30 anos. Não cantávamos juntas há 20. O engraçado é que não é a primeira vez que canto 'Virgem' com ela. Já cantamos essa mesma música no programa 'Babilônia'", lembrou Sandra, adiantando que seu novo DVD, "Sandra de Sá - Africanatividade: Cheiro de Brasil", será lançado no final de junho. "O CD já foi lançado. E é um trabalho que me deixa muito feliz porque comemora meus 30 anos de carreira. Gravei na Quinta da Boa Vista, ao lado de vários amigos, como Elba Ramalho, Alcione e Maria Gadú".
Depois, foi a vez de Marina soltar a voz ao lado de Seu Jorge. A música escolhida para a dupla foi "Fullgás". Durante o ensaio, os dois já mostraram entrosamento. Mas foi quando o diretor do "Som Brasil", Luiz Gleiser, gritou o "gravando" que Marina e Seu Jorge mostraram mesmo que têm uma ótima química no palco. "É isso aí, Seu Jorge!", gritava Marina entre um trecho e outro da canção.Uma vez que cantou com os convidados especiais, Marina ficou quietinha, só observando as bandas escolhidas para homenageá-la. Ao ouvir Dani Black cantando "Eu Te Amo Você", a cantora pareceu visivelmente emocionada. O mesmo aconteceu ao ver as bandas Letuce e Os Outros apresentarem sua performance musical.Para o público que quer ver e ouvir Marina fora da TV, uma boa notícia. A cantora adiantou que pretende sair em turnê, após o lançamento do álbum "Clímax", em junho. "Comecei a fazer as canções dele há um ano e meio, em São Paulo, onde estou morando agora. Nos dias 24, 25 e 26, faço um show no Sesc São Paulo. E no dia 1º de julho no Rio, no Circo Voador. Depois sigo em turnê", disse.
Aos 54 anos, Marina Lima afirma que seu furor vai além do sexo
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Só não me venha mais com amor. É isso que pede Marina Lima, 54, na faixa que abre "Clímax", seu novo álbum. Em troca, ela promete "noites de incendiar o lençol", "noites de ver estrelas sob o teto do quarto", "noites inteiras com manobras de risco no ato" --"só não me venha mais com amor".
Composto entre seus últimos dias no Rio de Janeiro, onde nasceu, e os primeiros em São Paulo, para onde se mudou no ano passado, é o único de sua discografia autoral em que Antonio Cicero, irmão e principal letrista, não está presente. Com ele, fez clássicos do pop nacional, como "Fullgás", "Virgem", "Pra Começar" e "Acontecimentos".
Em vez de Cicero, entram as primeiras parcerias de Marina com Adriana Calcanhotto, Edgard Scandurra, Karina Buhr e Samuel Rosa (Skank).
| Karime Xavier/Folhapress | ||
| A cantora Marina Lima, que está lançando o álbum "Clímax", composto entre últimos dias no Rio e primeiros em SP |
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Folha - O sexo é a força motriz do novo trabalho?Marina Lima - Esse não é um disco de travessia, ele é de ápice. [A palavra] clímax tem uma conotação sexual. Mas tem, sobretudo, uma conotação de auge de um enredo. Tenho mais de 50 anos e me sinto, no físico, na saúde, em sabedoria, maturidade e experiência, no auge da minha vida. Passei por muitas coisas que agora não me derrubam mais. Esse ápice, portanto, não é de tristeza.
É de quê?
É de muito desejo. Apesar de a mulher com tal idade não ter mais tanto desejo, eu ainda me apaixono bastante por pessoas. Mas o desejo a que me refiro é muito mais abrangente, vai além de sexo. A vida me dá desejo e esse desejo me move. Cheguei ao ápice da minha busca.
E o que vem depois do ápice?
Ainda quero fazer uma obra-prima artística com tudo isso que aprendi, que sofri. Sentir dores fortes e não estar mais com nenhum tipo de ressentimento ou tristeza.
Esse "só não me venha mais com amor" é um grito feminista? Há algum parentesco entre esta e aquela sua outra canção que pergunta "por que as mulheres também não podem ter a sua sauna gay"?
Esse raciocínio é bom. Mas há um grande porém aí. Quando fiz aquela música com Cicero, queríamos mesmo falar de uma sauna gay. Nesta, eu e Adriana [Calcanhotto] não estamos preocupadas se quem não quer mais amor é uma mulher ou um homem. Nas nossas conversas íntimas, esse sentido é muito claro. Mas, na letra, isso não é explícito.
Esse é seu primeiro álbum autoral, desde a estreia, em 1979, em que seu irmão Antonio Cicero não surge como letrista. O que aconteceu?
Isso dá o capítulo de um livro, mas vou tentar resumir.
Cicero e eu passamos por muitas fases. Somos irmãos de sangue por parte de pai e mãe. Somos parceiros desde que eu tinha 15 anos e ele, 25. Fizemos canções juntos morando na mesma casa, quando eu era adolescente. Depois, fomos parceiros morando em casas separadas. Cicero e eu perdemos o nosso pai. E, muito recentemente, perdemos nosso irmão do meio, que era, de alguma maneira, o fio terra dessa irmandade.
Fio terra? Como assim?
Era mais ligado a Cicero do que eu, e mais ligado a mim do que o Cicero. Ele não compunha, mas deu o nome do meu primeiro disco, "Simples como Fogo". Ele morreu há quatro anos. Há um ano, perdemos nossa mãe. Os dois irmãos perderam muita coisa. Quando você muda uma família, toda a estrutura desequilibra, os dois são obrigados a rever a própria vida.
A relação se desestabilizou?
Cada qual foi tentar se entender e ver o que ia sair dali, até artisticamente. Cada um foi viver sua perda --ou seu ganho, no sentido artístico. Quanto norte essas pessoas nos deram, quantas bússolas. O que é perder essas bússolas. Mas fomos viver isso separadamente. Ele continua no Rio. Eu vim para São Paulo. Olhando daqui, as coisas ficam mais claras para mim. Vejo que o reencontro é vital para mim. E inevitável.
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