Na festa de lançamento de “Fina Estampa”, em agosto, no Rio, conversei brevemente com Aguinaldo Silva. Ele falou da ideia geral que tinha para a novela: “Quero fazer uma novela como se fazia antigamente. Tenho uma boa história, uma história popular”. Comentou sobre os vilões: “Eles não devem ser levados muito a sério. São vilões de história em quadrinhos”. E observou:
“O segredo é fazer o espectador acreditar em você, mesmo que seja o maior absurdo. Tem coisa mais absurda que um personagem cair num buraco e aparecer no Japão? E ninguém estranhou”, diz Aguinaldo, citando o delegado Motinha (José de Abreu) de “A Indomada”.Relembro esta última observação a propósito de uma cena exibida na quinta-feira, 6 de outubro. Mandrake (Sandro Pedroso), funcionário da pousada Recanto da Zambeze, recebe duas novas hóspedes, Tia Iris (Eva Wilma) e Alice (Taís de Campos).Conduzidas a um chalé, onde vivia dona Zilá (Rosamaria Colin), as duas acham o local horroroso. “Isso eu posso dar um jeito”, diz Mandrake, que diverte os hóspedes com pequenos truques de mágica. Ele joga então um lenço vermelho sobre a câmera e transforma completamente a decoração do ambiente.
“Sou apenas um mágico anônimo. Faço mágicas que fazem efeito”, explica para as duas mulheres, espantadas com o que aconteceu. “Ah, é? E eu sou a bruxa má do Oeste”, diz Tia Iris. “E é de verdade, não é ilusão, não”, aponta Alice. “E vai continuar assim até quando eu quiser”, acrescenta Mandrake.
Aguinaldo Silva recorreu ao “absurdo”, como diz, de forma absolutamente gratuita, numa cena sem importância alguma na trama. É o tipo de cena que o espectador se pergunta: “Por quê? Para que isso?”Diferentemente do que já fez, ao utilizar este recurso em outras tramas, ao banalizar o fantástico ele se arrisca a afastar o público de “Fina Estampa”.

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