Na foto, que a Casa Branca qualificou ontem como "truculenta", pode ser visto o ferimento provocado por um dos projéteis que acertaram Bin Laden - neste caso, o que entrou em sua cabeça acima de seu olho esquerdo.
Matar Bin Laden foi ato de defesa dos EUA, diz secretário de Justiça
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
A morte de Osama bin Laden em uma operação das forças militares norte-americanas no Paquistão foi um ato de "autodefesa nacional", e o líder da rede terrorista Al Qaeda não fez qualquer tentativa para se render, disse o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, nesta quarta-feira.
"Foi justificado como um ato de autodefesa nacional", disse Holder ao Comitê de Justiça do Senado, citando a confissão feita por Bin Laden de envolvimento nos ataques de 11 de Setembro de 2001 nos EUA. "Se ele tivesse tentado se render, acho que teríamos aceito, mas não houve qualquer indicação de que ele queria fazer isso, então a morte foi adequada", disse. O secretário defendeu ainda a legalidade da ação, já que Bin Laden "era chefe da Al Qaeda, organização que realizou o 11 de Setembro, e admitiu seu envolvimento". A legalidade da ação que matou o terrorista foi questionada por alguns líderes europeus, que dizem que os EUA "assumiram papel de polícia, juiz e executor". "Foi claramente uma violação do direito internacional", disse o ex-chanceler (primeiro-ministro) alemão-ocidental Helmut Schmidt a uma TV alemã. "A operação poderia também ter consequências incalculáveis no mundo árabe à luz de todas as turbulências."
Ehrhart Koerting, ministro do Interior da cidade-Estado de Berlim, disse: "Como advogado, eu preferia ver (Bin Laden) sendo levado a julgamento no Tribunal Penal Internacional." O jurista holandês Gert-Jan Knoops, especializado em direito internacional, declarou que o líder da Al Qaeda deveria ter sido preso e extraditado para os Estados Unidos. Ele traçou um paralelo com a situação do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que foi levado a julgamento no tribunal de crimes de guerra de Haia após ser preso em 2001. "Os norte-americanos se dizem em guerra contra o terrorismo, e que podem eliminar seus adversários no campo de batalha", disse Knoops. "Mas, em um sentido estritamente formal, este argumento não se sustenta."
OMISSÃO DOS DETALHES
Reed Brody, consultor da entidade Human Rights Watch, de Nova York, disse que é cedo para dizer se a operação dos EUA foi legal, porque poucos detalhes foram divulgados.
"Gostaríamos de saber quais foram as ordens, quais foram as regras de abordagem. Queremos saber exatamente o que aconteceu (...) e em que os EUA alegam que Bin Laden estava realmente envolvido", afirmou. "Será que o mundo é um lugar melhor por Bin Laden não estar aí? Pode-se obviamente responder a essa pergunta. Mas será que isso significa que você tem o direito de violar os protocolos de direitos humanos ou o direito internacional para fazer isso? Aí, não." A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu aos EUA que forneçam à ONU detalhes completos sobre a morte de Bin Laden. "As Nações Unidas têm consistentemente enfatizado que todos os atos de contraterrorismo precisam respeitar o direito internacional", afirmou ela.
USO DE TORTURA
Ontem, diretor da CIA [inteligência americana], Leon Panetta, admitiu em entrevista à rede de TV NBC que as informações sobre o paradeiro de Bin Laden foram obtidas através de presos nas prisões secretas da agência mediante a polêmica técnica de "afogamento simulado" (waterboarding). O diretor ressaltou, no entanto, que as pistas que levaram os serviços de inteligência a encontrarem o esconderijo do líder da Al Qaeda vieram de "muitas fontes", e não só por meio dessa técnica de interrogatório. "Neste caso, as técnicas de interrogatório coercitivas foram usadas contra alguns desses prisioneiros. Quanto ao debate sobre se poderíamos ter obtido as mesmas informações por outros meios, acho que esta sempre será uma questão em aberto", indicou.
Perguntado se nessas "técnicas de interrogatório coercitivas" se incluía o afogamento simulado, Panetta respondeu: "Correto".
Os críticos do "afogamento simulado" a classificam como tortura. O "afogamento simulado" consiste em amarrar um pedaço de pano ou plástico na boca do prisioneiro e, em seguida, derramar água sobre seu rosto. O detido começa a inalar água rapidamente, causando a sensação de afogamento.
Com dinheiro e celulares, Bin Laden estava pronto para fugir
O diretor da CIA, Leon Panetta (centro), deixa a sala após reunião em que apresentou dados secretos sobre a morte de Bin Laden
Foto: EFE

Foto: EFE
Osama bin Laden tinha 500 euros e dois celulares presos em sua roupa quando foi morto pelos soldados americanos. A afirmação foi dada pelo diretor CIA, Leon Panetta, a membros do Congresso dos Estados Unidos em um encontro fechado ao público, realizado nessa terça-feira, em Washington. As informações foram confirmadas por três fontes ao site Politico.
De acordo com Panetta, o dinheiro e os telefones são claros indícios de que ele estaria pronto para deixar a mansão em Abbottabad, na qual residia há pelo menos cinco anos. A explicação foi dada pelo diretor da CIA quando questionado por que o líder da Al-Qaeda não estaria acompanhado de um forte aparato de segurança. Segundo Panetta, Bin Laden acreditava que sua rede de contatos era "suficientemente forte" para que ele fosse avisado com antecedência caso um ataque estivesse a caminho", o que, ao que tudo indica, não aconteceu.A explicação de Panetta representa mais um parágrafo da longa explicação que ainda tenta se consolidar sobre o assalto em Abbottabad. Em meio à polêmica sobre a divulgação das fotos que comprovaria a morte do terrorista, o governo americano vem tentando explicar qual foi a exata orientação na operação, bem como sob quais circunstâncias ela acabou por acabar do modo como se conhece. Segundo as informações confirmadas pelas Casa Branca, Bin Laden não estava armado no momento da invasão, razão pela qual questiona-se se as tropas não deveriam tê-lo tomado sob custódia para, ulteriormente, acabar sendo julgado pelos crimes dos quais era acusado.
De acordo com Panetta, o dinheiro e os telefones são claros indícios de que ele estaria pronto para deixar a mansão em Abbottabad, na qual residia há pelo menos cinco anos. A explicação foi dada pelo diretor da CIA quando questionado por que o líder da Al-Qaeda não estaria acompanhado de um forte aparato de segurança. Segundo Panetta, Bin Laden acreditava que sua rede de contatos era "suficientemente forte" para que ele fosse avisado com antecedência caso um ataque estivesse a caminho", o que, ao que tudo indica, não aconteceu.A explicação de Panetta representa mais um parágrafo da longa explicação que ainda tenta se consolidar sobre o assalto em Abbottabad. Em meio à polêmica sobre a divulgação das fotos que comprovaria a morte do terrorista, o governo americano vem tentando explicar qual foi a exata orientação na operação, bem como sob quais circunstâncias ela acabou por acabar do modo como se conhece. Segundo as informações confirmadas pelas Casa Branca, Bin Laden não estava armado no momento da invasão, razão pela qual questiona-se se as tropas não deveriam tê-lo tomado sob custódia para, ulteriormente, acabar sendo julgado pelos crimes dos quais era acusado.
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