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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Homens gays e mulheres até 19 anos apresentaram maior aumento de infecção pelo HIV

Camila Campanerut
Do UOL Notícias, em Brasília
 
No Brasil, há 630 mil pessoas com Aids. Em 12 anos, a taxa de mortalidade dos infectados baixou de 7,6 para 6,3 a cada 100 mil pessoas, queda de 17%, informou o Ministério da Saúde, nesta segunda-feira (28).Na análise populacional, o maior número de casos é entre as mulheres jovens de até 29 anos e o público gay masculino.“O maior aumento foi entre jovens gays, das jovens travestis. E da mulheres de 13 a 19 anos. Isso chama muito atenção para nós”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Segundo o estudo, a probabilidade de homens gays, de 18 a 24 anos, é 13 vezes maior do que rapazes heterossexuais.  Por isso, eles serão um dos focos das campanhas, como a do dia 1º de dezembro.
Queda em transmissão de mãe para filho
Um dos resultados apontados do aumento das campanhas governamentais foi a diminuição da transmissão vertical – aquela que a mãe infectada passa para o filho. Houve uma queda de 41%, segundo o Ministério da Saúde, entre 1998 a 2010.
“Observamos a redução da transmissão da mortalidade e da transmissão vertical. O acesso das mulheres no pré-natal fazer o diagnóstico foi fundamental”, afirmou o  coordenador da Unaids no Brasil, Pedro Chequer.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PERIGO NOVO!-Cepa rara do vírus da Aids superou a fronteira de Camarões

(AFP) -Uma cepa rara do vírus da Aids, que estava presente em um número reduzido de pacientes de Camarões, parece estar agora circulando fora deste país da África central, de acordo com médicos franceses.

O vírus da Aids tem dois tipos, o HIV-1, majoritário, e o HIV-2, pouco frequente. O HIV-1 se divide em três grupos: M, que provocou a pandemia mundial, e dois outros muito raros, O e N. Um quarto, designado como P, foi identificado em 2009 por uma equipe francesa em uma paciente camaronesa.
Até o momento, os únicos casos conhecidos de infecção pelo HIV do grupo eram de pacientes que moram em Camarões.
O grupo N foi identificado pela primeira vez em 1998 no país em uma mulher. Das mais de 12.000 pessoas que vivem com o HIV em Camarões e já foram submetidas a exames, apenas 12 casos do vírus do grupo N foram identificados.
O professor François Simon (Hospital Saint-Louis, Paris) e o Centro Nacional de Referência do HIV em Rouen (oeste da França) publicam nesta sexta-feira um artigo na revista médica The Lancet no qual relatam o caso de um homem de 57 anos que vive na França com o vírus do grupo N.
O paciente foi internado em janeiro após uma viagem ao Togo.
Ao traçar a história da vida sexual do paciente, os médicos concluíram que o homem provavelmente foi infectado no Togo, o que sugere que o vírus do grupo N já superou a fronteira de Camarões.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Portador de HIV será indenizado por "constrangimento" em padaria de Araçatuba (SP)

José Bonato
Especial para o UOL Notícias
Em Ribeirão Preto (SP)


Um aposentado de 44 anos portador de HIV recebeu o direito de ser indenizado em R$ 3.000 de uma padaria de Araçatuba (527 km de São Paulo) por suposto mau atendimento.
André Duarte de Santana afirma que se sentiu humilhado ao ser expulso do estabelecimento depois de uma discussão por causa de um café que foi servido frio.Segundo Santana, um funcionário da padaria lhe trouxe outro café, mas teria feito questão de derramar açúcar no copo, o que foi interpretado como uma provocação.
O aposentado se exaltou e, segundo a ação, teria tido uma disfunção intestinal que lhe sujou as calças e o teria impedido de ir ao ambulatório municipal buscar remédios que usa regularmente devido à doença.
Embora na decisão o magistrado Antonio Conehero Junior declare que a disfunção intestinal não tenha ficado comprovada, ele entendeu que Santana “passou por constrangimento relevante e por certo se sentiu humilhado pelos fatos”.De acordo com o juiz, coube à confeitaria o ônus de provar que o mau atendimento não ocorreu, objetivo que não foi atingido pela defesa.Ainda segundo a decisão, o fato de o aposentado ter a saúde “comprometida por infecção viral grave” contribuiu para potencializar "os efeitos da situação”.

Outro lado

Ludmila Kelly Braz Martins, 31, advogada da padaria Peter Pan, afirmou ao UOL Notícias que vai recorrer da decisão porque os fatos alegados pelo aposentado não ocorreram.
“O café foi servido pelo dono da padaria, que foi atencioso e prestativo, e não por um funcionário. E não houve nenhuma expulsão.”Já a advogada do autor da ação, Solange Katherine Fumie Zucon Crepaldi, 30, afirma que seu cliente foi vítima de preconceito. “Ele espera que outras pessoas não passem pelo mesmo constrangimento que ele passou”, afirma.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

SP: Secretaria de Saúde pesquisa conduta gay para prevenir aids


Para aprimorar as ações de prevenção da aids, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo está realizando, desde o início deste mês, uma pesquisa na região central da capital paulista. Cerca de mil pessoas, entre gays, homens que fazem sexo com homens e travestis, serão ouvidas nos próximos três meses sobre práticas sexuais e prevenção do HIV para compor o estudo.
O objetivo da pesquisa, chamada de projeto SampaCentro e realizada em parceria com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, é conhecer melhor os hábitos deste público para melhorar a prevenção. Serão abordados frequentadores de bares, boates, academias, cinemas e outros espaços na área dos bairros República e Consolação.O público abordado foi escolhido com base nos dados epidemiológicos do programa estadual de DST/aids. Os números apontam que a prevalência de HIV/aids entre a população geral é de 0,6%, enquanto em gays e outros HSHs (homens que fazem sexo com homens) chega a 10,5%.Além do questionário, o projeto irá promover testes gratuitos de HIV em postos itinerantes, que poderão funcionar em uma van ou dentro de estabelecimentos onde os pesquisadores ficarão. Eles estarão vestidos com colete azul para serem facilmente identificados. Os locais para instalação dos postos de testes serão sorteados e o resultado sai na hora.
"É importante ainda salientar que todas as respostas fornecidas pelos participantes serão mantidas em sigilo, bem como suas identidades", afirma a médica Maria Amélia Veras, uma das coordenadoras do projeto.

domingo, 6 de novembro de 2011

Portador de HIV conta sua história em blog

Renato Franceschetti, 34 anos, descobriu que tinha aids aos 18 e, hoje, compartilha suas experiências  Diário de SP

Passei por tudo isso, mas nunca quis morrer. Eu quero é viver. E bem.
Passei por tudo isso, mas nunca quis morrer. Eu quero é viver. E bem.

Aos 18 anos, Renato Franceschetti Filho queria fazer faculdade de letras e tradução e ser dublador de filme. Nessa mesma época, no entanto, foi expulso de casa por ser gay e, por insistência de uma tia, fez o teste da aids. Deu positivo. “Eu vou morrer. É o  que vem à cabeça.”Os planos ficaram para depois. E o objetivo dos últimos 16 anos de Renato foi aprender a lidar com o vírus e com os efeitos que ser portador trouxe para a sua juventude Hoje, aos 34, está retomando a vida. Fez um blog – “Eu e o HIV: Vivendo um dia após o outro” –  para falar sobre o assunto e tem tantos visitantes que iniciou a faculdade de psicologia para poder ajudar as pessoas que o procuram. Ele voltou a planejar o futuro e  conversa abertamente sobre o fato de ser portador. 
Um dia após o outro
O primeiro problema que enumera, sem precisar fazer esforço, são os relacionamentos amorosos. Foi também aos 18 anos que Renato perdeu a virgindade. Tudo ao mesmo tempo, a descoberta sexual tão logo trouxe o vírus. O motivo? “Eu tinha vergonha de comprar camisinha.”
Vergonha que veio de uma criação conservadora. Renato não conversava sobre sexo nem em casa e nem na escola. “Em casa, nunca se falou disso.”Ele lembra com detalhes a primeira vez que ouviu falar sobre a aids. “Eu tinha 13 anos e na TV estava passando um programa chamado ‘Aids: aconteceu comigo’. Aquilo me chocou muito, porque tratava como uma doença muito grave”. Quando fez o exame, namorava há alguns meses – antes de começar a namorar, no entanto, havia saído com outras pessoas. Os dois não usavam preservativos e, o resultado positivo de Renato significou também o de seu parceiro. “A gente não culpava um ao outro porque não dava para saber quem havia passado para quem.”Os dois ficaram juntos por 10 anos. Terminaram por “desgaste” e, depois dele, Renato foi casado por 5 anos com um homem que não era portador “e nem adquiriu durante o relacionamento, porque a gente se cuidava”, conta. Mesmo tendo relacionamentos duradouros, Renato tem dificuldades para se relacionar. “Já teve gente que, depois de me beijar muito, limpou a boca quando soube que eu era positivo”. A hora de contar é uma das mais complicadas. Ele prefere esperar um pouco: “Eu faço isso para que a pessoa possa me conhecer primeiro”. A relação sexual, no entanto, só acontece quando o parceiro já sabe.
Hoje, ele sabe encarar com mais naturalidade esse processo, mas  conta cada uma das complicações do início. “Eu achava que ninguém ia querer ficar comigo. Me sentia feio. Com cara de doente”, lembra.
Nesse momento, Renato está iniciando um relacionamento. O seu parceiro não é portador e já sabe que ele é. Para ficar mais simples, ele iniciou sessões de terapia: “Assim, lido melhor”.
Não sou doente
O segundo problema que Renato enumera são os remédios.  Quando descobriu o vírus, tomava 13 comprimidos por dia. Hoje são sete. Há quatro anos parou de tomar e percebeu que é essencial.  Renato sabe que é necessário, mas acredita que seja uma das partes mais chatas do processo. “Remédio é para doente e eu não me sinto doente”. Em 16 anos, a doença nunca se manifestou. Mas sente medo. Hoje, diz que não tem mais medo de morrer, mas não pode deixar de sentir medo. Temor que, aliás, é compartilhado entre grande parte dos portadores. Renato conta que as pessoas que leem o blog o procuram “apavoradas”. E tem gente de todo lado do Brasil e até de fora. “Tem gente da África e de Portugal que vem me procurar.” Para ele, é o que há de mais positivo. O desabafo que faz no blog ajuda a si e aos outros e faz parte de seus planos para o futuro. “Quero aprender como lidar com quem me procura.” Pelo visto, ele está aprendendo rápido. Na primeira página do blog, há mensagens positivas e, logo nesta semana, um post sobre o suicídio. É um tema que Renato faz questão de falar e o faz com sabedoria.
“Passei por tudo isso, mas nunca quis morrer. Eu quero é viver. E bem.”
Aceitação do HIV ocorre de forma gradativa
A juventude já é turbulenta por si só. Quando diagnosticada nessa fase, a aids pode parecer o “fim da vida”. “O maior problema do mundo”. “Motivo para muita revolta”. Quem explica isso, é a pediatra Renata Toledo Masotti, que atende pacientes do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) e no CRMI (Centro de Referência de Moléstias Infectocontagiosas) que atendem e acompanham portadores do vírus em Bauru. Por lá, ela lida com jovens e crianças portadoras e entende as dificuldades de se encarar a contaminação na juventude. “Quando eles recebem a confirmação do exame, choram, ficam bravos, acham que a vida acabou e até centrar a cabeça é um processo longo.” Ela explica que, muitas vezes, até que o jovem “centre a cabeça”, ele pode deixar os estudos e os planos, mas afirma que com acompanhamento psicológico e médico, o portador pode ter uma vida normal. “Com o uso dos retrovirais, ele mantém a imunidade boa e pode levar a vida normalmente. Tem que tomar certos cuidados, como não ingerir álcool e nem drogas, mas pode sair, se relacionar como qualquer outra pessoa.” O apoio da família é essencial nesse momento, salienta a médica que ainda esclarece que o primeiro momento é sempre mais complicado: “Alguns demoram um pouco para contar, mas depois as coisas se ajeitam”. Para ela, o principal é não ter medo de fazer o exame e começar o tratamento. “Quanto antes, melhor.” Opinião que é ratificada pela enfermeira do CRMI, Maressa Pelegrina. Ela salienta a importância do exame a qualquer momento da vida e ainda explica que hoje o resultado pode sair em menos de meia hora. “No CTA a pessoa pode conseguir o resultado em 15 minutos e, no caso de dar positivo, por lá mesmo já pode ser orientado sobre as providências a tomar. Não pode ter medo de saber”, diz. Todo o tratamento é gratuito e o portador tem acompanhamento médico e psicológico. Ela ainda esclarece que hoje a aids é vista de uma maneira diferente do que era há  anos atrás e que pode ser tratada com mais recursos. “Hoje é muito mais fácil de cuidar e o tempo de vida do portador é muito maior. A aids já é vista como uma doença crônica que não te cura, mas tem tratamento.”Ela reafirma, no entanto, que o principal em relação ao vírus é a prevenção. “É possível evitar e as instruções sobre a prevenção estão em todo lugar.”
Resultado de exame sai em meia hora
É possível obter o resultado do teste da aids no CTA em menos de meia hora. Caso seja positivo, o centro realiza a orientação.
No Brasil, tratamento é feito de graça
O portador do HIV que realiza acompanhamento médico tem todo o tratamento financiado pelo Ministério da Saúde.
Serviço
Centro de Testagem e Aconselhamento
Onde: rua XV de novembro, 336
Telefone: (14) 3223-2576
Centro de  Moléstias Infecciosas
Onde: rua Silvério São João, s/nº Telefone:  (14) 3224-2380

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mulheres soropositivas correm mais risco de ter câncer causado pelo HPV

Estudo da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo realizado no Centro de Referência (CRT) em DST/Aids, na capital  paulista, demonstra que as mulheres em tratamento de HIV/Aids têm maiores chances de desenvolver câncer de colo de útero em decorrência do HPV.
No total foram avaliadas 631 pacientes em tratamento antirretroviral que passaram por consulta no ambulatório de ginecologia do CRT DST/Aids-SP. Desse total, 44% tiveram diagnóstico prévio de HPV  e 10% apresentaram lesões intraepiteliais de alto grau para câncer de colo uterino.
Segundo o médico Valdir Monteiro Pinto, pesquisador do CRT  DST/Aids-SP e responsável pelo estudo, as pacientes soropositivas apresentam maior suscetibilidade para câncer cervical invasivo se comparadas a mulheres não infectadas pelo vírus.
"Estes dados indicam a importância de uma rotina para monitorar estas mulheres, com a realização do exame de papanicolau pelo menos uma vez ao ano", observa o especialista.
"Mulheres que receberam o diagnóstico de aids com mais de 40 anos e viviam com HIV/aids há mais de 8 anos e apresentaram contagem de CD4 menor que 350 cel/mm, ou seja, queda da imunidade, tiveram  maior risco de desenvolver lesões  intraepiteliais de alto grau", completa.
Entre as mulheres que participaram do estudo, 34% tiveram a primeira relação sexual com idade inferior a 16 anos, 61% tiveram menos que cinco parceiros durante a vida, 43% estão vivendo com HIV/Aids por mais de nove anos e 47% reportaram já terem tido doença sexualmente transmissível.

domingo, 30 de outubro de 2011

Estudo mostra que pacientes já em tratamento estão transmitindo o HIV

Pesquisadora israelense alerta para avanço da Aids, sobretudo entre gays.
No Brasil, programa leva testes para locais frequentados por homossexuais.

Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo
 
Uma pesquisa israelense mostra que pessoas que sabem que têm o HIV estão fazendo sexo sem camisinha e transmitindo o vírus para outras pessoas. A equipe de Zehava Grossman, pesquisadora da Universidade de Tel Aviv encontrou, em pacientes recém-diagnosticados, formas do vírus resistentes a drogas. Isso mostra que eles receberam o HIV de pessoas que já tomam o coquetel para controlar a doença.
Além disso, outras doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) foram encontradas nos testes, o que é mais uma indicação de que as pessoas deixaram de usar o preservativo em relações sexuais.
"A informação que temos é em Israel, mas temos tendências semelhantes nos EUA, na Europa e na Austrália", diz Grossman, sobre a falta de cuidado com o sexo seguro. "No nosso trabalho, fica bem claro que é uma tendência de 2007 para cá", completa.Grossman afirma ainda que as pessoas infectadas têm consciência do que é um comportamento de risco. No teste de laboratório, é possível perceber se a pessoa adquiriu o vírus recentemente. A pesquisadora afirma que, nos últimos anos, muitos foram diagnosticados nesse quadro, e isso mostra que eles já imaginavam que poderiam estar com o HIV, provavelmente porque sabiam que tinham sido expostos ao risco.
Os dados obtidos deixam a pesquisadora preocupada principalmente com homens homossexuais. Ela diz que o número de gays diagnosticados é cinco vezes maior do que era há dez anos. Entre os heterossexuais, a variação não foi significativa, segundo ela.
Quero Fazer
No Brasil, uma campanha contra a Aids se volta para esse mesmo público. O programa Quero Fazer leva um trailler equipado com kits de teste rápidopara locais que são normalmente frequentados por homossexuais.O exame é feito com uma gota de sangue, retirada com uma picada na ponta do dedo, e demora entre 45 minutos e uma hora para ser comunicado ao paciente.
Trailler do programa Quero Fazer no Largo do Arouche, centro de São Paulo (Foto: Tadeu Meniconi/G1)Trailler do programa Quero Fazer no Largo do
Arouche, centro de São Paulo/(Foto: Tadeu Meniconi/G1)
O projeto, que já está presente em Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, é uma parceria do Ministério da Saúde com autoridades locais e organizações não governamentais (ONG's). Há ainda o apoio da Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional.Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, diz que não há registro de que a transmissão seja maior entre os gays, mas que esse é sim um grupo em que o HIV é mais comum, assim como entre profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis.
Segundo ele, o objetivo do Quero Fazer é "facilitar o acesso de populações que são diferentes do padrão usual da população" ao teste. "Muitas vezes, eles se sentem discriminados", comenta Greco, que especifica: "principalmente os travestis". 
In loco
José Araujo, diretor da ONG Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (Epah), toma conta do trailler instalado no Largo do Arouche, centro de São Paulo, todos os domingos, de 16h às 20h. Ele e outros integrantes da Epah conversam com os interessados, explicam o que é o teste, tranquilizam os que esperam pelo resultado, e recebem abraços dos pacientes quando o resultado dá negativo.
Com o conhecimento de causa que a proximidade traz, Araujo concorda com o que o Ministério da Saúde diz."O preconceito está no ser humano, ele existe. O homossexual quer um serviço direcionado para ele, onde ele não seja julgado", argumenta o diretor, que dá o exemplo de uma pessoa que percorreu os 60 km que separam Jundiaí da capital do estado apenas para fazer o teste oferecido pelo programa.
Paciente faz teste de HIV no trailler do programa Quero Fazer, em São Paulo (Foto: Tadeu Meniconi/G1)
Paciente faz teste de HIV no trailler do programa Quero Fazer, em São Paulo (Foto: Tadeu Meniconi/G1)
Além disso, a instalação de um trailler no centro da cidade e no fim de semana resolve uma questão prática. "Sempre foi constatado que a dificuldade é encontrar o teste, e não fazê-lo", acrescenta Araujo.
O trailler é composto de um laboratório e duas salas e aconselhamento, nas quais os atendentes sociais conversam com os pacientes antes do exame e na hora de dar o resultado.O teste pode ser feito a partir dos 12 anos, que é quando começa a adolescência, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, desde que o jovem tenha plena consciência do significado.
Números
O Ministério da Saúde estima que 0,6% da população brasileira seja portadora do HIV. Há cerca de 215 mil pacientes em tratamento. A cada ano, entre 20 mil e 25 mil novos casos são diagnosticados e cerca de 12 mil morrem por causa da Aids.No Brasil, cerca de 30% dos diagnósticos são feitos só depois que o sistema imunológico já foi afetado. Nesses casos, além de controlar a Aids, é preciso também combater as doenças que ela pode acarretar, como, por exemplo, a tuberculose.Por isso, Greco enfatiza que diagnosticar a doença cedo – o que só é possível com o exame específico de sangue – ajuda no tratamento. “Quanto melhor você estiver, menor a chance de surgirem efeitos colaterais [do remédio]”, afirma o diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, que é infectologista.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Testes clínicos com vacina contra HIV têm 90% de sucesso na Espanha

Trinta voluntários sadios de Madri e Barcelona participaram da pesquisa.Mesmo com resultado positivo, autores do estudo pedem cautela.

Do G1, em São Paulo
Uma vacina contra a Aids desenvolvida na Espanha obteve 90% de sucesso em testes iniciais feitos com 30 voluntários de Madri e Barcelona. Apesar dos participantes não terem o HIV em seus organismos, a vacina deixou 90% deles preparados para um possível contato com o vírus que provoca a doença. Essa mesma resistência durou pelo menos um ano em 85% dos voluntários.
A ideia dos médicos do Hospital Clinic (Barcelona) e do Gregorio Marañon (Madri) foi "treinar" o corpo de pessoas sem a doença para que eles pudessem reconhecer o vírus HIV e células infectadas para atacá-los. Agora, o próximo passo será testar a vacina como terapia para pessoas que já possuem o vírus, mas ainda não desenvolveram a doença.
Mesmo com o sucesso na primeira das três fases comuns dos testes em humanos, Felipe García, chefe da equipe que conduziu o estudo em Barcelona, afirma que é preciso cautela. Para o médico, o número de voluntário ainda é pequeno para poder dizer se a vacina vai mesmo garantir a defesa permanente do corpo contra o HIV.A vacina se chama MVA-B e foi feita a partir de um vírus diferente do HIV. Ao ser enfraquecido, o micro-organismo serviu para produzir uma vacina contra a varíola e agora é muito usado para a pesquisa em outras doenças.A letra "B" no nome indica o tipo de HIV mais comum na Europa e que é combatido pela nova vacina espanhola.Para montar a vacina, os cientistas espanhóis colocaram quatro genes do HIV dentro do vírus enfraquecido da varíola. Segundo os pesquisadores, a presença desses genes não é suficiente para desenvolver a doença em pessoas sadias. Pelo contrário, ela serve somente para deixar o corpo em alerta para o caso do vírus de verdade entrar dentro do organismo do vacinado.Os resultados obtidos pela equipe espanhola foram divulgados nas revistas médicas "Vaccine" e "Journal of Virology". O estudo foi autorizado pelo Conselhor Superior de Investigações Científicas espanhol (CSIC), principal órgão do governo do país voltado para a pesquisa científica.
A substância já havia sido testada em 2008 em roedores e em macacos. Para Mariano Esteban, cientista do Centro Nacional de Biotecnologia espanhol, a vacina mostrou ser tão boa ou melhor que as outras candidatas atualmente em estudo para combater a doença.A Aids já contaminou mais de 30 milhões de pessoas no mundo. Anualmente, 2,7 milhões de infecções pelo vírus acontecem. Dois milhões de portadores morrem todos os anos, após desenvolver a doença.
No Brasil, entre 1980 até junho de 2010, quase 600 mil pessoas desenvolveram a doença. Quando a Aids começa a agir, células que defendem o corpo contra infecções começam a ser destruídas. Isso leva ao aparecimento de doenças como a pneumonia que matam o portador de Aids por não serem combatidas.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SP: trailer levará testes de HIV a locais frequentados por gays

Um trailer vai percorrer regiões de São Paulo promovendo testes rápidos de HIV. A unidade móvel começará a circular a partir do próximo domingo e ficará por três meses no Largo do Arouche, na região central da capital paulista.
A iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com a ONG Associação Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH), Ministério da Saúde e prefeitura de São Paulo, tem como objetivo incentivar o diagnóstico precoce do vírus da Aids entre populações consideradas vulneráveis.
Por isso, o trailer estará em locais frequentados por gays, homens que fazem sexo com homens e travestis sempre aos domingos, das 16h às 20h. A intenção é que os interessados possam fazer o teste sem sofrer constrangimento ou discriminação.Além disso, profissionais do programa "Quero Fazer" estarão no local para conversar sobre a importância de prevenção e distribuição de preservativos.
Depois do Largo do Arouche, a unidade móvel estaciona no parque do Carmo e no autorama do parque Ibirapuera. O trailer também permanecerá por três meses em cada um desses lugares e sempre aos domingos. A proposta é oferecer o teste em horários alternativos aos serviços de testagem já disponíveis na rede pública de saúde.
O programa deve continuar até janeiro de 2014 e outros pontos já estão sendo estudados para receber o trailer.

domingo, 4 de setembro de 2011

Ator pornô refaz teste de HIV e descobre que não está com vírus

Primeiro teste de ator de filmes eróticos havia dado positivo.
Indústria pornô nos EUA tinha sido paralisada após resultado.

Do G1, com informações da AP

Um ator de filmes pornôs que havia anunciado estar com HIV refez o teste que mostrou que ele não está com o vírus, disse um grupo da indústria neste sábado (3). A produção de filmes pornôs de Los Angeles havia interrompido suas atividades após o primeiro resultado.
“Agora, a produção pode retomar”, disse Diana Duke, diretora-executiva da organização Free Speech Coalition. “A indústria será muito cautelosa à medida que tentamos descobrir as razões para o que agora parece ter sido um resultado positivo falso”, disse Diana.
O ator, que estava na Flórida, tinha sido escalado para trabalhar em um filme, mas a produção foi interrompida na semana passada, quando o teste deu positivo. Diana se recusou a divulgar o nome, idade e sexo do ator, citando o direito da pessoa à privacidade.
Na segunda-feira passada, a produção foi interrompida na indústria multibilionária localizada em San Fernando Valley, na Califórnia. Não é a primeira vez que a indústria enfrenta uma interrupção. Em 2010, o ator Derrick Burts foi diagnosticado como portador de HIV. Desde que contraiu o vírus, Burts passou a militar pelo uso de camisinhas por parte de integrantes dos elencos de filmes pornôs.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Teste positivo de HIV paralisa indústria pornô nos EUA

Produções eróticas são interrompidas até que exames confirmem se artista está ou não infectado.

BBC

A indústria pornô de Los Angeles, principal polo de produção dos Estados Unidos, interrompeu suas atividades após um artista que participou de filmes eróticos ter feito um teste de HIV que teria produzido resultado positivo.A pessoa que integrou o elenco de um filme pornô, não teve seu sexo ou nome divulgados e ainda será submetida a novos testes, a fim de confirmar o diagnóstico.Mas Diana Duke, a diretora-executiva da organização Free Speech Coalition, que representa a indústria pornô, disse que a ''moratória'' na produção durará até que se saiba se o ator ou atriz está de fato infectado e se teria ou não propagado o vírus.Caso o diagnóstico venha a ser confirmado, a entidade vai pedir que os parceiros ou parceiras sexuais da pessoa que atuou nos filmes pornôs também sejam testados.A interrupção teria contado com a aprovação dos principais executivos de produtoras pornô e afeta a multibilionária indústria.
Segundo regras acatadas pelos próprios autores de filmes pornô, os atores precisam se submeter a testes mensais de HIV, mas não há qualquer pressão pelo uso de camisinhas.
Caso anterior

Não é a primeira vez que a indústria pornô americana enfrenta uma interrupção. Em 2010, o ator Derrick Burts foi diagnosticado como portador do vírus HIV.Desde que contraiu o vírus, Burts passou a militar pelo uso de camisinhas por parte de integrantes dos elencos de filmes pornôs, uma bandeira que também passou a ser defendida por outros ex-atores pornô e pela entidade Aids Healthcare Foundation.
A organização pretende angariar assinaturas para pedir um plebiscito sobre o uso obrigatório de camisinhas para atores de filmes pornô.Serão necessárias mais de 41 mil assinaturas para que o pedido possa ir a plebiscito nas eleições de 2012.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Em hospital, 68% dos pacientes com HIV são heterossexuais

Levantamento é do Hospital Emílio Ribas, que tem 80% de seus atendimentos voltados a portadores do vírus da AIDS

por Redação Galileu

Um levantamento feito pela equipe do Hospital Emílio Ribas, da Secretaria de Saúde de São Paulo, revela que 68% dos portadores do vírus da AIDS atendidos se declararam heterossexuais. E apenas 25% dos atendidos eram mulheres. A maioria dos pacientes têm entre 30 e 40 anos. A instituição, especializada em doenças infecto-contagiosas, tem 80% de seus atendimentos voltados a pessoas com HIV. A compilação de dados também mostrou que 20% dos atendidos estavam em uma união estável. Sobre o nível de escolaridade, 42% contavam com ensino fundamental concluído e só 0,9% possuíam ensino superior completo. Segundo informou o médico infectologista David Uip, diretor do hospital, à assessoria de imprensa da Secretaria, o principal problema ainda é a conscientização. “Houve muitos avanços na medicina no que se diz respeito ao tratamento da Aids da década de 80 para cá, mas não adianta a medicina evoluir se toda a população não estiver consciente dos riscos da doença e de como preveni-la”. Os números foram obtidos durante 15 dias e com acompanhamento de mais de 100 pacientes internados no Emílio Ribas, que fica na capital paulista.

domingo, 21 de agosto de 2011

Contra ladrões, médica põe seringas que teriam sangue com HIV em muro

Mulher diz que tomou atitude porque está cansada de ser roubada.Secretaria de Saúde diz que vai investigar retirada do material de hospital.

Do G1 DF, com informações do DFTV

Médica põe seringas que teriam sangue com HIV em grade (Foto: Reprodução/TV Globo)Médica põe seringas que teriam sangue com HIV
em grade (Foto: Reprodução/TV Globo)
O protesto de uma médica no condomínio RK, em Sobradinho, a 22 quilômetros de Brasília, chocou os vizinhos.Ela fixou seringas na grade de casa e escreveu em um cartaz “Muro com sangue HIV positivo – não pule”.A autora da mensagem é médica e não quis ser identificada. Ela disse que tomou a atitude porque está cansada de ser roubada.“A primeira vez foi um cortador de grama, secador de cabelos e máquina fotográfica. A última foi a televisão, uma tela plana”, contou a mulher. Ela admitiu que pegou o material onde trabalha. “Eu sou médica e consegui isso no hospital.
Estão contaminadas”, afirmou.
A síndica do condomínio, Vera Barbieri, diz que as seringas foram coladas no portão há dois dias. Neste sábado (20), a moradora foi oficialmente notificada. Ela tem cinco dias para retirar todo material, senão, será multada. A polícia e a Vigilância Sanitária foram procuradas, mas teriam informado que não poderiam fazer nada.
Cartaz colado em grade de casa do condomínio RK, em Sobradinho, avisa sobre seringas que teriam sangue com HIV (Foto: Reprodução/TV Globo)Cartaz colado em grade de casa em Sobradinho
avisa sobre seringas que teriam sangue com
HIV (Foto: Reprodução/TV Globo)
“A polícia explicou que, como se trata de um condomínio e que ela estava fazendo no muro dela, haveria dificuldade, porque não há caracterização de um crime. A Vigilância Sanitária disse que o condomínio deveria ser notificado”, falou Vera Barbieri.O Conselho Regional de Medicina diz que ainda não recebeu denúncia do caso, mas condenou a atitude da médica.“Qualquer atitude que uma pessoa ou médico tome para tentar ferir um paciente, ou tentar agredir um paciente, deve ser condenada”, afirmou o primeiro-secretário do Conselho Regional de Medicina, Farid Buitrago.Buitrago disse que há risco de contaminação pelas seringas, mesmo que não seja de HIV. “Há o risco de infecções bacterianas, por exemplo. Por esse motivo, todo material cirúrgico deve descartado em recipientes adequados”, acrescentou o primeiro-secretário do conselho.
A Secretaria de Saúde confirmou que a médica trabalha no Hospital Regional do Paranoá como ortopedista. A direção do hospital disse que não sabe como ela conseguiu retirar uma quantidade tão grande de seringas e que vai investigar o caso.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Estudo revela como HIV se esconde dos remédios anti-Aids

RAFAEL GARCIA/FOLHA
DE WASHINGTON

O HIV está conseguindo escapar da ação de drogas antirretrovirais porque é capaz de passar diretamente de uma célula para outra.
A conclusão é de um novo estudo do laboratório do biólogo David Baltimore, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1975. Realizando experimentos com culturas de células no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), o grupo do cientista oferece uma explicação de por que o coquetel anti-Aids reduz o número de vírus nos soropositivos, mas não cura a infecção.
CDC/Reuters
Detalhes da estrutura do HIV; vírus é mais vunerável às drogas porque não cai na corrente sanguínea, diz estudo
Detalhes da estrutura do HIV; vírus é mais vunerável às drogas porque não cai na corrente sanguínea, diz estudo

Em geral, uma célula infectada se rompe e libera HIVs soltos no plasma sanguíneo.
Esses vírus vagam pelo sangue até encontrar outro linfócito T CD4+, a célula do sistema imune que o HIV ataca. É quando os vírus estão soltos que a droga age. Baltimore e seus colegas, porém, mostraram que uma parcela menor da transmissão ocorre diretamente, de célula para célula, quando dois linfócitos entram em contato no sangue. É nesses casos que os antirretrovirais falham. A infecção célula a célula não é tão frequente mas, quando ocorre, a quantidade de vírus transferida é grande. Explorando essa brecha de segurança, o vírus consegue sobreviver como um reservatório latente dentro das células, mesmo quando o sangue está repleto de moléculas das drogas antirretrovirais.
ESPERANÇA FRUSTRADA
"No início dos anos 1990, quando os inibidores de protease [primeira classe eficaz de droga anti-HIV] surgiram, os médicos estavam medindo o ritmo de queda da carga viral dos soropositivos e concluindo que, com tal redução, os pacientes estariam curados em alguns anos", disse à Folha Alex Sigal, cientista que coordenou o trabalho. "Algumas pessoas vêm sendo tratadas com antirretrovirais por mais de 15 anos, mas, se você para de administrar a droga, o vírus volta."
Sigal descobriu o problema da transmissão célula a célula ao realizar um experimento em que cultivou linfócitos vivos num pires de laboratório para comparar os dois tipos de transmissão.
Quando as células estavam separadas, o efeito da droga sobre o HIV foi muito mais acentuado do que quando estavam juntas.Segundo os cientistas, que descrevem o trabalho em um estudo publicado hoje na revista "Nature", a descoberta é também uma má notícia para a criação de uma vacina terapêutica anti-HIV.
Esse preparado estimularia o sistema imune a atacar o vírus, mas sua ação se limitaria ao exterior dos linfócitos. A transmissão célula a célula seria um problema. Mas há esperança de que isso não ocorra no uso preventivo de uma vacina, afirma Sigal. Se o organismo conseguir combater o vírus logo que ele entra, não haveria brecha para a formação de um reservatório. Estudos de opções terapêuticas no laboratório de Baltimore, porém, já sofreram uma mudança de abordagem."Estamos buscando inibidores de infecção do HIV que não funcionam da mesma maneira que as drogas antirretrovirais",
afirma Sigal. "Essas novas drogas afetam a célula infectada. Assim, não importa quantos vírus estão dentro dela."
Editoria de arte/folhapress

 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Exame de HIV com chip pode substituir teste laboratorial, diz estudo

Pesquisa em Ruanda mostrou eficácia da nova opção.Teste também detecta outras doenças infecciosas.

Da AFP

Um teste de sangue portátil e barato feito com a ajuda de um chip é tão seguro quanto os exames laboratoriais caros para detectar o HIV, o vírus causador da Aids, afirma um estudo feito em Ruanda, na África, e publicado nesta semana na revista "Nature Medicine".
O teste, feito em um aparelho do tamanho de um cartão de crédito, também é capaz de detectar outras doenças infecciosas, como a sífilis.Chamado de “mChip”, o exame derruba três barreiras para o teste de HIV em larga escala em países pobres: a dificuldade de acesso, os altos custos e a demorada espera por resultados.Segundo o líder do estudo, a novidade permite que as pessoas sejam testadas em qualquer lugar – sem a necessidade de ir até uma clínica.
A expectativa é que o chip custe US$ 1 por unidade – bem mais barato que a alternativa laboratorial.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Risco de infecção por Aids diminui 76% em homens que fizeram circuncisão

Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira em Roma, no último dia da conferência internacional sobre a Aids, mostra que a circuncisão permite uma diminuição de 76% dos riscos de infecção com o HIV nos homens.
Este estudo da Agência Francesa de Pesquisas sobre a Aids (ANRS), dirigido por Bertrand Auvert, foi realizado na localidade de Orange Farm, subúrbio de Johannesburgo, onde a infecção alcança níveis particularmente altos: com 35/39 anos, 40% dos homens não circuncidados têm HIV e, entre as mulheres, 45%.Por causa de uma campanha de promoção realizada por cientistas, mais de 20.000 homens aceitaram passar por uma circuncisão. O objetivo da pesquisa era comprovar na prática uma queda do risco de 60% estabelecida por testes clínicos.Se nenhum homem tivesse sido circuncidado nesta comunidade durante o período da pesquisa, a incidência de infecções do HIV teria sido 58% maior, segundo os cientistas.
"Esta é a primeira vez que um estudo em nível mundial demonstra que um programa de prevenção entre adultos heterossexuais funciona no mundo real", explicou Auvert."Isso confirma que a circuncisão masculina, barata e que é feita apenas uma vez na vida, é um método preventivo eficaz", declarou o professor Jean-François Delfraissy, diretor da ANRS.
Dirk Taljaard, médico sul-africano que participa na pesquisa, enfatizou que os cientistas esperam que a repercussão desse método seja uma redução da infecção também entre as mulheres.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mulher processa prefeitura em SP por diagnóstico errado de HIV

Ela diz ter feito tratamento durante três anos como se fosse soropositivo.Moradora de São José do Rio Pardo pede R$ 500 mil na Justiça.

Do G1 SP, com informações da EPTV

Uma moradora de São José do Rio Pardo, a 266 km da capital paulista, entrou com um processo contra a Prefeitura pedindo indenização de R$ 500 mil após receber um diagnóstico errado de HIV. Ela passou três anos pensando ter o vírus e chegou a receber tratamento.
A mulher, que preferiu não se identificar, disse que sofreu sem falar o motivo para a família. O problema começou nos exames durante a gravidez, quando o teste de HIV deu resultado indeterminado e ela passou a ser tratada como soropositivo. "Mandaram eu tomar uns remédios", afirmou.
Segundo ela, o centro de saúde não mostrou o resultado da contraprova. Acreditando ter o vírus, ela pediu demissão do trabalho e se isolou. “Eu tinha medo de contagiar os outros.”
Quando teve coragem de contar para a família, ela recebeu ajuda para fazer um teste em uma clínica particular e então soube que não tinha o vírus. Para o advogado Marcelo Costa, o problema não foi o resultado do exame, mas a falta de apoio do setor público. “Ela não teve qualquer acompanhamento por assistentes sociais ou psicólogos.”A Prefeitura perdeu em duas instâncias. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconheceu a falha do sistema de saúde, mas diminuiu o valor da indenização da primeira instância, de R$ 100 mil para R$ 50 mil, dizendo que não pode haver enriquecimento nem empobrecimento de nenhuma das partes. O advogado já recorreu. “Não concordo porque gera um estigma pelo fato de ela ser empregada doméstica. Isso redundaria em um valor menor."A Prefeitura de São José do Rio Pardo também recorreu. A enfermeira Denise Salvador, uma das integrantes do programa DST Aids, disse que as acusações não procedem. “Quando foi feito o novo teste, nós comunicamos que deu negativo. A medicação que seria usada por ela retornou”, ressaltou.
A enfermeira disse ainda que na época foi oferecido atendimento psicológico, mas a paciente não aceitou. Ela afirmou também que a mulher teve um acompanhamento multidisciplinar na Saúde da Mulher durante o pré-natal.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Boa notícia-Eficácia de tratamento contra transmissão da Aids é maior do que o anunciado

A utilização do tratamento antirretroviral contra a transmissão do HIV é ainda mais eficaz do que o anunciado, segundo os últimos resultados de um estudo divulgado nesta segunda-feira em Roma.
O estudo HPTN 052, realizado em nove países, tinha sido apresentado em maio. Ele foi feito com 1.763 casais sorodiferentes (uma pessoa infectada, a outra não) e indicava que se a pessoa infectada fosse tratada mais cedo, haveria uma redução do risco de infecção de 96% na outra (28 pessoas infectadas, sendo 27 entre as pessoas tratadas mais tarde).De fato, segundo as revelações feitas nesta segunda-feira, 29 pessoas tinham sido infectadas, sendo 28 entre as pessoas tratadas mais tarde.
Foi divulgado que o único caso de infecção no casal em que a pessoa infectada foi tratada cedo ocorreu muito provavelmente logo depois da entrada do casal no tratamento, que ainda não tinha reduzido a carga viral.Além disso, iniciar o tratamento mais cedo com pessoas infectadas aumenta o benefício individual, já que as taxas de CD4, células que medem a imunidade, são ainda mais elevadas entre elas do que entre as pessoas tratadas mais tarde. Houve também entre as primeiras uma taxa 41% menor de infecções oportunistas ligadas à infecção por HIV, como a tuberculose, e de mortes.Após este estudo, a OMS, que deveria apresentar em Roma as suas recomendações sobre a prevenção e o tratamento dos casais sorodiferentes, adiou a publicação."Esse dados terão reflexo em nossas recomendações para a prevenção dos casais, e também nos conselhos relativos à utilização estratégica dos ARV para o tratamento e a prevenção do HIV", ressaltou Gottfried Hirnschall, diretor do Departamento HIV/Aids da OMS.Myron Cohen (Universidade da Carolina do Norte), que dirigiu o estudo, se disse "particularmente feliz" que a OMS leve em consideração esses dados para suas recomendações.
Os resultados do estudo foram divulgados online nesta segunda-feira no New England Journal of medicine.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Droga pode prevenir infecção do vírus HIV

Duas pesquisas realizadas na África mostraram até 73% de redução no risco de contração do víruspor Redação Galileu
Um comprimido diário, que custa apenas 25 centavos de dólar, pode prevenir homens e mulheres de contrair o vírus HIV de parceiros soropositivos. A descoberta, resultado de dois estudos na África, fornece oportunidades sem precedentes de prevenir o crescimento de infecções. A primeira pesquisa, chamada de Partners PrEP, foi realizada pela Universidade de Washington, nos EUA, nos países do Quênia e de Uganda. Os cientistas recrutaram 4758 casais, sendo soropositivo um dos parceiros de cada par. Os não infectados tomaram uma dose diária ou da droga Viread (tenofovir), ou da Truvada (combinação de tenofovir e emtricitabina), ou de placebo. Apenas 13 participantes que tomaram a droga combinada foram infectados, comparados aos 78 que tomaram placebo, representando uma redução de 73% no risco de infecção. Entre as pessoas que tomaram o Viread, 18 contraíram o vírus, o que mostra uma redução de 62%. O outro estudo foi conduzido juntamente pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e pelo Ministério de Saúde de Botsuana, país onde foi realizada a pesquisa. Nela, 1200 pessoas sexualmente ativas e não portadoras do vírus receberam ou uma dose diária de Truvada, ou de placebo. Depois de mais de dois anos, nove pessoas que tomaram Truvada foram infectadas, ao lado dos 24 entre os que tomaram placebo – uma diminuição de 63% do risco.
Os resultados dos dois estudos vão ser apresentados na Conferência da International Aids Society (IAS), em Roma, na Itália, que acontece ainda neste mês.

(via New Scientist)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Remédios contra Aids podem causar envelhecimento precoce

Um tipo de medicamento genérico usado para tratamento do HIV na África e em outras regiões pobres do planeta pode causar envelhecimento precoce e doenças relacionadas com idade avançada, como problemas cardíacos e demência, afirmaram cientistas no domingo (26).
Em um estudo no jornal "Nature Genetics", pesquisadores britânicos descobriram que os remédios, conhecidos como inibidores da transcriptase reversa (NRTIs, em inglês), causam danos ao DNA na mitocôndria do paciente --as "baterias" que dão força para as células. Os cientistas disseram ser improvável que os mais recentes coquetéis de remédios contra a Aids --fabricados por empresas como Gilead, Merck, Pfizer e GlaxoSmithKline-- poderiam causar níveis similares de danos, já que se acredita que eles sejam menos tóxicos para as mitocôndrias. Mas é necessário realizar novas pesquisas para se ter certeza.
"Leva tempo para que esses efeitos colaterais fiquem aparentes, então há uma interrogação sobre o futuro, para descobrir se essas novas drogas vão causar ou não este tipo de problema," disse Patrick Chinnery, do Instituto de Medicina Genética da Universidade de Newcastle, em entrevista por telefone. "Provavelmente, eles não causam isso, mas não temos como ter certeza, pois não tivemos o tempo necessário para descobrir."
As descobertas, contudo, ajudam a explicar porque pessoas com HIV quando são tratadas com os medicamentos antigos contra a AIDS mostram, em alguns casos, sinais avançados de fragilidade e doenças como problemas cardíacos e demência enquanto jovens, afirmaram os pesquisadores.
"O DNA nas nossas mitocôndrias é copiado durante a nossa vida e, conforme envelhecemos, naturalmente acumula erros," disse Chinnery, que liderou o estudo. "Acreditamos que estas drogas contra o HIV aceleram o ritmo de criação desses erros. Então, em um prazo de dez anos, o DNA de uma pessoa pode ter acumulado a mesma quantidade de erros do que uma pessoa que envelheceu naturalmente 20 ou 30 anos."
Os remédios NRTI --sendo o mais conhecido o AZT, também chamado de zidovudine e criado originalmente pela GSK-- foram um grande avanço no tratamento do HIV quando surgiram no final da década de 1980. Eles aumentaram a vida dos pacientes e ajudaram a tornar o HIV uma doença crônica com gerenciamento possível em vez de uma sentença de morte. Preocupações sobre o nível tóxico dos NRTIs, especialmente em uso de longo prazo, culminaram com uma utilização menor em países ricos, onde foram substituídos por remédios mais caros e com efeitos colaterais menores.
Mas, em países pobres, onde o acesso aos medicamentos genéricos é, normalmente, a única maneira que os pacientes têm de HIV receber tratamento, os NRTIs ainda são usados de maneira generalizada.

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