sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TV DIGITAL-CULTURA,GAZETA E REDE SÉCULO 21 SÃO AS LANTERNINHAS DA REGIÃO DE CAMPINAS-SP

Há menos de 50 dias do desligamento da tv analógica na Região de Campinas-SP,a implantação do sinal HDs das redes de tv está a passos de tartaruga.

Segundo a última atualização no ranking das emissoras,a rede CULTURA,GAZETA e TV SÉC. 21 aparecem com o menor número de sinais em alta definição e ocupam os últimos lugares nessa expansão.
Em conversa com as emissoras,a REDE CULTURA alegou ser problema das prefeituras,a GAZETA não estabeleceu datas e a TV SÉC 21 alegou falta de dinheiro. Acorda Brasil!

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Filme ilumina ideologia e voz de Clara Nunes sem devassar a intimidade da estrela

Há cena no documentário Clara estrela que é a senha para entrar no universo temático desse filme de Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir que estreou ontem, 9 de outubro de 2017, na 19ª edição do Festival do Rio. É a cena em que a cantora mineira Clara Nunes (12 de agosto de 1942 – 2 de abril de 1983), ao ser entrevistada em programa de TV comandado pela apresentadora Marília Gabriela, revela que não expõe na mídia a vida particular e que não gosta de ter a intimidade devassada. Projeto existente desde 1998 e viabilizado a partir de parceria entre a Modo Operante Produções e o Curta!, o documentário Clara estrela se situa dentro dos limites propostos pela artista naquela entrevista, iluminando a voz e a ideologia de Clara sem expor a intimidade da estrela, cuja história de vida é contada com clareza na excelente biografia Clara Nunes – Guerreira da Utopia (Ediouro, 2007), lançada há dez anos. Nem por isso, o filme deixa de ser igualmente excelente, de cativar e de emocionar por conta da voz e da ideologia já em si luminosas da cantora.

Embora a voz de Vinicius de Moraes (1913 – 1980) seja ouvida em off em depoimento de 1973 no qual o compositor e poeta carioca avalizava a estrela em ascensão, a única pessoa que fala e que tem a palavra final neste filme narrado e roteirizado na primeira pessoa é a própria Clara Nunes. Clara fala através de trechos de entrevistas concedidas a programas de televisão (em maioria, programas conduzidos com sensibilidade por Marília Gabriela) de reproduções de declarações da artista a jornais e revistas – ouvidas em off na voz da atriz Dira Paes, escolha acertada porque, em alguns momentos, os timbres das vozes de Dira e Clara soam similares – e, sobretudo, do canto resplandescente. É arrepiante quando a tela se ilumina no momento em que o filme mostra Clara cantando na Suécia o samba-enredo Ilu ayê (Terra da vida) (Cabana e Norival Reis, 1972) com o toque da Orquestra Filarmônica de Estocolmo. Essa é uma das imagens mais raras exibidas pelo documentário aberto com a imagem do também raro take do afro-samba Tributo aos orixás (Mauro Duarte e Ruben Tavares, 1972), cantado por Clara com o toque preciso da percussão de Naná Vasconcelos (1944 – 2016). Pontuado por clipes, números musicais de apresentações em TV e entrevistas da cantora, o documentário Clara estrela é roteirizado por Rodrigo Alzuguir em ordem cronológica em narrativa que começa com imagens da artista na mineira cidade natal de Paraopeba (MG), onde viveu uma infância pobre. A presença forte do pai, conhecido como Mané Serrador, é evocada por Clara várias vezes ao longo desse filme que conta a odisseia da então iniciante cantora na cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde a artista cantou na noite e onde iniciou em 1966, na gravadora Odeon, uma carreira fonográfica que somente entrou totalmente no tom em 1971, ano em que o radialista Adelzon Alves criou a imagem afro-brasileira à qual Clara ficou associada desde então. Adelzon Alves foi o produtor do álbum, Clara Nunes (1971), que marcou a entrada definitiva da cantora no terreirão do samba. Adelzon foi também namorado de Clara, em caso que fica subentendido em breve depoimento da artista sobre o amor. Já a união com Paulo César Pinheiro, iniciada em 1974 e oficializada em 1975, é celebrada claramente pela cantora. Pinheiro assumiria a partir de 1976 a produção dos discos de Clara, atenuando um pouco a imagem afro-brasileira criada por Adelzon, mas sem afastar a cantora dos santos e orixás que regeram a vida e (parte do) repertório da artista. Quando encadeia em sequência três números em que Clara dá voz ao sucesso que a projetou definitivamente em escala nacional, Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974), Clara estrela mostra como a cantora cantava também com o corpo em gestual que valorizava a interpretação. O dueto com o cantor e compositor carioca João Nogueira (1941 – 2000) em Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975), samba feito para exaltar a cantora e por isso mesmo nunca gravado por ela, corrobora a fina sintonia entre voz e gestual que potencializava o carisma e a luminosidade de Clara. Quando Clara estrela termina e rolam os créditos finais ao som do samba Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978), o mix envolvente de falas e números musicais já deixou aflorar no espectador a emoção e a certeza de que Clara Francisca Gonçalves foi ser de luz. (Cotação: * * * *)

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

TEATRO DE LUTO-Ruth Escobar, atriz e produtora cultural, morre aos 81 anos

Morreu nesta quinta-feira por volta das 13h30 a atriz e produtora cultural Ruth Escobar, aos 81 anos de idade, um dos grandes nomes do teatro brasileiro.

Ela estava internada no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, mas a causa da morte ainda não foi divulgada. O velório será no teatro que leva o nome da artista, na capital paulista. "Ruth Escobar é nome fundamental da resistência do teatro brasileiro nos anos de chumbo da ditadura, com sua força e coragem em produzir grandes espetáculos, repletos de ousadia em todos os sentidos. Ruth ainda teve papel pioneiro na internacionalização de nossas artes cênicas, promovendo o diálogo do teatro brasileiro com companhias e artistas do mundo todo nos festivais que organizava e que até hoje são referência. O teatro brasileiro deve muito a Ruth Escobar", disse Miguel Arcanjo Prado, crítico da APCA e blogueiro do UOL. Nascida como Maria Ruth dos Santos Escobar, em 31 de março de 1936, na cidade do Porto, em Portugal, a atriz chegou ao Brasil em 1951.

Depois de uma viagem para a França, onde fez cursos de interpretações, ela voltou ao Brasil e montou a companhia Novo Teatro. Em 1964 ela criou a sua própria casa de espetáculos. Nas décadas de 60 e 70 protagonizou ou montou peças importantes, como "Mãe Coragem e Seus Filhos", "Antígone América", "Males da Juventude", "Cemitério de Automóveis", "O Balcão" e "As Fúrias". Nos anos 80, afastou-se um pouco do teatro e cumpriu dois mandatos como deputada estadual em São Paulo. Ela voltou aos palcos nos anos 90, em uma encenação de "Relações Perigosas". Em 2000, foi diagnosticada com o mal de Alzheimer. A doença avançou nos últimos anos, comprometendo a memória da atriz.

sábado, 30 de setembro de 2017

LUTO NA MPB-Morre, aos 70 anos, a cantora Célia

A artista tinha feito aniversário no dia 8 de setembro e estava prestes a lançar um DVD A cantora Célia morreu, aos 70 anos, na noite de sexta-feira, 29, vítima de câncer, em São Paulo.

A informação foi dada pelo produtor Thiago Marques Luiz e, logo em seguida, pelo Facebook oficial da cantora. “É com imensa tristeza que informamos o falecimento da cantora Célia”, disse o comunicado na página. O velório será realizado no Cemitério do Araçá, neste sábado, 30, das 9h às 15h.

Célia tinha completado 70 anos havia pouco tempo, no dia 8 de setembro, e se preparava para lançar DVD comemorativo, O que não pode mais se calar. Ela também participava de projetos musicais – mais recentemente, ela integrou um time de cantores de diferentes gerações, do qual também fizeram parte Ângela Maria, Alaíde Costa, Tetê Espíndola e Ayrton Montarroyos, entre outros, que homenagearam os 100 anos de Dalva de Oliveira, em show em São Paulo, em julho. No ensaio para o projeto, Célia estava feliz rodeada pelos velhos – e novos – amigos.

Nascida em São Paulo, Célia Regina Cruz se aproximou da música bem jovem, e foi incentivada a se dedicar ao canto pelos amigos. Em 1970, ganhou projeção no programa de Flavio Cavalcanti, Um Instante, Maestro. Uma das grandes intérpretes da música brasileira, Célia mostrou ser uma estrela em ascensão naquela década, gravando quatro discos. Do primeiro, Célia, de 1971, saíram belos momentos dela, como em Adeus Batucada (Sinval Silva), que já havia sido gravada por Carmen Miranda e que, na voz grave e suave de Célia, ganhou uma versão mais cool. Até 1977, gravou mais três discos. Nos anos 1980, lançou mais dois discos e seguiu em atividade nas outras décadas, mas sem o mesmo reconhecimento que recebera no começo da carreira. Com Thiago Marques Luiz, ela colocou a carreira nos eixos. Com quatro décadas de carreira, Célia foi uma grande cantora, que merecia ter tido uma trajetória com menos altos e baixos – e com uma maior projeção.

domingo, 17 de setembro de 2017

FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO-SP tem quase 2 professores agredidos ao dia; ataque vai de soco a cadeirada-Governo é omisso

A cada dia, em média, quase dois professores são agredidos em seus locais de trabalho no Estado de São Paulo, mostram dados de registros policiais obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação. O número leva em conta as 178 queixas de educadores em delegacias no primeiro semestre deste ano em datas do calendário escolar (dias úteis do período de fevereiro a junho). Elas se referem a ocorrências de "vias de fato" (37%), como um empurrão sem maiores consequências, e ao crime de lesão corporal (63%).

Aconteceram em creches, escolas e universidades, tanto públicas como particulares. Há educadores atingidos com lixeiras, carteiras escolares, socos, chutes e pontapés. Em ao menos um de cada quatro casos, um aluno foi apontado entre os agressores -a maioria dos registros não identifica os responsáveis. O número real de ocorrências é provavelmente ainda maior, pois, em um terço dos casos, a profissão da vítima não é identificada no boletim. Sabe-se ainda que, em estatísticas de violência, é comum haver subnotificação, pois parte das pessoas não chega a procurar a polícia. A violência contra professores ganhou repercussão nacional nas últimas semanas com a imagem de Márcia Friggi, de Indaial (SC), fotografada com sangue no rosto após levar um soco de um aluno. A cena chamou a atenção para casos que se repetem todos os dias em todos os Estados. Em 2015, 23 mil professores do país relataram ter sido ameaçados por algum estudante da escola, segundo questionários da Prova Brasil, exame aplicado pelo Ministério da Educação.

Para especialistas, dois fatores se combinam para explicar as agressões. De um lado, está a violência que existe na própria sociedade. "Os conflitos transpassam o muro da escola e continuam ali", afirma Renato Alves, pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP. "Crianças que vivem em ambientes violentos tendem a se relacionar de maneira pior com seus colegas e professores", completa Priscilla de Albuquerque Tavares, da FGV. Por outro lado, a desconexão entre o aluno e a escola agrava o problema, diz Bernard Charlot, que conduziu pesquisas sobre o tema para o governo francês e hoje é professor visitante na Universidade Federal de Sergipe. "Um aluno que passa cinco dias na escola desinteressado, sem ver sentido no que aprende, vira foco de tensão permanente. Com qualquer faísca, pode gerar incêndio.

" SOCOS E PONTAPÉS "
Quem é que sai para trabalhar pensando em tomar um soco na cara?" A pergunta não sai da cabeça do professor Márcio Gomes, 40, há mais de um mês. Na primeira quinta-feira de agosto, dia 3, ele sentiu um clima estranho já durante a aula, numa escola estadual da cidade de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ensinava equação de segundo grau quando um aluno que ele nunca tinha visto entrou na sala, pegou o celular de outro estudante e fez barulho no corredor ao sair. Advertido por uma funcionária, gritou palavrões e disse que iria dar um soco nela. Ao ouvir a ameaça, Márcio procurou a colega para alertá-la. Não imaginava que era ele quem iria, involuntariamente, entrar na estatística de professores atacados em seu local de trabalho. Naquele dia, menos de três semanas antes de a professora Márcia Friggi ser atacada em Santa Catarina, Márcio foi surpreendido no pátio pelo aluno desconhecido que entrara no meio da sua aula. "Ele estava sentado em um grupo", lembra. "Com um olhar fixo de raiva, levantou-se, veio até mim e começou a me dar socos e pontapés. Andei uns quatro metros para trás até escapar." O apagador que Márcio segurava quebrou. As pancadas atingiram sua cabeça e sua perna. O motivo do ataque o professor não sabe bem até hoje. Desconfia que o estudante, de 16 anos, possa ter ficado revoltado quando ele alertou a outra funcionária sobre a ameaça no corredor.

 DESPROPORÇÃO
A perplexidade dos professores agredidos ao lembrar o início do episódio de violência é comum em seus relatos. Por mais injustificável que seja o ato de violência em si, chama a atenção a desproporcionalidade entre a agressão e a desavença que a originou. Maria (nome fictício), 39, foi parar na UTI após um aluno reclamar que recebera a nota errada numa escola da zona leste de São Paulo. Professor de artes, Jeferson Siqueira, 49, foi golpeado com uma cadeira após repreender um jovem que havia batido o caderno com força na mesa num colégio na zona norte. Machucou antebraço, cotovelo e mão. Teve o dedo mindinho quebrado. Luciana Rocha Frias, 41, foi xingada aos gritos pela mãe de uma criança da rede municipal após um mal entendido sobre o tamanho do uniforme. Funcionários se colocaram na frente da professora para impedir a agressão. O fenômeno do "motivo fútil" já foi identificado em pesquisas sobre violência escolar de outros países, diz Bernard Charlot, professor aposentado da Universidade Paris 8 que conduziu estudos sobre o tema para o governo francês há duas décadas.

"Quando se analisam os casos, muitas vezes não se entende como uma coisa tão pequena gerou uma reação tão forte", diz ele, que hoje atua na Universidade Federal de Sergipe. "Mas, em geral, já havia uma questão maior antes do episódio de violência -não necessariamente ligada ao professor." No caso de Jeferson, por exemplo, o colégio tinha um problema com drogas. Dias antes, ele e o aluno que depois o agrediu haviam tido uma discussão. "Ele traficava dentro da escola e sentava perto da porta para cobrar as pessoas no corredor. Mandei ele fechar a porta, e ele ficou nervoso", afirma. Muitas vezes a agressão na escola também ocorre após uma sucessão de pequenos atos de incivilidade, de acordo com Renato Alves, pesquisador do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP e autor de estudos sobre o tema. Se a escola não tomar uma atitude que deixe claro que aquilo não pode ser feito, um xingamento e um bullying, por exemplo, podem redundar em um ataque físico. É importante notar, diz, que muitas vezes o ato de violência é só a ponta do iceberg de uma série de frustrações que explodem dentro da escola.

FRUSTRAÇÃO
Professor em Mogi das Cruzes, Álvaro Dias lista alguns acontecimentos recentes nas escolas da cidade, para ele sintomas da frustração com uma mesma gestão educacional fracassada: alunos jogaram verniz e urinaram em uma caixa-d'água; fizeram corredor polonês para agredir colegas; queimaram o carro de uma diretora; agrediram mais de uma professora. Fábia Morente, 41, foi uma delas. Com 20 anos de profissão, a docente entrou mais de uma vez na estatística. Os episódios começaram há alguns meses, após ela avisar uma colega que alunos haviam quebrado uma vidraça do colégio. Pouco depois, ela chegou em seu carro e descobriu que tinham descarregado no veículo todo o conteúdo de um extintor. Em abril deste ano, veio a situação mais grave, no meio de uma aula do 9º ano. "A porta da sala estava aberta. Eu só vi uma lixeira voando, e os alunos gritando: 'não!'." Não deu tempo de desviar. A lixeira -cheia- bateu na cabeça e no ombro de Fábia. Na última quarta-feira (13), ela decidiu voltar à delegacia, agora por causa de outro ataque. Dessa vez, a porta da sala estava fechada. Um aluno colocou uma bombinha no buraco da porta, e estilhaços atingiram seu ombro. "Recebemos uma cobrança enorme, mas não temos estrutura para trabalhar", reclama ela. Agressões não são o único problema enfrentado pelas professoras mulheres. Luciana (nome fictício) registrou queixas de outra ordem. Ela dá aulas de educação física em uma escola pública da periferia de Campinas (interior de São Paulo) e prefere não ser identificada. Conta que, no início do ano, alunos começaram a assediá-la. Ela passou de sala em sala e pediu respeito. Um mês depois, viu seu carro inteiro riscado de "canetão", com palavras como "gostosa" e desenhos obscenos. Até hoje não se sabe quem foi o autor -o que significa que ninguém foi punido. Educadora da rede municipal, Silvana Ferreira, 32, foi alvo de outro crime, também dentro da escola, uma unidade da rede municipal em Cidade Tiradentes (zona leste). Bandidos entraram no fim do dia, trancaram os professores em uma sala e levaram todos os pertences. "A gente até espera ser abordado na rua, mas não no seu local de trabalho", afirma.

CONSEQUÊNCIAS
Ainda que graves, poucos casos se comparam ao de Maria (nome fictício), que pediu para não ser identificada. "Rodo nela", escreveu em uma rede social um aluno de 16 anos após dar uma rasteira nela, em uma escola na zona leste de São Paulo. O ataque aconteceu após uma discussão sobre o registro da nota do estudante. Pega de surpresa pela rasteira, Maria caiu, bateu a cabeça e ficou mais de cinco minutos desacordada. No chão da escola estadual na zona leste de São Paulo, teve convulsões e ficou três dias em observação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital, com a costela trincada. Hoje, está bem de saúde. Mas tem medo e, com medo, não é mais a mesma na sala de aula, diz. "A minha matéria [matemática] não é a do professor mais bonzinho. A gente precisa de atenção, disciplina, que os alunos façam o exercício", afirma. "Mas não consigo mais ter a mesma autoridade. Se um aluno falasse que não ia fazer algo, antes eu insistia. Agora eu só respondo: 'tá' bom." Seu caso, ocorrido no fim do ano passado, causou comoção na rede estadual. Professores de diversos colégios foram trabalhar vestidos de preto. Alunos fizeram protestos e homenagens à professora. Em um dos cartazes, lia-se: "professores desmotivados, alunos prejudicados". A reação revela duas características da violência escolar. A primeira é que, ao contrário do que podem dar a entender números alarmantes, os atos são praticados e tolerados por uma minoria. "Os casos que ocorrem são muito graves, mas não significa que a escola virou um lugar onde predominam o medo e os ataques", diz Alves, do NEV/USP. A segunda característica é que, se os agressores são minoria, as consequências de seus atos atingem toda a escola. Aulas são interrompidas, profissionais adoecem e pedem licença, e alunos ficam sem professores. Atacada pela mãe da aluna, Luciana Rocha, 41, ficou dois anos afastada após o episódio, por motivos de saúde. "Não consigo mais entrar na sala de aula", diz. Ela hoje exerce funções administrativas, assim como Jeferson, que foi atacado com a cadeira em 2015. Desde que foi golpeado, ele toma medicamentos contra depressão e síndrome do pânico. Evita pegar ônibus na hora do almoço para não encontrar outros estudantes no transporte. Talvez até volte a lecionar, mas não tem certeza. Agredido há pouco mais de um mês em Bragança Paulista, Márcio voltou à sala de aula, mas em outra escola. Dessa vez, conta, foi ele que pediu desculpas aos estudantes -por não conseguir "se segurar" na sala. "Chorei por quase um minuto e meio na frente deles", afirma.

SOLUÇÕES
Apontados como fatores que influenciam a violência escolar, os problemas sociais e de segurança pública não se resolvem simplesmente por iniciativa das escolas. Na tentativa de uma solução interna, escolas de São Paulo têm apostado em ações de mediação de conflito. Na rede estadual, desde 2010, professores têm sido treinados para atuar em casos de ofensas, ameaças e agressões, inclusive com ações preventivas. A atuação desses profissionais tinha melhorado a situação da violência, diz Maria Izabel Noronha, dirigente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede estadual). Segundo ela, porém, parte do quadro desses profissionais foi cortada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). Chefe de gabinete da secretaria de Educação, Wilson Levy rebate a informação e afirma que houve uma junção desse programa com outro, de escola da família. Segundo ele, a pasta anunciará em breve um programa para aumentar o número de professores mediadores na rede, com foco nas regiões com maior vulnerabilidade social do Estado. "Mas é preciso lembrar que o que acontece na escola é um sintoma", afirma. "A violência está na sociedade."

Marcelo Rezende: O dia em que a Record esperou por um milagre

A Record estava preparada desde a manhã deste sábado para anunciar a morte de Marcelo Rezende, o que só aconteceu às 19h12, durante o Cidade Alerta. Nos bastidores da emissora, no entanto, muita gente ainda acreditava em um "milagre". Apesar de ter apresentado a falência de órgãos como rins e fígado na sexta (15), os pulmões e coração de Rezende resistiam bravamente durante o dia. Encarregado de dar a notícia da morte, o apresentador Reinaldo Gottino estava de plantão nos estúdios da Record, em São Paulo, desde as primeiras horas da manhã. O repórter Eduardo Ribeiro também estava a postos para entrar ao vivo a qualquer momento diretamente do Hospital Moriah, onde Rezende estava internado desde a última terça.

A operação da Record mobilizou dezenas de profissionais. Todos ficaram atentos durante todo o dia. No final da tarde, no entanto, chegou a informação de que Rezende tinha apresentado uma sensível melhora, que respirava com mais qualidade do que de manhã. Era o "milagre". Pouco tempo depois, contudo, veio a confirmação da morte. A Record teve um comportamento discreto, para seus padrões, ao tratar da doença de Rezende. Depois de uma entrevista no Domingo Espetacular, em maio, anunciando o câncer, a doença só foi lembrada em algumas ocasiões. Nos últimos dias, a pedido da família, não noticiou o agravamento do estado de saúde.
Leia a seguir a nota oficial da Record:
A Record TV informa com grande pesar o falecimento de Marcelo Rezende, neste 16 de setembro de 2017, no Hospital Moriah, zona sul de São Paulo. Transmitimos nossas sinceras condolências ao familiares e amigos do jornalista com o qual tivemos a honra e o privilégio de trabalhar e que atuou com tanto brilhantismo em nossa programação.
O apresentador estava afastado do Cidade Alerta desde maio, quando descobriu um câncer no pâncreas e no fígado. Ele estava no comando do programa desde 2012 e ali imprimiu a sua marca, expondo os problemas de segurança pública do país com a coragem que sempre pautou sua trajetória, transformando o Cidade Alerta em um importante canal de denúncias. "Esse jornalismo que eu e alguns companheiros fazemos é o jornalismo que revela as mazelas do país", disse ele.

Com mais de 40 de carreira, Marcelo Rezende deixa um grande legado ao jornalismo do Brasil e da Record TV. Sua trajetória foi sempre guiada pela coragem em tocar em feridas sociais. Do flagrante de abuso policial na Favela Naval, em Diadema (SP), à corrupção no futebol, passando pelos inesquecíveis depoimentos de Francisco Assis Pereira, o Maníaco do Parque, e do ex-goleiro Bruno. Rezende foi um repórter investigativo de raro talento e um apresentador polêmico que não tinha medo de expor suas opiniões. Alguns dos episódios mais marcantes de sua carreira ele narrou no livro Corta pra Mim, lançado em 2013 pela editora Planeta, que tornou-se rapidamente um best-seller. Rezende iniciou sua carreira na mídia impressa, aos 17 anos, no Jornal dos Sports, em sua cidade natal, no Rio de Janeiro, e atuou como jornalista esportivo por um longo período. Atuou no jornal O Globo e em seguida na Revista Placar, da editora Abril, até que, por fim ingressou na televisão, em 1988, quando foi trabalhar no Globo Esporte. A carreira sofreu uma guinada quando foi designado para fazer reportagens investigativas. Em 1999, fez parte da equipe de criação do Linha Direta, do qual tornou-se apresentador. Na Record TV, o jornalista apresentou o Cidade Alerta em duas ocasiões, entre 2004 e 2005, e de 2012 a 2017, além de ter comandado o Repórter Record e o quadro A Grande Reportagem, exibido pelo Domingo Espetacular. Trabalhou também na RedeTV! onde apresentou o Repórter Cidadão e o RedeTV! News. Na Band esteve a frente do Tribunal na TV. No dia da estreia do novo Cidade Alerta, em 2012, Marcelo deu o tom do que o telespectador poderia esperar: "Nós não temos amigos, nem inimigos. Trabalhamos para o interesse público, o interesse da comunidade, o interesse da sociedade". Nessa nova fase do Cidade Alerta, a carreira do Marcelo também foi marcada pela inusitada interação com a equipe de jornalistas espalhada pelo Brasil. Descontração e alegria que contagiaram milhões de brasileiros e marcaram uma nova alternativa de informar os telespectadores.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Famosos lamentam a morte da atriz Rogéria

A notícia sobre a morte da atriz Rogéria surpreendeu a todos e os artistas já começaram a escrever mensagens de despedida nas redes sociais. Walcyr Carrasco, Angela Leal e Mariana Godoy foram alguns deixaram seus recados. Rogéria faleceu na noite desta segunda-feira, 4, após ficar internada no Rio de Janeiro.

Marisa Orth - Rogéria.. Minha amiga. Grande Artista.. é muito, muito boa gente. Vou sentir a sua falta.

Sabrina Sato - Rainha! Precursora do movimento LGBT! Atriz talentosa! Cantora brilhante! Ícone fashion! Defensora dos gays e das mulheres. Artista completa! Inspiradora! Linda Estrela Rogéria, vai brilhar pra sempre nos nossos corações!
Cissa Guimarães - Amiga mais que querida, preciosa, segue no tua Luzzzzzz, que é Eterna! Salve Rogéria! Obrigada por tanta Alegria e aprendizado!

Mateus Solano - Um exemplo de coragem e de autenticidade. O tipo de ser humano que nasceu para empurrar o mundo para frente. Rogéria irá fazer muita falta!
Daniela Mercury - Ela me chamou de corajosa quando anunciei que estava casada com Malu e a chamei de esposa. Queria dizer que corajosa foi você, Rogéria! Tão à frente do mundo! Tão atual sempre. Uma diva! Meus aplausos para você nessa sua partida!!!!
Ana Furtado - Rogeria, você deixará muita saudade no meu coração. Admiração eterna
Kiko Mascarenhas - Ela venceu o preconceito e conquistou o respeito e a admiração de todos por ser autêntica, inteligente, culta, educada e talentosíssima - Rogéria, mon amour, você partiu hoje mas seu brilho há de permanecer na memória daqueles que tiveram a sorte de te conhecer e nos corações dos muito fãs que te amam. Descanse em paz Angélica - Mais uma grande Estrela no céu ...

Fafá de Belém - Vá em paz, Rainha Rogéria. Que Nossa Senhora te receba. Estaremos sempre aqui te aplaudindo e agradecendo por tudo!
Leandro Hassum - Que DEUS te receba com a mesma alegria que sempre passou para todos. Querida e amada Amiga.
Amaury Jr - Como assim Rogeria partiu? Difícil acreditar que ficaremos órfãos de sua irreverência, talento e alegria! Algumas das mais tradicionais festas que cobrimos com o programa não terão a mesma graça. Rogéria, nascida Astolfo, foi uma das primeiras transformistas brasileiras, quebrou tabus, lutou, inspirou e fez história. Nunca será esquecida. RIP
Marco Antonio de Biaggi - Ela costumava dizer : NÃO NASCI EU ESTREEI ! Descanse em paz ROGÉRIA! RIP
Viviane Araújo - Diva! Maravilhosa! Brilhe no céu!
David Brazil - Descanse em paz, obrigado, muito obrigado por ABRIR OS CAMINHOS PARA NÓS!
Murilo Rosa - Uma artista talentosa, premiada e determinada. Uma bela trajetória. Fiquei triste. Que descanse em paz Bárbara Paz - “A mulher não é o órgão genital, a mulher está dentro de mim. Esse jeito de mulher ninguém me ensinou, nasci assim, ...ROGÉRIA

Walcyr Carrasco - Rogéria morreu. Foi uma pioneira. Conseguiu ser famosa num mundo preconceituoso. Eu a conhece pessoalmente e garanto, tinha o brilho da estrela que sempre foi. Viva Rogéria!
Maria de Medicis - Amada Rogeria, o mundo perde muito glamour e alegria com a sua partida! Mariana Godoy - Essa alegria vai fazer falta. Querida Rogéria, descanse em paz
Angela Leal - Minha Amiga Rogéria a Diva mais Divina! Acaba de partir! Vai querida em paz! A eternidade te aguarda de braços abertos! Triste estou!
Marcelo Medici - Conheço Rogéria desde sempre, pois já era reconhecida muito antes de eu nascer, mas fui conhecê-la pessoalmente há dez anos. tive o prazer de bater altos papos com ela no La Fiorentina... culta, divertida, perspicaz. depois tive a honra de te-la na plateia do meu Cada Um, e a alegria maior de vê-la em cena, no espetáculo Se7e: atriz grandiosa, dama dos palcos, artista até o último fio de cabelo louro. lindo legado. BRAVO!
Cacau Protásio - Eu tive o prazer de conhecer, de conversar e receber um elogio tão maravilhoso que trago pra min até hoje, o céu hoje está em festa, pois está recebendo uma pessoa linda, maravilhosa, inteligente, sensível e pra lá de especial @estrelarogeria descanse em paz! Fará falta aqui entre nós! Seu lugar no céu já está garantido!

Alinne Prado - Depois de um dia tão legal, finalizo com essa notícia tão triste. Só mostra que a vida é trem bala mesmo. Nessa foto eu e @adrianopintoc gravamos uma matéria especial com ela. Conheci Rogéria numa festa do Copa Palace. Ela é irmã do meu querido amigo @flavio_barrozo. Me recebeu na festa dizendo que eu era uma testuda poderosa. E que era para ter orgulho da minha testa. Rs. Coisas de Rogéria. Virou uma entusiasta minha, e eu já era fã dela. A ultima vez que falei com ela eu estava em SP e pedi desculpas por não ter ido ao lançamento do livro (biografia dela que devorei em dois dias). Ficamos quase 40 minutos ao telefone. Ela me dizendo das peripércias da vida dela (algumas q estavam no livro). Eu falando das minhas circunstâncias do momento. E ela me deu uma injeção de ânimo. Rogéria era pós graduada em VIDA. Ela realmente soube viver. E vai deixar uma saudade danada. Obrigada, amada @estrelarogeria. Vou sentir muito sua falta! @flavio_barrozo, toda força do mundo para vc!
Walério Araújo - Rogéria...sempre presente nos meus grandes momentos...meu desfile...minhas histórias!!!
Leona Cavalli - VIVA minha amiga Rogeria!!!! Para sempre, onde quer que esteja, maravilhosa, estrela eterna!!!! Com ela se vai uma Era. Que seu caminho continue cheio da luz que tanto brilhou nela!!!

TV PELO ESPECTADOR: LUTO NA ARTE-Morre atriz Rogéria aos 74 anos no Ri...

TV PELO ESPECTADOR: LUTO NA ARTE-Morre atriz Rogéria aos 74 anos no Ri...: Morreu na noite esta segunda-feira a atriz Rogéria, aos 74 anos. Segundo o biógrafo e amigo Mario Paschoal, Rogéria faleceu por volta das 22...

LUTO NA ARTE-Morre atriz Rogéria aos 74 anos no Rio de Janeiro

Morreu na noite esta segunda-feira a atriz Rogéria, aos 74 anos. Segundo o biógrafo e amigo Mario Paschoal, Rogéria faleceu por volta das 22h15, no Hospital da Unimed-Rio, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Após ser internada com infecção urinária, a atriz teve uma crise convulsiva e foi vítima de choque séptico. De acordo com Mario Paschoal, a atriz estava aguardando melhora para poder realizar uma operação nos rins, mas seu quadro se agravou, provocando problemas cardíacos e uma infecção generalizada. — Ela estava aguardando para fazer uma operação nos rins, mas o quadro se agravou. Ela chegou a ter problemas cardíacos.

O empresário dela está cuidando de tudo. Engraçado que na primeira vez que ela foi internada, eu me preocupei muito. Dessa vez, estava mais tranquilo e aconteceu isso. Vai fazer muita falta — lamentou. Foi na adolescência que Astolfo Barroso Pinto descobriu que gostava mesmo era de se vestir de mulher.

Ainda na infância, já descia as escadas como se estivesse usando um vestido longo imaginário. Aos 14 anos, no carnaval, caracterizou-se pela primeira vez como mulher — maiô, saia e um chapéu. Não precisava de peruca nem maquiagem para se sentir feminina.

Deixando Astolfo para trás, renasceu Rogéria — e, em pouco tempo, iria se tornar um ícone do mundo gay, a transformista mais emblemática do país.Livre do nome masculino, com o qual a haviam batizado em 1943, Rogéria brilhou.

Primeiro na Rádio Nacional, frequentando os programas de Emilinha Borba, sua maior referência artística. Em plena ditadura militar, aproveitando o surgimento das vedetes travestis, destacou-se como vedete nas boates de Copacabana e em apresentações consideradas lendárias no Teatro Rival. Em 1964, autou no primeiro espetáculo nacional de transexuais, “Les Girls”. Dirigido por João Roberto Kelly, trazia letras como:

“Ser mulher é muito fácil para quem já é, mas pra quem nasce para ser João é um sacrifício a transformação”. Depois de passar um período como maquiadora na TV Rio, que funcionou como uma escola de artes dramáticas pela convivência com atores e diretores, firmou-se nas artes dramáticas.

No cinema, filmou com grandes cineastas: Eduardo Coutinho em “O homem que comprou o mundo” (1968), Julio Bressane em “O gigante da América” (1978), e José Joffily em “A maldição de Sampaku” (1991). Em 1979, venceu um Troféu Mambembe (um dos prêmios mais importantes para a produção cultural na época) pela atuação na peça “O desembestado”, contracenando ao lado de Grande Otelo.

Participando de programas de TV, Rogéria apresentou o universo do transformismo a um público mais amplo, tornando-se a “travesti da família brasileira”, título cunhado por ela próprio. Foi jurada em programas de auditório de grande audiência, como o “Cassino do Chacrinha”. Travesti na TV era uma novidade — e o pioneirismo foi bem aceito. Seu carisma e talento ajudaram a quebrar o preconceito, em uma época em que homens só podiam se vestir de mulher na rua durante o carnaval.

Ainda assim, não foi presa nem precisou se exilar durante a ditadura. Rogéria não quis fazer cirurgia para mudar o sexo e nunca injetou silicone para alterar o corpo. A artista, que dizia não se preocupar com discussões sobre representatividade LGBT, era conhecida por sair no braço com os colegas homofóbicos. — Engajada? Eu preciso ser engajada? Eu sou o engajamento em pessoa! Se as outras travestis estão aí, agradeçam a mim, que sou uma bandeira, e os brasileiros gostam de mim — disse ela, em entrevista ao GLOBO no ano passado, quando lançava sua biografia “Rogéria — Uma mulher e mais um pouco”, escrita por Márcio Paschoal. Além da biografia lançada em 2016, Rogéria fez parte do grupo de travestis e transexuais retratado no documentário “Divinas divas”, dirigido por Leandra Leal. O velório de Rogéria acontecerá no Teatro João Caetano, no Centro do Rio: das 11h até as 13h para parentes e amigos, e das 13h às 18h para os fãs que quiserem prestar a última homenagem à artista.

Rogéria será sepultada no município de Cantagalo. As informações foram postadas pela atriz Leandra Leal em sua página numa rede social. Rogéria, nascida Astolfo Barroso Pinto (Cantagalo, 25 de junho de 1943 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2017). Foi maquiadora na extinta TV Rio e vedete. Morou no exterior, apresentando vários shows, e em 1979 recebeu o Troféu Mambembe, pelo espetáculo que fez ao lado de Grande Otelo. Rogéria nasceu em Cantagalo, no interior do estado do Rio de Janeiro, a mesma cidade de outra figura célebre - como declarou, “Em Cantagalo, nasceu a maior bicha do Brasil – no caso, eu – e o maior macho do Brasil, Euclides da Cunha”. Desde sua infância tinha consciência da homossexualidade e na adolescência virou transformista e assumiu uma carreira de maquiadora. Antes disso, virou figura assídua no auditório da Rádio Nacional, particularmente nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba e de quem era fã incondicional.

Ao vencer um concurso de fantasias no carnaval de 1964, tentaram renomeá-la de Astolfo, "que fazia demais a ‘linha executivo’", para Rogério, que levou o público a gritos de "Rogéria", inspirando o nome artístico dela.


Em 8 de agosto de 2017, Rogéria se internou no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio, com um caso de infecção urinária. Faleceu no dia 4 de setembro, depois de uma complicação após uma crise convulsiva. O Hospital Unimed-Rio informou que a causa da morte de Rogéria foi um Choque séptico. Rogéria começou sua carreira como maquiadora da TV Rio, e ao conviver com inúmeros atores célebres teve o que descreveu como equivalente de uma estadia no Actors Studio, sendo estimulada a interpretar. Sua estreia ocorreu em 29 de maio de 1964, em um notório reduto gay de Copacabana, a Galeria Alaska.

Figura frequente no cinema brasileiro, participou também como jurada em vários programas de auditório nas últimas décadas, de Chacrinha a Gilberto Barros e também Luciano Huck. Rogéria foi coreógrafa da comissão de frente da Escola de Samba São Clemente, representando Maria, a louca, num enredo que tratava dos 200 anos da vinda da família real ao Brasil. Em sua passagem, foi recebida com carinho pelo público.


Em 2016, lançou sua biografia Rogéria – Uma mulher e mais um pouco, de Marcio Paschoal. Foram muitas as incursões de Rogéria nos palcos do Brasil e do mundo. Foi vedete de Carlos Machado e em 1979 ganhou o Troféu Mambembe por uma peça que fazia com Grande Otelo.[2] Em fevereiro de 1976, participou de um espetáculo chamado Alta Rotatividade – comédia na qual contracenava com a atriz Leila Cravo e os atores Agildo Ribeiro e Ary Fontoura. No ano de 2007, estreou o espetáculo 7, O Musical, sob a direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho. No espetáculo, atua ao lado de Zezé Motta, Eliana Pittman, Alessandra Maestrini, Ida Gomes, Jarbas Homem de Mello e outros. O espetáculo estreou em São Paulo no ano de 2009. Desde 2004 ao lado da atriz Camille K, faz uma peça com outros notórios transformistas no Teatro Rival do Rio, Divinas Divas, que ficou dez anos em cartaz. A produção inspirou um documentário homônimo dirigido pela atriz Leandra Leal.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

TV DIGITAL-CIDADES DA REGIÃO DE CAMPINAS-SP CORREM RISCO DE GRANDE APAGÃO

As cidades da região de Campinas em SP tinham fixado o desligamento do sinal analógico de tv para a data de 29 de Setembro próximo.
Alegando dificuldades "técnicas" para liberar o sinal em alta definição,as emissoras solicitaram o adiamento do prazo e o governo fixou a data definitiva para 2 meses depois,ou seja,em 29 de Novembro deste ano.Mesmo assim as perspectivas para a implantação do sinal HD nessas cidades se encontram pessimistas, longe de poder cumprir o prazo fixado.Em contato com as emissoras pendentes,nenhuma conseguiu dizer quando realmente poderão abrir a transmissão digital em 90% dos municípios.
Por exemplo,no caso do município de AMPARO,das 13 emissoras autorizadas a transmitir em sinal de alta definição,somente 3 emissoras estão com os canais em HD no ar-EPTV CAMPINAS,VTV SBT CAMPINAS e REDETV.Segundo as previsões,esse cenário deve perdurar...Se isso acontecer,a cidade poderá ficar sem o sinal de 10 redes de tv a partir de 30 de novembro..

domingo, 20 de agosto de 2017

Morre aos 91 anos Jerry Lewis, um dos maiores comediantes da história

Jerry Lewis, um dos comediantes mais famosos da cultura pop, morreu na manhã deste domingo (20), em sua casa em Las Vegas, aos 91 anos. A notícia foi dada pelo jornalista John Katsilometes, do "Las Vegas Review-Journal" e confirmada pelos veículos "Variety" e "The Hollywood Reporter". Ainda não foi divulgada a causa da morte, mas Katsilometes reproduziu um anúncio da família de Lewis em seu Twitter particular, dizendo que o "lendário Jerry Lewis morreu de causas naturais" e com "a família ao seu lado". 

O ator deixa a mulher, a atriz SanDee Pitnick, e seis filhos. Lewis tornou-se o maior comediante do showbusiness durante a década de 1950, numa parceria de sucesso com o ator e cantor Dean Martin, com quem fez diversos longas, como "O Meninão" (1955) e "Farra dos Malandros" (1954). Mesmo com a dupla separada, Lewis protagonizou sucessos e dominou os cinemas nos anos 1960 com "O Mensageiro Trapalhão" (1960) e "O Mocinho Encrenqueiro" (1961). O ator gostava dos personagens duplos (ou múltiplos), e nada poderia ser mais adequado a esse gosto do que interpretar Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ou, em versão comédia, o professor Kelp e Buddy Loveem "O Professor Aloprado" (1963). Um é químico genial, feio e desajeitado que inventa um jeito de se transformar num galã. É sua obra mais genial, em que foi diretor (completo, ele entendia muito disso) e ator. Nela, o drama de ser humano, de crescer, de falhar é posto em evidência –é o que o torna mais que um fenômeno passageiro. Em "Bagunceiro Arrumadinho" (1964), Lewis viveu um enfermeiro que não suporta ouvir falar em doenças. Trata-se, por sinal, de um dos grandes momentos do ator, no tipo que o consagrou como um dos grandes do burlesco: o inapto, o incapaz de se integrar ao mundo, tão americano, dos vencedores.

A obra tem talvez a "gag" mais famosa de sua carreira, a da maca que sai enlouquecida sai pelas ladeiras. Seu humor mais físico foi menosprezado no início entre os colegas americanos, mas o público ia em massa ver os trabalhos do comediante. Ganhou mais prestígio, ironicamente, na Europa, ao ser premiado na França, Itália, Bélgica e Espanha, e ser citado como gênio por diretores de vanguarda na época, como Francois Truffaut e Jean-Luc Godard. Nos anos 1980, tentou mostrar seu lado mais dramático em "O Rei da Comédia" (1982), filme de Martin Scorsese que foi rejeitado pelos fãs da comédia pastelão de Lewis.

Lewis já havia passado por problemas de saúde ao longo dos anos, antes de sua semi-aposentadoria, em Las Vegas. Passou por uma cirurgia no coração em 1983 e outra para tratamento de um câncer, em 1992. Passou por uma reabilitação, em 2003, para se curar do vício em drogas legais, teve um ataque do coração em 2006 e possuía fibrose pulmonar, uma doença respiratória crônica que exigia remédios poderosos para ser controlada. Além de ter dirigido vários dos seus sucessos cômicos, ter sido indicado o Nobel da Paz de 1977 pelos seus esforços por trás do Telethon, programa pioneiro na arrecadação de recursos via televisão, Lewis também queria o Oscar que apresentou em duas ocasiões (1957 e 1959), mas que nunca venceu como ator ou diretor -ele ganhou o prêmio humanitário em 2009. Era seu objetivo com o controverso "The Day the Clown Cried", que fez em 1972 achando que "A Academia não poderá ignorar esse filme". Mas foi o próprio Lewis que se censurou. Achando que o resultado final da trama –um palhaço que tenta ajudar os prisioneiros de um campo de concentração ao replicar um espetáculo circense– era um "trabalho pobre", o diretor e ator colocou o projeto no cofre e nunca exibiu o longa. Uma cópia estaria na Biblioteca do Congresso dos EUA, mas não se sabe qual foi a exigência do artista para a exibição pública. Ao longo da primeira metade dos anos 1950, Dean Martin e Jerry Lewis estiveram entre as maiores bilheterias do cinema, produziram uma série televisiva de sucesso e se viraram um fenômeno cultural. A química era simples e forte: o cantor seguro de si e o comediante endiabrado, o polido irmão mais velho e o moleque aloucado. Nos números ao vivo, Lewis improvisava sem parar, jogava água na plateia ou apagava as luzes da sala, enquanto Martin simplesmente sorria e continuava cantando, com o rosto iluminado pela chama de seu Zippo folheado a ouro.

A parceria acabou uma década depois. Martin, cujo nome vinha em primeiro lugar nos créditos, se cansou de ser "escada", e Lewis, que cuidava dos negócios da dupla, estava cansado da relutância de seu parceiro em estender o alcance de suas atividades. Os dois criaram carreiras solo de sucesso, mas Lewis continuou a parecer preocupado, ou até mesmo culpado, por Martin não ter recebido reconhecimento na época. Em 1976, depois de 20 anos sem se falarem, os dois se reuniram no palco de um programa de TV. Mas uma reaproximação real só ocorreu após a morte de Dino, o filho de Martin, em um acidente de avião em 1987. Em 2013, Jerry Lewis fez uma participação na comédia "Até que a Sorte Nos Separe 2", que estreou no maior número de salas da história do cinema brasileiro até então. Para acertar a participação dele, os produtores do filme entraram em contato com uma de suas noras, que é brasileira. O comediante faz um carregador de malas, papel que já havia interpretado antes no filme "O Mensageiro Trapalhão" (1960), escrito, produzido, dirigido e protagonizado por ele. À Folha o ator disse que a dificuldade dos tempos atuais para fazer comédias é a mesma dos anos 1950, quando começou a fazer sucesso. Do começo de sua carreira, diz sentir mais falta do seu parceiro, o também comediante Dean Martin. "É difícil achar um bom roteiro de comédia, é por isso que eu costumava escrever meus próprios filmes", afirmou à época. "Para manter sua qualidade, a comédia precisa de um bom roteiro e bons comediantes. Não importa quando ou como."

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Após nude vazado, Victor V, do “MasterChef”, se casa com francês

Na semana em que teve um nude vazado nas redes sociais, Victor V, participante do “MasterChef Brasil”, da Band, deu um novo passo no relacionamento com o francês Olivier em Cap-d’Ail.

O cozinheiro da quarta temporada do reality teve uma cerimônia de casamento na França, neste sábado (29). A festa contou com a presença, inclusive, da concorrente Deborah Werneck e de alguns ex-participantes do programa da Band, como Nayane Barreto e Abel Chang. O DJ Rapha Lima, amigo do noivo, resumiu a união dos dois: “Primeiro casamento gay que vou na vida, e é o primeiro casamento que me emociono. Geralmente quase durmo! Vida longa ao casal! Viva o amor”.

Cabe lembrar que Victor e Olivier já são pais de um menino com um casal de amigas lésbicas, as americanas Nami Hall e Azsa West.

Morre atriz francesa Jeanne Moreau aos 89 anos

Jeanne Moreau, uma das mais famosas atrizes do cinema francês, morreu aos 89 anos, segundo anunciou a agência France Presse nesta segunda-feira (31). Seu corpo foi encontrado em casa em Paris.

Moreau, que atuou em mais de cem filmes durante uma carreira de 65 anos, incluindo "Jules e Jim", de François Truffaut.Filha de um barman francês e de uma bailarina britânica, depois de passar parte de sua infância em Vichy, concluiu o curso secundário em Paris e começou a estudar teatro com Denis d'Inès.

Seis meses depois, iniciou sua formação de atriz clássica no Conservatório de Paris. Na Comédie Française, estreou no final de 1950, com a peça "Les Caves du Vatican", de André Gide, sob a direção de Jean Meyer, onde fez o papel de uma prostituta. Sua atuação lhe valeu uma capa do Paris Match e as felicitações de Paul Léautaud. Em seguida, foi chamada para representar o papel de outra prostituta, dessa vez em Othello, com Aimé Clariond no papel principal. Deixando a Comédie Française, entrou para o Théatre National Populaire de Jean Vilar. Em seguida, aceitou o conselho de Gérard Philipe para fazer mais um papel de prostituta na peça de Anna Bonacci, "L'Heure Éblouissante", sob a direção de Fernand Ledoux. No cinema, Jeanne Moreau estreou em 1948 no filme "Dernier Amour", de Jean Stelli, num papel secundário. Nos anos que se seguiram, atuou em diversas películas até que, em 1958, com os filmes de Louis Malle, "Ascensor Para o Cadafalso" e "Os Amantes", alcançou definitivamente o estrelato, dando início a uma brilhante carreira internacional ao lado de grandes cineastas que vão, além de Malle, de François Truffaut a Luís Buñuel, passando por Michelangelo Antonioni, John Frankenheimer e Orson Welles, sem jamais abandonar o teatro.

Além de ser considerada uma das melhores atrizes francesas de todos os tempos, tanto no teatro quanto no cinema, onde atuou em mais de 120 filmes, Jeanne Moreau é também roteirista e cineasta, tendo realizado três filmes, "Lumière", em 1976, "L'Adolescente", em 1979, e "Lillian Gish", em 1983. Nos anos 80, paralelamente à sua carreira no cinema e no teatro, ela se dedicou à música e à televisão, onde participou de telefilmes e apresentou programas sobre pintura. Nos anos 90, investiu mais em teatro em detrimento da televisão. Jeanne Moreau casou-se três vezes, inicialmente com Jean-Louis Richard, em 1949, em seguida com Teodoro Rubanis, em 1966, e finalmente, com William Friedkin, em 1977, de quem se divorciou dois anos depois.

domingo, 9 de julho de 2017

Morre e atriz italiana Elsa Martinelli aos 82 anos

Elsa Martinelli nasceu Elsa Tia em 03 de agosto de 1932, em Grosseto, Itália. Ela começou a carreira como modelo em Roma e estreou no cinema italiano em um pequeno papel em Se Vincessi Cento Milioni (1953).

Em 1953 mudou-se para os Estados Unidos, em busca de uma carreira como atriz e modelo. Tinha apenas 20 dólares no bolso e não sabia falar inglês. Após um tempo trabalhando como modelo, o ator Kirk Douglas a viu em uma capa de revista e a convidou para estrelar A Um Passo da Morte (The Indian Fighter, 1955), com ele. No mesmo ano, ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlin por seu papel em Donatella (Idem, 1955) de Mario Monicelli. Desde então dividiu sua carreira entre a Europa e Estados Unidos, atuando em sessenta filmes, entre os quais Hatari! (Idem, 1962), com John Wayne; O Processo (Le Procès, 1962), com Anthony Perkins; Gente Muito Importante (The V.I.P.s, 1963), com Elizabeth Taylor e Candy (Idem, 1968) com Marlon Brando e Ringo Starr.

Em 1956 casou-se com um conde italiano, deixando a carreira de atriz de lado (atuando esporadicamente), passando a ser mais conhecida como personagem do jet-set internacional. Na década de oitenta, trabalhou como decoradora para os ricos e famosos. Elsa Martinelli faleceu em Roma em 08 de julho de 2017, aos 82 anos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Roger Moore, ator de '007', morre aos 89 anos

O ator Roger Moore, famoso por seu papel como James Bond na franquia de filmes "007", morreu aos 89 anos nesta terça-feira (23) na Suíça.

A família do ator enviou um comunicado pelo Twitter e afirmou estar devastada. Ele estava em tratamento contra um câncer. "É com o coração pesado que nós anunciamos que nosso amado pai, Sir Roger Moore, faleceu hoje na Suíça após uma curta, mas brava, batalha contra câncer. O amor com que ele foi cercado em seus dias finais foi tão grande que não pode ser quantificado apenas em palavras”, escreveram seus filhos Deborah, Geoffrey e Cristian. Moore era casado com Kristina Tholstrup desde 2002. Segundo a família, Moore será velado em uma cerimônica privada em Mônaco Nascido em Londres em 1927, Moore trabalhou como modelo até o começo dos anos 1950. Depois disso assinou um contrato de sete anos com a MGM, mas suas produções iniciais não fizeram muito sucesso. A fama só veio com seu papel como Ivanhoé, na série britânica “O Santo”, entre 1962 e 1969, e como Brett Sinclair, em “The Persuaders”. A carreira como James Bond começou em 1973, no filme “Só Viva e Deixe Morrer”. Moore tinha a árdua missão de substituir Sean Connery, que encarnou o espião por quase uma década. Moore interpretou o 007 em sete filmes e foi o ator a encenar o agente secreto por mais tempo: durante 12 anos. Após “Live and Let Die (Só Viva e Deixe Morrer)”, veio a repetição do personagem em “The Man with the Golden Gun (007 contra o Homem com a Pistola de Ouro”, em 1974; “The Spy Who Loved Me (O Espião que me amava)”, de 1977; “Moonraker (007 contra o Foguete da Morte)”, de 1979; e “For Your Eyes Only (007 - Somente para Seus Olhos), de 1981.

Roger Moore se despediu do personagem em 1985, com “A View to a Kill (Na Mira dos Assassinos)”. Embora tenha dezenas de filmes no currículo, Moore era tratado como "eterno 007". Mas o título não incomodava o ator. "Ser eternamente conhecido como Bond não têm desvantagem”, afirmou Moore em 2014. “As pessoas às vezes me chamam de ‘Sr. Bond’ quando eu estou fora e eu não me importo nada com isso. Por que eu deveria?” Além de sua vida diante das câmeras, Moore era conhecido por suas obras de caridade. Ele participava de várias ações para arrecadar fundos que seriam doados aos mais necessitados. Por esse trabalho, o ator foi escolhido como embaixador da boa vontade da Unicef. Em 1991,

Moore visitou o Brasil para dar ao ator Renato Aragão o título de representante da Unicef no país. Além disso, por seu trabalho na agência da ONU, o ator foi condecorado pela rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império Britânico em 1999 e passou a ser Sir Roger Moore.

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