sábado, 8 de outubro de 2011

MAURÍCIO STYCER-Aguinaldo Silva banaliza uso do “absurdo” em “Fina Estampa”

Na festa de lançamento de “Fina Estampa”, em agosto, no Rio, conversei brevemente com Aguinaldo Silva. Ele falou da ideia geral que tinha para a novela: “Quero fazer uma novela como se fazia antigamente. Tenho uma boa história, uma história popular”. Comentou sobre os vilões: “Eles não devem ser levados muito a sério. São vilões de história em quadrinhos”. E observou:
“O segredo é fazer o espectador acreditar em você, mesmo que seja o maior absurdo. Tem coisa mais absurda que um personagem cair num buraco e aparecer no Japão? E ninguém estranhou”, diz Aguinaldo, citando o delegado Motinha (José de Abreu) de “A Indomada”.Relembro esta última observação a propósito de uma cena exibida na quinta-feira, 6 de outubro. Mandrake (Sandro Pedroso), funcionário da pousada Recanto da Zambeze, recebe duas novas hóspedes, Tia Iris (Eva Wilma) e Alice (Taís de Campos).Conduzidas a um chalé, onde vivia dona Zilá (Rosamaria Colin), as duas acham o local horroroso. “Isso eu posso dar um jeito”, diz Mandrake, que diverte os hóspedes com pequenos truques de mágica. Ele joga então um lenço vermelho sobre a câmera e transforma completamente a decoração do ambiente.
“Sou apenas um mágico anônimo. Faço mágicas que fazem efeito”, explica para as duas mulheres, espantadas com o que aconteceu. “Ah, é? E eu sou a bruxa má do Oeste”, diz Tia Iris. “E é de verdade, não é ilusão, não”, aponta Alice. “E vai continuar assim até quando eu quiser”, acrescenta Mandrake.
Aguinaldo Silva recorreu ao “absurdo”, como diz, de forma absolutamente gratuita, numa cena sem importância alguma na trama. É o tipo de cena que o espectador se pergunta: “Por quê? Para que isso?”Diferentemente do que já fez, ao utilizar este recurso em outras tramas, ao banalizar o fantástico ele se arrisca a afastar o público de “Fina Estampa”.

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