Grande personalidade que é, Ronaldo não foi exceção no quesito frases que ficaram famosas ao longo da carreira, como na última entrevista que concedeu à
Folha, no dia 30 de janeiro de 2011, ao publicitário Washington Olivetto.
"Carrego o peso de ser o que sou e a responsabilidade que isso me traz, não é? Então, eu uso as entrevistas para passar a mensagem que eu quero", disse ele sobre os 20 anos de contato com os jornalistas.Perguntado a respeito da novela envolvendo o retorno de Ronaldinho ao Brasil, por exemplo, alfinetou: "O Assis [irmão e empresário do meia] tentou blindar o Ronaldinho de tudo, mas chega uma hora em que o jogador tem que ter voz própria. Ele não demonstrou em nenhum momento qual era a vontade dele realmente antes de fechar". Aproveitando o anúncio do encerramento de sua trajetória, nesta segunda-feira, veja algumas das principais declarações de Ronaldo Fenômeno:
| Mauro Horita/AGIF/Folhapress | |
 |
| Ronaldo chega ao CT com dois dos filhos e ao lado do presidente Andres Sanchez, para a entrevista coletiva |
"Eu sou o cara mais feliz do mundo aqui"
Na festa do centenário do Corinthians, em setembro de 2010, no vale do Anhagabaú
"Assim como dizem que eu estou gordo, dizem que o presidente [Lula] bebe pra caramba. Tanto é mentira que ele bebe pra caramba como é mentira que eu estou gordo"
Em 2006, criticando indagação do presidente Lula ao técnico Carlos Alberto Parreira sobre se ele estaria realmente acima do peso para a disputa da Copa na Alemanha
"Não está escrito em nenhum manual que eu tenho de jogar bem sempre"
Rebatendo críticas por suas atuações na Copa da Alemanha, em 15 de junho de 2006
"Não era dívida. Havia um peso na consciência"
Após a conquista do pentacampeonato, em 2002, sobre a final de quatro anos antes, quando o Brasil perdeu para a França
"No Santiago Bernabéu [estádio do Real Madrid] nunca me senti em casa, nunca me trataram com carinho"
Depois de ser vaiado no jogo do fim de semana pelo Campeonato Espanhol [vitória de 3 a 0 sobre o Alavés], em 2006
"A Daniella entrou na minha vida e me trouxe equilíbrio"
Após o casamento com a modelo Daniella Cicarelli, que pouco durou
"A desilusão é minha companheira"
Após derrota para a Lazio e a perda do título do Campeonato Italiano, em maio de 2002
"Gravou aquilo ali?"
Após gol marcado no uruguaio Rodolfo Rodríguez, do Bahia, pelo Brasileiro de 1993, em que aproveitou desatenção do goleiro para roubar a bola e chutar
"Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância. A solução é educar as pessoas"
Sobre o racismo, no dia 24 de maio de 2005
"Era só o que me faltava. Agora vai ter até fila na porta lá de casa"
Comentando declaração da ex-namorada, Fabyola François, quando disse que o jogador teria o apetite sexual de sete gorilas, em outubro de 2005
"A vida nos surpreende... depois da tristeza pelo jogo de ontem, hoje eu conheci o Alex. Vamos aguardar o exame e assumir os prazeres que os resultados nos derem"
No Twitter, sobre o garoto Alexander, 5, filho recém-reconhecido com a garçonete Michele Umezu, que conheceu em Cingapura, em 6 de dezembro de 2010
"O Ronald é uma criança doce, educada, praticamente um europeu. É brasileiro, mas eu prefiro que tenha amiguinhos europeus"
Sobre o fato de seu filho morar em Madri, em 16 de maio de 2009
"É, quer dizer, acho que não dá nada... Não tira nada... Mas vocês dizem quanto tempo antes? Muito antes?... Não é bom se cansar. Na dúvida, melhor ser passivo...".
Ao ser perguntado se sexo antes dos jogos atrapalhava, durante a gravação do programa "Altas Horas", de Serginho Groisman, em 12 de março de 2009
"Estava sem jogar havia dois anos. Então é uma grande vitória pessoal, mas a maior já aconteceu, que foi voltar a ser um jogador normal e a fazer gols sempre"
Após marcar cinco gols na Copa da Coreia e Japão, no dia 18 de junho de 2002 .
Fisiologista de Ronaldo se diz "chocado" com aposentadoria do Fenômeno
Gustavo Franceschini/Em Guarulhos (SP)/FOLHA
Bruno Maziotti acompanhou Ronaldo de perto nos últimos anos e foi um dos grandes responsáveis pelo prolongamento da carreira do Fenômeno, que parecia acabado há dois anos. Desde dezembro dedicado à seleção sub-20, no Peru, o fisiologista do craque se disse “chocado” com a aposentadoria do jogador.
“O futebol perde muito. Eu fico triste de ver um ídolo parando. Estou um pouco chocado com a notícia. Eu ainda não falei com ele”, disse Maziotti, no desembarque do time que sagrou-se campeão sul-americano no último sábado.Maziotti acompanha Ronaldo desde os tempos de Real Madrid, e acompanhou todo o tratamento do jogador após sua última lesão de joelho, no início de 2008. Naquele tempo, Ronaldo, então no Milan, parecia acabado para o esporte e sua aposentadoria já era cogitada.Só que o trabalho de Maziotti, aliado à chegada ao Corinthians, estendeu a carreira de Ronaldo, que ainda seria campeão paulista e da Copa do Brasil em 2009. O fisiologista preparava a saída dos campos apenas no fim deste ano, mas acha que a saída não é apenas por problemas físicos.
“O desgaste psicológico é maior que o físico. Dor todo atleta profissional tem, é normal. Não havia a possibilidade de parar. Algo importante acontecer. Sei que pesa ser escrachado da maneira como ele foi, injusta”, disse Maziotti, citando a pressão da torcida após a eliminação do Corinthians na Copa Libertadores.