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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Em 'A invenção de Hugo Cabret', Scorsese faz homenagem ao cinema

Filme lidera indicações ao Oscar 2012, concorrendo em 11 categorias.
Diretor usa a mais avançada tecnologia atual para contar história retrô.

Da Reuters
Conta-se que quando os irmãos Lumière mostraram pela primeira vez, em 1895, seu filme de 50 segundos "A chegada do trem na estação", o público temeu que o trem saísse da tela e o atropelasse. Em "A Invenção de Hugo Cabret", novo filme de Martin Scorsese, que estreia no Brasil nesta sexta (17), essa cena é recriada. É improvável que, nos dias de hoje, alguém se assuste com ela. Mas há outra no longa que pode causar algum susto, quando um trem descarrilado parece realmente avançar para fora da tela. Um susto causado especialmente pela qualidade do 3D e pela incrível capacidade de sedução do longa.
Hugo Cabret (Foto: Divulgação)
Cena de "A invenção de Hugo Cabret" (Foto: Divulgação)
"A invenção de Hugo Cabret" é um filme infantil - o que acontece pela primeira vez na carreira de Scorsese - mas não necessariamente apenas para o público infantil. É, acima de tudo, a obra de um cineasta completamente apaixonado pelo cinema, que vê nele o combustível para sua vida. O longa foi campeão de indicações ao Oscar, com 11 - entre elas, melhor filme, diretor, roteiro adaptado e fotografia. Estreia nos formatos 3D e convencional - ambos em versões dubladas e legendadas.






Scorsese usa o máximo da tecnologia que o cinema oferece atualmente para contar uma história com ar retrô, sobre um período de quase um século atrás, os anos 1930, e falar dos primórdios do cinema - entre outras coisas. O roteiro, assinado por John Logan ("O Aviador"), adapta o magnífico livro infantil de Brian Selznick que já era uma homenagem ao cinema não só pelo tema como por suas ilustrações. Também assinadas por Selznick, elas mais parecem um story board cinematográfico, mostrando detalhes e recortes entre planos de imagens.Na história do pequeno Hugo (Asa Butterfield, de "O Menino do Pijama Listrado"), há muito em comum com a infância do próprio Scorsese, que descobriu a paixão pelo cinema quando ainda criança. Mas também há algo que ressoa no Scorsese de hoje, que além de cineasta é um dos profissionais mais empenhados na restauração, preservação e difusão de filmes antigos. Não por acaso, o livro de Selznick tocou fundo no diretor de "Taxi Driver". Com "A Invenção de Hugo Cabret", ele realiza um filme que, ao mesmo tempo, é a soma de tudo que fez e aponta novos caminhos, não só para o seu cinema, mas para a arte como um todo.
Há algo de Charles Dickens na trajetória do pequeno órfão que, desde a morte do pai (Jude Law), vive escondido numa grande estação de trem em Paris, onde seria criado pelo tio beberrão (Ray Winstone), que desapareceu. Para não ser descoberto e mandado para um orfanato, o garoto executa secretamente o trabalho do tio: dar corda em todos os relógios da estação todos os dias. Seu maior inimigo é o Agente (Sacha Baron Cohen), obcecado por manter a ordem no local, que, ferido na guerra, manca de uma perna e sempre circula acompanhado de um feroz doberman.A vida de Hugo é pautada por máquinas e mecanismos. A única lembrança que o garoto guarda do pai é um boneco autômato, que foi salvo do esquecimento no porão de um museu em que ele trabalhava, antes de morrer no incêndio que destruiu o local. O menino tem certeza de que o boneco é capaz de escrever algo, uma mensagem deixada por seu pai. Mas, para tanto, precisa terminar o seu conserto. Faltam-lhe peças, e essas são supridas por meio de pequenos furtos da loja de brinquedos dentro da estação, de propriedade de um velho ranzinza, conhecido como Papa Georges (Ben Kingsley).
Hugo Cabret (Foto: Divulgação)
Asa Butterfield e Sacha Baron Cohen em cena de "Hugo Cabret" (Foto: Divulgação)
A amizade entre Hugo e a filha adotiva de Papa Georges e Mama Jeanne (Helen McCrory), Isabelle (Chloë Grace Moretz, de "Deixe-me Entrar"), poderá ajudar não apenas o garoto a trazer o autômato de volta à vida - e assim descobrir a mensagem secreta de seu pai - como também resgatar o passado de Georges. Essa trama remeterá "A Invenção de Hugo Cabret" aos primeiros tempos do cinema, quando era pura diversão, algo pueril cujo conceito de arte ainda estava sendo descoberto. Ao menos até a chegada de Georges Meliés, que soube aprimorar o invento dos irmãos Lumière, adicionando-lhe elementos de fantasia e produzindo verdadeiras obras-primas.
Nostalgia
Um dos momentos cinematográficos mais famosos criados pelo francês é o olho da Lua atingido por um foguete. Essa imagem aparece em "A Invenção de Hugo Cabret" e vem repleta de significados - especialmente nostalgia. Nutrindo essa sensação de sentir falta daquilo que não vivemos, Scorsese nos leva por um passeio pelos filmes antigos. Quando Hugo e Isabelle folheiam um livro de história do cinema, as figuras que eles veem se materializam na tela na forma de antigos filmes mudos.
Ao mostrar o começo do cinema, Scorsese também desmistifica a arte, mostra que tudo - desde Meliés até hoje - não passa de truques, jogos de espelhos para contar uma história. A fotografia - assinada por Robert Richardson ("Ilha do Medo") -, no entanto, não faz do 3D um mero artifício. O efeito serve para ampliar o campo de visão e produzir uma imersão dentro da narrativa. Poucos filmes foram capazes de usar o 3D com tanta propriedade. James Cameron em "Avatar" criou um novo mundo por meio de efeitos gráficos. Aqui, Scorsese e Richardson reinventam o nosso mundo real. E, não por acaso, há um clima artificial semelhante a ilustrações de livros infantis nos cenários, na direção de arte, tudo isso para remeter às criações do próprio Meliés.Quando, numa das primeiras cenas, Hugo vê a cidade enquadrada por uma abertura no mostrador de um relógio da estação, é impossível não pensar em Scorsese, menino asmático e solitário, vendo a vida passar diante da janela de sua casa, de onde ele observava o mundo e sonhava participar da vida. O triunfo da imaginação - de Scorsese, de Meliés, de Hugo - é o antídoto à solidão e à mesmice. Como diz o personagem de Humphrey Bogart em "O Falcão Maltês (1941), esse é o material de que os sonhos são feitos.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Filme "Hugo" marca estreia de Martin Scorsese em 3D

VAGUINALDO MARINHEIRO/FOLHA
DE LONDRES

Martin Scorsese entra na sala do hotel em Londres com um caminhar arrastado. Parece cansado.
Pode ser a viagem dos EUA para a Inglaterra. Pode ser a série de entrevistas que tem dado para promover seu novo filme, "A Invenção de Hugo Cabret", que estreia no Brasil em 17 de fevereiro.
Mas basta começar a falar, numa velocidade alucinante, para revelar o que muitos atores dizem que ele é: uma criança de 69 anos que tem muita curiosidade e uma paixão declarada pelo cinema.

Divulgação
O ator Asa Butterfield em cena do filme "A Invenção de Hugo Cabret"
O ator Asa Butterfield em cena do filme "A Invenção de Hugo Cabret"

Scorsese, autor de clássicos como "Taxi Driver" e "Touro Indomável", tem um novo brinquedo: o 3D.
"Hugo" é seu primeiro filme com essa técnica, e ele está encantado. "Sempre quis fazer um filme em 3D. É o futuro. O cinema teve seus avanços. Primeiro o som, em 1927, depois a cor, em 1935. Agora é a profundidade, ou a percepção da profundidade", diz. O diretor afirma que aqueles que desprezam a técnica têm a cabeça fechada e zomba do argumento clichê "só deve ser utilizado se tiver a ver com a história". "O que querem dizer com isso? Seria o mesmo que defender que você só deve fazer um filme colorido, ou falado, se tiver a ver com o enredo. A realidade é colorida. A realidade é em 3D."
"Hugo", que acaba de ganhar os prêmios de melhor diretor e melhor filme de 2011 do National Board of Review, é baseado no romance homônimo de Brian Selznick, de 2007. Mistura história real e ficção para contar a saga de um garoto órfão que mora na estação Montparnasse de Paris no início dos anos 30.
Não é um thriller, mas contar mais da história revelaria detalhes que o filme desvenda aos poucos.
SEM VIOLÊNCIA
Quem está acostumado com a filmografia mais famosa de Scorsese irá estranhar um pouco. Não há palavrões ou violência explícita. Mas está lá o virtuosismo da câmera desde a primeira sequência, um longo sobrevoo pela estação para apresentar os personagens. "É um filme diferente para mim. Queria fazer para a minha filha mais nova, de 12 anos, e os amigos dela. Lemos o livro juntos", afirma.
Engana-se, no entanto, quem imagina ser um programa infantil ou só para adolescentes. É um deleite para os amantes do cinema. Há várias citações dos irmãos Lumière e de outros pioneiros franceses.
Scorsese homenageia o ator de filmes mudos Harold Lloyd ao recriar cena em que ele se pendura num relógio em "Safety Last!" (1923). O diretor é uma verdadeira enciclopédia de cinema e gosta de ser professoral sobre o assunto. Para o elenco de "Hugo", com Ben Kingsley ("Gandhi"), Chloë Grace Moretz ("Deixe-me Entrar") e Asa Butterfield ("O Menino do Pijama Listrado"), deu uma coleção de filmes mudos, para que eles entrassem no clima de sua produção. "Foi nosso dever de casa", diz Chloë, de 14 anos, que é só elogios para o diretor. "É um gênio. Do tipo que planta sementes na sua cabeça."
Apesar do amor, Scorsese faz críticas ao momento atual de sua arte. "O cinema americano hoje é para crianças. Animação ou filme de super-herói. Pessoas que voam e se odeiam. Não me importa quão baseados em mitologia eles são. Não são para mim."
Após ver "Hugo", dá para dizer: ainda bem que não.
 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Martin Scorsese negocia direção de filme sobre Elizabeth Taylor, diz site

Longa contará a história do romance da atriz com Richard Burton.Roteiro será baseado no livro 'Furious love', lançado no ano passado.

Do G1, em São Paulo
 
 
Scorsese (dir.) negocia direção em longa sobre Liz Taylor (Foto: Divulgação/AP)Scorsese (dir.) negocia direção em longa sobre Liz
Taylor (Foto: Divulgação/AP)
O estúdio Paramount está negociando os direitos para um longa sobre o romance entre os atores Elizabeth Taylor e Richard Burton, um dos casais mais famosos da história de Hollywood. A direção ficaria a cargo de Martin Scorsese (de "Ilha do medo", "Os infiltrados" e "Taxi driver").As informações foram publicadas nesta quarta-feira (1º) pelo site "Deadline", especializado em cinema.
O roteiro será baseado no livro "Furious love", de Sam Kashner e Nancy Schoenberger, lançado no ano passado. Segundo o Deadline, a família de Burton concordou em cooperar com a produção.
Elizabeth Taylor morreu em março deste ano, vítima de uma insuficiência congestiva. Ela conheceu Burton durante as gravações de "Cleópatra" (1963), e se casou com ele duas vezes.

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