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sábado, 11 de fevereiro de 2012

ONGs acusam governo de discriminar gays

Agencia Estado

Convicto de que houve veto ao filme dirigido ao público gay programado para ser exibido durante a campanha de aids do carnaval, o Fórum de ONGs de Aids do Estado de São Paulo decidiu apresentar uma denúncia formal contra o governo brasileiro em instâncias internacionais de direitos humanos. O Fórum, que congrega 92 entidades filiadas, anunciou também que vai apresentar uma representação no Ministério Público para que seja investigada discriminação e desperdício de recursos públicos, por causa do cancelamento da produção do vídeo.
"Já está tudo acertado. Só há uma possibilidade de revermos nossa posição: a veiculação na TV domingo do filme originalmente programado", afirmou o presidente do Fórum, Rodrigo Pinheiro. Apresentado semana passada numa festa organizada no Rio, o filme dirigido ao público gay foi retirado da internet por determinação do Ministério da Saúde. A justificativa era a de que o material havia sido feito para apresentação em locais fechados, não na internet ou na TV. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o vídeo dirigido ao público está em fase de produção. "Mais uma vez, ele joga para plateia. Faz festa, tenta agradar e, por fim, retrocede", afirma o presidente do grupo Pela Vidda, Mário Scheffer. Para o movimento social, há quatro evidências que demonstram o veto do governo.
O filme tirado do ar já havia sido apresentado no lançamento da campanha. "Se não pode na TV, porque poderia numa festa? E o discurso do ministro na ocasião, todo o clima indicava que aquele vídeo é o que seria veiculado", relata Pinheiro. A descrição do filme dirigido para TV em texto divulgado pelo Ministério da Saúde coincide com o material que foi retirado do ar e tem formato de 30 segundos e linguagem para grande público, avalia o movimento. Por fim, essa retirada foi feita sem nenhum tipo de pelo Ministério da Saúde.O retrocesso é atribuído ao receio do governo - e de setores dentro do próprio ministério - de contrariar grupos religiosos, sobretudo em ano eleitoral. O governo quer evitar desgastes como o ocorrido ano passado - e que rende dor de cabeça até agora - com a distribuição de material contra homofobia, programado para ser feito pelo Ministério da Educação. "É uma grande decepção. O governo mostra estar totalmente rendido neste tema a grupos fundamentalistas e a base aliada. Um passo atrás e, agora, numa área que o Brasil sempre foi internacionalmente reconhecido pela ousadia e pela liderança, o combate à aids. Mais do que uma oportunidade perdida, é uma mancha", disse o presidente do grupo Pela Vidda.Scheffer lembra que problema semelhante foi registrado na campanha do Dia Mundial de Aids. Era esperada uma campanha dirigida ao público gay. Durante o lançamento, movimento social foi surpreendido com uma campanha feita sobre preconceito. A escolha de jovens gays como público alvo da campanha não é à toa: a incidência da aids entre essa população aumentou de forma expressiva na última década. "E a campanha tem de ser dirigida ao público em geral. Não adianta veicular em ambientes fechados. Além disso, é piada imaginar que numa boate todo mundo vai parar para ver a peça", disse Pinheiro.
O ministério informou ontem, por meio de sua assessoria, que o calendário da apresentação de um novo filme está mantido: domingo. De acordo com a pasta, o filme encontra-se em fase final de produção. O ministério ao longo dos últimos dois dias recebeu manifestações e pedidos de explicações sobre o episódio. Nenhuma resposta formal foi apresentada até agora, informou a assessoria de imprensa. O ministério, ainda por meio da assessoria, disse que até o fim da tarde de ontem não havia recebido nenhum comunicado do Fórum de ONGs de Aids de São Paulo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Portador de HIV será indenizado por "constrangimento" em padaria de Araçatuba (SP)

José Bonato
Especial para o UOL Notícias
Em Ribeirão Preto (SP)


Um aposentado de 44 anos portador de HIV recebeu o direito de ser indenizado em R$ 3.000 de uma padaria de Araçatuba (527 km de São Paulo) por suposto mau atendimento.
André Duarte de Santana afirma que se sentiu humilhado ao ser expulso do estabelecimento depois de uma discussão por causa de um café que foi servido frio.Segundo Santana, um funcionário da padaria lhe trouxe outro café, mas teria feito questão de derramar açúcar no copo, o que foi interpretado como uma provocação.
O aposentado se exaltou e, segundo a ação, teria tido uma disfunção intestinal que lhe sujou as calças e o teria impedido de ir ao ambulatório municipal buscar remédios que usa regularmente devido à doença.
Embora na decisão o magistrado Antonio Conehero Junior declare que a disfunção intestinal não tenha ficado comprovada, ele entendeu que Santana “passou por constrangimento relevante e por certo se sentiu humilhado pelos fatos”.De acordo com o juiz, coube à confeitaria o ônus de provar que o mau atendimento não ocorreu, objetivo que não foi atingido pela defesa.Ainda segundo a decisão, o fato de o aposentado ter a saúde “comprometida por infecção viral grave” contribuiu para potencializar "os efeitos da situação”.

Outro lado

Ludmila Kelly Braz Martins, 31, advogada da padaria Peter Pan, afirmou ao UOL Notícias que vai recorrer da decisão porque os fatos alegados pelo aposentado não ocorreram.
“O café foi servido pelo dono da padaria, que foi atencioso e prestativo, e não por um funcionário. E não houve nenhuma expulsão.”Já a advogada do autor da ação, Solange Katherine Fumie Zucon Crepaldi, 30, afirma que seu cliente foi vítima de preconceito. “Ele espera que outras pessoas não passem pelo mesmo constrangimento que ele passou”, afirma.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

País da Ignorância-Cuidando da vida alheia:55% das pessoas são contra união estável gay, diz pesquisa do Ibope

Levantamento aponta que 63% dos homens são contra decisão do STF.Entre as mulheres, 80% não se afastariam dos amigos homossexuais.

Do G1, em São Paulo
Manifestantes fazem abraço simbólico no prédio do STF (Foto: Nelson Jr. / STF)Manifestantes fazem abraço simbólico no prédio do
STF (Foto: Nelson Jr. / STF)
Mais da metade da população brasileira é contra a decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que autorizou a união estável para casais do mesmo sexo, de acordo com pesquisa nacional realizada pelo Ibope, realizada entre os dias 14 e 18 de julho. De acordo com o levantamento, 55% dos brasileiros são contrários à decisão e 45% são favoráveis.
O instituto informou ter feito 2.002 entrevistas domiciliares em 142 municípios do país, ouvindo pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Segundo o Ibope, as mulheres são as que menos se incomodam com o tema, seguido dos mais jovens, dos mais escolarizados e das classes mais altas. A população do Norte, Centro-Oeste e Nordeste do país é a que mais apresenta resistência sobre o assunto, são 60% contrários à decisão do STF. No Sudeste, o índice cai para 51%.Os dados apresentados pela pesquisa mostram que o brasileiro não tem restrições em lidar com homossexuais no seu cotidiano, como profissionais ou amigos que se assumam homossexuais.
Mas a população ainda se mostra resistente a medidas que possam denotar algum tipo de apoio da sociedade a essa questão, como a união estável ou o direto à adoção de crianças.
O levantamento também aponta que 63% dos homens são contra a decisão do STF, enquanto apenas 48% das mulheres são da mesma opinião. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 60% são favoráveis. Já os maiores de 50 anos são majoritariamente contrários (73%). Entre as pessoas com formação até a quarta série do ensino fundamental, 68% são contrários. Na parcela da população com nível superior, apenas 40% não são favoráveis à medida.Sobre a aprovação à adoção de crianças por casais do mesmo sexo, os resultados seguem a mesma tendência, segundo o instituto. A pesquisa aponta que 55% dos brasileiros se declaram contrários. Entre os homens, o indicador é mais alto, com 62% de opositores. O mesmo ocorre entre as pessoas com mais de 50 anos (70%). Entre os brasileiros com escolaridade até a quarta série do ensino fundamental, 67% são contra. Outros 60% se declaram contrários no Nordeste, 57% no Norte e no Centro-Oeste, 55% no Sul e 52% no Sudeste.Para 73% dos pesquisados, a revelação de que suas amizades são homossexuais não interferiria em nada no relacionamento. Outros 24% disseram que afastariam muito ou pouco e 2% não souberam responder. Embora com menor intensidade, o mesmo padrão de opinião nas respostas anteriores se repete no comparativo por faixa etária, nível de escolaridade, sexo e região do país.
Entre as mulheres, 80% não se afastariam dos amigos homossexuais. Entre jovens de 16 a 24 anos, 81% dos jovens não se afastariam e 85% das pessoas com nível superior de escolaridade também defendem que não haveria mudança na amizade. No Sudeste, 79% das pessoas disseram que não se afastariam. No Norte e Centro-Oeste, 72% têm a mesma opinião. No Sul, são 70% e, no Nordeste, 66%.
Médicos, policiais e professores
O instituto questionou a aceitação da população para homossexuais que trabalharem como médicos no serviço público, policiais ou professores de ensino fundamental. Apenas 14% se disseram total ou parcialmente contra trabalharem como médicos, 24% como policiais e 22% como professores. A parcela dos brasileiros que são parcial ou totalmente favoráveis é de 84% para o caso de médicos, 74% para policiais e 76% para professores.
RELIGIÃO CATÓLICA
O levantamento aponta ainda que há maior tolerância nas pessoas cuja religião foi classificada na categoria “outras religiões”, onde 60% são favoráveis à decisão do STF. Entre os católicos e ateus ouvidos há divisão de opiniões, com 50% e 51% de aprovação, respectivamente. Entre os protestantes e evangélicos, 23% se dizem favoráveis à iniciativa do STF.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Postura homofóbica e retrocesso na Globo-Trama de casal gay em 'Insensato Coração' sofre corte; autor se esquiva

O casal continuará na história, embora bem mais discreto. Foto: TV Globo/Divulgação
O casal continuará na história, embora bem mais discreto(?????!!!!!????)
Foto: TV Globo/Divulgação
PAULO RICARDO MOREIRA /TERRA

Novela com o maior número de personagens gays dos últimos anos, Insensato Coração fechou o armário. Nada de romance entre homens, nem de apologia homossexual. Por ordem da Rede Globo, os autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares vão esfriar a temática homossexual da trama, principalmente o namoro entre Eduardo (Rodrigo Andrade) e Hugo (Marcos Damigo), que vinha ganhando destaque. Cenas do casal já foram cortadas.
"Sou proibido por contrato de dar declarações sobre assuntos internos da empresa", limitou-se a dizer Gilberto Braga, que não adianta o destino dos personagens.
No entanto, O DIA apurou que o casal continuará na história, embora bem mais discreto. As cenas de violência contra os homossexuais, previstas para irem ao ar nas próximas semanas, também estão confirmadas. Xicão (Wendell Bendelack) levará uma surra de um grupo homofóbico liderado por Vinícius (Thiago Martins) e Gilvan (Miguel Roncato) será espancado até a morte por esses mesmos pitboys.
Nos bastidores, o romance entre Eduardo e Hugo começou a enfrentar problemas no fim do mês passado. A cena que insinuava a primeira transa dos dois aconteceria num motel, mas foi transferida para a casa do professor. O ator Rodrigo Andrade, que torcia para que o beijo gay acontecesse, evita polemizar sobre a decisão da emissora: "Recebo o texto e busco fazer o meu melhor como ator. Confio muito no Dennis (Carvalho, diretor), e principalmente na empresa em que trabalho. Fica a critério da direção da casa o que vai ou não ao ar e como serão conduzidos os conflitos da trama".

Sem exaltação
Júlio Moreira, presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, lamenta o veto ao romance homossexual. Ele avalia que as cenas de Eduardo e Hugo não tinham nada que pudesse agredir o público ou induzi-lo a uma tendência sexual: "não entendo o medo da Globo em relação a essa temática. Está na hora de a emissora assumir o seu papel de líder e buscar o debate para diminuir o preconceito. A Globo tem que repensar seus valores conservadores".
Em nota oficial, a Central Globo de Comunicação (CGCOM) afirma que não há censura e alega que suas histórias são levadas a todos os tipos de públicos. "Nossas tramas registram a afetividade e o preconceito, mas não cabe exaltação. Cabe, sim, combater a intolerância, o preconceito e a discriminação contra elas, o que temos estimulado cotidianamente inclusive por meio de campanhas", diz a nota.
Depois de exibir um beijo entre duas mulheres  Gisele Tigre e Luciana Vendramini, em Amor e Revolução , o SBT também decidiu frear a ousadia do autor Tiago Santiago, proibindo o primeiro beijo entre homens, Jeová (Lui Mendes) e Chico (Carlos Artur Thiré). Agora, foram cortadas as cenas que mostravam a homossexualidade do padre Bento (Diogo Picchi). "Não houve veto. Foi uma reflexão conjunta de que já tínhamos um padre pecador, o Inácio (Pedro Lemos), que vai engravidar uma mulher", explica o autor.
Acidente de carro
Em Vale Tudo, de Gilberto Braga, o casal Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) não teve final feliz. Elas eram donas de pousada em Búzios, tinham uma relação conhecida e aceita pela família e amigos. No entanto, Cecília morreu num acidente de carro. Na época, comentou-se que as personagens não foram bem recebidas pelo público e, por isso, o autor as separou.
Explosão
Outro casal homossexual que não agradou foi a estilista Rafaela (Christiane Torloni) e a ex-modelo Leila (Silvia Pfeifer), de Torre de Babel. As duas eram sócias de uma butique. O autor Silvio de Abreu aproveitou a explosão do shopping Tropical Towers, numa cena antológica da teledramaturgia brasileira, para eliminar os personagens que o público havia rejeitado. Assim, Leila e Rafaela viraram pó.
Morte Lamentada
O casal gay formado por Julinho (André Arteche) e Osmar (Gustavo Leão) roubou a cena nos primeiros capítulos do remake de Ti-ti-ti, escrito por Maria Adelaide Amaral. A relação dos dois foi mostrada com delicadeza. A morte de Osmar num acidente de carro foi lamentada pelo público e gerou revolta nas redes sociais.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Shopping e drag queen divulgam nota esclarecendo o caso de discriminação

Antes de divulgar as notas de esclarecimento tanto da drag Cindy Butterfly assim como do Shopping Frei Caneca sobre o caso de discriminação, gostaria que os leitores refletissem um pouco do porque se tem o hábito de transformar as vítimas em culpadas. É assim com a mulher estuprada - "aconteceu porque quis, permitiu". É assim com o gay que apanha na rua  - "com certeza flertou o machão". É assim com o negro preso sem provas - "a polícia o prendeu porque deu mole, se comportou de maneira estranha". É assim com quem ousa se vestir da maneira que bem entende - "essa roupa não era apropriada para o local e por isso recebeu assédio". É assim se você é minoria nesse país.Isso eu escrevo não para o shopping nem para a drag Cindy, mas para muitos dos comentários que fizeram nesse blog sobre o caso, caindo em uma estranha esfera moral cheia de amoralidades.
Abaixo, o Blogay publica as notas de esclarecimento:
Shopping Frei Caneca -
O Shopping Frei Caneca esclarece que a abordagem feita a Sra. Cindy Butterfly, no último dia 16 de julho, se refere exclusivamente à filmagem do empreendimento durante cobertura jornalística de um evento de moda. O Frei Caneca reforça ainda que, em respeito à imagem de seus frequentadores, é necessário um pedido prévio de autorização para filmagens nos corredores do mall.
A iniciativa se aplica a todos os públicos, inclusive aos órgãos de imprensa. É importante ressaltar que a Sra. Cindy Butterfly desenvolveu o seu trabalho normalmente no local do evento, ocorrido dentro do Centro de Convenções Frei Caneca. A filmagem foi autorizada pela organização do Fashion Week Plus Size. Desde o início de sua operação, o shopping posiciona-se como um empreendimento voltado à comunidade em geral, sem qualquer tipo de orientação sexual ou discriminação (social, racial, religiosa, política). O Frei Caneca trabalha continuamente para oferecer aos frequentadores um local de convivência agradável, seguro e respeitoso, sem foco em um público específico.
Cindy Butterfly -
“Mais importante do que aquilo que se pode mostrar,
é aquilo que o outro pode ver”

Caros amigos, e todos que acompanham meu trabalho...
Realmente eu fico espantado com o poder da internet (falo no masculino, pois estou, momentaneamente, deixando a personagem Cindy Butterfly de lado). Incrível como um vídeo que fiz, já cansado, depois de uma tarde e início de noite cobrindo um evento de moda - o qual fui convidado pelos seus organizadores - teve tanta repercussão.Tratava-se do “Fashion Weekend Plus Size”. Um evento, já na quarta edição, que coloca em destaque roupas, grifes, modelos e todo um universo de mulheres que vestem roupas GG. Mulheres que, no dia a dia, já sofrem o preconceito de estar fora de um padrão de estética corporal impostas por uma sociedade, por uma cultura. Desta forma, eu que já sofri algumas vezes com o preconceito, fiquei muito feliz em ser convidado para tal evento e de poder registrar as mesmas ansiedades e desejos de meninas e mulheres que querem mostrar seu valor, sua beleza, seu carisma.Confesso que desconhecia a extensão do evento e só pude ter uma real noção quando lá cheguei. Por esta razão, preferi me aprontar em casa mesmo e chegar pronto ao local para fazer o meu trabalho. Para tal, fui acompanhado de meu amigo que foi tudo pra mim naquele dia: câmera, carregador de mala, porta carteira e celular e, também, testemunha do caso que trato no vídeo em questão.Baseado na minha crença (por conta de ter inúmeras amigas gordinhas e saber o quanto sofrem no seu dia a dia) resolvi prestar uma homenagem a elas e dizer o quanto todas ali eram maravilhosas e, por esta razão, acabei escolhendo um figurino clássico: a Mulher Maravilha. Ao mesmo tempo que se tratava de uma homenagem, eram também uma crítica aos padrões estipulados por nossa sociedade. E com isto em mente, me dirigi ao Shopping Frei Caneca, onde fica o Centro de Convenções, que abrigaria o Fashion Weekend Plus Size.

Ao chegar, entrei pela porta principal do shopping. Subi um lance de escadas e assim que encontrei uma dupla de seguranças, para a qual questionei onde era o local do evento. Assim que recebi a informação de que era só subir mais dois lances de escada para chegar, foi o que prontamente fiz, parando na esquina da escada rolando da praça de alimentação, onde existe um lugar onde vende café, salgado, refrigerante e parei para comprar uma bebida para mim. Neste instante, um dos seguranças se aproximou de mim e disse que eu não poderia transitar pelo shopping “naqueles trajes”, o de Mulher Maravilha. Prontamente questionei o porquê e ele afirmou se tratar de regras do shopping. Justifiquei para ele que estava ali para gravar uma reportagem e que já estava me dirigindo para o quarto andar onde fica o espaço para a realização dos eventos. Ele se afastou, falou algo no rádio, eu paguei meu refrigerante e continuei subindo rumo ao desfile. Dois seguranças, nos acompanharam à certa distância, até que finalmente subimos a última escada e lá pude fazer o que tinha me proposto a fazer naquele dia.Não posso dizer que o segurança me abordou de uma forma grosseira, muito menos desrespeitosa. Estaria mentindo se assim o fizesse. E não posso, também, dizer que eles me pediram para me retirar do shopping. Isso não aconteceu e também nunca disse nenhuma dessas coisas. Mas, ele não me abordou por conta da minha câmera e sim, por conta da minha roupa. No entanto, achei profundamente estranha tal atitude (a de me abordarem e dizerem que não poderia estar ali no shopping daquela forma) e foi isto que desejei questionar quando produzi o vídeo, já em minha residência.O vídeo acabou parando no blog do jornalista Vitor Angelo, que escreve para o blogay, do jornal Folha de São Paulo e acabou repercutindo de forma que até eu me assustei. Por dois motivos: primeiro, pelo número de pessoas que viram e acabaram comentando e, segundo, pelo teor dos comentários em si de pessoas que utilizam-se das mais diversas formas (pejorativas, inclusive) para criticar negativamente minha postura.Como disse, cheguei ao shopping e subi diretamente ao local do evento. Não fiquei circulando pelo local como podem pensar alguns. Apenas passei pelos corredores necessários para a minha entrada e saída do estabelecimento. Parando unicamente para comprar um refrigerante na entrada e um café, na saída. Aliás, no café, acabei ficando mais tempo, onde fui abordado de maneira gentil e graciosa por algumas pessoas que estavam no local que até pediram para tirar fotos comigo e um grupo de senhoras que elogiaram minha roupa e minha atitude alegre com elas com elas, o mesmo ocorreu com os funcionários do café.Assim sendo, minha atitude jamais foi ofender alguém.Ainda assim achei muito estranho o fato de eu ter sido abordado por estar fantasiado de Mulher Maravilha e depois de ter dito que estava ali para fazer uma reportagem, a postura dos seguranças ter mudado um pouco. Me pergunto: se eu fosse um simples cidadão teria sido posto para fora?Antes de tudo, o trabalho de uma drag queen ou de um ator transformista é uma manifestação de arte e, no meu entendimento, é livre e merece ser respeitado. Adiante, além de estar ali para cobrir o evento, também estava como consumidor e como tal, também devo ser respeitado.Alguém alegou no blog do Vitor Angelo que o problema pode estar no fato de a roupa da mulher maravilha ser uma calcinha. Primeiro que a roupa da personagem é esta e não se tem muito o que fazer (apesar de eu estar com meia por baixo da fantasia e não ter nenhuma parte do meu corpo aparecendo além de colo e pernas), segundo porque uma calcinha pode estar estampada na vitrine e no interior de qualquer loja que venda roupas íntimas femininas (ou masculinhas, no caso das cuecas) e terceiro que, além de tudo, tinha minha capa que acobertava ainda mais a fantasia. Mas meu pergunto se, num país como o nosso, típico exportador da cultura da bunda, uma tanquinha nada sensual da mulher maravilha, é tão agressivo assim???
Enfim, o fato é que não posso afirmar qual o real motivo pelo qual fui abordado no shopping. Se por ser drag queen, se por ser homossexual, se por estar fantasiado... Não posso afirmar categoricamente que tenha se tratado de homofobia e não é o que eu afirmo no vídeo. No entanto, o shopping tem um histórico não muito recente de ações no mínimo controversas em relação aos homossexuais. Mas, mais uma vez, não posso garantir que tenha se tratado de um caso específico de homofobia. Desta forma, estou derrubando a tese de alguns que estou usando isso para poder me beneficiar de uma lei que, aliás, nem existe ainda...Afirmo, finalmente, que minha intenção com o vídeo era de chamar a atenção sim em relação à administração do shopping e, principalmente, por ser eu uma figura pública e que luta declaradamente contra qualquer tipo de preconceito, não poderia deixar isso passar em branco (seja preconceito por conta de sexualidade, vestimenta ou qualquer outro).
Só acho estranho que, num país onde os verdadeiros donos da terra vivam nus, num país onde a principal festa popular é uma verdadeira valorização do corpo, e da inversão de papéis... Uma Wonder Woman ainda seja tanto tabu.

Escrito por Vitor Angelo
As roupas dizem muito sobre quem as veste. Essa máxima todo fashionista ou quem entende os códigos de moda sabe muito bem.  O vestuário indica a classe social, a sua tribo urbana, falam sobre gênero e também sobre individualidades.
Dominar essas regras é a melhor maneira para poder questionar, quebrar ou enfatizar imagens. As drags queens fazem isso todo o momento, ao ressaltar o quanto é caricato pensar a roupa como identificação de gênero e, em sua radicalidade - como  uma espécie de clown/bobo da corte -, a fragilidade e o ridículo da crença desses códigos como imutáveis (os fashionistas e conhecedores de moda também sabem disso).
                                                                                 Divulgação/ A Capa

Talvez por medo dessas questões que um segurança de um shopping center em São Paulo, famoso pela forte presença de homossexuais em seus corredores, resolveu impedir que uma drag circulasse na praça de alimentação do edifício devido aos seus trajes - a abusada foi de Mulher Maravilha.
Só que ele não sabia que estava mexendo com Cindy Butterfly, militante e colunista do site gay A Capa que o questionou. Quando ela disse a palavra mágica: “eu sou da imprensa”, tudo mudou segundo seu relato. Isto é, se não fosse "da imprensa", ela não poderia andar montada pelo shopping?
Leia abaixo o que Cindy escreveu sobre o ocorrido. O Blogay entrou em contato com a administração e a assessoria do shopping para obter alguma declaração do estabelecimento e foi informado que só na segunda-feira, 18, em horário comercial, eles poderiam dar alguma posição sobre o ocorrido
Sábado, dia 16 de julho, fui cobrir um evento de moda no Salão de Convenções do Shopping Frei Caneca (inclusive, patrocinado pelo próprio shopping).
Numa grande homenagem às mulheres, me vesti de Mulher Maravilha e fui fazer o meu trabalho. Entrando no shopping, já no piso da praça de alimentação, um segurança me abordou e disse que eu não poderia ficar no shopping com aqueles trajes.Indignada, pois estava fazendo meu trabalho (e não tenho culpa que o Salão de Convenções é dentro do referido shopping, o mesmo que já criou polêmica por conta de beijo gay e segurança na porta dos banheiros masculinos), questionei o porquê. Ele simplesmente disse que eram normas do estabelecimento. O curioso  foi que bastou eu falar que era repórter e estava fazendo uma matéria que tudo mudou. Ainda assim, eles ficaram seguindo eu e meu câmera como se fossemos, sei lá, bandidos???
Resolvi gravar este vídeo, já em casa, pois achei a atitude um verdadeiro absurdo e me sinto na obrigação de falar o que aconteceu, afinal, aquele shopping sobrevive do aqué [ significa dinheiro , no pajubá] das gays que o frequentam.

Escrito por Vitor Angelo /UOL

segunda-feira, 4 de julho de 2011

MAURICIO STYCER-Espectador sobe no palco e agride o comediante Ben Ludmer em SP

  • O comediante Ben Ludmer O comediante Ben Ludmer
“Sou judeu, gordo, nordestino, mágico e estou em dúvida quanto à minha orientação sexual”, avisa Ben Ludmer logo no início de seu show de humor. “E aí resolvi parar de tomar sol para não virar banquete de skinhead”, prossegue, rindo de si mesmo.
Na madrugada deste sábado (2), Ludmer fazia seu show no Teatro Folha, em São Paulo, quando decidiu fazer piadas sobre as dificuldades que enfrentam os gordos, como ele. Dirigindo-se a um espectador obeso na primeira fila, perguntou: “Você já andou de avião?”. A resposta foi dura: “Já, com a sua mãe”.
Ludmer intuiu que o clima estava estranho, mas prosseguiu na sua linha de humor, rindo de si próprio e de sua mãe: “Imagina. Vaca não voa”. O espectador saiu da poltrona, montou no palco e deu um soco em Ludmer. O público imaginou que a cena fazia parte do show.O comediante caiu atrás da cortina e o agressor continuou golpeando-o. Um assistente do palco percebeu o que ocorria e acendeu a luz da coxia. O espectador foi contido. Seguranças foram chamados e o detiveram até a chegada da polícia.“Na delegacia, outra piada: o sistema estava fora do ar”, conta Ludmer. Segundo ele, o agressor alegou em sua defesa que Ludmer fez piadas contra nordestinos, judeus e negros, o que o teria ofendido.
“Mesmo se tivesse feito, o que não fiz, a agressão não se justifica”, diz o comediante. “Quem assiste show de humor na primeira fila sabe que vai participar de alguma maneira. Por isso, acho que o cara foi com a intenção de fazer algo”, diz.Abalado, Ludmer conta que o show que apresentou no dia seguinte, na madrugada de domingo, foi “estranho”, sem graça. Pretende não fazer o seu número no próximo fim-de-semana, mas não vai parar. “Não posso parar. A função do comediante, literalmente, é dar a cara a tapa”.
E já está fazendo piada sobre o ocorrido. “Não fiquei nem um pouco constrangido de ter apanhando em cena. Constrangedor foi no dia seguinte quando entalei no aparelho da tomografia”.

Maurício Stycer/UOL

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ser surdo e gay é ser alvo maior do preconceito revela estudo

Se para um adolescente, ser gay já é motivo para conflito na família e na escola, ser surdo e gay é ser alvo maior do preconceito. A conclusão está na tese do estudante André Gonçalves da Silva, aluno da Pós-Graduação em Educação Especial da FUNESO, em Olinda.
O estudo chamado de "Desejos e afetividades que não querem calar: o grupo LGBT Surdos de Pernambuco" identificou qual o grau de preconceito que sofrem os surdos gays e apontou soluções em políticas públicas, para que, a partir da escola, e da ação dos professores, essas pessoas sejam respeitadas.
"A partir dos dados analisados, observamos que os discursos homofóbicos dão sustentatibilidade para a existência dos discursos surdofóbicos no contexto familiar e escolar, provocando assim a exclusão do surdo" explica André. A pesquisa identificou também outro tipo de preconceito, aquele que parte de homossexuais contra os surdos gays. "Igualmente, foi observado que a surdez tem sido fator condicionante para existir homofobia por parte de LGBTs ouvintes contra os LGBTs surdos, o que implica numa guetização mais ampliada desses sujeitos" alerta o pesquisador.O resultado do trabalho será apresentado no dia 5 de julho, às 9 horas, na Funeso, em Olinda.

Toda Forma de Amor

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Casal portador de HIV diz que sofre preconceitos no mercado de trabalho

Mercado de trabalho é discutido em reuniões de grupos de apoio, em Curitiba.Presidente de ONG diz que em muitas vezes a demissão é 'forçada'.

Do G1 PR, com informações da RPC TV

Um casal, que é portador do vírus HIV há 20 anos e que não quis se identificar, afirma que já sofreu preconceito no trabalho por causa da doença, em Curitiba. O homem contou que perdeu o emprego depois de levar atestados ao chefe da empresa porque estava debilitado. Ao ser questionado pela demissão, o chefe "virou as costas e me ignorou", afirmou o soropositivo.
A mulher explicou que também já passou por uma situação parecida. "A pior decepção pra mim foi quando eu entrei em uma lanchonete e contei para a proprietária que eu era portadora de uma doença, mas não disse exatamente o que era. Ela [a proprietária] simplesmente deduziu que poderia ser o HIV e me despediu", contou.O mercado de trabalho é uma das questões mais discutidas em reuniões de grupos de apoio, segundo presidente da ONG Amigos Dino Lopes."Em muitas vezes a demissão é 'forçada' nas empresas. Eles [os donos de empresas] começam a induzir as pessoas a mudar e diminuir os padrões de trabalho, se sentir cada vez menos útil e com isso, eles [os funcionários] acabam ficando depressivos", explicou.
"Hoje em dia é perfeitamente normal ter um funcionário com HIV em uma empresa, ele pode trabalhar tão bem quanto uma pessoa que não é portadora da doença", finalizou Lopes.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Para aluno, professor vê homossexualismo como promiscuidade

Houve um tempo em que a escola explicava a reprodução humana somente quando questionada por alunos e ainda usava a "história da cegonha" para cessar a curiosidade estudantil. A crença era de que falar sobre orientação sexual era papel dos pais e não dos professores. De uns tempos pra cá, o cenário mudou. Iniciação sexual, preservação, gravidez na adolescência e até mesmo abuso sexual são discutidos em sala de aula. A situação aparentemente avançada deixa de lado um item: a diversidade sexual. As escolas preferem ignorar a homossexualidade e acabam abrindo espaço para a homofobia.É o que mostram estudos como a pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, que, no ano de 2009, ouviu 18,5 mil alunos, pais, diretores, professores e funcionários de colégios no país. Intitulado Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, o documento mostrou que 87,3% da comunidade educacional apresenta preconceito homossexual.
Estudante de 17 anos, Paulo Henrique Cânara confirma essa realidade. O aluno de uma escola pública de Campinas, em São Paulo, assumiu sua orientação sexual no ano passado. Segundo ele, foi muito bem aceito pela mãe, mas encontrou dificuldades na escola. "Alguns meninos já tentaram me agredir por eu ser gay, mas minhas amigas me defenderam", conta. Paulo Henrique ainda explica que a discriminação não ocorre somente por parte dos colegas. "Já sofri preconceito de professores também. Eles são muito mal informados e veem a homossexualidade e a bissexualidade como algo promíscuo".Outro estudo, Revelando Tramas, Descobrindo Segredos: Violência e Convivência nas Escolas, publicado pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, também confirma esta realidade. Fazendo uso de uma amostra de 10 mil estudantes e 1.500 professores do Distrito Federal, o documento mostrou que 63,1% dos entrevistados alegaram já ter visto homossexuais sofrerem preconceito e mais da metade dos professores afirmam já ter presenciado cenas discriminatórias. Além disso, 44,4% dos meninos e 15% das meninas afirmaram que não gostariam de ter um colega homossexual na sala de aula.A hostilidade em algumas escolas é tão grande que obriga estudantes gays a deixarem a instituição. Rafael*, 15 anos, teve que trocar de colégio no início deste ano. O estudante do 1º ano do Ensino Médio de uma escola particular de São Paulo conta que se sentia diferente em relação aos amigos desde criança, mas até então, não tinha se assumido para os amigos, somente para seus pais, havia pouco tempo. Porém, um vídeo seu beijando outro menino foi parar no YouTube durante as férias escolares. "No primeiro dia de aula deste ano, entraram na minha sala e me jogaram purpurina. Fui vítima de bullying diário. Inclusive me proibiram de entrar no banheiro masculino. Preferi trocar de escola", conta.
Foi com o objetivo de mudar essa realidade e diminuir a homofobia nas escolas que o Ministério da Educação (MEC) propôs o "Kit Gay", como ficou conhecido o projeto contra o preconceito sexual voltada para escolas públicas do país. Contudo, a presidente Dilma Rousseff suspendeu-o por considerar os filmes da campanha inadequados. Para Lula Ramires, mestre em Educação pela USP que colaborou com a elaboração do projeto Escola Sem Homofobia do MEC, a decisão foi um retrocesso. "O grande temor da parcela tradicionalmente conservadora e moralista da sociedade é que, ao tratar da diversidade sexual na escola, estaremos incitando ou ¿fazendo a cabeça' de nossas alunas e alunos", afirma.Para Ramires, a campanha proposta pelo MEC visa somente a informar para que o preconceito seja diminuído e para que estudantes homossexuais não frequentem um ambiente hostil de aprendizado. Em sua tese de mestrado pela USP, o educador entrevistou oito jovens homossexuais que narraram sua trajetória acadêmica. Todos definiram a escola como um verdadeiro "inferno". "Eles sofreram muita violência verbal e física. Um deles, inclusive, teve o braço quebrado pelos colegas", conta.O também coordenador da associação Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor (CORSA) afirma que o material do ministério tinha outro papel fundamental: universalizar a abordagem do tema nas escolas. "Muitos educadores gostariam de tratar essa temática em sala de aula e não sabem como", diz. Desde 2001, o CORSA realiza projetos de educação continuada para docentes da rede pública, voltados à temática da diversidade sexual na escola.
"Sempre optamos por fazer o trabalho diretamente com educadores, que são multiplicadores naturais: lidam a cada ano com centenas de alunos diferentes", explica. Ramires conta que a reação geral sempre foi muito receptiva. "Na maioria das vezes, os profissionais diziam se ressentir de não ter maior informação sobre o tema, seja na licenciatura que cursaram na faculdade, seja nas formações oferecidas pelas redes de ensino".
Ainda segundo Ramires, a maioria das instituições de ensino opta por não falar sobre homofobia, e o que se vê hoje em dia são ações isoladas de alguns educadores. O professor de história José Carlos Rocha Vieira Júnior, de uma escola pública de Campinas (SP), é um exemplo de quem luta pelo fim da homofobia nas escolas sozinho. Todos os anos, Vieira Júnior distribui para seus alunos uma apostila intitulada Homofobia? Tô fora!, na qual aborda aspectos de diversidade sexual e explica a legislação da Constituição Federal que defende a diversidade acima de tudo. Além disso, o professor também promove, anualmente, uma palestra na escola, na qual profissionais convidados falam com os alunos sobre homossexualidade. Apesar de ter recebido aval da direção do colégio para realizar os dois projetos, Vieira Júnior conta que nunca recebeu apoio dos outros professores."Desenvolvo isso em minha escola desde 2004 e nenhum professor de outro período quis abraçar esse projeto que é extremamente simples, direto e que funciona. Professor que não combate qualquer tipo de preconceito não é professor", fala.
Campanhas isoladas também partem dos próprios alunos. O estudante Paulo Henrique conta que passou a sofrer menos com o preconceito quando entendeu a legislação do Brasil sobre diversidade sexual. Para ele, se todos os estudantes fossem bem informados sobre a homossexualidade e a bissexualidade, além da homofobia diminuir, os alunos gays passariam a sofrer menos com "brincadeiras de mau gosto". Por isso, o aluno já propôs uma série de palestras sobre a temática na sua escola e a criação de um grupo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT). "A direção do meu colégio já aprovou, e eu devo começar o projeto no próximo semestre", conta.


Preconceito varia conforme nível de escolaridade, aponta estudo
Lançado em junho deste ano, um estudo realizado pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Stiftung (RLS), em 150 municípios brasileiros em todas as regiões do País, mostra que a escolaridade é um fator determinante contra o preconceito homossexual. O estudo tinha como objetivo analisar o comportamento de pessoas com tendências homofóbicas. Realizado entre 2008 e 2009, com 2.014 pessoas, a pesquisa avaliou as diferenças de preconceito entre as regiões, idade da população, renda, religião, entre outras. Nenhuma das variáveis apresentou diferença tão drástica quanto a escolaridade.
De acordo com os dados, enquanto metade dos brasileiros que nunca frequentaram a escola assumem comportamentos homofóbicos, apenas um em cada dez brasileiros que cursaram o ensino superior sentem preconceito por homossexuais. Para o sociólogo e coordenador da pesquisa, Gustavo Venturi, os resultados mostram que o principal ambiente para combater a homofobia são as instituições de ensino. "O primeiro meio de socialização de uma pessoa é na família, mas ali o Estado não pode intervir. Então, se um pai criar seu filho com tendências homofóbicas vai ser somente na escola - segundo meio de socialização de uma criança - que ele poderá mudar de comportamento. É nos colégios que o Estado deve criar políticas públicas para combater comportamentos preconceituosos", afirma.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Estudante foi infectada por ex que sabia que tinha HIV

Os homens podem fazer o teste e não contar", diz Tatu Yusuph Msangi, 39, estudante de enfermagem e portadora do vírus HIV. Foi o caso dela. "Ele não reagiu quando eu contei a ele que era positiva. Ele sabia", diz Tatu sobre o ex-companheiro, com quem teve uma filha.Hoje com seis anos, a menina Faith ("esperança", em inglês) nasceu livre do vírus, mas não pôde ser amamentada, dado o risco de contrair o HIV. Foi só então que Tatu contou que tinha o vírus para o resto da sua família.
Ela hoje participa, no Centro Médico Cristão Kilimanjaro, de um grupo de aconselhamento de mulheres e procura "ter uma vida positiva". O estigma ainda existe, ela lembra, "mas é menor do que antes".
Editoria de Arte/Folhapress

Preconceito ainda barra combate à Aids

RICARDO BONALUME NETO/FOLHA
ENVIADO ESPECIAL À TANZÂNIA

O estigma associado à Aids ainda prejudica o controle da epidemia no mundo, mesmo 30 anos depois de identificada como doença.
Hoje, 33,3 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV. A África responde por 88% das pessoas infectadas.

The Global Fund/Jonx Pillemer
Dançarinos fazem apresentação para estimular o uso de camisinha, na periferia de Dar es Salaam, na Tanzânia
Dançarinos fazem apresentação para estimular o uso de camisinha, na periferia de Dar es Salaam, na Tanzânia
"A discriminação impede a utilização dos serviços disponíveis", afirma o médico Daniel Ndaki Nkonya, do programa de combate à Aids do Ministério da Saúde e Bem-Estar Social da Tanzânia.
"Há mulheres mais interessadas em proteger sua imagem social do que a criança em sua barriga, ou não querem correr o risco de perder o parceiro com HIV que paga suas contas", diz Jovin Tesha, diretor da Pasada, sigla para Atividades e Serviços Pastorais para Pessoas com Aids da Arquidiocese de Dar es Salaam, maior cidade do país.
MAIS TRATAMENTO
A Tanzânia é um bom exemplo do que pode ser feito para controlar a epidemia.
O país é um dos cinco maiores destinatários de verbas, entre outros 146, do Global Fund to Fight Aids, Tuberculosis and Malaria (Fundo Global para o Combate à Aids, Tuberculose e Malária).
O fundo é uma instituição de financiamento internacional com sede em Genebra, Suíça, criado em 2002.Desde então, já apoiou mais de 600 programas de combate a essas três doenças infecciosas, com US$ 21,7 bilhões em recursos. A Tanzânia recebeu US$ 992 milhões.O dinheiro vem de governos que doam ao fundo e de instituições privadas.Segundo relatório divulgado ontem pela instituição, os financiamentos bateram o recorde no ano passado, com US$ 3 bilhões, que permitiram, por exemplo, pagar o tratamento de 3 milhões de pessoas com os antirretrovirais que combatem o HIV.Há 10 milhões de pessoas na fila para receber os remédios, em países pobres.Hoje, 52% dos pacientes na Tanzânia recebem tratamento. Outros desafios para o controle da epidemia no país são a carência de profissionais de saúde e a infraestrutura inadequada.Em média, 5,7% dos adultos entre 15 e 49 anos estão infectados com o HIV no país, em uma população total de cerca de 45 milhões. Um dos sucessos da Tanzânia é a diminuição da transmissão de mãe para filho.O Hospital Temeke, em Dar es Salaam, é um exemplo dos desafios enfrentados no combate à Aids. "O espaço é pequeno, falta o básico e só temos uma ambulância velha", diz o médico Amaani Malima.O hospital tem um moderno laboratório de diagnósticos. Mas uma vala com água suja atravessa o terreno, parte dele repleta de lama e de poças d'água quando chove. E chove muito na Tanzânia.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Professora transexual: educador não quer discutir homofobia

A transexual e professora Marina Reidel discute a homofobia com os alunos da Escola Estadual Rio de Janeiro, em Porto Alegre. Foto: Nabor Goulart/Agência FreeLancer/Especial para Terra
A transexual e professora Marina Reidel discute a homofobia com os alunos da Escola Estadual Rio de Janeiro, em Porto Alegre
Foto: Nabor Goulart/Agência FreeLancer/Especial para Terra

Angela Chagas /TERRA/Direto de Porto Alegre

 
Nesta terça-feira, dia que marca a luta mundial de combate à homofobia, especialistas em educação apontam que os professores têm o desafio de discutir o combate ao preconceito no ambiente escolar. Para a transexual Marina Reidel, professora de artes e ética de um colégio público de Porto Alegre (RS) e mestranda em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o maior problema está relacionado à falta de interesse dos profissionais em discutir o tema. "Eu acho que há uma acomodação, os professores não querem se envolver com esses temas, eles dizem que isso não tem relação com a disciplina deles. Mas precisam entender que isso faz parte das nossas vidas, está nos meios de comunicação, na internet, basta procurar um especialista, uma ONG para levar essa discussão para a escola".A pós-doutora em Cultura Visual e professora do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jane Felipe, concorda que a escola deve dicutir o tema. "Os professores devem tratar da homofobia desde o começo, nas séries iniciais, para evitar que as crianças cresçam com o preconceito", diz a especialista.Professora há 20 anos, Marina entende bem do assunto. Quando criança passou pelo mesmo preconceito que ainda está presente em muitas escolas brasileiras. "Desde pequena eu era agredida. Nas escolas que estudei, as equipes de direção não faziam nada para evitar que isso acontecesse, eram negligentes. Uma vez a direção disse que eu era diferente e que, por causa do meu jeitinho, os colegas me agrediam".Apesar das humilhações que sofreu na escola, Marina decidiu que queria ser professora. Nessa época era conhecida como Mario, nome que ainda leva na carteira de identidade. Em 2006, quando já trabalhava como professora da Escola Estadual Rio de Janeiro há 3 anos, decidiu se afastar um tempo das aulas para assumir a nova identidade. Trocou as calças e camisas pelo salto alto e vestido, fez plástica e retornou para a escola como mulher.
"Os professores prepararam os alunos para a minha transformação, explicaram sobre a transexualidade. Eles estavam com uma expectativa muito grande, mas foi super tranquilo. Fui muito bem recebida de volta, não tive nenhum problema com os pais e os estudantes", afirma. Após a mudança, a professora percebeu que tinha o apoio da comunidade escolar para desenvolver ações voltadas à inclusão das diferenças. "Hoje todos os alunos sabem que eu sou transexual e respeitam muito o meu trabalho na escola".A partir da iniciativa da ONG Somos, que orienta os estudantes sobre sexualidade e diversidade, Marina começou a dar aulas de ética nas turmas de sétima e oitavas séries para tratar de direitos humanos e respeito às diversidades. "Substituímos a disciplina de ensino religioso pela de ética e cidadania e passamos a tratar da homofobia, do preconceito contra negros, das questões de gênero", explica. Segundo ela, os alunos das outras turmas também participam das discussões por meio de oficinas com especialistas da ONG, que vão até a escola realizar atividades. "Eles adoram as oficinas, porque nós discutimos aquilo que muitas vezes não é falado em casa e que estão presentes no dia a dia deles".
Kits contra homofobia
O Ministério da Educação (MEC) vai oferecer às escolas brasileiras no segundo semestre de 2011 um kit contra a homofobia. Marina participou de um treinamento realizado em São Paulo para representantes de todos os Estados sobre o material, que segundo ela, "é um grande avanço".
De acordo com informações do MEC, um dos vídeos mostra a relação de duas lésbicas na escola. "Acho a iniciativa dos kits importante, mas cabe às secretarias estaduais e ao próprio ministério promover a equidade de gênero nas escolas. As pessoas em geral ignoram como se constitui a identidade de gênero, não sabem que é uma questão histórica. Por isso, é importante que o professor tenha um conhecimento teórico as temáticas", afirma Jane Felipe."Essa discussão não pode ser feita na base do improviso. O professor tem que estudar muito porque a principal função dele é ampliar o conhecimento dos alunos. Os governos precisam investir nessa formação continuada para que ele esteja capacitado para lidar com essas temáticas da diversidade", diz a professora da UFRGS.Para que os educadores se sintam preparados para abordar a homofobia, a Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul começou, em abril deste ano, o trabalho de capacitação de gestores regionais, que irão "multiplicar o conhecimento" nos municípios. Iris de Carvalho, assessora da equipe da Diversidade do Departamento Pedagógico da secretaria, afirma que os professores estão sendo estimulados "a trabalhar a questão de como o ambiente escolar enfrenta a homofobia e como recebe a diversidade". Iris afirma que no Estado as coordenadorias de educação estão sendo estimuladas a fazer parcerias com as prefeituras, as universidades e as ONGs para a formação dos professores sobre a sexualidade. "Queremos acabar com a lógica de que é só responsabilidade do professor de biologia discutir isso, mas que é uma ação pedagógica planejada por todas as áreas da educação. E que também não é envolve só as temáticas da gravidez e da aids, mas principalmente as questões de gênero".
Na Bahia, onde a Secretaria Estadual de Educação exonerou do cargo na sexta-feira a vice-diretora de uma escola de Salvador que suspendeu um aluno de 11 anos por "indecência" ao fazer carinho na cabeça de um colega, não há uma política específica de combate à homofobia nas escolas. "Não temos uma ação específica, mas geral de que não pode haver discriminação", diz o chefe de gabinete da secretaria, Paulo Pontes. De acordo com ele, após o a atitude "equivocada" da vice-diretora, representantes da secretaria estão realizando reuniões com os educadores para discutir o tema e evitar que ocorram novos casos.
Família
O MEC pretende disponibilizar o conteúdo dos kits para alunos do ensino médio, mas a professora do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da UFRGS afirma que não só a escola, mas também a família devem promover o respeito às diferenças desde cedo. "Tantos os pais quanto os educadores não devem dizer aos meninos, por exemplo, que se eles tiverem um comportamento diferente do convencionado é porque são 'bichinhas'", diz. Jane Felipe afirma que desde quando são bebês, as crianças precisam aprender o respeito. "Muitas vezes as famílias ensinam a discriminar, a ter olhar de desprezo aos pobres, negros e homossexuais. A escola sozinha não faz milagre, precisa da parceria e do apoio dos pais", diz a especialista.A transexual Marina Reidel concorda com a especialista. "As famílias, os professores e a equipe da direção sempre apoiaram o meu trabalho. Tenho orgulho do que conquistei e do que fazemos para promover a inclusão", diz a transexual. "Eu não quero que as pessoas pensem igual a mim, nunca cobrei isso dos meus alunos, eu só quero que eles respeitem as diferenças", conclui.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ativista homossexual critica o Ministério da Saúde

Elaine Granconato
Do Diário do Grande ABC
O fundador da ONG Grupo Liberdade LGBT (Lésbica, Gay, Bissexual, Travesti, Transexual e Transgênero) de São Bernardo, Leandro Recife, avaliou como "retrato nu e fiel da sociedade" o fato de os centros de captação de sangue do Grande ABC rejeitarem todo doador que diga ser homossexual, mesmo que o indivíduo tenha parceiro único e use preservativo. O Diário publicou reportagem ma sexta-feira sobre a rejeição de sangue de homossexuais. Médicos e enfermeiros justificaram a atitude dizendo que estão amparados por resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão ligado ao Ministério da Saúde. Para Recife, que é professor de Filosofia, as ações homofóbicas estão em vários setores da sociedade. "A área da Saúde não está imune", afirmou o ex-presidente. O professor da rede estadual de ensino Vanderlei Palácio Teixeira, atual presidente da ONG que completará seis anos em junho, mostrou-se indignado com a situação. "Li e não gostei. Infelizmente, é uma realidade que os homossexuais sofrem. Vamos discutir a reportagem com nossa diretoria para providências", afirmou.
Hoje, o assunto também será tema da pauta de reunião da diretoria do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

sábado, 14 de maio de 2011

LUIS CAVERSAN-Bichas, pobres, judeus...

Intolerância, ignorância, exageros, ofensas, baixarias e falta de discernimento campearam esta semana no país da cordialidade. Do jeito que o diabo gosta...
Nada como alguma boa polêmica para esta gente bronzeada mostrar seu valor, não é mesmo?
E os valores são: intransigência, fanatismo, ódio e incapacidade de aceitar o outro.
Sobretudo quando o outro é diferente...

Ainda mais quando a orientação sexual do outro é diferente. A aprovação da união estável para homossexuais demonstrou por A + B o que todo mundo já sabe, que o Brasil é macho pra caramba da boca pra fora e que quer mais é dar porrada em boiola e em quem é a favor de frescura.

Sim, neste nível... Senti na pele na coluna da semana passada, ao transcrever um diálogo com um taxista, em que deixava transparecer minha óbvia e determinada simpatia à causa gay. Ah, pra quê... Basta o dileto leitor dar uma olhada nos comentários sob a coluna em questão, clicando aqui em baixo. As dezenas de vezes que você encontrar a informação "O seu texto infringe os termos de uso do serviço e por isso foi removido" significa que o serviço de mediação da Folha.com teve de entrar em ação para extirpar ofensa e baixaria contra mim e/ou contra outros democratas que ali haviam se manifestado. Eu cheguei a ver vários comentários, uma lindeza de mentes esclarecidas, daquelas que enchem a boca para chamar alguém de bicha, sabe?
Bem, mas a semana foi em frente e o que se viu foi mais intolerância, desta vez no episódio da estação do metrô em Higienópolis.
Reportagem da Folha dava conta da insatisfação de moradores do bairro com o futura e eventual aumento da presença por ali de uma certa (olha a intolerância aí..) "gente diferenciada", expressão utilizada para designar pobre que utiliza metrô. Veja bem, a expressão foi atribuída a uma única mulher, aliás não identificada pela reportagem, que informava ainda ter a Companhia do Metrô ter desistido da tal estação.
Foi o que bastou para o circo pegar fogo e a internet e as rede sociais cumprirem seu papel de gasolina na fogueira.
"Contra" os que não gostam de pobres, começaram a gritar os que não gostam de ricos. E logo logo, aproveitando que o bicho estava pegando na internet com todo mundo dando porrada nos 3.500 moradores do bairro que se mobilizaram contra o metrô, surgiram os que não gostam de judeus.
E lá veio a baixaria novamente.

O que começou como uma brincadeira contra o elitismo acabou degringolando para o racismo deslavado, intimidações e ofensas aos moradores do bairro, tradicional reduto da comunidade judaica na cidade.
Como se todos os moradores de Higienópolis fossem judeus, como se todos fossem contra o metrô, portanto como se todos fossem judeus, ricos, não gostassem de pobres e nem quisessem o metrô...
Opa, devagar com o andor...
Bom descendente católico de italianos, eu moro em Higienópolis. Eu e mais 40/50 mil pessoas, ou seja, o equivalente a um estádio do Pacaembu lotado de raças, cores e credos.
Eu, e quero acreditar que a maioria dessas pessoas, sou a favor não apenas de uma, mas de várias estações do metrô. E se essas pessoas não forem, eu faço questão de ser também a favor dos judeus ofendidos esta semana, assim como sou totalmente a favor daqueles que são contra o metrô; ou seja, a favor do direito deles serem contra.
É assim que se constrói uma democracia, não? Respeitando-se opiniões contrárias e diferenças, debatendo-se?
Não foi em nome dessa liberdade que a gente brigou duas décadas contra uma ditadura militar que não permitia dissidências?
Em princípio eu até gostei da brincadeira do tal "Churrascão de Gente Diferenciada", que tirava uma com os elitistas (sim, eles existem e devem ser combatidos no campos das ideias). Brincadeira em nome daquela população do bairro que ninguém vê ou ninguém quer ver: empregada, faxineira, lavadeira, porteiro, encanador, eletricista, manicure, pintor, balconista e todos os demais "diferenciados" que preferencialmente usariam o metrô, ajudando o bairro a funcionar.
Mas misturar isso com a origem de boa parte das pessoas que vivem por aqui para generalizar e ofender, não vem não!
Sou contra.
*
Só para não deixar passar em branco, muito interessante a pesquisa da prestigiosa revista "Lancet" dando conta de que entre 18% e 30% dos brasileiros já tiveram depressão.
O dado demonstra o que quem acompanha o assunto já sabia. Mas serve também de alerta para aqueles que ainda acham que quem toma remédio de "tarja preta" não é normal, ou é "gente diferenciada". Numa turminha de quatro pessoas, pelo menos uma está nessa, viu?
Luiz Caversan Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha.com.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Comentário de policial em palestra gera protesto global da 'marcha das vagabundas'

Policial sugeriu a estudantes que evitassem se vestir como 'vagabundas' para não sofrer assédio sexual.

Da BBC Brasil

Mulheres participam do movimento ‘SlutWalks’  (Foto: AP)Mulheres participam do movimento ‘SlutWalks’ (Foto: AP)
Um novo movimento de protesto vem ganhando as ruas de vários países após um policial de Toronto, no Canadá, ter sugerido em uma universidade local que as estudantes do sexo feminino deveriam evitar se vestir como 'vagabundas' para não serem vítimas de assédio sexual.O movimento 'SlutWalks' (marcha das vagabundas, em tradução livre) foi criado por estudantes da universidade para protestar contra o policial.O objetivo, dizem as organizadoras do movimento, é chamar a atenção para a cultura de responsabilizar a vítima por casos de abuso ou estupro.As passeatas do grupo, convocadas por meio de grupos no Facebook e pelo Twitter, vêm reunindo milhares de pessoas, muitas vestidas de maneira comportada, outras de forma provocativa.
Cerca de 3 mil pessoas participaram da primeira SlutWalk, em Toronto, no mês passado. O site do movimento diz que pretende 'se reapropriar' da palavra slut (vagabunda), usada pelo policial em seus comentários.'Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, independentemente se fazemos sexo por prazer ou trabalho', diz o site.
Repercussão
Com a repercussão dos primeiros protestos, o movimento já se espalhou para outras cidades do Canadá e para cidades de Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Holanda, Suécia e até mesmo da Argentina.
No último sábado, cerca de 2 mil pessoas participaram de uma SlutWalk em Boston, nos Estados Unidos, sob gritos de guerra como 'Nós amamos as vagabundas' e 'Jesus ama as vagabundas'.
Uma marcha semelhante já foi convocada para o dia 4 de junho no centro de Londres. O site do evento já conta com 4 mil confirmações de presença na passeata.Outros eventos semelhantes estão sendo programados para o mesmo dia em outras cidades da Inglaterra, da Escócia e do País de Gales.
Desculpas
O policial Michael Sanguinetti fez seus comentários durante uma palestra sobre segurança na Escola de Direito Osgode Hall, em Toronto.
'Vocês sabem, eu acho que nós estamos fazendo rodeios aqui', ele teria dito aos estudantes. 'Disseram-me que eu não deveria dizer isso, mas as mulheres devem evitar se vestir como vagabundas, para não ser tornarem vítimas (de ataques)', afirmou na ocasião.Após seus comentários serem postados na internet e ganharem repercussão, Sanguinetti se desculpou e foi advertido pela polícia de Toronto.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Homofobia-A percepção do preconceito

O preconceito contra os homossexuais é outro traço que a pesquisa sobre o perfil do morador de Fortaleza desenha. Os números mostram um paradoxo: ao mesmo tempo em que a maioria dos entrevistados (87,5%) declara que não tem preconceito, percentual semelhante (82,8%) acredita que o fortalezense é, sim, preconceituoso.
A contradição expõe, nessa como em outras questões, que há uma tendência maior a se mentir na resposta à pesquisa quando se fala de questões da intimidade. Mas o preconceito é real.E é visível, demonstrou a professora Glaudiane Holanda, 34 anos, durante a graduação em Ciências Sociais (Universidade Estadual do Ceará). Glaudiane concluiu o curso com a monografia “Entre o proibido e o permitido – sociabilidade homoerótica na Praça da Gentilândia”.A praça, no efervescente bairro Benfica, caminho de passagem de roqueiros, punks, hippies, boêmios e (contra)culturas, tornou-se ponto de encontro, paqueras e namoros de homossexuais. A maioria, retrata Glaudiane, eram adolescentes e jovens na faixa etária de 13 a 24 anos. Eles se encontravam às sextas-feiras, das 18 às 23 horas, reconstitui a pesquisadora. “E havia dias que chegavam a 300 pessoas”.A Gentilândia passou, de boca em boca, a ser o local do permitido. Os jovens, antes, engaiolados nos shoppings, foram para a praça. “Estamos ficando lá na Gentilândia”, divulgam os adolescentes, barrados nas boates gays da cidade.Mas, ao ganhar a rua e a visibilidade, os homossexuais também se tornaram alvo de conflitos, restaura Glaudiane Holanda. “O moradores começaram a acionar a polícia”, conta. A pesquisa de porta em porta demonstrou: “Eles se sentiam muito ofendidos com ‘aquele tipo de pessoa’ na praça. Não achavam normal e se sentiam incomodados com as imagens. Ver dois meninos ou duas meninas se beijando, eles não consentiam... Alguns diziam que não colocavam mais as cadeiras lá fora porque não queriam que seus netos e filhos vissem”.
Começaram a acontecer arrastões no local, destaca Glaudiane. “Os moradores deram o pontapé inicial porque queriam terminar aquele movimento. Foram atrás da polícia, que não deu conta e acabou espancando muitas pessoas lá. Depois disso, alguns moradores entraram em contato com gangues próximas”, ratifica.E a chamada “pracinha da Gentilândia”, povoada entre 2004 e 2006 por aqueles grupos, foi sendo esvaziada. A intolerância ressoava em um discurso preconceituoso: “O discurso era ‘vamos tirar os ‘veados’ e as ‘sapatões’ desse espaço”. E assim foi. “Começou a surgir a Praça Portugal e abriu um bar, próximo ao 23 BC (23º Batalhão de Caçadores) que deixava os adolescentes entrar. O pessoal fugiu da praça e foi se esconder nesse lugar, que era particular, fechado”, relaciona a pesquisadora.
O esconde-esconde ainda é um meio de os homossexuais vivenciarem suas relações na quinta metrópole do País. Glaudiane reforça: “Pela própria formação do cearense, do macho ser valorizado. O ‘cabra macho’ ainda está muito arraigado na nossa cultura. Quando acontece algo que rompe com esse cotidiano, as pessoas acabam reagindo”.Daí, a mestranda em Antropologia (Universidade Federal de Pernambuco) conclui, endossando as estatísticas sobre o preconceito contra os homossexuais: a maior parte dos fortalezenses é preconceituosa e intolerante em relação ao que ainda não está legitimado. “Já presenciei, várias vezes. Em bares, quando tem um ato de carinho entre pessoas do mesmo sexo, o dono do bar pede que se retire. Enquanto do lado tem um casal heterossexual se beijando. Ainda causa estranhamento”, atesta.

Ana Mary C. Cavalcante/O POVO

terça-feira, 22 de março de 2011

Justiça britânica dá R$ 231 mil a brasileira chamada por colegas de Bob Esponja por sotaque

Lícia Faithful, de 31 anos, diz ter sofrido com estresse pós-traumático e depressão após 18 meses de discriminação racial em empresa.

Da BBC Brasil

Uma brasileira ridicularizada no trabalho e apelidada pelos colegas de Bob Esponja por causa de seu sotaque ganhou na Justiça britânica uma indenização de quase 142 mil libras (cerca de R$ 231 mil).
Lícia Faithful, de 31 anos, disse ter sofrido com depressão e estresse pós-traumático após 18 meses sofrendo discriminação racial na empresa de seguros médicos onde trabalhava, na cidade de Royal Tunbridge Wells, no sul da Grã-Bretanha.Segundo seu relato à Justiça trabalhista, colegas gravavam sua voz e tocavam as gravações para ela, debochando de seu sotaque.mEles se referiam a ela como Bob Esponja, personagem de desenho animado conhecido pela voz aguda e anasalada.
Segundo Faithful, um colega chegou a perguntar a ela se ela cheirava cocaína, por causa de sua origem sul-americana.Em uma viagem de ônibus da empresa, na qual ela era a única não-britânica, um colega teria feito uma referência aos 'malditos estrangeiros'.
A brasileira reclamou ainda que os colegas tiravam e escondiam as bandeiras brasileiras que mantinha em sua mesa e pediram a ela que não usasse uma blusa com a bandeira brasileira.
Bônus
Faithful, que ganhava um salário anual de 17.765 libras (R$ 28.870), também disse ter sido discriminada pelos chefes na distribuição de bônus na empresa.
Ela acabou deixando a empresa em 2008, sofrendo com depressão, estresse pós-traumático e agorafobia (medo de espaços abertos ou situações sociais fora de controle).Segundo a juíza Gill Sage, do Tribunal do Trabalho de Ashford, no condado de Kent, a brasileira sofreu 'o mais sério caso de discriminação' e foi tratada 'menos favoravelmente por uma questão racial'.Para a juíza, Faithful enfrentou um ambiente de trabalho 'hostil e degradante' numa empresa que não a apoiava. Segundo Sage, havia 'evidências substanciais' de que colegas a ridicularizavam.Um comunicado da empresa Axa PPP Healthcare, divulgado após a decisão da Justiça, afirma que a companhia lamentava o desfecho do caso e estava estudando maneiras de melhorar o tratamento de seus empregados.'O tratamento de nossos empregados com justiça é muito importante para nós e estamos trabalhando duro para criar uma cultura de trabalho positiva e apoiadora, na qual os empregados desfrutem de seu ambiente de trabalho e sintam que podem dar o seu melhor em servir nossos clientes', afirma o comunicado da empresa.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Jovem é espancado em boate por dançar com outro homem

Um rapaz de 19 anos precisou ser hospitalizado depois de ser agredido em frente a um bailão na zona Sul de Joinville. Homossexual assumido, Diego Almeida Nascimento foi atacado por três homens na Sociedade Ponte Preta, no Paranaguamirim, quando dançava com outro rapaz. O caso deve ser investigado pela delegacia do Fátima. “O segurança chegou para nós e disse: ‘veadinho você não pode dançar assim. Aqui não é um local gay’. Então eu pedi para falar com o gerente. Questionei o preconceito e disse que tinha muitos homossexuais ali. Ele mandou os seguranças me colocarem para fora e os três me espancarem”, contou. O rapaz que pretende registrar boletim de ocorrência ainda nesta segunda-feira.
Há divergências entre a versão do garoto e dos donos da Sociedade. A proprietária Terezinha Elizete Bcher diz que a agressão foi fora do bailão. A confusão teria começado porque o rapaz estaria dançando com outro rapaz. “Recebemos todos os tipos de gente aqui, até travesti. Elas dançam com todo mundo e se divertem. Agora este menino veio querendo dançar com outro amigo. Ai não dá para aceitar né. Se ele tivesse vestido de mulher tudo bem”, explicou Terezinha. O marido de Terezinha, Valdecir Becher, acrescenta: “O marido dela completa. “Nosso salão é familiar, não pode ter dois homens dançando junto. Se ele quer dançar com outro rapaz, eles que vão para um casa gay. Na sociedade não pode”, enfatiza. Segundo a empresária, que junto do marido administram o clube há 12 anos, os seguranças falaram para o Diego não dançar com outros rapazes, mas o menino não gostou. “O segurança e meu marido disse que eles não podiam ficar se agarrando, dançando junto, formos dar um conselho e o menino veio com 30 pedras na mão. Não quis conversar e foi para cima de todo mundo”, alega. “A gente tem um policial militar que trabalha como segurança para nós. Ele viu tudo o que aconteceu. Os seguranças só tiraram o rapaz para fora, ele saiu e foi conversar com policias que estavam lá na frente. Lá teve outra discussão e foram os PMS que bateram nele”, afirmou Valdecir. “Nossos segurança estão aqui para conversar e não agredir ninguém. O menino chutou meu marido, por isso, foi colocado para fora”, defende-se.
Vítima teve que ser hospitalizada
As marcas da agressão estão estampadas nos rosto, nas costas e braços de Diego. “Eles começaram a me bater, dar chutes e pontapés. Eu desmaiei. Quando acordei eles ainda estavam me batendo. Amigos meus que estavam no bailão me socorreram e levaram hospital”.
Conforme testemunhas policiais militar estavam no local, mas não teria feito nada para intervir na agressão, dos seguranças. “Depois que eu apanhei os policias que estavam ali me pegaram e falaram para eu ira à delegacia registrar um boletim de ocorrência. Ainda ferido fui a Delegacia Central de Polícia. Lá os agentes disseram que eu não podia registrar a ocorrência lá, e sim na delegacia do Fátima, estava muito mau, ensangüentado e achei melhor procurar antes o hospital”, denuncia o jovem que se comprometeu em registrar a ocorrência na tarde desta segunda-feira. No pronto socorro do Hospital São José, Diego foi medicado, fez radiografias e curativos. “A gente vai em um lugar para se divertir, paga a entrada e apanha de graça. Foi um crime de homofobia pura. Eles me bateram por eu ser homossexual e estar dançando com outro homossexual”, segundo Diego. Ainda nesta segunda-feira, a vítima garantiu que foram os seguranças que bateram nele e não a Polícia Militar.
Comando investiga se houve descaso da PM
Conforme a Polícia Militar uma ocorrência de agressão em via pública foi gerada, mas quando a viatura chegou ao local, o grupo dispersou. Outro homem de 35 anos que teria ajudado o homossexual agredido também foi ferido no rosto.
O comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar, Adilson Michelli, disse que vai investigar se houve descaso na ocorrência. “Se a vítima achar que houve algum descaso deve vir ao batalhão para registrar uma ocorrência conosco. Eu sei que tinha policiais lá, mas quando eles chagaram a briga tinha terminado. Também não há informações de que nossos policias tenham agredido o menino”, disse.

Windson Prado /Fotos: Reprodução Tribuna do Povo/RIC Record

Psicologia-Baixa autoestima reforça preconceito

O estereótipo mais conhecido das pessoas preconceituosas é terem uma baixa autoestima. Um novo estudo, publicado pelo Psychological Science, tentou mostrar como isso acontece.
“Quando nos sentimos mal com nós mesmos, denegrimos outras pessoas, e isso faz que nos sintamos bem”, explica Jeffrey Sherman, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, autor do estudo com Thomas Allen.Sherman e Allen usaram o Teste de Associação Implícita (TAI) – um teste desenvolvido para avaliar a reação automática das pessoas quando veem palavras ou imagens – para apurar este fato. Para tentar evidenciar o preconceito implícito, os participantes deviam olhar em um monitor enquanto uma série de palavras positivas e negativas e fotos de rostos negros ou brancos apareciam.
Na primeira parte do teste, os participantes deveriam apertar o botão “E” para cada rosto negro ou palavras negativas e “I” para rostos brancos ou palavras positivas. No segundo teste, os participantes deveriam inverter, associando palavras positivas com rostos negros e negativas com rostos brancos.
Se os participantes têm associações negativas com pessoas negras, isso significa que a segunda tarefa deveria ser mais difícil. E isto pode ser ainda mais significativo quando se tem baixa autoestima associada.
Mas os psicólogos não concordaram em como isso funcionava. Para Sherman, existem duas possibilidades: a baixa autoestima pode tanto provocar avaliações negativas, como pode estimular o preconceito.
Em outro momento, foi pedido aos participantes que respondessem a 12 perguntas que requeriam criatividade. Nenhum deles conseguiu responder a mais do que dois itens corretos. Para metade do grupo, foi dito que a pontuação média foi de nove, para fazê-los se sentir mal com a nota recebida. A outra metade foi informada de que o resultado seria dado mais tarde. Em seguida, todos completaram o TAI. Como esperado, aqueles que tinham recebido a notícia de que sua nota estava abaixo da média mostraram mais evidências de preconceito.Os autores do estudo deram um passo adiante, elaborando um modelo matemático que foi aplicado ao teste. Ao ligar os dados da pesquisa, eles conseguiram determinar que as pessoas com baixa autoestima tendem a ser mais preconceituosas porque as associações negativas estão mais afloradas e não porque elas estejam menos propensas para suprimir esses sentimentos.
A diferença é sutil, mas importante. “Se o problema era o de que as pessoas estavam tendo problemas para inibir preconceito, é possível estabelecer um treino para que se exerça um maior controle”, diz o autor.
Mas os resultados sugerem que este pode não ser o problema. “A questão é que a nossa mente nos leva para os aspectos mais negativos de outros grupos. A maneira de contornar isso é tentar pensar diferente sobre as outras pessoas. Quando você se pegar pensando mal dos outros, lembre-se que isto pode estar acontecendo porque você deve ter problemas mal resolvidos consigo”, conclui o pesquisador.
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Com informações da Association for Psychological Science

quarta-feira, 9 de março de 2011

Maurício Stycer-BBB faz 'merchan social' contra preconceito, mas chama Diana de "Maria Sapatão"

  • No mesmo programa em que fez propaganda da campanha "Rio Carnaval sem preconceito", o BBB chamou Diana de "Maria Sapatão" 
  • No mesmo programa em que fez propaganda da campanha "Rio Carnaval sem preconceito", o BBB chamou Diana de "Maria Sapatão"
Com a participação da lésbica Angélica e dos gays Dicesar e Serginho, o BBB10  deu a impressão que seria dedicado a discutir o preconceito contra os homossexuais, mas acabou sagrando como vencedor o lutador Marcelo Dourado, que o diretor Boninho classificou como “um ogro”.
Um ano depois, pressionado pelo Ministério Público, que está acompanhando o programa passo a passo, o BBB voltou a tentar passar uma “mensagem” positiva sobre a diversidade sexual.Ao ser eliminada no primeiro paredão, a transexual Ariadna ouviu do apresentador Pedro Bial uma pergunta sobre a importância de ter trazido o tema da sua sexualidade para um programa como o BBB. Boninho também mencionou no Twitter, com satisfação, que “valeu falar sobre o tema”.Nesta terça-feira, os participantes do BBB11 receberam uma camiseta com a seguinte inscrição: “Rio Carnaval sem preconceito”. Conforme o líder Rodrigão explicou aos colegas, trata-se de uma campanha da Prefeitura do Rio “para orientar cariocas e turistas contra os mais diversos tipos de preconceito religioso, racial, de gênero ou por orientação sexual”.
Todos os “brothers” e “sisters” aplaudiram Rodrigão, ao final da apresentação da campanha, quando ele disse: “Liberdade é um direito de todos”. E vários deles vestiram a camiseta à noite, durante o programa, ao vivo.No mesmo programa em que exibiu este “merchan social”, Mr. Edição apresentou um quadro cômico com marchinhas de Carnaval dedicadas a cada participante. Diana mereceu uma música celebrizada no programa do Chacrinha, “Maria Sapatão”, cujos versos célebres dizem: “De dia é Maria; de noite é João”.
Numa cena ocorrida em fevereiro, mas lembrada no programa, Diana discutiu com Daniel, depois que ele a chamou de “sapa”, corruptela de “sapatão”. Muito ofendida, a modelo disse: “Não gosto de rótulos”.
É difícil entender como no mesmo dia em que adere a uma campanha contra os preconceitos o programa tente colar um rótulo, ainda que de brincadeira, sobre a orientação sexual de uma participante, sabendo que ela não quer ser chamada assim. Como fã declarado do "Velho Guerreiro", Bial diria: “Eu não vim aqui para explicar, eu vim para confundir”.

CRÍTICA BBB por MAURICIO STYCER/Repórter especial e crítico do UOL

quinta-feira, 3 de março de 2011

Figurinista de Hollywood diz que vídeo de Galliano é encenação

A badalada figurinista Patricia Field, famosa por seu trabalho em "Sex and the City" e "Ugly Betty", falou a favor do estilista John Galliano nesta quarta-feira.
Ontem, a maison Christian Dior anunciou que havia demitido Galliano oficialmente.
Em entrevista ao "Women's Wear Daily", ela disse que o vídeo de Galliano nada mais é do que uma encenação. "Tudo o que as pessoas da moda fazem é ir ver o teatro de Galliano toda estação. É isso o que ele lhes dá. Para mim, isso foi exatamente a mesma coisa que ver um filme ou uma peça. John mora no teatro. É teatro. É uma farsa. Mas as pessoas da moda não reconhecem a farsa. De repente, é como se eles não o conhecessem. Mas está tudo bem quando Mel Brooks de 'Os Produtores' canta 'Springtime for Hitler'", disse.
Michel Euler/AP
O estilista John Galliano prestou depoimento anteontem em uma delegacia parisiense
O estilista John Galliano prestou depoimento anteontem em uma delegacia parisiense

INTIMAÇÃO
O estilista britânico John Galliano foi intimado, pelo Ministério Público francês, a responder judicialmente por ofensas raciais. Ele poderá ser julgado no segundo trimestre deste ano, arriscando-se a uma condenação a seis meses de prisão mais o pagamento de multa de 22.500 euros.
Com FRANCE PRESSE
 

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