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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Comentário em rede social provoca revolta do Grupo Gay de Alagoas

O Grupo Gay de Alagoas (GGAL) enviou ofício, ontem, ao Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul para tentar confirmar se o perfil “@stjsfm” é mesmo do desembargador daquele Estado Sérgio Fernandes Martins, no Twitter. No último dia 9, o desembargador teria publicado o link da matéria do Estadão sobre o assassinato do casal homossexual Márcio Lira de Souza e Eduardo Luiz Mello da Silva, sob o título “Casal gay é achado morto em Alagoas com olhos perfurados”. Em seguida, o desembargador Sérgio Martins comenta: “[Perfurados? Os seis?]”.

“...Além de publicar a Matéria do Jornal Estadão, Vossa Senhoria usa de um certo humor negro, ao se referir a prática de tortura (olhos perfurados), usa com total preconceito, desrespeito e linguagem pejorativa ao citar com interrogação se teriam perfurado o ânus de Márcio Lira Silva e seu companheiro Eduardo, durante as práticas de tortura vividas pelos mesmos antes de terem sua vida ceifada”, diz trecho do ofício enviado pelo GGAL ao TJ do MS e assinado por seu presidente, Nildo Correia.Mais adiante, o texto endereçado ao “Excelentíssimo Desembargador do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul dr. Sérgio Fernandes Martins” pede a confirmação sobre a autenticidade do perfil do desembargador do Twitter. LM-Dr. Sérgio Fernandes Martins: “Mesmo acreditando que alguém com a sua capacidade de conhecimento, intelectualidade, prestigio, caráter, QI entre outras qualidades, queremos ter certeza se a publicação na citada página é ou não de vossa autoria”.
Em entrevista por telefone à Gazeta, o presidente do GGAL, Nildo Correia, disse que tomou conhecimento do que classificou como “incitação homofóbica” por meio da repercussão do comentário infame nas redes sociais.
“Enviamos ofício para confirmar se a página no Twitter pertence de fato ao desembargador e agora estamos aguardando uma resposta para então tomarmos providências”, disse Nildo Correia.
Segundo Nildo, com o assassinato do casal sobe para oito o número de homossexuais assassinados em Alagoas somente em 2012. No ano passado foram registrados 21 crimes considerados homofóbicos, dos quais apenas cinco tiveram os inquéritos concluídos. Logo mais às 15 horas, no Calçadão da Rua do Comércio, o GGAL promove o “Varal da Homofobia”, que vai expor mais de duas mil fotos de homossexuais assassinados.

terça-feira, 17 de abril de 2012

SEJA VIADO!SEJA HERÓI!

Tive vontade de escrever sobre isso desde que li essa triste notícia mas tudo me deixou tão chocado que resolvi me concentrar mais no meu trabalho até elaborar um discurso que agora se transforma nessas palavras. Sou artista, preferi pôr em ordem meus trabalhos para as próximas exposições mas mesmo assim essa imagem não saiu da minha cabeça. Pra quem não sabe minha pesquisa artística é relacionada ao homoerotismo e se desenvolveu por uma série de questões sociais - principalmente pela minha própria insatisfação decorrente dessa realidade absurda que vivemos nesse país. Meus trabalhos soam como uma afronta a esse momento retrógrado que vivemos, são provocações haja visto que desenho bandos de homens nus e algumas orgias para não-gays.

“Hoje sou marginal ao marginal, não marginal aspirando à pequena burguesia ou ao conformismo, o que acontece com a maioria, mas marginal mesmo: à margem de tudo, o que me dá surpreendente liberdade de ação – e para isso preciso ser apenas eu mesmo segundo meu princípio de prazer: mesmo para ganhar a vida faço o que me agrada no momento.” (Hélio Oiticica – 1968).
Gays estão lutando por direitos e pela igualdade. Os homens heterossexuais cristãos classe média não gostam disso e reagem contra como podem. Por isso temos essa onda de violência, igrejas mostrando a verdadeira face reacionária, fascista e absurdos como casais gays com olhos perfurados e dedos arrancados em canaviais, orelhas cortadas de pais com filhos confundidos com gays, homossexuais idosos mortos a pedradas, travestis consumidas e assassinadas, lésbicas estupradas, ataques de neonazistas de sangue mestiço e lâmpadas que se quebram nas nossas caras todos os dias.Se você está vivo, meu amigo, se considere com sorte. O Brasil inteiro está escarrando na sua boca enquanto você ri, enquanto você goza, enquanto você finge que está tudo bem. Você é o novo marginal.
Bastou um único homossexual brutalmente assassinado no Chile para a sociedade toda se levantar e aprovar uma lei contra a homofobia enquanto no Brasil um casal perdeu sua vida, seus olhos e seus dedos e nada mudou. E a culpa é também é sua.Se você não está contra quem impede que uma lei anti-homofobia seja aprovada no Brasil você compactua com eles. Se você não faz nada contra, suas mãos também estão sujas de sangue.
É meu papel como artista identificar e denunciar o que está errado.
SEJA VIADO, SEJA HERÓI
(pelo menos uma única vez na sua vida)

Escrito por hurtz/MIX BRASIL

domingo, 15 de abril de 2012

BLOGAY-A situação tá russa: Heterossexual é preso por defender gays

POR Vitor Angelo

No último domingo, 7, Sergey Kondrashov segurou um cartaz, em São Petersburgo, na Rússia, com a seguinte frase: “Uma querida amiga da família é lésbica. Minha esposa e eu a amamos e a respeitamos. E sua família é exatamente igual a nossa.” Ele foi preso.

Sergey Kondrashov segura placa pró gay antes de ser preso (Divulgação)
Acusado de ativista, o advogado só queria mostrar seu apoio a uma amiga homossexual e solidarizar-se contra a lei anti gay (que proíbe qualquer “propaganda” homossexual, aliás nem a palavra gay pode ser falada) aprovada na cidade russa de São Petersburgo. Na verdade, Sergey ergueu seu cartaz porque acredita que todos os russos são iguais perante o Estado e devem ter os mesmo deveres e mesmo direitos e a lei anti gay não faz nenhum sentido.Por sua atitude fraterna, ele pode ser multado e preso por até duas semanas. Entidades ligadas aos direitos dos homossexuais estão protestando contra a prisão. Pois a lei anti gay de São Petersburgo, mais do que um reflexo dos tempos presentes, é um sintoma de um passado ditatorial travestido de comunismo que acreditava que os homossexuais eram o sinal da decadência do capitalismo.Se o tal comunismo real caiu, muito de seus aparatos continuam firmes como o autoritarismo presente na figura quase “imexível” do Primeiro Ministro russo Vladimir Putin, os privilégios dos burocratas transferidos para os mafiosos e o puritanismo do proletariado transformado em moral conservadora.
Enquanto isso, a Rússia mostra ser um país pouco amistoso com os homossexuais e acaba de rejeitar a declaração dos direitos dos homossexuais pelo G8, nesta quinta-feira, 12. É, infelizmente, a próxima placa que o gays e progressistas devem levantar por lá é: “A coisa tá russa!”

sexta-feira, 13 de abril de 2012

OS ENRUSTIDOS PODEM MATAR!-Homofobia tende a ser maior entre pessoas que têm atração pelo mesmo sexo

Estudo defende que atração homossexual reprimida pode se manifestar pelo ódio

Um estudo realizado pelas universidades de Rochester, Essex e Califórnia, nos Estados Unidos, revela que as pessoas homofóbicas sentem atração por pessoas do mesmo sexo. O comportamento agressivo em relação aos homossexuais seria uma forma de reprimir o desejo sentido que, por uma série de motivos, o indivíduo considera errado (a criação recebida dos pais, por exemplo).
Publicada no mês de abril no “Journal of Personality and Social Psychology”, a pesquisa foi composta por quatro experimentos distintos, cada um envolvendo em média 160 estudantes universitários, entre alemães e norte-americanos. Com o intuito de explorar a atração sexual explícita e implícita dos participantes, os pesquisadores mediram as discrepâncias entre o que as pessoas diziam sobre sua orientação sexual e como eles reagiam durante uma tarefa.Para o primeiro experimento, palavras e imagens eram mostradas aos participantes na tela de um computador e, então, era pedido para que as classificassem como “gay” ou “hétero”. Para a segunda parte, os estudantes foram incentivados a buscar fotos de pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto. Ambos os testes foram realizados para entender a atração sexual implícita.
Nos dois testes finais, os pesquisadores buscaram saber qual o tipo de criação familiar dos estudantes e suas opiniões políticas e crenças. Para medir o nível de homofobia na própria casa, os participantes responderam questões como: “Seria perturbador para minha mãe descobrir que ela estava sozinha com uma lésbica” ou “Meu pai evita homens gays sempre que possível”.Segundo a pesquisa, os resultados fornecem novas evidências para apoiar a teoria psicanalítica de que a ansiedade, medo e aversão por pessoas homossexuais pode ser uma reação de quem se identifica com o grupo, mas não aceita isso. Segundo o estudo, são pessoas que, com medo do julgamento alheio, reprimem e negam seus instintos e desejos.

Assassinato de babalorixá e companheiro em AL, com sinais de brutalidade e tortura, repercute na imprensa nacional

O babalorixá Márcio Lira Silva e seu companheiro, identificado como Eduardo, estavam desaparecidos desde 28 de março, quando foram vistos pela última vez, no bairro do Vergel, em Maceió, onde residiam. Duas semanas depois, na última quarta-feira (11), após buscas em hospitais, seus corpos foram reconhecidos por parentes no Instituto Médico Legal (IML) de Maceió.

Conforme apuração do Tudo na Hora, os corpos do pai de santo e seu parceiro deram entrada no IML no domingo (8) e os exames de corpo delito foram realizados na segunda-feira (9). O resultado dos laudos tem um prazo de dez dias para ser divulgados, contados a partir da data do exame.
Na noite da quarta-feira, com o título “Casal gay é achado morto em Alagoas”, o Estadão repercutiu o caso. Os sinais de brutalidade do crime descritos na matéria chamaram a atenção do público e fizeram a reportagem estar entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta quinta-feira (12).
Os cadáveres estavam em avançado estado de decomposição e haviam sido encontrados pela polícia em um canavial na cidade de Rio Largo. De acordo com informações iniciais, os dois estavam com os olhos perfurados e os dedos das mãos cortados.A delegacia de Rio Largo investiga o crime.

Gay russo é preso ao empunhar cartaz em defesa de amiga lésbica

O russo Sergey Kondrashov, de São Petersburgo, foi preso no domingo passado ao portar um cartaz em defesa de uma amiga lésbica. "Uma querida amiga da família é lésbica. Minha esposa e eu a amamos e a respeitamos. E sua família é igual a nossa", dizia a mensagem que fez com que Sergey fosse preso. Ele foi enquadrado em uma lei aprovada no mês passado na cidade que proíbe qualquer propaganda ou menção a homossexualidade para menores de idade. A lei anti gay prevê pena de até suas semanas e uma multa que pode chegar de 300 até 30 mil reais, em caso de reincidência.

Sergey que é heterossexual e casado será julgado na semana que vem. Ele enviou uma carta ao grupo All Out pedindo que a organização denunciasse o caso internacionalmente. Ele pede que o primeiro ministro russo Vladimir Putin acabe com essa lei inconstitucional. Mais de 30 mil pessoas assinaram a petição que será encaminhada a Putin.“Os defensores dessa lei alegam que ela "protege as crianças" - mas a minha prisão deixa claro que a sua verdadeira intenção. Esta lei quer realmente fazer lésbicas, gays, bi e trans (LGBT) desaparecerem na segunda maior cidade da Rússia. E não apenas as pessoas LGBT- mas esta lei vai silenciar pessoas como eu, heterossexuais que se preocupam por nossos amigos e familiares LGBT” disse Sergey em, sua carta.
A ação faz parte de diversas iniciativas de militantes e pessoas comuns que visam denunciar a lei absurda que passou com a desculpa de proteger as crianças mas que acaba limitando a liberdade no país. Como a lei não especifica o que é propaganda, qualquer pessoa está sujeita a ser enquadrada nela.

Comunidade gay reage a venda de livro de pastor homofóbico pela Avon que emite nota

O militante gay Sergio Viula e seu companheiro Emanuel Façanha da Silva, do Rio de Janeiro, ficaram indignados ao verem que livros do Pastor Silas Malafaia fazem parte do catálogo da empresa Avon, famosa por atuar no ramo dos cosméticos e de venda porta em porta. Eles encaminharam reclamações para a empresa tanto no Brasil quanto nos EUA, dizendo que a Avon ajuda a financiar a homofobia ao revender produtos de tal pastor. Silva, que é maquiador profissional, pediu também seu desligamento do cadastro da empresa, do qual era revendedor dos produtos.

E eles não estão sozinhos. Nas redes sociais, cresce a indignação do apoio da empresa ao pastor evangélico que prega o preconceito aos homossexuais. Em seus programas de TV, Malafaia diz que os gays querem direitos especiais e os compara a pedófilos e a quem faz sexo com animais. Nos livros vendidos pela Avon, alguns retratam o tema e mostram a opinião preconceituosa do religioso que enfrente um processo ajuizado pelo Ministério Público de São Paulo por apologia a violência contra os homossexuais.A Avon nasceu de um livreiro que dava perfumes de brindes, um dia, ele mudou de ramo e passou a vender tais fragrâncias e depois produtos de beleza. A empresa respondeu a um pedido de comentário da Lado A, por meio da empresa que cuida das mídias sociais da Avon no Brasil:“A Avon tem como um de seus mais importantes pilares o respeito à diversidade, em todos os seus aspectos, e busca atender de forma ampla e democrática aos consumidores de mais de 100 países, oferecendo uma ampla variedade de cosméticos e outros produtos - entre eles os livros -, para atender à pluralidade de preferências, ideias e estilos de vida.
No que se refere aos livros, oferecemos títulos já consagrados pelo público que espelhem essa diversidade, ainda mais forte em um país multicultural de dimensões continentais. Entendemos que não nos cabe questionar posicionamentos religiosos, políticos ou ideológicos dos autores dessas publicações, mas estamos sempre atentos a opiniões e pontos de vista como os seus, que serão considerados por nossa equipe para aperfeiçoar nossa seleção. Agradecemos por compartilhar sua opinião conosco.”Perguntamos também se era cogitada a retirada dos livros da editora do pastor dos catálogos de venda da empresa ou se poderiam nos informar o volume de livros comprados da mesma editora, mas não tivemos acesso a estas informações. Há ainda na internet uma campanha que propõe boicote aos produtos da empresa e outra iniciativa que deseja criar uma abaixo assinado para que a Avon deixe de vender os produtos do pastor homofóbico.

Casal gay é morto em Alagoas com suspeita de tortura

Um casal homossexual que estava desaparecido havia 12 dias foi encontrado morto, com sinais de tortura, em um canavial em Rio Largo, região metropolitana de Maceió. Segundo o GGA (Grupo Gay de Alagoas), os corpos do pai de santo Márcio Lira Silva e de seu companheiro, Eduardo, foram localizados na última segunda com os dedos decepados, os olhos perfurados e em decomposição. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

Os dois viviam juntos havia 12 anos. O Instituto Médico Legal ainda não concluiu o laudo sobre a causa da morte. Para Nildo Correia, do GGA, a suspeita é de motivação homofóbica. Só neste ano, nove homossexuais foram mortos em Alagoas, segundo o GGA.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Blogay-Escola e homofobia: os casos de Campinas e Rio de Janeiro

Blogay é editado pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo
POR Vitor Angelo

A cidade do Rio de Janeiro viveu um debate tenso depois que o vereador Carlos Bolsonaro (PP) apresentou um projeto de lei que proíbe distribuição de materiais didáticos sobre a diversidade sexual em escolas públicas municipais.

Depois de um abaixo-assinado contra o projeto e protesto de várias entidades ligadas aos direitos dos homossexuais e aos direitos humanos, o projeto de lei 1082/11 saiu da pauta da Câmara dos Vereadores e não existe data definida para uma próxima votação.Em Campinas, o professor de história José Carlos Rocha foi procurado por três alunas heterossexuais, em 2004, pois estavam preocupadas por casos de homofobia contra alunas lésbicas que frequentavam o período da noite. Desde esta data, a Escola Estadual Culto à Ciência oferece palestras contra o preconceito e a homofobia.
A pergunta que fica é: qual o medo de esclarecer e educar contra a homofobia? Existe má fé profunda ao assumir o título “kit gay” para um material que na verdade é mais um kit contra a intolerância. Além disso, é mentiroso dizer que o projeto quer transformar as crianças em homossexuais como os Bolsonaros tanto insistem nesta mesma tecla desafinada e que ilude os mais incultos em relação ao tema. Ninguém se transforma em homossexual, nasce-se homossexual – pelo menos acredito nisso -, o que o projeto contra a homofobia nas escolas pretende é ensinar o respeito às diferenças e com isso diminuir tanto o suicídio de jovens homossexuais que são pressionados por bullying homofóbicos nas escolas e também em seus lares.Na verdade, ao pregar contra um material didático contra a intolerância é desejar que mais pessoas permaneçam em suas ignorâncias para mais fácil manipulá-las.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

FUGA DA HOMOFOBIA!-"Não volto de jeito nenhum: aqui sou um ser humano, não uma condição", desabafa brasileiro que vive no Canadá

Janaina Garcia
Do UOL, em São Paulo

O brasileiro André Aggi, 36 (à direita), e o marido Romain, com quem vive em Vancouver (Canadá). Aggi tenta asilo e afirma ter sido vítima de homofobia no Brasil, para onde não pretende voltar

O advogado brasileiro André Aggi, 36, está desde novembro do ano passado em Vancouver, Canadá, e aguarda a concessão do asilo para não retornar mais ao país. “Não volto de jeito nenhum. Porque aí no Brasil eu serei pra sempre uma condição. Aqui, sou um ser humano”, desabafou, por telefone, em entrevista ao UOL.Natural de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, Aggi é um dos 25 homossexuais brasileiros que tentam este ano conseguir asilo em outros países de acordo com a ONG ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais). Sobre a volta ao país natal, o advogado é taxativo: enquanto a homofobia não for criminalizada nas leis brasileiras, a possibilidade de voltar não passa, nem de longe, por sua cabeça. No Canadá, Aggi --que também é ator-- está casado com um francês.Abaixo, um relato do brasileiro --que foi informado, pela reportagem, da posição da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República a respeito do combate à homofobia no país.
*
“Pedi asilo ao governo canadense em novembro de 2011, em razão da minha orientação sexual, e aguardo a minha audiência. Vim como turista. Se pedisse asilo no Brasil, acredito que nunca conseguiria.Advoguei quatro anos e meio no Brasil, em Pouso Alegre. Não tinha dinheiro nem para uma consulta oftalmológica; aqui, mesmo ainda pleiteando o asilo, tenho seguro de saúde federal e consegui meu óculos de graça. Isso pra dizer o seguinte: falam que não tem homofobia no Brasil, mas tem, sim, nem que seja velado. E eu sentia isso mesmo para trabalhar.
"Ainda dá para viver aqui", diz presidente da ABGLT
O presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais, Toni Reis, diz que a associação ainda não tem um posicionamento formal sobre os pedidos de asilo.O motivo, diz, é a possibilidade de que parte dos autores desses pedidos se valham de casos recentes de violências contra homossexuais no Brasil como escudo a tentativas de asilo político tentados, mas não obtidos."Acho que ainda dá para viver aqui; se piorar, aí a gente vai mesmo ter que sair do país".

Nesse tempo em que advoguei, tive 45 casos. Perdi um só: uma queixa-crime relacionada a discriminação por condição sexual. Até de juiz, advogando, já ouvi piadinha por eu ser gay...
Eu morava no centro de Pouso Alegre e uma vez dois rapazes encapuzados me espancaram quando eu voltava para casa. Um deles colocou uma faca no meu pescoço e, perdão pela expressão, me disse: “Isso é pra você tomar vergonha na cara e deixar de ser viado”. Como esquecer isso?
Agora, quanto à Secretaria [de Direitos Humanos] dizer que combate a homofobia para que os gays, como eu, não sejamos obrigados a sair do país por conta de orientação sexual... sinceramente? Na prática não é absolutamente nada disso. Essa conversinha não convence. Digam isso aos juízes que zombavam de mim veladamente; digam isso aos tantos adolescentes que ainda sofrem bullying na escola todos os dias.

Aqui no Canadá o debate é tão mais avançado que você vê casais homossexuais andando nas ruas de mãos dadas, empurrando carrinho de bebê, com famílias já constituídas, sem ninguém olhando torto para eles. E não é pelo canadense ser ou não melhor que o brasileiro: é que aqui, e nos Estados Unidos, o homofóbico é um criminoso. É lei, não é questão de boa vontade.E pela proteção que me deram, pela compreensão que tive do oficial de imigração aqui –perguntaram até se eu queria assistência psicológica, para você ter uma ideia --, digo que não volto de jeito nenhum. Porque aí eu serei pra sempre uma condição. Aqui eu sou um ser humano."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Assassinatos de homossexuais batem recorde em 2011, diz entidade

AGUIRRE TALENTO
DE BELÉM

O número de assassinatos de homossexuais no Brasil atingiu o ápice em 2011, chegando a 266, segundo o GGB (Grupo Gay da Bahia), que acompanha os casos desde a década de 1970.

Houve crescimento pelo sexto ano consecutivo e, de acordo com a entidade, 2012 deve registrar novo recorde. Isso porque, nos três primeiros meses deste ano, já houve 106 assassinatos.Os dados divulgados pelo GGB se baseiam em notícias sobre os crimes veiculadas em jornais e na internet.
Para o antropólogo Luiz Mott, fundador da entidade, o número real de mortes deve ser maior. Mott criticou o governo federal por não criar um banco de dados específico sobre crimes contra gays. "Esse banco de dados estava previsto desde o Plano Nacional de Direitos Humanos 2, de 2002. Nem Lula nem Dilma cumpriram essa obrigação", disse.De acordo com o relatório, a maior parte dos assassinatos foi contra gays (60%), seguido de travestis (37%) e lésbicas (3%).
"A maior visibilidade dos homossexuais --estimulados pelas paradas gays e pela presença de personagens gays e travestis em novelas-- provoca maior agressividade dos homófobos", disse Mott.
Os Estados com mais mortes foram Bahia (28), Pernambuco (25) e São Paulo (24).Para o GGB, 99% desses homicídios têm relação com homofobia. Segundo o antropólogo, há também uma "homofobia cultural, que expulsa as travestis para a margem da sociedade, onde a violência é mais endêmica" e uma "homofobia institucional, quando o governo não garante a segurança dos espaços frequentados pela comunidade LGBT".Em 2010, 260 homossexuais foram mortos. As estatísticas começaram a subir a partir de 2006, quando foram registrados 112 assassinatos.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Acusado de homofobia, jamaicano Sizzla sofre boicote na Europa

Os shows do cantor jamaicano Sizzla em Lisboa (5 de abril) e Barcelona (12 de abril) foram cancelados após uma campanha on-line que o acusa de escrever letras homofóbicas.

Suas apresentações na Suécia e em outras cidades espanholas --Madri, Valência e Málaga-- também foram suspensas.Segundo o jornal espanhol "El País", mais de 40 mil mensagens foram postadas em redes sociais como Twitter e Facebook, destacando o caráter preconceituoso de sua música.
Entre as frases polêmicas das canções de Sizzla listadas pelo jornal estão "vou disparar nos gays com uma pistola"; "sodomitas e gays, morte a todos" e "boom! boom!, os gays devem morrer".
Sizzla, um dos artistas mais importantes de seu país, participou do disco "Bambas 2", do produtor brasileiro BiD, que reuniu artistas do Brasil e da Jamaica para interpretarem um mix de ritmos regionais brasileiros com reggae, dancehall e dub, entre outros estilos jamaicanos.

ONU denuncia a morte de um homossexual torturado no Chile

(AFP) -O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos denunciou nesta sexta-feira a morte de um homossexual de 24 anos, espancado e torturado por quatro neonazistas em Santiago, e pediu que o país adote uma lei que puna os crimes fundados na orientação sexual.

Daniel Zamudio foi agredido selvagemente em 3 de março por quatro simpatizantes neonazistas, e morreu por causa dos ferimentos 25 dias mais tarde.Fotos de Zamudio divulgadas pela família mostaram que o jovem sofreu inúmeros golpes na cabeça e foi queimado com cigarros. Depois marcaram seu corpo com símbolos e slogans neonazistas.
Este crime acontece depois que um movimento sobre os direitos homossexuais deu seus primeiros passos no Chile. O presidente Sebastián Piñera apresentou em 2011 um projeto de lei sobre a família que inclui o reconhecimento civil de casais gays, mas o projeto não avança no parlamento.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Assassinato de jovem por neonazistas ativa debate sobre homofobia no Chile

(EFE).- A morte de um jovem homossexual, agredido por um grupo de supostos neonazistas, acabou comovendo o Chile e ativando o debate sobre a homofobia no país, onde o caso pode marcar um ponto de inflexão em relação à tolerância.

Daniel Zamudio, de 24 anos, foi brutalmente atacado em um parque de Santiago na madrugada no dia 3 de março e, após 25 dias hospitalizado, faleceu na última tarde de terça-feira na Posta Central, o principal hospital de urgências da capital chilena.Segundo os médicos, os agressores arrancaram parte de uma orelha, marcaram o corpo com suásticas, deixaram cair várias vezes uma grande pedra sobre o estômago e ainda quebraram uma das pernas do jovem.Na porta do hospital, centenas de pessoas depositaram flores e velas, entre mensagens de esperança: "Daniel, tua morte não será em vão", ou "Daniel, que tua partida nos de coragem para caminhando sem medo", diziam alguns deles.O corpo de Zamudio foi levado nesta quarta ao Serviço Médico Legal (SML). Após sua chegada, os pais do jovem levaram o corpo para sua casa em São Bernardo, ao sul da capital, onde os vizinhos já haviam preparado uma cerimônia para realizar o velório. Depois de inúmeros atos de homenagem, o jovem será sepultado nesta sexta-feira, no Cemitério Geral.Nesta quarta-feira, no período da tarde, também está prevista uma cerimônia com velas na frente do Palácio de Moeda (sede do Governo), enquanto nesta sexta-feira também foi convocada uma marcha que será finalizada no Parque São Borja, onde Zamudio foi agredido.

O presidente Sebastián Piñera, que está na Ásia, afirmou que a morte de Zamudio "não ficará impune e que reforçará o compromisso total do Governo contra toda discriminação arbitrária".Os ministros do Interior, Rodrigo Hinzpeter, e o de Saúde, Jaime Mañalich, apresentaram no mesmo hospital suas condolências à família.Os pais estiveram acompanhados pelo Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), a organização de minorias sexuais mais ativa do Chile, cujo presidente, Rolando Jiménez, acusou as igrejas católicas e evangélicas de incitar o ódio em direção às minorias sexuais.O presidente da Conferência Episcopal, Ricardo Ezzati, condenou a agressão do jovem que, segundo ele, aconteceu em circunstâncias "dolorosas e repudiáveis".

Os parlamentares governistas, que rejeitam um projeto de lei contra a discriminação que dorme no Congresso desde 2005, também foram alvos de muitas criticas.O porta-voz do Governo, Andrés Chadwick, anunciou nesta quarta que o Executivo dará soma urgência à tramitação dessa iniciativa, que deverá ser batizada como "Lei Zamudio" e cuja vigência, para muitos, possivelmente teria evitado sua morte.
"Sabemos bem que uma lei não vai solucionar todos os problemas, que, por sinal, são muito mais profundos. Esses conceitos têm que começarem a ser transmitidos desde cedo, de casa, de nossa cultura e nossa formação como sociedade", ressaltou Chadwick.Enquanto a lei não sai do papel, o artigo 373 do Código Penal, que proíbe os homossexuais de se beijarem na rua por supostamente "ofenderem o pudor e os bons costumes", segue vigente.O Tribunal Constitucional também descartou que outro artigo do Código Penal, que fixa em 14 anos a idade de consentimento para se manter relações sexuais entre heterossexuais e 18 para os homossexuais, viole o princípio de igualdade.

A morte de Zamudio supõe um novo golpe para o Chile, isso depois que a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenasse o Estado por discriminar uma juíza por ela ser lésbica, já que a mesma perdeu a custódia de suas filhas.Pelo Twitter, a Juventud Guzmán, um grupo que se declara seguidor de Jaime Guzmán, fundador do governista União Democrata Independente (UDI), escrevia nesta quarta mensagens como esta: "A doença que tinha Daniel Zamudio não fazia ele perigoso. Era um homossexual sodomita".Encorajados ou não por esse clima, quatro jovens entre 20 e 26 anos, três deles com antecedentes criminais por ataques xenofóbicos e homofóbicos, estão em prisão preventiva acusados pela autoria desta agressão.

O juiz nacional, Sabas Chahuán, confirmou nesta quarta que agora eles serão acusados de homicídio qualificado consumado, o que poderia gerar uma condenação de 40 anos de prisão. Chahuán também cobrou dos outros juízes uma "indagação a fundo" nos casos de discriminação.O caso de Zamudio também ganhou repercussão no exterior. O cantor Ricky Martin, que tinha dedicado um prêmio ao jovem, escreveu em sua página Twitter uma pequena citação "Daniel Zamudio RIP", enquanto o Partido Socialista Operário (PSOE) espanhol condenou o assassinato.

Segundo o Movilh, a tragédia envolvendo o jovem Zamudio não é isolada, já que em 2011 houve 186 casos de discriminação, incluindo o assassinato de três pessoas por sua orientação sexual, 13 agressões físicas ou verbais perpetradas por civis e cinco casos de abusos policiais.No entanto, muitos chilenos esperam que, como dizia o cartaz na porta do hospital, essa morte não tenha sido em vão.

Professores acusam grupo de ex-alunos de invadir escola em SE e ameaçar homossexuais

Paulo Rollemberg
Do UOL, em Aracaju


Um grupo de cinco ex-alunos, armados com revólver e faca, tem realizado “invasões” na Escola Municipal de Ensino Fundamental João Teles de Menezes, na zona norte de Aracaju, de acordo com professores da instituição. As ações seriam direcionadas contra estudantes homossexuais.
Segundo uma das coordenadoras da escola, que preferiu não ser identificada, o grupo começou a invadir a escola desde o último dia 12, início do ano letivo, e faz isso todos os dias, sempre nos turnos da tarde e noite. O grupo tem acesso à escola pelos fundos, pulando o muro que divide o prédio de um matagal.“Um deles arrancou o brinco de um rapaz e disse que aquilo não era coisa de homem. Eles ficam zombando dos homossexuais”, disse a coordenadora. Em uma das invasões, um dos jovens entrou no banheiro feminino.
Segundo ela, as ações dos ex-alunos são ato de vandalismo. Orientada pelo secretário municipal de educação, Antônio Bittencourt, a coordenadora registrou um boletim de ocorrência no dia 27.
Bittencourt disse que, assim que tomou conhecimento do fato, entrou em contato com o major Edênisson Santos, comandante da Guarda Municipal. De acordo com o secretário, a guarda vai fazer o monitoramento da escola mais de perto a partir de agora.

terça-feira, 27 de março de 2012

Homossexual morre após ser agredido por neonazistas no Chile

Um jovem homossexual chileno que foi agredido por um grupo de neonazistas foi declarado com morte cerebral pelos médicos que o atendiam desde o início do mês, quando ele foi atacado em Santiago.

Ainda segundo os médicos, o estado dos órgãos de Daniel Zamudio, de 24 anos, se deteriorou a tal ponto que eles não poderão ser doados.Um grupo de neonazistas que foi detido pela polícia agrediu brutalmente o rapaz no dia 6 de março. Eles arrancaram parte de uma orelha de Zamudio, marcaram seu corpo com símbolos neonazistas, o apedrejaram e quebraram uma de suas pernas.O Movimento de Integração e Liberação Homossexual (Movilh), familiares e amigos de Daniel Zamudio fizeram uma vigília na noite de sábado em frente ao hospital onde ele estava internado na capital chilena.O advogado da família de Zamudio, Jaime Silva, disse aos jornalistas que se Daniel falecesse, estaria consumado "um crime de homicídio premeditado".
"A Justiça chilena considera este um dos crimes mais graves e prevê a pena máxima, que é prisão perpétua qualificada, ou seja, 40 anos de prisão efetiva antes da tentativa de redução da pena", disse Silva em entrevista à Rádio DNA.O presidente do Movilh, Rolando Jiménez, afirmou que "é da maior gravidade que ainda haja no Chile grupos como os neonazistas que atuam com absoluta impunidade, e isso se dá, entre outras coisas, porque a classe política e o Estado chileno não se deram conta do quão perigosos são estes grupos".Até mesmo o cantor porto-riquenho Ricky Martin, via Twitter, comentou o ataque que resultou na morte de Zamudio."Chega de ódio e de discriminação. Espero que se faça justiça já. Muita luz para Daniel e toda sua família. #fuerzadanielzamudio", escreveu o astro.
Por sua vez, o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, anunciou que o governo pôs em caráter de urgência o projeto de lei contra a discriminação aprovado pelo Senado e que está em trâmite na Câmara dos Deputados.

Ricky Martin dedica prêmio a jovem agredido no Chile

No musical "Evita", de Andrew Lloyd Webber, Ricky Martin interpreta Che Guevara. O espetáculo está em cartaz na Broadway e fica até o dia 5 de abril em cartaz (12/3/12)
O cantor porto-riquenho Ricky Martin dedicou hoje o prêmio Glaad ao jovem chileno Daniel Zamudio, agredido brutalmente por um grupo homofóbico de tendência neonazista em 3 de março. "Ontem ganhei um prêmio muito importante. Um Glaad Award. Que honra! Muito agradecido. Gostaria de dedicá-lo a Daniel Zamudio e sua família", afirmou o cantor por meio de seu perfil no microblog Twitter.Ricky Martin tinha publicado uma primeira manifestação de apoio a Zamudio em 6 de março. "Chega de ódio, chega de discriminação. Espero que se faça a justiça já. Muita luz para Daniel e toda sua família", expressou ele na ocasião.
Daniel Zamudio, de 24 anos, deu entrada no hospital na manhã de 3 de março com um traumatismo encéfalo-craniano grave, hemorragia, lesões múltiplas na região facial, no tórax e nas extremidades e fratura exposta na perna. O jovem foi torturado por quase seis horas por quatro jovens vinculados a grupos neonazistas que o atacaram somente por ser homossexual.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Gays se submetem a provas 'humilhantes' nas Forças Armadas turcas

O serviço militar é obrigatório para os homens na Turquia, e eles são dispensados se forem doentes, portarem deficiências ou se forem homossexuais. Mas provar a orientação sexual pode ser humilhante.

"Me perguntaram quando tive relações sexuais anais, sexo oral e com quais tipos de brinquedos eu brincava quando criança", disse Ahmet, um jovem na casa dos 20 anos de idade.Ele disse aos comandantes militares, na primeira oportunidade após ser convocado, que era gay. Ele e outros foram então submetidos a testes de sanidade."Eles me perguntaram se eu gostava de futebol, usava roupas femininas e perfume. Eu não havia cortado a barba havia uns dias e me disseram que eu não parecia como um gay normal", disse Ahmet.Pediram que mostrasse uma foto dele vestido de mulher.
"Recusei o pedido e fiz outra oferta. Uma foto minha beijando outro homem", afirmou.Ahmet espera conseguir com isso o "certificado rosa", que o declarará homossexual e o livrará do serviço militar.
Provas
A presença de gays vem sendo cada vez mais notada nas grandes cidades turcas nos últimos anos. Cafés e clubes com uma clientela abertamente gay existem em Istambul e uma grande parada gay ocorre no verão, a única em um país predominantemente muçulmano.Mas enquanto não há leis específicas contra homossexuais na Turquia, homens abertamente gays não são aceitos nas Forças Armadas.Gokhan, que teve que se submeter à "prova" de orientação sexual ao final da década de 1990, disse ter percebido rapidamente que não havia sido feito para o Exército."Tinha medo de armas", diz ele. Gokhan fala que tinha medo de ser maltratado e, após uma semana, teve coragem de declarar sua orientação sexual ao comandante."Me perguntaram se eu tinha alguma foto. E eu tinha", afirma.Ele havia se preparado com fotos explícitas de si mesmo fazendo sexo com outro homem, tendo ouvido que seria impossível de outra forma escapar do serviço militar.
"O rosto deve ser visível. E as fotos precisam te mostrar como o parceiro passivo."
As fotos foram o suficiente para convencer os médicos militares e Gokhan recebeu seu "certificado rosa" e a isenção do serviço militar. Mas diz que foi uma experiência terrível."E ainda é terrível. Porque alguém tem essas fotografias. Elas podem ser mostradas na minha vila, aos meus pais e parentes", diz ele.Homens gays dizem que as provas que são pedidas a eles dependem do humor dos médicos militares ou dos comandantes. Por vezes, em vez de fotos, eles são submetidos a "testes de personalidade".
Ética
O Exército turco não respondeu ao pedido de entrevista da BBC, mas um general aposentado, Armagan Kuloglu, aceitou comentar o caso.Homens abertamente gays no Exército causariam "problemas disciplinares" e seria pouco prático mantê-los, com a necessidade de construção de "instalações separadas, como dormitórios, banheiros e áreas de treinamento".Ele diz que se um homem gay mantém em sigilo sua orientação sexual, um eco do procedimento há pouco abandonado nos EUA, ele pode servir."Mas quando alguém chega dizendo ser gay, o Exercito precisa se certificar de que ele é mesmo o que diz ser e não alguém tentando se livrar do serviço militar", afirma.
Mas a situação causa mal-estar entre os médicos."Médicos sofrem grande pressão de seus comandantes militares para diagnosticar homossexualidade e eles obedecem, apesar de não existirem mecanismos para detetar a orientação sexual", diz um psiquiatra que trabalhou no passado em um hospital militar.
"É clinicamente impossível e nada ético", afirma.
O "certificado rosa" de Gokhan afirma que ele tem "desordem psicossexual" e, ao lado, em parênteses, "homossexualidade".O serviço militar é obrigatório na Turquia para todos os homens com mais de 20 anos de idade, dura 15 meses para quem não é formado e 12 para que é.
Os hospitais militares turcos ainda definem a homossexualidade como uma doença, adotando uma versão de 1968 da Associação Psiquiátrica Americana como guia.Alguns na Turquia dizem com ressentimento que os gays têm, na realidade, sorte por ter pelo menos uma rota de escape do serviço militar e não correm o risco de serem enviados para lutar contra militantes curdos.Mas para homens abertamente gays, a vida pode ser difícil.Mas não é incomum para os empregadores turcos verificarem o histórico militar dos potenciais candidatos e um "certificado rosa" pode significar rejeição.
Um dos empregadores de Gokhan descobriu o documento ao entrar em contato diretamente com o Exército.Ele passou então a sofrer intimidações. Seus colegas faziam comentários jocosos e outros se recusavam a conversar com ele."Mas não tenho vergonha. A vergonha não é minha", diz ele.
Ahmet ainda espera pela resolução de seu caso. O Exército adiou a decisão sobre o certificado rosa por mais um ano.O jovem diz que é porque ele se recusou a vestir roupas de mulher. E não sabe o que esperar quando aparecer novamente no local.Ele diz que não poderia simplesmente cumprir suas obrigações militares em sigilo."Sou contra todo o sistema. Tenho uma obrigação com a nação e eles devem me dar uma alternativa não militar", afirma ele.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Polícia apura omissão de professores em agressão a aluno gay

A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Santo Ângelo, na região noroeste do Rio Grande do Sul, investiga o caso de um estudante de 15 anos que foi agredido por um colega de aula supostamente por ser gay. De acordo com a delegada Elaine Maria da Silva, serão ouvidos nos próximos dias os professores que teriam presenciado a agressão.

Segundo relato do jovem, um colega o atingiu com socos e pontapés na saída do colégio, no dia 13 de março. Há apenas um mês na Escola Estadual Onofre Pires, ele disse que desde o início das aulas sofria ofensas verbais da turma e inclusive de professores. A delegada afirmou que o estudante confirmou que alguns educadores teriam presenciado às ameaçadas e não teriam feito nada para impedir. "Vamos ouvir os educadores e o menino agressor também. Em 30 dias devemos concluir o procedimento e encaminhar ao Ministério Público". Ela disse ainda que o agressor, que também tem 15 anos, pode ser punido com medidas socioeducativas.O caso do estudante tomou repercussão na internet após o estudante agredido ter encaminhado um e-mail à Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) contando o drama. "Eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo, eu queria que alguém me ajudasse! Antes que eu virasse mais nas estatísticas de LGBT mortos, às vezes eu sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução pra mim é me matar", escreveu no e-mail.Após registrar o boletim de ocorrência, os pais do estudante decidiram transferi-lo para uma escola particular da cidade. O coordenador estadual do Comitê de Combate à Violência nas Escolas da Secretaria de Educação, Alejandro Jelvez, se reuniu com a equipe diretiva da escola Onofre Pires e ficou definido que os professores envolvidos com o caso serão ouvidos para apurar se foram negligentes com o caso. Ele disse ainda que a Secretaria de Educação vai promover palestras para os professores da escola sobre como lidar com a violência e sobre a homofobia. Jelves garantiu que o estudante agredido, assim como o agressor, receberão acompanhamento psicológico.
ABGLT faz campanha para incentivar alunos a denunciar homofobia
A ABGLT está divulgando uma campanha para incentivar os estudantes vítimas de homofobia nas escolas a denunciar as agressões. "Se você é um estudante LGBT e foi vítima de bullying homofóbico ou qualquer outro tipo de agressão física ou simbólica na escola, denuncie", diz o cartaz da campanha.
A entidade recomenda os estudantes que registrem um boletim de ocorrência em caso de agressão, liguem gratuitamente para o Disque 100, e ainda enviem a denúncia para presidencia@abglt.org.br, para que possa acompanhar os casos. Segundo a ABGLT, a campanha é motivada pelo aumento do número de casos de alunos vítimas de homofobia no ambiente escolar.

Onze gays foram mortos na Bahia em janeiro e fevereiro

Bahia lidera pelo sexto ano consecutivo o ranking de estados mais homofóbicos


Onze gays foram mortos na Bahia nos dois primeiros meses do ano. Em todo país, foram registrados 80 homicídios no mesmo período. A informação foi divulgada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).

O grupo realizou, nesta quinta-feira (22), um ato simbólico em apoio ao Dia Internacional para Eliminação da Discriminação Racial e protesto devido às mortes de gays, lésbicas, e travestis. Em caminhada, os manifestantes saíram Praça da Piedade até a Prefeitura Municipal de Salvador.
A vereadora Leo Kret do Brasil (PR), a coordenadora LGBT da Secretaria de Justiça da Bahia, Paulete Furacão, e o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Luiz Mott, participaram da caminhada.
No ano passado, foram 272 assassinatos de LGBTs no Brasil. Destes, 29 aconteceram na Bahia, que lidera pelo sexto ano consecutivo o ranking de estados mais homofóbicos, com o índice de 10,66% do total de casos no país.
Agressão na Estação Pirajá
No último dia 10, dois jovens gays foram roubados e espancados na Estação Pirajá. Os dois, que são namorados, estavam de mãos dadas no momento e acreditam que houve homofobia no ataque - um dos rapazes disse que foram agredidos por seis homens que gritavam ofensas enquanto os espancavam.Os dois tinham acabado de descer do ônibus quando foram atacados. Uma das vítimas foi imobilizada com murros e teve a pochete roubada. A outra teve a cabeça golpeada com um pedaço de madeira e precisou tomar nove pontos no local.
O caso está sendo investigado pela 11ª Delegacia Territorial (DT/Tancredo Neves).

Homofobia, racismo, incitação ao ódio? Não mais em Silvio Koerich.org

por: Roberta Salles

A legião #Anonymous (espécie de “justiceiros virtuais” ou hackers de diversas nacionalidades que se manifestam sobre os assuntos mais polêmicos da rede) revelou por meio de um vídeo no YouTube, no início de fevereiro, que havia descoberto quem estaria por trás do Silvio Koerich.org — um blog homofóbico, racista, machista, promotor do abuso sexual de menores e incitador de violência contra negros, nordestinos, judeus e mulheres (uma amostra está abaixo).

Após quase 70 mil denúncias ao Ministério Público (por meio da ONG SaferNet), a Polícia Federal divulgou hoje em sua página (e no vídeo acima) o mandado de prisão a Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, ambos de aproximadamente 30 anos, na operação de denominada Intolerância. Rodrigues morava na capital paranaense, e Mello, em Brasília.E não é que os #Anonymous estavam certos? Um dos nomes citados no vídeo era exatamente o de Emerson Rodrigues. Com a denúncia, o site do “Perdedor Mais Foda do Mundo” (logo e autodenominação de “Silvio Koerich”) saiu do ar no mesmo dia em que o vídeo fora divulgado.Quando os #Anonymous divulgaram o vídeo, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) postou em seu Twitter algumas explicações sobre o andamento do caso e as promessas de que ele seria resolvido.
“O autor do site hospedou o blog Silvio Koerich em um provedor nos Estados Unidos, o que, segundo a PF [Polícia Federal], dificulta sua identificação. Mas ela está investigando. O ministro (da Justiça, José Eduardo) Cardozo comprometeu-se a cobrar, de sua equipe responsável pelos crimes virtuais, uma dedicação maior ao caso; E a ministra Maria do Rosário (da Secretaria dos Direitos Humanos), além de me oferecer proteção, comprometeu-se a cobrar da PF uma ação no tempo das garantias jurídicas. Estamos monitorando essas mensagens criminosas e, a cada nova mensagem, eu renovo minhas cobranças e pressões sobre as autoridades”, disse Jean Wyllys no microblog.Tanto o deputado, quanto a presidente Dilma Rousseff, sofreram ameaças do suposto blogueiro, bem como Lola, autora do blog Escreva Lola Escreva (leia mais sobre ela aqui). Lola, aliás, foi uma das primeiras a levantar informações sobre quem estaria por trás do perfil falso de Silvio Koerich. Segundo ela, em uma postagem em seu blog, os autores de Silvio Koerich integravam também o Sanctos, grupo extremista machista e truculento. Ela também recebera, por meio de um comentário, a informação de que o engenheiro Emerson Rodrigues seria o tal Silvio Koerich e que ele supostamente fazia isso por dorzinha de cotovelo. Acredite se puder.Esperamos que a Operação Intolerância da Polícia Federal proteja as pessoas ameaçadas e mais: mantenha na cadeia pessoas como os dois criadores do Silvio Koerich.org e todo o grupo Sanctos. Estamos todos fartos de injustiça por aqui.

Um viva para a Polícia Federal, Jean Wyllys, Lola e aos quase 70 mil internautas que ajudaram no processo.

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