Separamos seis artistas que levaram o gay para a vanguarda da música
Eduardo Roberto/MTV
Somente a partir dos anos 60 o gay passou a ser incorporado de forma declarada na música. E demorou outras tantas décadas para sair da marginalidade, ou não ser visto como uma excentricidade do artista (muitos discordam disso). Separamos seis artistas que tiveram papéis importantes nesse movimento de introdução oficial do gay no mundo da música.
Long John Baldry: pioneiro
Um dos primeiros músicos pop a se declarar abertamente gay foi Long John Baldry, figura histórica inglesa, que esteve no momento de revival do blues no país no fim dos anos 50 até os 60, de onde surgiu toda uma geração de gênios do rock como Rolling Stones, Led Zeppelin, The Kinks (ele chegou a ter um relacionamento com o guitarrista da banda, Dave Davies). Baldry liderou a banda Bluesology, que tinha um pianista em começo de carreira chamado Reggie Dwight, que anos depois assumiria o nome de Elton John. Segundo o próprio Baldry, Elton John teria tentado cometer suicídio após problemas com uma namorada, e foi encontrado em seu apartamente por Baldry e pelo parceiro musical Bernie Taupin. Os dois amigos ajudaram o cantor a lidar com a própria sexualidade e até viraram tema de música.
Cris Williamson: pioneirismo lésbico
A compositora folk, junto com Meg Christian e Judy Dlugacz, fundou em 1973 o primeiro selo dirigido por mulheres, produzindo música de mulheres para mulheres, o Olivia Records. Williamson foi uma importante ativista do movimento feminista e lésbico durante os anos 70. Seu álbum, ‘The Changer and the Changed’, lançado em 1975 pela Olivia, é um dos álbuns independente mais vendidas na história, com mais de 500 mil cópias. A compositora continua na ativa até hoje, seu último de inéditas é de 2008, o ‘Winter Hearts’, além de ser referência história na luta pelos direitos das mulheres e do movimento lésbico.
Rob Halford: metal gay
Em um meio que é marjoritariamente machista, o vocalista de uma das maiores e mais importantes bandas do estilo, o Judas Priest, sair do armário causou bastante polêmica. Ela assumiu a homossexualidade durante uma entrevista para a MTV gringa em 1998, depois de décadas dentre do armário. O Judas Priest sempre teve uma estética bastante marcada pelo couro e adereços de metal, com óbvias referências sadomasoquistas, então para um outro tanto dos fãs, Halford se assumir gay não foi tão novidade assim...
Gaahl, do Behemoth: gay no Black Metal
O black metal é uma das derivações mais fechadas e mais controversas do som pesado. Surgido no meio dos anos 80, com bandas fazendo referências à cultura pagã nórdica, ou satanismo, ou movimentos políticos de extrema direita ou tudo isso junto, era de se esperar que a saída do armário de norueguês Kristian Espedal, vocalista de uma das mais conhecidas bandas do gênero, causaria furor. Segundo o próprio, em 1998, detratores do músico teriam ameaçado expor a sua sexualidade, portanto ele achou melhor assumir de uma vez. Em 2010 Gaahl, já fora do Behemoth, ganhou o prêmio de homossexual do ano no evento Bergen Gay Galla, na Noruega.
Queercore: hardcore politicamente gay
O punk sempre foi gay. No começo, a ideia era chocar, ser extremo. Com o tempo, principalmente a partir do final dos anos 70, a coisa começou a ficar séria e, respondendo à própria comercialização do punk, muitas bandas incorporaram discursos e atitudes políticas. A bandeira gay foi uma das principais causas abraçadas e gerou inúmeros movimentos, como o queercore, surgido ali no meio dos anos 80. Dizem que tudo começou com um zine, o ‘J.D.s’, de raízes anarquistas e com um discurso de ir além das categorias, como diz o manifesto ‘Don’t Be Gay’. A quantidade de bandas é gigante, como 7 Seconds, Team Dresch, The Apostles e muitos, muitos outros, Filmes, zines, e todo tipo de arte também foram e ainda são produzidos pelos movimentos, que são a base do que veio a ser o Rrriot Girl do começo dos 90.
Throbbing Gristle: arte gay de vanguarda
Liderada pelo gênio Peter Christopherson, os britânicos do Throbbing Gristle são consideradas umas das mais inovadoras bandas do pós-punk inglês. Formada em 1975, suas performances tinham de tudo, de vômito no palco à nudez, e eram consideradas históricas. Christopherson também foi um dos primeiros músicos de sua geração a se declarar homossexual, e não raramente aproveitava o show da banda para disparar ácidos e contundentes discursos contra a homofobia e a “perversões cristãs” como a monogamia. Eles influenciaram tudo o que veio a ser rótulado como “industrial”, de Marylin Manson ao Joy Division. Além da música, Chrisopherson era artista plástico (seus trabalhos foram capas de discos do Pink Floyd e Peter Gabriel) e dirigiu inúmeros videoclipes para artistas como Paul McCartney, Sepultura, Nine Inch Nails e outros. Ele morreu em 24 de novembro de 2010, enquanto dormia.

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