Idéia não agradou o presidente da ABGLT
Travestis e transexuais serão educados em uma escola especializada
Mocha Celis era uma travesti que não sabia ler ou escrever. Trabalhava como prostituta nas ruas de Buenos Aires, como a maior parte de suas colegas (estima-se que 90% das travestis argentinas façam programas). Quando era levada presa, precisava de ajuda para entender os papéis que lhe davam para assinar. Foi assassinada em condições não esclarecidas. A estimativa de vida para travestis na Argentina é de 35 anos.No último mês, seu nome foi parar em uma escola: começou a funcionar o Bachillerato Popular Mocha Celis, primeira instituição de Ensino Médio em Buenos Aires especializada em atender a população travesti e transexual. “A maior parte da população travesti deixa a escola por causa do preconceito”, diz Francisco Quiñones, um dos criadores e hoje coordenador da escola. “Nós queremos lhes dar a possibilidade de se formar e ter uma opção de vida que não seja a prostituição.”A ideia não agrada a todos. Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) diz que a associação é contrária a abertura de escolas especiais porque promovem segregação. “Nós temos que trabalhar a educação como um todo”, diz. “Não queremos criar guetos, queremos estar integrados na sociedade e é para que isso que trabalhamos”.Ele acredita que travestis e transexuais educados em escolas especiais serão criados “em uma bolha”, e não vão estar preparados para se reintegrar à sociedade. “Nós compartilhamos o problema, mas preferimos trabalhar de outra maneira. Em um estudo recente da Unesco, contatou-se que 40% dos estudantes masculinos da educação básica não gostariam de estudar na mesma sala que um estudante gay e 60% dos profissionais de educação não sabem como lidar com essa questão na sala da aula”, defende. Reis ressalta que 20 estados brasileiros já aceitam o nome social de travestis e transexuais, no lugar do nome de nascença.Quiñones concorda que o ideal seria que as escolas públicas aceitassem todas as diferenças de gênero sem preconceito. Entretanto, considerando os alarmantes números relacionados a travestis, os fundadores da Mocha Celis acharam que não dá pra esperar que esse processo aconteça.A ideia de criar a escola surgiu em 2011. No mês passado, começaram as primeiras aulas, para 25 alunos e alunas – nem todos travestis ou transexuais: a escola aceita qualquer aluno e está com inscrições abertas até 20 de abril para quem completou o Ensino Fundamental.
Fica no bairro de Chacarita, em um prédio compartilhado com outros projetos sociais. A escola está alinhada com a proposta de educação do pedagogo brasileiro Paulo Freire e ensina literatura, cooperativismo, matemática, noções digitais, memória e reconhecimento trans, entre outras matérias. O curso tem três anos de duração. “Ainda esperamos para esse mês o reconhecimento da prefeitura de Buenos Aires, para podermos conceder título oficial aos alunos”, diz Quiñones.Um dos maiores desafios da Mocha Celis é mudar o que se chama de “currículo oculto” das escolas regulares. É o que aprendemos na escola que vai além dos textos didáticos: nos ensinam que meninas usam rosa e meninos azul, que meninas brincam com bonecas e meninos com carrinhos, que os boletins devem ser entreguem “às mães e aos pais”, nos ditam as melhores maneiras de vestir e nos dizem que o sexo é reprodutivo e deve ser feito entre um homem e uma mulher. Transexuais não se encaixam nesse tipo de ensino.Na Mocha Celis, a aula é dada em mesas redondas, para que os professores estejam em posição de igualdade aos alunos. Usa-se “as” transexuais para as garotas que nasceram garotos mas se vêem como mulheres e “os” transexuais para a situação contrária. Todos são chamados pelos nomes que escolheram ter. “Na escola regular, as transexuais se sentem violentadas desde a chamada de classe, quando geralmente se usa o nome de nascença. O mesmo para o caso de garotos”, diz Quiñones.
Divergências à parte, a gente espera que, de uma forma ou de outra, a realidade da população travesti e transexual mude para melhor.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Transexuais poderão usar uniforme feminino nas forças de segurança na Argentina
Por conta de uma resolução do governo que procura responder "diferentes reivindicações" os travestis poderão usar uniforme feminino nas forças de segurança da Argentina. Trata-se de uma norma ditada pelo Ministério Argentino de Segurança que "toda pessoa que se identifica como mulher passará a usar uniforme feminino e trajes de banho e roupas de mulheres", declarou a diretora de Direitos Humanos da entidade, Natalia Federman, a meios de comunicação locais.A medida foi tomada para "reconhecer e respeitar as pessoas de acordo com a identidade adotada", o que faz com que os policiais e membros do resto das forças de segurança possam usar o nome e realizar as tarefas de acordo com o gênero com o qual se identificarem. "Não são muitos os casos, mas existem. Soubemos de casos de membros que pediram algum tipo de assessoria. E a partir das diferentes reivindicações fomos buscando soluções em exemplos de fora do país", declarou Federman.A resolução também atinge os presos, por isso, os travestis detidos ficarão hospedados em uma cela de acordo com o sexo com o qual se identificarem. Para aqueles que "não se identificam com os sexos masculino e feminino" está previsto o alojamento em celas separadas, acrescenta a resolução do Ministério.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Câmara argentina aprova projeto para facilitar mudança de sexo em documento
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei para permitir a mudança de sexo no documento de identidade sem uma autorização judicial prévia, tal como é requerido atualmente.A iniciativa, que agora deverá ser debatida pelo Senado, foi aprovada por 167 votos a favor, 17 contra e 7 abstenções. O projeto de lei de "identidade de gênero" prevê a adequação do documento nacional de identidade, com ou sem intervenção cirúrgica, bastando a solicitação do interessado.
O projeto busca permitir a modificação tanto do sexo como do primeiro nome na carteira de identidade. Se isso virar lei, esse trâmite poderá ser realizado junto ao Registro Nacional das Pessoas. A mudança no documento atualmente só pode ser realizada após a autorização de um juiz.Em julho de 2010, a Argentina se transformou no primeiro país da América Latina a autorizar por lei o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Na Argentina, há cerca de 2,4 milhões de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, o equivalente a 6% da população (40 milhões de habitantes), segundo dados das entidades ligadas ao movimento gay. EFE
O projeto busca permitir a modificação tanto do sexo como do primeiro nome na carteira de identidade. Se isso virar lei, esse trâmite poderá ser realizado junto ao Registro Nacional das Pessoas. A mudança no documento atualmente só pode ser realizada após a autorização de um juiz.Em julho de 2010, a Argentina se transformou no primeiro país da América Latina a autorizar por lei o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Na Argentina, há cerca de 2,4 milhões de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, o equivalente a 6% da população (40 milhões de habitantes), segundo dados das entidades ligadas ao movimento gay. EFE
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Primeiro senador gay casado toma posse na Argentina
Parlamentar se casou após a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no país, há um ano.
Da BBC
O advogado argentino Osvaldo López, de 39 anos, empossado no cargo de senador na semana passada, é o primeiro parlamentar da Argentina assumidamente gay e casado com uma pessoa do mesmo sexo.
Seu casamento se tornou possível após a legalização, há um ano, de uniões entre pessoas do mesmo sexo no país.
Em seguida à posse, López disse à imprensa local que espera que 'os políticos tenham coragem de assumir sua homossexualidade'.À BBC Brasil ele acrescentou que 'o mundo seria menos hipócrita e mais feliz' se todos assumissem sua 'homossexualidade e identidade'.'Viveríamos em uma sociedade mais feliz e pacífica. Quanto mais livres pudermos ser, mais honesta será a construção da identidade coletiva e mais leis teremos vinculadas a essa realidade', opinou.
López era deputado na província de Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, e suplente do senador José Carlos Martínez, que morreu em junho num acidente de trânsito. Ele vai completar os dois anos e meio do mandato restante de Martínez.López, do partido Novo Encontro (que diz apoiar o governo, mas em 'algumas questões'), contou que morava com seu companheiro Javier desde 2005 e que se casaram assim que foi aprovada a lei nacional que autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.Até meados de julho, segundo a Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (FALGBT), foram realizadas no país quase 3 mil uniões homossexuais.
PleitosNo dia seguinte à sua posse no Senado, López se reuniu com representantes de diferentes ONGs que defendem a ampliação dos direitos dos casais homossexuais.'Está em vigor no país, por exemplo, uma lei que define como delito a discriminação racial, e querem que seja incluída no texto a questão de gênero e liberdade sexual', afirmou.Outra demanda das organizações é permitir a mudança dos nomes no documento de identidade, a partir da nova opção sexual.Para López, estar no Senado será a oportunidade de 'ser parte dos avanços pela igualdade dos direitos civis'. Ele agrega que a 'vida intima não impede que se possa trabalhar pelos direitos da classe trabalhadora em geral'.O senador, nascido na província de Santa Fé, no centro do país, disse que quer ser uma voz no Senado em defesa de 'políticas públicas' que gerem também 'mais justiça social' no país.
Como ex-advogado sindical, disse que quer apoiar também os trabalhadores argentinos que na crise de 2001 passaram a recuperar fábricas que tinham quebrado.O presidente da Comunidade Homossexual Argentina (CHA), César Cigliutti, afirmou que a posse de López é 'uma boa notícia' porque representa 'um grande avanço' no combate à discriminação.
'É muito bom que isso ocorra em âmbitos fechados, como a política. Na hora da identidade, é muito importante dizer quem você é, com nome e sobrenome, e lutar e dizer com orgulho a questão de gênero', disse Cigliutti.
Seu casamento se tornou possível após a legalização, há um ano, de uniões entre pessoas do mesmo sexo no país.
Em seguida à posse, López disse à imprensa local que espera que 'os políticos tenham coragem de assumir sua homossexualidade'.À BBC Brasil ele acrescentou que 'o mundo seria menos hipócrita e mais feliz' se todos assumissem sua 'homossexualidade e identidade'.'Viveríamos em uma sociedade mais feliz e pacífica. Quanto mais livres pudermos ser, mais honesta será a construção da identidade coletiva e mais leis teremos vinculadas a essa realidade', opinou.
López era deputado na província de Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, e suplente do senador José Carlos Martínez, que morreu em junho num acidente de trânsito. Ele vai completar os dois anos e meio do mandato restante de Martínez.López, do partido Novo Encontro (que diz apoiar o governo, mas em 'algumas questões'), contou que morava com seu companheiro Javier desde 2005 e que se casaram assim que foi aprovada a lei nacional que autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.Até meados de julho, segundo a Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (FALGBT), foram realizadas no país quase 3 mil uniões homossexuais.
PleitosNo dia seguinte à sua posse no Senado, López se reuniu com representantes de diferentes ONGs que defendem a ampliação dos direitos dos casais homossexuais.'Está em vigor no país, por exemplo, uma lei que define como delito a discriminação racial, e querem que seja incluída no texto a questão de gênero e liberdade sexual', afirmou.Outra demanda das organizações é permitir a mudança dos nomes no documento de identidade, a partir da nova opção sexual.Para López, estar no Senado será a oportunidade de 'ser parte dos avanços pela igualdade dos direitos civis'. Ele agrega que a 'vida intima não impede que se possa trabalhar pelos direitos da classe trabalhadora em geral'.O senador, nascido na província de Santa Fé, no centro do país, disse que quer ser uma voz no Senado em defesa de 'políticas públicas' que gerem também 'mais justiça social' no país.
Como ex-advogado sindical, disse que quer apoiar também os trabalhadores argentinos que na crise de 2001 passaram a recuperar fábricas que tinham quebrado.O presidente da Comunidade Homossexual Argentina (CHA), César Cigliutti, afirmou que a posse de López é 'uma boa notícia' porque representa 'um grande avanço' no combate à discriminação.
'É muito bom que isso ocorra em âmbitos fechados, como a política. Na hora da identidade, é muito importante dizer quem você é, com nome e sobrenome, e lutar e dizer com orgulho a questão de gênero', disse Cigliutti.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Evita ganha retrato imenso que reflete sua grandeza na Argentina
A ex-primeira dama argentina Eva Perón durante evento que atraiu multidão em Buenos Aires em 1951
A partir da terça-feira, um enorme retrato da carismática ex-primeira-dama, com dez andares de altura, vai velar sobre a capital, em uma homenagem paga pelo governo e inspirada na famosa estátua de Che Guevara na praça da Revolução, em Havana.A presidente Cristina Kirchner, que frequentemente evoca a memória de Evita em seus discursos, vai inaugurar -- três meses antes da eleição presidencial -- o retrato de ferro batido que recobre um lado do prédio do Ministério da Saúde.Atriz que se casou com o falecido presidente Juan Perón, Evita é adorada por muitos argentinos por ter ajudado a conquistar o direito do voto feminino e benefícios trabalhistas para a classe trabalhadora, além de ter fundado hospitais e orfanatos.
"O objetivo desta obra de arte é render homenagem a uma mulher que lutou pela justiça social", disse Alejandro Marmo, o artista de quem o governo de centro-esquerda de Cristina encomendou o retrato no ano passado."Estamos exibindo um novo ícone, assim como aconteceu com Che em Cuba", ele disse, aludindo à imagem cult do revolucionário argentino na capital cubana.A imagem gigante de Evita, que tem 31 metros de altura e 24 de largura, ergue-se sobre a avenida movimentada que corta o centro de Buenos Aires. Evita é mostrada em imagem glamorosa, com o coque que era seu penteado de praxe.A inauguração do retrato, na terça-feira, assinala o 59o aniversário da morte de Evita, de câncer, aos 33 anos e no auge de sua popularidade."Esta obra vai lembrar aos argentinos e aos visitantes esta mulher que viveu apenas até os 33 anos, mas conquistou a imortalidade", disse Miguel Angel de Renzis, diretor da Fundação Evita, uma entidade de caridade fundada após sua morte.O retrato escultural adorna uma lateral do edifício de onde Evita muitas vezes discursou para multidões e onde ela decepcionou seus seguidores ao dar a entender que não se candidataria a vice de Perón em 1951.
Outra imagem, de uma Evita combativa discursando para uma multidão imensa, será colocada do outro lado do edifício e deve ser inaugurada nos próximos meses.
"A outra Evita é mais rebelde", disse Laura Macek, historiadora do Instituto Evita Perón de Pesquisas Históricas, de Buenos Aires. "Ela não é apenas a Evita boa, a fada madrinha que dava brinquedos a nossos filhos, mas uma Evita militante, engajada com uma causa." (por Por Luis Andrés Henao)
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Um ano após legalização, Argentina tem quase 3 mil casamentos gays
Um ano depois da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a Argentina registrou quase três mil casamentos gays, segundo a Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (FALGBT), com sede em Buenos Aires ."Contabilizamos 2.697 casamentos gays, sendo 60% de casais homens e 40% de casais mulheres", disse à BBC Brasil o presidente da FALGBT, Esteban Paulón. Segundo ele, os dados foram reunidos a partir de informações enviadas por entidades ligadas à FALGBT nas diferentes províncias e a partir dos levantamentos dos cartórios no país. O Ministério do Interior informou que não tem dados nacionais consolidados. O governo ainda não contabilizou os dados espalhados pelos cartórios provinciais do país.
Detalhes
Paulón disse que, neste período, foi registrado um pedido de divórcio de um casal de lésbicas e que um casal de homens procurou a área jurídica da FALGBT pedindo orientação para anular o casamento.
Ocorreram ainda dois casos de viuvez. Uma mulher da localidade de Azul e um homem que morreu logo após se casar, durante a festa de casamento, no balneário de Mar del Plata, na província de Buenos Aires.
De acordo com a entidade, vinte e cinco crianças "já possuem duas mães ou dois pais" porque já viviam com seu pai ou mãe biológico antes do casamento do mesmo sexo. "Seis casais de homens, aqui da capital argentina, já começaram a reunir os papéis para adotar crianças, mas pela lei argentina a adoção só pode ser autorizada após três anos de casamento", disse Paulón.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado pelo Congresso Nacional, na madrugada do dia 15 de julho, levando casais gays a comemorar nas ruas. Em muitos casos, eles já viviam juntos havia anos, mas queriam oficializar a relação amorosa no cartório.
Foi o que ocorreu, por exemplo, com a uruguaia Ramona Arévalo e a argentina Norma Castillo, as duas de 67 anos, que se casaram após 30 anos de convivência.
Futuro
Agora, as entidades de homossexuais reunidas na FALGBT querem que comece a ser debatida a "lei de identidade de gênero" que permite a mudança de nome e de sexo na certidão de nascimento e no documento de identidade. A medida é possível no Uruguai, onde a base governista, Frente Ampla, apoiou a união civil entre pessoas do mesmo sexo, aprovada em 2007, mas ainda debate o projeto de casamento gay. Paulón disse ainda que outro objetivo é a implementação de "políticas públicas" que permitam a "inclusão no mercado de trabalho" de homossexuais e transexuais assumidos.
Desde que a lei foi aprovada na Argentina, com apoio da presidente Cristina Kirchner, passou a ser mais frequente ver casais do mesmo sexo passeando de mãos dadas nos bairros de Buenos Aires. "Somos uma sociedade mais igualitária do que no passado", disse a presidente ao promulgar a lei, em 2010.
Detalhes
Paulón disse que, neste período, foi registrado um pedido de divórcio de um casal de lésbicas e que um casal de homens procurou a área jurídica da FALGBT pedindo orientação para anular o casamento.
Ocorreram ainda dois casos de viuvez. Uma mulher da localidade de Azul e um homem que morreu logo após se casar, durante a festa de casamento, no balneário de Mar del Plata, na província de Buenos Aires.
De acordo com a entidade, vinte e cinco crianças "já possuem duas mães ou dois pais" porque já viviam com seu pai ou mãe biológico antes do casamento do mesmo sexo. "Seis casais de homens, aqui da capital argentina, já começaram a reunir os papéis para adotar crianças, mas pela lei argentina a adoção só pode ser autorizada após três anos de casamento", disse Paulón.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado pelo Congresso Nacional, na madrugada do dia 15 de julho, levando casais gays a comemorar nas ruas. Em muitos casos, eles já viviam juntos havia anos, mas queriam oficializar a relação amorosa no cartório.
Foi o que ocorreu, por exemplo, com a uruguaia Ramona Arévalo e a argentina Norma Castillo, as duas de 67 anos, que se casaram após 30 anos de convivência.
Futuro
Agora, as entidades de homossexuais reunidas na FALGBT querem que comece a ser debatida a "lei de identidade de gênero" que permite a mudança de nome e de sexo na certidão de nascimento e no documento de identidade. A medida é possível no Uruguai, onde a base governista, Frente Ampla, apoiou a união civil entre pessoas do mesmo sexo, aprovada em 2007, mas ainda debate o projeto de casamento gay. Paulón disse ainda que outro objetivo é a implementação de "políticas públicas" que permitam a "inclusão no mercado de trabalho" de homossexuais e transexuais assumidos.
Desde que a lei foi aprovada na Argentina, com apoio da presidente Cristina Kirchner, passou a ser mais frequente ver casais do mesmo sexo passeando de mãos dadas nos bairros de Buenos Aires. "Somos uma sociedade mais igualitária do que no passado", disse a presidente ao promulgar a lei, em 2010.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Homossexual e travesti se casam legalmente em prisão argentina
OPERA MUNDI/UOL
Uma peruana e um argentino se casaram legalmente na manhã desta quarta-feira (13/4) no Complexo Penitenciário I de Ezeiza, na Argentina. O casamento entre os detentos de diferentes pavilhões – ela, no de travestis e ele, no de homossexuais –, foi realizado 10 meses depois da aprovação da lei que autoriza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo no país.
Os anos anteriores ao casamento foram de muitos desafios para Eduardo P. e Vivian G., que se conheceram fora das grades, em 2005, mas acabaram presos na mesma unidade penitenciária. Ela chegou a fazer greve de fome para que os dois pudessem se encontrar nos lugares frequentados por detentos nas atividades cotidianas da reclusão, segundo o jornal argentino Página 12. Eduardo se desesperava com a situação e tentava alimentar a companheira. "Ele me passava coisas pela janelinha para que eu comesse, mas eu não queria nada. Ele me deixava papeizinhos, cartas", contou a noiva à publicação. Mas o casal teve um final feliz. A cerimônia de casamento contou com tudo o que manda o ritual: vestido branco, buquê, alianças, convidados emocionados e gritos de "Viva os Noivos!". "Sonho com isso desde que tinha 12 anos", afirmou ela, "sempre disse que com 18 anos começaria a me preparar para ter uma família. Queria ser mulher", disse a detenta, de cerca de 30 anos, que em um ano poderá recuperar sua liberdade. Eduardo, por sua vez, espera decisões da justiça sobre seu futuro. A união civil não trará uma grande mudança nas condições de convivência dos recém-casados: cada um seguirá em seu pavilhão e poderão se encontrar em locais onde são realizadas oficinas com os detentos. Ambos terão, no entanto, direito à visita íntima a cada 15 dias, benefício que já solicitavam antes da realização da cerimônia.
"Seria lindo um pavilhão de casais", disse a noiva, com esperança, ao jornal. Eduardo, no entanto, tem os pés no chão: "Eu sempre digo que aqui, estamos presos. É a realidade", desabafou.
Direitos
A união entre Eduardo e Vivian não é o primeiro casamento gay em uma prisão do país vizinho. Em agosto do ano passado, um mês após a aprovação pelo senado da uma lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, dois argentinos protagonizaram, em uma penitenciária de Mendoza, a primeira união civil do país entre internos homossexuais. Osvaldo Martín Torres e Jesús Acuña, também conhecido como Diana, formalizaram sua relação iniciada muitos anos antes, na própria cadeia: "Nos conhecemos aqui dentro há uns 11 anos e desde este momento, ela me ajudou muito a poder sair desta situação de drogas e crimes", afirmou Torres, na ocasião. Durante a cerimônia, que contou com a participação de cerca de 20 detentos, o diretor do presídio, Sebastián Sarmiento, ressaltou o "grande companheirismo" do casal. "Eles são um exemplo de união e demonstraram ter um amor inseparável", elogiou.
Uma peruana e um argentino se casaram legalmente na manhã desta quarta-feira (13/4) no Complexo Penitenciário I de Ezeiza, na Argentina. O casamento entre os detentos de diferentes pavilhões – ela, no de travestis e ele, no de homossexuais –, foi realizado 10 meses depois da aprovação da lei que autoriza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo no país.
Os anos anteriores ao casamento foram de muitos desafios para Eduardo P. e Vivian G., que se conheceram fora das grades, em 2005, mas acabaram presos na mesma unidade penitenciária. Ela chegou a fazer greve de fome para que os dois pudessem se encontrar nos lugares frequentados por detentos nas atividades cotidianas da reclusão, segundo o jornal argentino Página 12. Eduardo se desesperava com a situação e tentava alimentar a companheira. "Ele me passava coisas pela janelinha para que eu comesse, mas eu não queria nada. Ele me deixava papeizinhos, cartas", contou a noiva à publicação. Mas o casal teve um final feliz. A cerimônia de casamento contou com tudo o que manda o ritual: vestido branco, buquê, alianças, convidados emocionados e gritos de "Viva os Noivos!". "Sonho com isso desde que tinha 12 anos", afirmou ela, "sempre disse que com 18 anos começaria a me preparar para ter uma família. Queria ser mulher", disse a detenta, de cerca de 30 anos, que em um ano poderá recuperar sua liberdade. Eduardo, por sua vez, espera decisões da justiça sobre seu futuro. A união civil não trará uma grande mudança nas condições de convivência dos recém-casados: cada um seguirá em seu pavilhão e poderão se encontrar em locais onde são realizadas oficinas com os detentos. Ambos terão, no entanto, direito à visita íntima a cada 15 dias, benefício que já solicitavam antes da realização da cerimônia.
"Seria lindo um pavilhão de casais", disse a noiva, com esperança, ao jornal. Eduardo, no entanto, tem os pés no chão: "Eu sempre digo que aqui, estamos presos. É a realidade", desabafou.
Direitos
A união entre Eduardo e Vivian não é o primeiro casamento gay em uma prisão do país vizinho. Em agosto do ano passado, um mês após a aprovação pelo senado da uma lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, dois argentinos protagonizaram, em uma penitenciária de Mendoza, a primeira união civil do país entre internos homossexuais. Osvaldo Martín Torres e Jesús Acuña, também conhecido como Diana, formalizaram sua relação iniciada muitos anos antes, na própria cadeia: "Nos conhecemos aqui dentro há uns 11 anos e desde este momento, ela me ajudou muito a poder sair desta situação de drogas e crimes", afirmou Torres, na ocasião. Durante a cerimônia, que contou com a participação de cerca de 20 detentos, o diretor do presídio, Sebastián Sarmiento, ressaltou o "grande companheirismo" do casal. "Eles são um exemplo de união e demonstraram ter um amor inseparável", elogiou.
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