quinta-feira, 5 de maio de 2011

Rio: bala perdida mata homem dentro de sala de aula na Maré

Noite de quarta e madrugada de quinta-feira violentas nas zonas Oeste e Norte do Rio. Dez pessoas foram baleadas nas favelas do Rola, em Santa Cruz, Vila do João e Vila dos Pinheiros, em Bonsucesso, e Nova Brasília, no Complexo do Alemão. Cinco delas morreram e outras cinco ficaram feridas. Os casos mais graves foram a execução de Wallace Moreira, 30 anos, com mais de 20 tiros na esquina das ruas Monterrey e Guadalajara, no Alemão, e a morte por bala perdida do porteiro Josemilton Trindade da Silva, 43. Ele levou um tiro na cabeça dentro da sala de aula do Ciep Ministro Gustavo Capanema, na Vila dos Pinheiros, e morreu no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB). Por volta das 20h30 de quarta-feira, dois homens armados de pistolas e encapuzados desceram de uma motocicleta, na Travessa Guadalajara, e fizeram os disparos contra Wallace Moreira que estava em companhia do primo Cristiano Moreira Amorim, 36, atingido na perna. Levado para o Hospital Getulio Vargas (HGV), na Penha, ele recebeu alta e prestou depoimento na Delegacia de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca. O crime ocorreu diante de dezenas de clientes do bar, a menos de 300 metros de blindados militares estacionados na entrada da comunidade. Vizinhos de Wallace contaram que ele teria agredido, há duas semanas, um usuário de drogas e discutido com um traficante que permanece escondido no Complexo do Alemão, mesmo com a pacificação do território há seis meses. Testemunhas informaram que um homem chamado Julinho seria o mandante do crime. Em companhia de outros parentes, a vítima morava no prédio sobre o bar onde aconteceu o crime. Em Santa Cruz, o tiroteio entre policiais militares do 27º BPM (Santa Cruz) deixou três mortos na noite de quarta-feira na Favela do Rola. Segundo a Polícia Militar, os policiais checavam uma denúncia de homens armados na comunidade, quando foram recebidos a tiros. Nenhum deles ainda foi identificado. Os três homens chegaram a ser levados para o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, mas não resistiram aos ferimentos. Durante a troca de tiros, os policiais apreenderam uma escopeta, um revólver, uma pistola, 63 pedras de crack e 72 cápsulas de cocaína. Policiais militares do 27º BPM reforçaram a segurança no entorno da favela. Bala perdida mata porteiro e fere outros três no Complexo da Maré Um homem morreu e outros três ficaram feridos durante o tiroteio entre traficantes e policiais militares do 22º BPM (Maré) nas favelas Vila dos Pinheiros, Conjunto Esperança e Vila do João, no Complexo da Maré. O porteiro Josemilton Trindade da Silva, 43 anos, levou um tiro na cabeça dentro da sala de aula do Ciep Ministro Gustavo Capanema, na Vila dos Pinheiros, quando voltou para pegar sua mochila. Josemilton foi removido dentro de um carro blindado da Polícia Militar, mas morreu ao dar entrada no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), em Bonsucesso. Na mesma unidade, foram socorridos os moradores Muller da Costa Lima, 21, baleado no braço e perna direitos; Wellington de Oliveira, 58, tiro no ombro; e William Soares da Costa, 23, atingido na perna. O cabo PM do 22º BPM, Márcio Antonio da Silva Guedes, levou um tiro na perna após ser surpreendido por traficantes que usaram uma kombi com vidros escuros para romper um dos bloqueios da polícia na entrada da Favela Vila do João. "A professora dele me contou que quando o tiroteio ficou mais forte, os alunos saíram correndo das salas para se abrigar no corredor, mas o Josemilton resolveu buscar sua mochila e acabou levando um tiro na cabeça", disse Rosemar Trindade da Silva, 46, irmão da vítima. A bala atingiu Josemilton por volta das 19h30 de quarta-feira. Aluno dedicado e trabalhador de hábitos simples, Josemilton estava matriculado no curso regular do Programa de Educação Juvenil (PEJ), onde cursava o 6º ano do Ensino Fundamental. No horário noturno, mais de 300 alunos participavam das aulas quando começou o tiroteio. Todos foram orientados pelos professores a se jogar no chão do corredor entre as salas. O pânico foi tão grande que estudantes e funcionários só sairam da escola com o auxílio da PM. "A professora do meu irmão contou que ele foi baleado na nuca. Como tinha muito tiro, ela disse que ficou segurando o Josemilton e pediu que a Polícia Militar levasse meu irmão. Não dava pra nenhum morador sair de casa naquele momento", lamentou Rosemar. Mais de 60 homens do 22º BPM participaram da operação, com apoio do Batalhão de Choque e de dois carros blindados. Por ordem do comandante do batalhão, tenente-coronel Glaúcio Soares, policiais reforçaram o policiamento nos acessos às favelas.

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