terça-feira, 3 de maio de 2011

Conheça a rotina da casa de Osama bin Laden no Paquistão


Em abril de 1998, Osama bin Laden foi fotografado no Afeganistão. Foto: AP Vizinho do terrorista conta a rotina das pessoas que ocupavam a grande casa no Paquistão
Foto: AP

Ele dizia se chamar Tariq e toda manhã comprava seis ou sete pães na padaria local. Hoje, os moradores do bairro de Bilal Town, em Abbottabad, se perguntam se esse homem tão discreto não era o filho de Osama bin Laden, seu vizinho insuspeito .
Na noite de domingo, uma operação americana invadiu a casa de muros de quatro metros de altura, em frente à casa de Abdullah Jan, que está com medo de dar seu nome verdadeiro. No dia seguinte, o presidente americano Barack Obama anunciou a morte de Osama bin Laden depois do ataque realizado naquele então pacífico bairro residencial. Desde então o vizinho Abdullah recorda detalhes sobre "Tariq" e outro homem, Arshad Jan, que supostamente eram os únicos moradores da casa. "Eu sempre acreditei que eram pashtuns paquistaneses, mas agora acho que algumas coisas ainda não se encaixam", relata, ao destacar a pele mais clara e a personalidade mais reservada do que a dos pashtuns. Arshad Jan e Tariq se mudaram para Abbottabad em 2005, segundo Abdullah.
"Disseram que eles vinham de Peshawar", a principal cidade do nordeste, "e que trabalhavam com o mercado de câmbio", afirma. O primeiro seria, de fato, paquistanês e tinha comprado o terreno e construído a casa, segundo o serviços de bens e imóveis de Abbottabad. Entretanto a identidade de "Tariq", de aproximadamente 35 anos, é um mistério e tem dado margem a especulações na vizinhança. "Tariq era parecido com Bin Laden e poderia mesmo ser um de seus filhos".Segundo algumas fontes eles moravam juntos. Bin Laden, que teria quatro esposas, tinha pelo menos uma que era pashtun. Assim sua prole não teria dificuldades de se misturarem com paquistaneses ou pastuns. Abdullah lembra que Arshad nunca quis dar o número de seu celular. "Ele dizia que não tinha, quando, na verdade, todo mundo tem pelo menos um. As mulheres da casa nunca quiseram fazer ou receber visitas, o que é comum aqui no bairro. Nunca vinham para os casamentos". Com exceção de Arshad, Tariq, e as vezes alguns meninos, a família só saia de casa rapidamente e em seus modestos carros. As mulheres usavam burcas pretas que só deixavam os olhos descobertos.
Apesar de supostamente Bin Laden estar doente, segundo Abdullah, nenhum médico visitava a casa. Ainda de acordo com o vizinho, Bin Laden estava com problema nos rins e fazia tratamento de hemodiálise.
Os vizinhos não desconfiavam por causa da discrição atribuída às tradições conservadoras dos pashtuns.
"Eram muito rigorosos, por isso não tentávamos uma aproximação ou amizade", explica Shinaz bibi, que mora a 150 metros das muralhas equipadas com câmeras e arames farpados que protegiam a "família" Bin Laden. Dentro dos muros também moravam uma vaca e frangos. Duas vezes por dia, Arshad ou Tariq compravam pão com Mohamed Asif, a uns 50 metros da acadêmia militar, em uma pequena padaria. Mohamed sorri diante da ideia de ter vendido pão todos os dias para o chefe da Al-Qaeda. "Estou muito orgulhoso, é um herói que desafiou os Estados Unidos", proclama. "Eu contarei aos meus netos que não foi o nosso exército que o atacou, mas os americanos".
Ex-companheiro de Bin Laden prevê radicalização da Al-Qaeda

Um ex-companheiro de Osama bin Laden afirmou à AFP que este último já não controlava a Al-Qaeda, que passará a ser dirigida pelo egípcio Ayman al-Zawahiri, que deve optar por posturas mais radicais.
"Ao matar Osama Bin Laden, os americanos deram um pretexto ideal a Zawahiri, que é ainda mais extremista, para executar operações de vingança", declarou Huthayfa Azzam, 41 anos, filho de Abdalah Azzam, um dos mentores de Bin Laden. Huthayfa considera que "Bin Laden havia deixado há vários anos de controlar a Al-Qaeda", que "ficou nas mãos férreas do egípcio Zawahiri". "O próprio filho de Bin Laden, Omar, me contou quando decidiu voltar a seu país, Arábia Saudita. Explicou-me que tomou esta decisão porque seu pai estava perdendo o controle da Al-Qaeda", completou o jordaniano de origem palestina. "Ao contrário de Zawahiri, Bin Laden era alguém com quem os Estados Unidos poderiam ter dialogado. Ou por acaso não negocia com palestinos que no passado desviaram aviões ou usaram armas?", questiona. "Penso que acontecerá um recrudescimento das operações contra o Ocidente e, sobretudo, contra o Paquistão, já que a Al-Qaeda considera que foi este país que matou Bin Laden". Mas Huthayfa não acredita em atentados nos países árabes, já que a rede percebeu que "este tipo de operação prejudicou sua imagem com a opinião pública árabe". Filho do chamado "emir dos mujahedines", Huthayfa se afastou da Al-Qaeda há mais de 10 anos. "Divergências ideológicas me levaram a romper com a Al-Qaeda em 1998, mas mantive relações com Bin Laden, que continuava em contato comigo e com minha mãe", explicou. Bin Laden abandonou a Arábia Saudita, em 1984, seguindo os passos de Abdalah Azzam, que morreu em 24 de novembro de 1989 no Afeganistão com dois de seus filhos, na explosão de um automóvel.
Huthayfa Azzam acusou o Paquistão de fazer "um jogo de gato e rato com os Estados Unidos", repassando de vez em quando alguma informação sobre membros da Al-Qaeda, mas sem por isso prejudicar de verdade a rede, já que sua estratégia se baseia em fazer durar o máximo possível a 'cooperação' antiterrorista com Washington. "Os paquistaneses sabem que, quando este problema for solucionado, os Estados Unidos vão lidar com eles, já que são uma potência nuclear que preocupa Washington", destacou. "Aposto que o Paquistão sabe onde está Zawahiri e não vai dizer nada", afirmou, antes de acrescentar que "era impossível que o Paquistão não soubesse que Bin Laden estava em Abbottabad, em uma zona militar".
"Todos os membros da Al-Qaeda que foram detido ou mortos estavam em zonas militares paquistanesas", afirmou Huthayfa. A comunidade internacional, sobretudo o Paquistão, teme represálias de células da Al-Qaeda após a morte de Osama Bin Laden.

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