O governo Geraldo Alckmin (PSDB) fechou proposta para alterar a progressão continuada na rede estadual de ensino: o aluno, a partir do ano que vem, poderá ser reprovado também no 7º ano do ensino fundamental.
Hoje, o estudante só pode ser retido em duas oportunidades no 5º e no 9º ano. A proposta é ampliar para três: no 5º, 7º e 9º ano. Na progressão continuada, não há reprovação ao final de cada ano. A retenção só ocorre após os chamados ciclos de aprendizagem. O argumento é que é preciso tentar melhorar o desempenho do aluno antes de reprová-lo. A repetência leva à evasão escolar. Criar mais um ciclo estava nos planos do governo desde o início do ano. A avaliação é que o terceiro ciclo permite maior acompanhamento de aprendizado. A ideia inicial, porém, era diferente: a reprovação seria já no 3º ano. No projeto atual, que já foi discutido com professores e diretores, sai a retenção no 3º ano e entra a do 7º.
A Secretaria da Educação não informou a razão da mudança. Disse que só hoje vai comentar o projeto, que voltará a ser discutido em outubro e pode ser alterado. O texto prevê ainda que o aluno que terminar o 3º ano com dificuldade de alfabetização terá um programa de acompanhamento intensivo, separado dos demais. O mesmo ocorrerá com egressos do 6º e do 8º anos. Educadores criticaram a proposta de ampliar a chance de reprovação do aluno.
Críticas
Para Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da USP, a proposta é atrasada. Introduzir [mais um ciclo de] reprovação parece mais uma concessão aos professores. Parte das dificuldades não é de aprendizagem, mas de ensino, diz Alavarse, ressaltando haver grande número de docentes precários na rede.
Ele também questiona a recuperação intensiva só depois do terceiro ano. Isso tem de acontecer antes.
A proposta faz parte de um pacote do governo paulista de mudanças na educação, que incluem reduzir a carga horária de português e matemática no ensino médio, conforme a reportagem revelou ontem.

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