Folículos capilares foram transplantados para as costas do animal.
Técnica representa avanço para as terapias com células-tronco.
Do G1, em São Paulo
Cientistas japoneses conseguiram fazer com que fios de cabelo humanos nascessem nas costas de um camundongo sem pelos. Além de ser uma esperança para o tratamento da calvície, o resultado representa um avanço importante nas terapias com células-tronco.
Os pesquisadores criaram um folículo – parte da pele onde os pelos nascem – a partir de células-tronco obtidas da pele de humanos adultos. Depois, eles transplantaram estes folículos nas costas do camundongo, conectando-os com as fibras nervosas e musculares do animal, e os pelos nasceram normalmente.
Como o novo folículo funciona perfeitamente, o “ciclo capilar” é reestabelecido. Em outras palavras, mesmo se o cabelo cair por algum motivo, um novo pelo nascerá no mesmo lugar.A criação de um folículo em laboratório a partir de células-tronco já tinha sido feita antes. Dentes e glândulas salivares também já foram produzidas com processos semelhantes de bioengenharia. Contudo, o transplante com sucesso em ratos é inédito.O estudo é, portanto, mais uma confirmação do potencial de aplicações que o tratamento de células-tronco tem para a substituição de órgãos no corpo. A pesquisa publicada nesta terça-feira (17) pela revista científica “Nature Communications” foi liderada por Takashi Tsuji, da Universidade de Ciência de Tóquio.
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Ai...se eu te pego!-Cientistas tentam desvendar mistério da 'música grudenta'
Neurocientistas e psicólogos investigam por que algumas canções teimam em ficar nas nossas cabeças.
Da BBC*
(Foto: BBC)
Há várias semanas, em uma manhã de domingo, eu estava em casa e, de uma hora para outra, três palavras surgiram na minha cabeça: Funky Cold Medina.
Esse é o nome de uma música do rapper Tone Loc, que, fiquei sabendo recentemente, fez muito sucesso nos anos 1990. Eu ouvira a canção pela primeira vez na noite anterior, em bar de caraoquê.
Por mais que eu tentasse parar de pensar na música, a letra da canção não saía da minha cabeça. Eu passei quase dois dias até conseguir finalmente esquecer a música.A pesquisadora Vicky Williamson, especializada em psicologia da música, resolveu estudar o fenômeno de músicas que grudam na cabeça depois de perceber que havia pouca literatura científica sobre o assunto.
Ela descobriu que há diversos termos diferentes em inglês usados pelos cientistas para descrever o fenômeno: 'stuck-song syndrome' (ou síndrome da canção empacada), 'sticky music' (canção pegajosa), 'cognitive itch' (coceira cognitiva) ou 'earworm' (verme de ouvido).Williamson participou de um programa de rádio da BBC perguntando aos ouvintes quais 'músicas pegajosas' estavam os afligindo recentemente. Ela também reuniu relatos e experiências em uma pesquisa feita no seu site .
Estresse
Com base nesses dados, ela chegou a alguns resultados surpreendentes.
'Quando analisei mais de mil canções pegajosas, percebi que apenas meia dúzia havia sido citada mais de uma vez -- o que mostra quão heterogênea foi a resposta das pessoas. É um fenômeno muito individual', diz Williamson.Hoje a pesquisadora já possui mais de 2,5 mil relatos. Ela diz que algumas músicas são mais pegajosas simplesmente por estarem em evidência em filmes e seriados de televisão.É o caso da canção Don't Stop Believing, do conjunto Foreigner, que no começo da sua pesquisa era uma das mais citadas. Na época, a música havia voltado às paradas graças ao seu uso no musical americano Glee.A psicóloga passou então a tentar entender quais mecanismos desencadeiam o fenômeno.
O primeiro dos fatores é a exposição. A música precisa ter sido ouvida recentemente. Outro é a repetição: quanto mais frequente a música toca, maior é a chance de ela grudar na cabeça de quem ouve.
No entanto, muitas músicas podem ser 'despertadas' por memórias ou ambientes ao nosso redor.
Williamson explica que passou por esse tipo de experiência quando viu uma caixa de sapatos antiga em seu escritório.'A caixa era de uma loja chamada Faith. Só de ler essa palavra, minha cabeça percorreu uma trilha de memórias até chegar à canção Faith, de George Michael. Dali em diante, eu passei o resto da tarde com a música na cabeça', conta a pesquisadora, que resolveu tirar a caixa do escritório.Outro fator é o estresse. Uma das entrevistadas disse que quando ela tinha 16 anos -- durante uma época de exames escolares estressantes -- ela ficou com a música 'Nathan Jones' do Bananarama em sua cabeça por dias.Agora, a entrevistada diz ouvir a música em sua cabeça toda vez que vive algum momento de estresse.
Memória musical
Há algumas teorias que tentam explicar por que uma música gruda na cabeça das pessoas.
Williamson diz que isso pode ser parte de um fenômeno mais amplo, conhecido como memória involuntária. Outra manifestação de memória involuntária é quando alguém fica com vontade de comer algo por se lembrar de uma comida.Há uma série de motivos que fazem com que isso aconteça também na música. Primeiro pela música ser um estímulo multissensorial, que é sensível a vários fatores externos.'Segundo porque a música é codificada de forma muito pessoal e emocional, e sabemos que tudo que é codificado com conotações pessoais e emocionais é mais fácil de ser lembrado pela memória', afirma Williamson.Outros especialistas sugerem que o fenômeno é explicado pela forma como os humanos se desenvolveram.'Por um longo período, nós precisávamos lembrar informações do tipo: onde fica o poço mais próximo, que tipos de comidas são venenosas e como tratar feridas para evitar infecções', diz Daniel Levitin, da Universidade McGill, de Montreal, especialista em neurociência da música.
Como a escrita só foi inventada há cinco mil anos, enquanto os humanos existem há 200 mil anos, a música foi usada por muito tempo como técnica de memorização, explica Levitin.
Essa prática, segundo ele, continua até hoje, sobretudo em culturas com forte tradição oral.
Levitin diz que a combinação de ritmos, rimas e melodia faz com que músicas sejam mais fáceis de se memorizar do que apenas palavras.
Aos que querem se livrar de uma canção pegajosa, Levitin sugere: 'Pense em outra música, que talvez possa expulsar a canção da sua cabeça'.
Vicky Williamson está buscando a melhor 'cura' para músicas grudentas. Uma das táticas que ela tem explorado é praticar outras atividades, como palavras-cruzadas ou corrida.
*Rhitu Chatterjee, do programa 'The World', para a BBC
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Pesquisa brasileira usa carrapicho para fazer creme antirrugas
Extratos naturais também são usados para proteger contra o sol.
Estudos levam a parcerias entre empresas e universidades públicas.
Tadeu Meniconi Do G1, em São Paulo
cosméticos (Foto: Chemyunion/Divulgação)
Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, o professor Luiz Claudio Di Stasi encontrou propriedades em uma planta chamada picão-preto que servem para dar mais elasticidade à pele – e devem ser usadas na produção de um creme antirrugas.Essa planta é conhecida popularmente como "carrapicho", comum em todo o Brasil. É muito resistente, o que favorece o cultivo para o uso comercial.“Isso tudo faz parte de um processo pensando na viabilidade da ciência”, afirmou Maria Del Carmen Pereda, sócia da Chemyunion, empresa que fez a pesquisa em parceria com a Unesp. Foi ela quem coordenou esse estudo.O objetivo da pesquisa era buscar na natureza um efeito semelhante ao dos chamados "retinoides". Os retinoides são substâncias sintéticas que se ligam a receptores dentro das células e são usados em medicamentos para o tratamento de doenças de pele, como as acnes.Contudo, os retinoides têm efeitos colaterais. Como Pereda queria produzir cosméticos, tinha que eliminá-los – medicamentos podem ter efeitos colaterais, mas cosméticos não.
“Era importante encontrar uma substância que fosse similar nos efeitos positivos, mas não nos negativos”, contou a pesquisadora.Quem recebeu a tarefa de encontrar uma planta que conseguisse fazer isso foi Di Stasi, pesquisador da Unesp.“Sem a ajuda dele, teria sido muito mais difícil chegar ao produto. Talvez tivéssemos encontrado outra planta que não fosse tão eficiente”, afirmou Pereda.Segundo a pesquisadora, esse estudo foi o primeiro a encontrar uma ação semelhante à dos retinoides em um produto natural.O produto aumentou a produção de colágeno e elastina, substâncias que mantêm a elasticidade da pele – e evitam as rugas. Além desse efeito, ele também ajudou a proteger o DNA das células da radiação do sol, o que previne contra possíveis tumores na pele.A equipe agora está escrevendo um artigo para apresentar os resultados em uma revista científica. O produto ainda não está disponível para o mercado – a Chemyunion não produz cosméticos, apenas fornece a matéria-prima, e ainda não há um acordo nesse sentido com nenhuma fábrica.
Ribeirão Preto (Foto: Divulgação)
Na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, a pesquisadora Patrícia Maia Campos liderou outro estudo, que visava o desenvolvimento de um novo protetor solar. A ideia era fazer um produto mais leve, que não deixe a pele oleosa, de forma que seja mais confortável usar o filtro solar no dia-a-dia.
O produto é feito com a mistura entre o filtro solar e extratos de Ginkgo biloba e algas vermelhas. O Ginkgo biloba protege as células da ação dos radicais livres, que são liberados em maior número quando a pessoa toma muito sol. Isso previne contra alterações cutâneas, que podem levar até ao câncer de pele.
Já o extrato de algas vermelhas tem a propriedade de manter a pele mais bem hidratada. Isso também protege o órgão contra doenças, entre ela a dermatite atópica, que provoca lesões e coceira.
Nos testes feitos até agora – com 40 voluntários, por um período de três meses –, a pele ganhou em elasticidade, além da proteção solar.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A "Pedra do Sol" dos Vikings não é uma simples lenda, dizem cientistas
PARIS, França, 1 Nov 2011 (AFP) -A fabulosa "Pedra do Sol" que teria permitido, segundo a saga escandinava, aos navegadores Vikings orientarem-se, mesmo com mau tempo ou em dias nublados, não é mais uma simples lenda, dizem cientistas, num estudo publicado nesta quarta-feira.
Sabe-se que os Vikings percorreram milhares de quilômetros em direção à Islândia e à Groelândia, descobrindo, sem dúvida, a América do Norte, por volta do Ano 1000, bem antes de Cristóvão Colombo. Mas sua capacidade de navegar sem bússola em longas distâncias, e em condições desfavoráveis (noite polar, neve), ainda é considerada um mistério.
Além de seus excelentes conhecimentos astronômicos e marítimos, eles teriam utilizado a "Pedra do Sul", olhando através dela para detectar a posição exata do astro-rei, invisível a olho nu, deduzindo assim a posição do navio.Como em algumas regiões do norte as luzes do dia são perpétuas, eles não poderiam ter usado estrelas para navegar e não havia ainda as bússolas magnéticas. Assim, a solução foi usar a pedra, como o narrado em algumas sagas, inclusive a do herói Sigurd, que usava a solarsteinn, Pedra do Sol.
As lendas que os mencionam não dão, no entanto, nenhuma indicação quanto à natureza dessas pedras fabulosas, com nenhuma delas jamais identificada formalmente em vestígios arqueológicos.
Segundo Guy Ropars, do Laboratório de Física de Lasers da Universidade de Rennes-1, esta "Pedra do Sol" não seria senão um "spath d'Islande", espato da Islândia, um cristal de calcita transparente, relativamente comum na Escandinávia, e que é ainda usado em alguns instrumentos óticos.Esse cristal tem, com efeito, a propriedade de despolarizar a luz solar, isto é, filtrá-la de formas diferentes, segundo a posição da pedra.Concretamente, se olharmos a luz através do cristal, ele produz dois feixes diferentes, um "comum" e o outro "despolarizado". "Ao virarmos o cristal sobre si mesmo, quando as intensidades das duas imagens forem estritamente iguais, ele transmite a direção do Sol", asseguraram à AFP Guy Ropars e seu colega Albert Le Floch.
Precisão
Os raios do Sol que chegam até nós são, com efeito, parcialmente "polarizados", isto é, orientados num sentido preciso.
"Quando olhamos o zênite, a luz do Sol, que no começo é não polarizada, cai sobre as moléculas da atmosfera. Essas moléculas se comportem como pequenos transmissores que levam a nosso olho uma vibração horizontal, perpendicular à direção do Sol", explicam os físicos bretãos.
Com a ajuda de cálculos teóricos e uma longa bateria de testes realizada com seus colegas canadenses e americanos, eles concluíram que "a direção do Sol pode ser facilmente determinada, graças a uma simples observação, baseada na diferenciação entre as duas imagens" produzidas pelo espato da Islândia.
"Pode ser atingida uma precisão de alguns graus, mesmo em condições de fraca luminosidade", destaca o estudo, publicado na revista científica britânica Proceedings of the Royal Society A.
Mesmo sem possuir nenhum conhecimento científico sobre a polarização, os Vikings puderam, então, facilmente observar as propriedades desse cristal e se servir dele para encontrar o Sol de forma segura.
Um cristal de calcita foi descoberto, recentemente, a bordo dos destroços de um navio britânico do século XVI, ao longo da ilha anglo-normanda de Anderley. Seria isso uma extravagância inútil, tendo em vista que a bússola era conhecida dos navegantes europeus desde o século XIII?
"Verificamos em Anderley que um só dos canhões dos destroços poderia, por causa de sua massa metálica, perturbar a orientação do compasso magnético de 90 graus. Assim, para evitar um erro eventual de navegação, quando o Sol está escondido, o recurso a um compasso ótico poderia ser crucial mesmo naquela época", revela o estudo.
Sabe-se que os Vikings percorreram milhares de quilômetros em direção à Islândia e à Groelândia, descobrindo, sem dúvida, a América do Norte, por volta do Ano 1000, bem antes de Cristóvão Colombo. Mas sua capacidade de navegar sem bússola em longas distâncias, e em condições desfavoráveis (noite polar, neve), ainda é considerada um mistério.
Além de seus excelentes conhecimentos astronômicos e marítimos, eles teriam utilizado a "Pedra do Sul", olhando através dela para detectar a posição exata do astro-rei, invisível a olho nu, deduzindo assim a posição do navio.Como em algumas regiões do norte as luzes do dia são perpétuas, eles não poderiam ter usado estrelas para navegar e não havia ainda as bússolas magnéticas. Assim, a solução foi usar a pedra, como o narrado em algumas sagas, inclusive a do herói Sigurd, que usava a solarsteinn, Pedra do Sol.
As lendas que os mencionam não dão, no entanto, nenhuma indicação quanto à natureza dessas pedras fabulosas, com nenhuma delas jamais identificada formalmente em vestígios arqueológicos.
Segundo Guy Ropars, do Laboratório de Física de Lasers da Universidade de Rennes-1, esta "Pedra do Sol" não seria senão um "spath d'Islande", espato da Islândia, um cristal de calcita transparente, relativamente comum na Escandinávia, e que é ainda usado em alguns instrumentos óticos.Esse cristal tem, com efeito, a propriedade de despolarizar a luz solar, isto é, filtrá-la de formas diferentes, segundo a posição da pedra.Concretamente, se olharmos a luz através do cristal, ele produz dois feixes diferentes, um "comum" e o outro "despolarizado". "Ao virarmos o cristal sobre si mesmo, quando as intensidades das duas imagens forem estritamente iguais, ele transmite a direção do Sol", asseguraram à AFP Guy Ropars e seu colega Albert Le Floch.
Precisão
Os raios do Sol que chegam até nós são, com efeito, parcialmente "polarizados", isto é, orientados num sentido preciso.
"Quando olhamos o zênite, a luz do Sol, que no começo é não polarizada, cai sobre as moléculas da atmosfera. Essas moléculas se comportem como pequenos transmissores que levam a nosso olho uma vibração horizontal, perpendicular à direção do Sol", explicam os físicos bretãos.
Com a ajuda de cálculos teóricos e uma longa bateria de testes realizada com seus colegas canadenses e americanos, eles concluíram que "a direção do Sol pode ser facilmente determinada, graças a uma simples observação, baseada na diferenciação entre as duas imagens" produzidas pelo espato da Islândia.
"Pode ser atingida uma precisão de alguns graus, mesmo em condições de fraca luminosidade", destaca o estudo, publicado na revista científica britânica Proceedings of the Royal Society A.
Mesmo sem possuir nenhum conhecimento científico sobre a polarização, os Vikings puderam, então, facilmente observar as propriedades desse cristal e se servir dele para encontrar o Sol de forma segura.
Um cristal de calcita foi descoberto, recentemente, a bordo dos destroços de um navio britânico do século XVI, ao longo da ilha anglo-normanda de Anderley. Seria isso uma extravagância inútil, tendo em vista que a bússola era conhecida dos navegantes europeus desde o século XIII?
"Verificamos em Anderley que um só dos canhões dos destroços poderia, por causa de sua massa metálica, perturbar a orientação do compasso magnético de 90 graus. Assim, para evitar um erro eventual de navegação, quando o Sol está escondido, o recurso a um compasso ótico poderia ser crucial mesmo naquela época", revela o estudo.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Fim do mundo maia é um erro de interpretação, diz arqueólogo
DA EFE
O prognóstico maia do fim do mundo foi um erro histórico de interpretação, segundo revela o conteúdo da exposição "A Sociedade e o Tempo Maia" inaugurada recentemente no Museu do Ouro de Bogotá.
O arqueólogo do Inah (Instituto Nacional de Antropologia e História do México) e um dos curadores da mostra, Orlando Casares, explicou à Agência Efe que a base da medição do tempo desta antiga cultura era a observação dos astros.
| EPA |
| O tempo, na concepção maia, tinha início e fim, mas isso não significava que ocorreria uma catástrofe dizimadora |
Eles se inspiravam, por exemplo, nos movimentos cíclicos do Sol, da Lua e de Vênus, e assim mediam suas eras, que tinham um princípio e um final. "Para os maias não existia a concepção do fim do mundo, por sua visão cíclica", explicou Casares, que esclareceu: "A era conta com 5.125 dias, quando esta acaba, começa outra nova, o que não significa que irão acontecer catástrofes; só os fatos cotidianos, que podem ser bons ou maus, voltam a se repetir."
Para não deixar dúvidas, a exposição do Museu do Ouro explica o elaborado sistema de medição temporal desta civilização. "Um ano dos maias se dividia em duas partes: um calendário chamado 'Haab' que falava das atividades cotidianas, agricultura, práticas cerimoniais e domésticas, de 365 dias; e outro menor, o 'Tzolkin', de 260 dias, que regia a vida ritualística", acrescentou Casares. A mistura de ambos os calendários permitia que os cidadãos se organizassem. Desta forma, por exemplo, o agricultor podia semear, mas sabia que tinha que preparar outras festividades de suas deidades, ou seja, "não podiam separar o religioso do cotidiano". Ambos os calendários formavam a Roda Calendárica, cujo ciclo era de 52 anos, ou seja, o tempo que os dois demoravam a coincidir no mesmo dia. Para calcular períodos maiores utilizavam a Conta Longa, dividida em várias unidades de tempo, das quais a mais importante é o "baktun" (período de 144 mil dias); na maioria das cidades, 13 "baktunes" constituíam uma era e, segundo seus cálculos, em 22 de dezembro de 2012 termina a presente.
Com esta explicação querem demonstrar que o rebuliço espalhado pelo mundo sobre a previsão dos maias não está baseado em descobertas arqueológicas, mas em erros, "propositais ou não", de interpretação dos objetos achados desta civilização. De fato, uma das peças-chave da mostra é o hieróglifo 6 de Tortuguero, que faz referência ao fim da quinta era, a atual, neste dezembro, a qual se refere à vinda de Bolon Yocte (deidade maia), mas a imagem está deteriorada e não se sabe com que intenção. A mostra exibida em Bogotá apresenta 96 peças vindas do Museu Regional Palácio Cantão de Mérida (México), onde se pode ver, além de calendários, vestimentas cerimoniais, animais do zodíaco e explicações sobre a escritura. Para a diretora do Museu do Ouro de Bogotá, Maria Alicia Uribe, a exibição sobre a civilização maia serve para comparar e aprender sobre a vida pré-colombiana no continente.
"Interessa-nos de alguma maneira comparar nosso passado com o de outras regiões do mundo", ressaltou Maria sobre esta importante coleção de arte e documentário.
A exposição estará aberta ao público até 12 de fevereiro de 2012, para depois deve ser transferida para a cidade de Medellín.
sábado, 29 de outubro de 2011
A internet faz mal ao cérebro?
O escritor americano Nicholas Carr sentiu que algo estranho ocorria com ele há uns cinco anos. Leitor insaciável, percebeu que já não era capaz de se concentrar na leitura como antes. Na verdade, sua ansiedade disparava diante de qualquer tarefa que exigisse concentração – seus olhos procuravam a tela do computador ou do celular. O impulso de espiar na internet era quase incontrolável, diz ele. “Sentia que estava forçando meu cérebro a voltar para o texto”, afirma. “A leitura profunda, antes tão natural para mim, tinha se transformado numa luta.” Tal afirmação abre o livro The shallows – What the internet is doing to our brains (Os superficiais – O que a internet está fazendo com nossos cérebros, ainda sem tradução no Brasil). Nele, Carr faz uma acusação seriíssima: a exposição constante às mídias digitais está mudando, para pior, a forma como pensamos. Ele e um punhado de autores respeitáveis acreditam que, por causa do uso excessivo de computadores e de outros aparelhos digitais, nosso cérebro é alterado e estamos nos tornando menos inteligentes, mais superficiais e imensamente distraídos – o inverso de tudo aquilo que fez de nós a espécie mais bem-sucedida do planeta Terra.“Em vez de mentes juvenis inquietas e repletas de conhecimento, o que vemos nas escolas é uma cultura anti-intelectual e consumista, mergulhada em infantilidades e alheia à realidade adulta”, afirma Mark Bauerlein, autor de The dumbest generation (A geração mais estúpida). No livro, ele antecipa uma nova Idade das Trevas, quando os indivíduos que hoje são crianças e adolescentes chegarem à maturidade.
Bauerlein, professor na Universidade Emory, na Geórgia, supervisiona estudos sobre a vida cultural americana. Ele acredita que as novas gerações, educadas sob a influência das mídias digitais, são formadas por narcisistas despreparados para pensar em profundidade sobre qualquer assunto. Ele diz que uma pesquisa de 2006 com mais de 81 mil estudantes americanos de ensino médio detectou que 90% deles “leem ou estudam” menos de cinco horas por semana – embora passem “pelo menos” seis horas navegando na internet e um período equivalente assistindo à TV ou jogando videogame. “Indivíduos que não sabem praticamente nada de história, que nunca leram um livro nem visitaram um museu não têm mais do que se envergonhar. Tornaram-se comuns”, afirma.Carr e Bauerlein não estão sozinhos. A jornalista Maggie Jackson, outra autora crítica da tecnologia, sugere que os mais jovens estão acostumados, por culpa da internet e do uso de celulares, à leitura desatenta de textos cada dia mais breves e estilisticamente mais pobres. Os 140 caracteres que se podem escrever no Twitter, ela acredita, geram pensamentos máximos de 140 caracteres. Parece exagero, mas alguns estudos mostram que há motivos para preocupação. Uma consultoria chamada Genera divulgou um estudo alarmante sobre os efeitos do uso da internet entre os jovens. A empresa entrevistou 6 mil pessoas da geração que cresceu usando a internet e concluiu que as coisas estão mudando radicalmente. “A imersão digital afetou até mesmo a forma como eles absorvem informação”, afirmam os pesquisadores. “Eles não leem uma página necessariamente da esquerda para a direita e de cima para baixo. Pulam de uma palavra para outra, atrás de informação pertinente.” Um efeito disso já foi notado por um professor da Universidade Duke. Ele reclamou com o autor de The shallows que não consegue mais que seus alunos leiam um único livro do começo ao fim, mesmo nos cursos de literatura.
ÉPOCA
Bauerlein, professor na Universidade Emory, na Geórgia, supervisiona estudos sobre a vida cultural americana. Ele acredita que as novas gerações, educadas sob a influência das mídias digitais, são formadas por narcisistas despreparados para pensar em profundidade sobre qualquer assunto. Ele diz que uma pesquisa de 2006 com mais de 81 mil estudantes americanos de ensino médio detectou que 90% deles “leem ou estudam” menos de cinco horas por semana – embora passem “pelo menos” seis horas navegando na internet e um período equivalente assistindo à TV ou jogando videogame. “Indivíduos que não sabem praticamente nada de história, que nunca leram um livro nem visitaram um museu não têm mais do que se envergonhar. Tornaram-se comuns”, afirma.Carr e Bauerlein não estão sozinhos. A jornalista Maggie Jackson, outra autora crítica da tecnologia, sugere que os mais jovens estão acostumados, por culpa da internet e do uso de celulares, à leitura desatenta de textos cada dia mais breves e estilisticamente mais pobres. Os 140 caracteres que se podem escrever no Twitter, ela acredita, geram pensamentos máximos de 140 caracteres. Parece exagero, mas alguns estudos mostram que há motivos para preocupação. Uma consultoria chamada Genera divulgou um estudo alarmante sobre os efeitos do uso da internet entre os jovens. A empresa entrevistou 6 mil pessoas da geração que cresceu usando a internet e concluiu que as coisas estão mudando radicalmente. “A imersão digital afetou até mesmo a forma como eles absorvem informação”, afirmam os pesquisadores. “Eles não leem uma página necessariamente da esquerda para a direita e de cima para baixo. Pulam de uma palavra para outra, atrás de informação pertinente.” Um efeito disso já foi notado por um professor da Universidade Duke. Ele reclamou com o autor de The shallows que não consegue mais que seus alunos leiam um único livro do começo ao fim, mesmo nos cursos de literatura.
ÉPOCA
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Maconha causa "caos cognitivo" no cérebro, diz estudo
EFE/Em Washington
O estudo analisou os efeitos negativos da maconha na memória e no pensamento
O consumo de maconha está associado a alterações na concentração e na memória que podem causar problemas neurofisiológicos e de conduta, indicou nesta terça-feira um estudo publicado pela revista "Journal of Neuroscience".Os pesquisadores descobriram que a atividade cerebral fica descoordenada e inexata durante os estados de alteração mental com resultados similares aos observados na esquizofrenia.O estudo, produzido por cientistas da Universidade de Farmacologia de Bristol (Inglaterra), analisou os efeitos negativos da maconha na memória e no pensamento, o que pode provocar redes cerebrais "desorquestradas".O doutor Matt Jones, um dos autores da pesquisa, equiparou o funcionamento das ondas cerebrais ao de uma grande orquestra na qual cada uma das seções vai estabelecendo um determinado ritmo e uma afinação que permitem o processamento de informações e que guiam nosso comportamento.Para comprovar a teoria, Jones e sua equipe administraram em um grupo de ratos um fármaco que se assemelha ao princípio psicoativo da maconha, a cannabis, e mediram sua atividade elétrica neuronal.
Embora os efeitos nas regiões individuais do cérebro tenham sido muito sutis, a cannabis interrompia completamente as ondas cerebrais através do hipocampo e do córtex pré-frontal, como se as seções de uma orquestra tocassem desafinadas e fora de ritmo.Jones indicou que estas estruturas cerebrais são fundamentais para a memória e a tomada de decisões e estão estreitamente vinculadas à esquizofrenia.Os ratos se mostravam desorientados na hora de percorrer um labirinto no laboratório e eram incapazes de tomar decisões adequadas.
"O abuso da maconha é comum entre os esquizofrênicos, e estudos recentes mostraram que o princípio psicoativo da maconha pode provocar sintomas de esquizofrenia em indivíduos sãos", explicou Jones.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Estudo vincula a violência juvenil ao abuso no consumo de refrigerantes
(AFP) -Cientistas anunciaram esta terça-feira, nos Estados Unidos, a descoberta de uma associação surpreendente, mesmo em termos estatísticos, entre a violência juvenil e a quantidade de refrigerante que os adolescentes tomam.
Alunos do ensino médio da região metropolitana de Boston que consumiram mais de cinco latas de refrigerante normal por semana demonstraram uma propensão a desenvolver um comportamento agressivo entre 9% e 15% maior em comparação com colegas que ingeriram menor quantidade."O que descobrimos foi a existência de uma forte relação entre quantos refrigerantes estes jovens consumiam e seu comportamento violento, não só com relação aos colegas, mas também em relacionamentos afetivos, com irmãos", afirmou David Hemenway, professor da Escola de Saúde Pública de Harvard."Foi chocante para nós perceber como esta relação era clara", disse em entrevista à AFP.Mas ele ressaltou que apenas trabalhos futuros poderão confirmar ou descartar se um consumo maior de refrigerante não dietético causaria um comportamento violento.O novo estudo se baseou nas respostas a questionários preenchidos por 1.878 estudantes de escolas públicas com idades entre 14 e 18 anos, na região metropolitana de Boston, onde Hemenway afirmou que as taxas de criminalidade eram muito maiores do que nos subúrbios com níveis de renda maiores.A esmagadora maioria dos respondentes era hispânica, afro-americana ou miscigenada. Havia poucos asiáticos ou brancos.Entre as perguntas estava a quantidade de latas de 355 mililitros de refrigerante não dietético que os adolescentes beberam nos sete dias anteriores.
Eles também foram questionados se ingeriram álcool ou fumaram, transportavam alguma arma ou foram violentos com colegas, familiares e parceiros afetivos.
Segundo Hemenway, as respostas evidenciaram uma relação causa-efeito, na qual quanto maior o consumo de refrigerante, maior a tendência de se apresentar um comportamento violento.Entre aqueles que ingeriram uma ou duas latas de refrigerante por semana, 23% transportavam arma de fogo ou faca; 15% praticaram atos violentos contra o parceiro; e 35% agiram de forma violenta com os colegas.Na outra ponta da tabela, entre aqueles que ingeriram 14 latas por semana, 43% transportavam arma de fogo ou faca; 27% agiram com violência com relação ao parceiro; e mais de 58% praticaram atos violentos com os colegas.
De modo geral, os adolescentes que mais consumiram refrigerantes foram de 9% a 15% mais propensos a demonstrar um comportamento agressivo em comparação com aqueles que consumiam menos.Esta é uma magnitude similar ao vínculo encontrado em uma pesquisa anterior com o álcool e o tabaco.Hemenway afirmou que o estudo incluiu duas questões relativas aos registros familiares das crianças, inclusive se o adolescente fez refeições em família nos dias anteriores.Como só tinha a intenção de ser uma pesquisa preliminar, o questionário não consultou o tipo de refrigerante que os adolescentes beberam, afirmou.
"Este é um dos primeiros estudos a examinar" a questão, disse Hemenway."Nós não sabemos porque (existe esta forte associação). Pode haver algum efeito causal, mas também é certamente plausível que seja apenas um marcador para outros problemas - o de que crianças que são violentas independente do motivo tendem a fumar mais, a ingerir mais álcool e talvez a beber mais refrigerantes. Simplesmente, não sabenis", disse.
"Queremos examinar isso com mais cuidado nos estudos subsequentes", acrescentou.
Outros estudos estabeleceram um vínculo entre o consumo elevado de açúcar e falta de socialização ou comportamento irritável e antissocial.Algumas pesquisas chegaram a apontar a falta de micronutrientes como fonte de agressão, mas este trabalho ainda está em estágio inicial.O estudo foi publicado na revista britânica Injury Prevention.
Alunos do ensino médio da região metropolitana de Boston que consumiram mais de cinco latas de refrigerante normal por semana demonstraram uma propensão a desenvolver um comportamento agressivo entre 9% e 15% maior em comparação com colegas que ingeriram menor quantidade."O que descobrimos foi a existência de uma forte relação entre quantos refrigerantes estes jovens consumiam e seu comportamento violento, não só com relação aos colegas, mas também em relacionamentos afetivos, com irmãos", afirmou David Hemenway, professor da Escola de Saúde Pública de Harvard."Foi chocante para nós perceber como esta relação era clara", disse em entrevista à AFP.Mas ele ressaltou que apenas trabalhos futuros poderão confirmar ou descartar se um consumo maior de refrigerante não dietético causaria um comportamento violento.O novo estudo se baseou nas respostas a questionários preenchidos por 1.878 estudantes de escolas públicas com idades entre 14 e 18 anos, na região metropolitana de Boston, onde Hemenway afirmou que as taxas de criminalidade eram muito maiores do que nos subúrbios com níveis de renda maiores.A esmagadora maioria dos respondentes era hispânica, afro-americana ou miscigenada. Havia poucos asiáticos ou brancos.Entre as perguntas estava a quantidade de latas de 355 mililitros de refrigerante não dietético que os adolescentes beberam nos sete dias anteriores.
Eles também foram questionados se ingeriram álcool ou fumaram, transportavam alguma arma ou foram violentos com colegas, familiares e parceiros afetivos.
Segundo Hemenway, as respostas evidenciaram uma relação causa-efeito, na qual quanto maior o consumo de refrigerante, maior a tendência de se apresentar um comportamento violento.Entre aqueles que ingeriram uma ou duas latas de refrigerante por semana, 23% transportavam arma de fogo ou faca; 15% praticaram atos violentos contra o parceiro; e 35% agiram de forma violenta com os colegas.Na outra ponta da tabela, entre aqueles que ingeriram 14 latas por semana, 43% transportavam arma de fogo ou faca; 27% agiram com violência com relação ao parceiro; e mais de 58% praticaram atos violentos com os colegas.
De modo geral, os adolescentes que mais consumiram refrigerantes foram de 9% a 15% mais propensos a demonstrar um comportamento agressivo em comparação com aqueles que consumiam menos.Esta é uma magnitude similar ao vínculo encontrado em uma pesquisa anterior com o álcool e o tabaco.Hemenway afirmou que o estudo incluiu duas questões relativas aos registros familiares das crianças, inclusive se o adolescente fez refeições em família nos dias anteriores.Como só tinha a intenção de ser uma pesquisa preliminar, o questionário não consultou o tipo de refrigerante que os adolescentes beberam, afirmou.
"Este é um dos primeiros estudos a examinar" a questão, disse Hemenway."Nós não sabemos porque (existe esta forte associação). Pode haver algum efeito causal, mas também é certamente plausível que seja apenas um marcador para outros problemas - o de que crianças que são violentas independente do motivo tendem a fumar mais, a ingerir mais álcool e talvez a beber mais refrigerantes. Simplesmente, não sabenis", disse.
"Queremos examinar isso com mais cuidado nos estudos subsequentes", acrescentou.
Outros estudos estabeleceram um vínculo entre o consumo elevado de açúcar e falta de socialização ou comportamento irritável e antissocial.Algumas pesquisas chegaram a apontar a falta de micronutrientes como fonte de agressão, mas este trabalho ainda está em estágio inicial.O estudo foi publicado na revista britânica Injury Prevention.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Médicos podem ter descoberto nova técnica para tratar diabetes
Queda natural no nível de insulina foi revertida em testes com roedores.Estudo é descrito no site da revista científica 'Nature'.
Do G1, em São Paulo
Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revelaram um novo alvo possível para o tratamento de diabetes. Eles encontraram um mecanismo molecular que é responsável por fazer o número de células produtoras de insulina diminuir conforme uma pessoa envelhece.
Ao alterarem esse funcionamento, os cientistas esperam podem solucionar a falta da substância em pessoas com diabetes. A insulina é responsável por permitir a entrada de açúcar (glicose) dentro das células para que energia seja gerada para o corpo.
O estudo é descrito no site da revista científica "Nature" nesta semana. Seung Kim, professor na universidade e autor principal do artigo, acredita que será possível manipular este mecanismo para oferecer um novo tratamento para humanos. O trabalho que acaba de divulgar, porém, foi conduzido em camundongos.O mecanismo descoberto por Kim existe tanto nos roedores como em homens. Conforme os níveis de uma mólecula conhecida pela sigla PDGF caem no corpo, o nascimento de novas células-beta começa a diminuir no pâncreas. Essas células são as responsáveis por produzir insulina para baixar os níveis de açúcar no sangue. As diabetes de tipo 1 e 2, apesar de diferentes, coincidem ao apresentar uma redução no número de células-beta.
Níveis altos de açúcar no sangue podem levar à hiperglicemia - uma condição que pode causar dano nos órgãos, coma e até a morte. A vantagem do método de Kim está no fato do estímulo à produção de insulina não provocar o efeito inverso: ou seja, o excesso de produção da substância, que pode levar à hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue).
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Mutação genética está ligada a duas formas de demência
Pesquisadores identificaram anormalidades relacionadas à esclerose lateral amiotrófica e à demência frontotemporal. Descoberta pode ajudar em tratamento
De acordo com os pesquisadores, uma mutação anormal – uma sequência curta de DNA repetida milhares de vezes – foi encontrada em 22% de pacientes com a forma hereditária da esclerose lateral amiotrófica e 12% da forma hereditária da demência frontotemporal.Além disso, os pesquisadores encontraram esse defeito genético presente nas formas mais comuns e não hereditárias dessas doenças. Segundo os pesquisadores, a anormalidade foi encontrada em 3% das amostras de demência frontotemporal e 4% das amostras de ELA, ambas não familiares."Essa descoberta pode levar à maior compreensão sobre como estas duas doenças neurodegenerativas se desenvolvem. Além de poder nos indicar novas maneiras de tratar nossos pacientes", diz a pesquisadora Rosa Rademakers, neurocientista da Clínica Mayo.
VEJA
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Câncer-Pacientes propensos à metástase poderão ser identificados, diz estudo
Fábio de Castro
Da Agência FAPESP
O aparecimento de metástases tem contribuição fundamental do fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF-A, na sigla em inglês) produzido por células do estroma positivas para o marcador S100A4, de acordo com um novo estudo feito por brasileiros e norte-americanos. O estroma é o tecido conectivo que dá sustentação às células funcionais dos órgãos.De acordo com os autores, o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences poderá ter impacto clínico importante, já que pacientes positivos para o marcador S100A4 nas células – em tese mais propensos à metástase – poderão ser identificados e se beneficiar de drogas anti-VEGF existentes.O trabalho teve a participação de Ricardo Renzo Brentani e de Rafael Malagoli Rocha, ambos do Departamento de Oncologia do Hospital A.C. Camargo – Brentani é diretor-presidente da FAPESP. Os outros autores são de instituições norte-americanas: da Escola de Medicina de Harvard, do Departamento de Patologia do Hospital Rhode Island, da Universidade Vanderbilt, em Nashville, e da Divisão de Ciências e Tecnologia da Saúde Harvard–Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
O VEGF-A promove a angiogênese – o crescimento de novos vasos sanguíneos – na região tumoral. Esses vasos alimentam o tumor e ao mesmo tempo propiciam e facilitam o aparecimento da metástase.“Verificamos que existe o aparecimento do VEGF-A em células do estroma – que basicamente são fibroblastos – que compõem a matriz intracelular. Por isso, elas têm um papel central na colonização metastática. Mas o mais importante é que os fibroblastos responsáveis pela produção do VEGF-A podem ser positivos para o marcador S100A4”, disse Rocha à Agência FAPESP.Segundo ele, existem drogas que bloqueiam a ação do VEGF, como o Bevacizumab, que obteve sucesso no tratamento de pacientes com doenças metastáticas, aumentando a sobrevida. “Imaginamos que os pacientes com S100A4 no estroma podem se beneficiar com essas terapias anti-VEGF”, afirmou.
Rocha e Brentani estabeleceram uma parceria com o grupo liderado por Radhu Kalluri, do Centro Médico Beth Israel Deaconess, hospital universitário da Faculdade de Medicina de Harvard. O estudo publicado na PNAS é resultado dessa cooperação.A parte experimental da pesquisa foi realizada em Harvard, em dois grupos de camundongos: um grupo de animais transgênicos que não expressam a proteína S100A4 e um grupo de controle capaz de expressá-la. “Com isso, conseguimos observar as diferenças entre os dois grupos quanto à produção de VGEF e quanto ao aparecimento de vasos e metástases”, disse Rocha.No Laboratório de Anatomia Patológica do Hospital A.C. Camargo, os cientistas fizeram a parte molecular in situ do estudo, realizando testes imunohistoquímicos para identificar a quantidade da proteína S100A4 expressa nos fibroblastos estromais.“A partir daí conseguíamos prever quais pacientes produziriam mais vasos e estariam mais suscetíveis à metástase, caso não fossem tratados”, afirmou o cientista.
O estudo demonstrou, segundo Rocha, que os fibroblastos positivos para S100A4 têm papel crucial na tarefa de fornecer “solo fértil” para a colonização metastática – que de acordo com ele é um passo fundamental da cascata metastática.
O VEGF-A promove a angiogênese – o crescimento de novos vasos sanguíneos – na região tumoral. Esses vasos alimentam o tumor e ao mesmo tempo propiciam e facilitam o aparecimento da metástase.“Verificamos que existe o aparecimento do VEGF-A em células do estroma – que basicamente são fibroblastos – que compõem a matriz intracelular. Por isso, elas têm um papel central na colonização metastática. Mas o mais importante é que os fibroblastos responsáveis pela produção do VEGF-A podem ser positivos para o marcador S100A4”, disse Rocha à Agência FAPESP.Segundo ele, existem drogas que bloqueiam a ação do VEGF, como o Bevacizumab, que obteve sucesso no tratamento de pacientes com doenças metastáticas, aumentando a sobrevida. “Imaginamos que os pacientes com S100A4 no estroma podem se beneficiar com essas terapias anti-VEGF”, afirmou.
Rocha e Brentani estabeleceram uma parceria com o grupo liderado por Radhu Kalluri, do Centro Médico Beth Israel Deaconess, hospital universitário da Faculdade de Medicina de Harvard. O estudo publicado na PNAS é resultado dessa cooperação.A parte experimental da pesquisa foi realizada em Harvard, em dois grupos de camundongos: um grupo de animais transgênicos que não expressam a proteína S100A4 e um grupo de controle capaz de expressá-la. “Com isso, conseguimos observar as diferenças entre os dois grupos quanto à produção de VGEF e quanto ao aparecimento de vasos e metástases”, disse Rocha.No Laboratório de Anatomia Patológica do Hospital A.C. Camargo, os cientistas fizeram a parte molecular in situ do estudo, realizando testes imunohistoquímicos para identificar a quantidade da proteína S100A4 expressa nos fibroblastos estromais.“A partir daí conseguíamos prever quais pacientes produziriam mais vasos e estariam mais suscetíveis à metástase, caso não fossem tratados”, afirmou o cientista.
O estudo demonstrou, segundo Rocha, que os fibroblastos positivos para S100A4 têm papel crucial na tarefa de fornecer “solo fértil” para a colonização metastática – que de acordo com ele é um passo fundamental da cascata metastática.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Cérebro de idosos fixa só coisas positivas
GUILHERME GENESTRETI
IARA BIDERMAN/FOLHA
DE SÃO PAULO
IARA BIDERMAN/FOLHA
DE SÃO PAULO
Há um mecanismo cerebral que faz a pessoa ver o mundo através de lentes cor-de-rosa na velhice.
Estudos de neuroimagem feitos pela psicóloga Laura Carstensen, da Universidade Stanford, mostram que o funcionamento da amígdala, área do cérebro ligada às emoções, é diferente para quem tem mais de 65 anos.
Enquanto nos jovens a amígdala é igualmente ativada por estímulos positivos ou negativos, nos mais velhos a ativação maior só ocorre na estimulação positiva.
Como a amígdala está ligada aos conteúdos emocionais das memórias, o que fica guardado são as sensações das coisas boas da vida. Outro fator de aumento de bem-estar é que, para os velhos, é mais fácil viver o "aqui e agora", diz Myriam Najas, professora de geriatria da Unifesp. "Em vez de fazer planos, o idoso vive o momento intensamente."
Os estudos que medem a felicidade incluem perguntas como: "Esteve pensando em você como uma pessoa sem valor?", e isso também ajuda a explicar a curva ascendente das pesquisas.
"A pessoa mais velha se considera um sobrevivente, tem orgulho de sua idade e de si própria."
Bem-estar cresce à medida que envelhecemos, diz pesquisa
RICARDO BONALUME NETO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Não se trata de mera frescura: a ciência diz que existe, sim, a crise da meia-idade e que ela afeta homens e mulheres em todo o planeta.
Resultados de pesquisas em vários países, na última década, têm mostrado que essa fase bate em média entre 40 e 50 anos, mas varia muito de acordo com a região. Mas um dado novo, curioso e surpreendente indica que a crise é só o fundo do poço. Depois de atingir o ponto mais baixo de "bem-estar" (alguns pesquisadores chamam mesmo de "felicidade"), a pessoa dá a volta por cima e vai ficando mais feliz por quase todo o resto da vida.
É estranho, pois o senso comum indicaria que a felicidade tende a diminuir a cada velinha no bolo de aniversário. Os gráficos ligando satisfação pessoal e idade mostram uma curva em "U". A felicidade começa alta, vai caindo até chegar à base da letra e volta a subir com a idade. Os números variam muito, porém. Em uma pesquisa, a meia-idade chega aos 50 para americanos; em outra, aos 44,5. Os brasileiros atingem a crise aos 46,7, para um estudo, e, para outro, aos 36,5. Na Ucrânia, o mal-estar máximo chega aos 62,1 anos. "Essa diversidade vem das amostras pequenas nesses países. O número varia menos em grandes amostras", diz um dos autores do estudo da curva do "U" do bem-estar, o economista Andrew J. Oswald, da Universidade de Warwick, Reino Unido. O estudo analisou 500 mil pessoas, entre americanos e europeus, que responderam sobre seu estado emocional. Depois de se checar detalhes que poderiam afetar os resultados (renda, vida afetiva etc.), conclui-se que americanos atingem a crise aos 52,6 e europeus, aos 46,5. "A Segunda Guerra parece ter cobrado um preço maior dessa geração de europeus", na interpretação de Oswald.
E o que explicaria o fenômeno em geral?
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
ACEITAÇÃO
"Minha teoria é que na meia-idade enfrentamos nossas deficiências e as aceitamos. Então ficamos mais contentes com a vida", diz Oswald. "Eu poderia ter sido jogador de futebol e feito gols contra o Brasil, mas percebi que teria de me contentar em ser professor", brinca.
Outro estudo criou um "instantâneo da distribuição pela idade do bem-estar psicológico nos EUA" com base em 340.847 pessoas. E cravou a crise em torno de 50.
Nesse estudo, a pessoa avaliava, numa escada com degraus de zero a dez, como se sentia em relação à vida. "Em qual degrau você se sente agora?" era a pergunta.
O líder da pesquisa, Arthur A. Stone, da Universidade de Stony Brook, disse à Folha que considera a curva em "U" um enigma. "Nós e muitos outros estamos investigando fatores responsáveis, mas ainda não sabemos." Entre os fatores que eles esperavam que teriam impacto no resultado e não tiveram estão o gênero, o fato de ter filhos com menos de 18 anos em casa, o desemprego e a falta de um parceiro.
Já o pesquisador Andrew Clark, da Paris School of Economics, usou dados de uma pesquisa britânica para seus estudos sobre a curva do "U". Um questionário com 12 itens registrou as sensações de estresse, depressão e falta de confiança dos entrevistados.
As pessoas responderam se perdiam o sono por preocupação, se se sentiam sob pressão, se perderam a autoconfiança e se pensavam em si como alguém sem valor. Clark disse à Folha que a curva em "U" reflete o que acontece com gente de mais idade: promoções, filhos etc. "A diferença entre os países reflete as diferenças nesses fatores. Se você tem filhos aos 20, está lidando com adolescentes aos 35, se tem filhos aos 35, vai lidar com adolescentes aos 50. O divórcio também pode ocorrer em diferentes idades, em cada país. Isso soa como explicação", diz. E lidar com adolescentes estressa qualquer cristão. Clark também concorda com Oswald sobre a influência da perda de altas expectativas no aumento do bem-estar após a meia-idade. E dá o mesmo exemplo do jogador de futebol, embora o seu seja mais nacionalista: "Um dia desses eu desisti de jogar pela Inglaterra". A psicóloga Laura Carstensen, da Universidade Stanford, EUA, é autora de uma teoria pioneira que explica a alta da felicidade na velhice.
SELETIVIDADE
Segundo a sua "teoria da seletividade socioemocional", à medida que os horizontes de tempo vão ficando mais curtos, as pessoas priorizam determinados objetivos emocionais. Passam a evitar amigos chatos, por exemplo. "A experiência emocional fica melhor com a idade porque as pessoas passam a investir esforço em assuntos importantes para elas", escreveu Carstensen em artigo na "Psychology and Aging". O artigo descreve um experimento diferente dos outros. Enquanto os dados coletados por Oswald e Stone produziram um "instantâneo", uma amostra pontual na população, a equipe da psicóloga seguiu um mesmo grupo de pessoas por uma semana e repetiu o questionamento cinco e dez anos depois. A equipe concluiu: "O envelhecimento está associado com bem-estar geral, maior estabilidade emocional e mais complexidade, evidenciado pela maior ocorrência simultânea de emoções positivas e negativas".
Dá para entender a capa da revista francesa "Le Point", com uma bela mulher sorridente, a estilista Inès de La Fressange, 53, e o título: "A vida começa aos 50".
Ou porque, quando pediram ao dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) um conselho aos jovens, ele foi incisivo: "Envelheçam".
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Gatos usados em pesquisa contra Aids felina brilham à luz ultravioleta
Efeito luminoso é causado pela presença de proteína típica de águas-vivas.Células dos animais ficaram resistentes ao 'FIV', versão felina do HIV.
Do G1, em São Paulo
águas-vivas e macacos. (Foto: Mayo Clinic)
Conhecido como TRIMcyp, o gene do macaco faz a proteção externa do vírus ser destruída antes que ele consiga infectar as células dos felinos. Para colocar o material no corpo dos gatos, os cientistas alteram óvulos não fecundados. Neste momento, foram incluídos também os genes 'fluorescentes' de águas-vivas para que alterações dentro dos gatos pudessem ser rastreadas.Os cientistas da Mayo Clinic, instituto responsável por desenvolver a pesquisa, afirmaram que os filhotes gerados pelos gatos geneticamente alterados também apresentaram os genes. A esperança dos pesquisadores é de que a herança genética continue a ser transmitida pelas próximas gerações desses mamíferos. A tecnologia também pode servir, no futuro, para a criação de novas estratégias para preservar as 36 espécies ameaçadas de gatos selvagens no mundo.
A Aids já matou 30 milhões de pessoas no mundo e ainda não há uma vacina ou cura disponivel para combater a doença que seja reconhecida pela comunidade científica e adotada na prática médica. A versão felina também já deixou milhões de gatos mortos.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Ouro e platina vieram do espaço, dizem cientistas
Pesquisadores britânicos concluíram que metais preciosos chegaram à Terra em violenta chuva de meteoros.
Da BBC
cientistas (Foto: AP)
Isso confirmaria a teoria de que os metais preciosos que usamos hoje chegaram ao planeta em uma violenta chuva de meteoros quando a Terra tinha apenas 200 milhões de anos.'Nosso trabalho mostra que a maior parte dos metais preciosos nos quais se baseiam nossas economias e muitos processos industriais foram adicionados a nosso planeta por coincidência, quando a Terra foi atingida por cerca de 20 bilhões de toneladas de material espacial', diz Mathias Willbold, que liderou a pesquisa da Universidade de Bristol.
'Estoque original'
Durante a formação da Terra, o planeta era uma massa de minerais derretidos, que era constantemente atingida por grandes corpos cósmicos.
O centro da Terra foi criado a partir de metais em estado líquido que afundaram.
De acordo com os cientistas, a quantidade de ouro e outros metais preciosos presente no coração do planeta seria suficiente para cobrir toda a superfície da Terra com uma camada de quatro metros de profundidade.A concentração de todo o ouro e outros metais no centro do planeta deveria ter deixado as camadas externas da Terra praticamente livres da presença desses materiais, por isso a origem do ouro que exploramos na superfície e no manto terrestre (a camada imediatamente abaixo da crosta terrestre) já havia sido motivo de especulações no mundo científico.
Tecnologia
O estudo publicado na revista científica 'Nature' foi o primeiro, segundo os pesquisadores, a conseguir realizar as medidas isotópicas com a qualidade necessária para descobrir que os metais preciosos vieram do espaço.Os cientistas dizem que estudos futuros podem tentar descobrir mais sobre os processos que fizeram com que os meteoros que atingiram a Terra se misturassem ao manto terrestre.
Em seguida, processos geológicos formaram os continentes e concentraram os metais preciosos nos depósitos de minerais que são explorados hoje.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Vítimas de derrame são tratadas com saliva de morcego na Grã-Bretanha
Pesquisadores criam droga com DNA de animais que visa reproduzir capacidade de tornar sangue mais fino.
Da BBC
derrame na Grã-Bretanha. (Foto: BBC)
Entre os pioneiros no tratamento estão especialistas do Hospital da Universidade de North Staffordshire que estão desenvolvendo um poderoso novo medicamento que utiliza uma proteína na saliva dos animais para dissolver coágulos no cérebro.Os cientistas buscaram a saliva dos morcegos devido à capacidade que ela tem de tornar o sangue das vítimas dos animais fino o suficiente para que eles possam sorvê-lo.
O medicamento já foi testado em duas pessoas e já está sendo considerado pelos pesquisadores como o maior avanço no tratamento de derrames nos últimos 20 anos.
Atualmente, vítimas de derrames precisam receber injeções de drogas capazes de dissolver coágulos em no máximo quatro horas após os ataques terem ocorrido, para que o medicamento ainda surta efeito.
Mas a nova droga derivada da saliva do morcego, chamada desmoteplase, pode ser dada aos pacientes até nove horas após os derrames terem sido registrados.De acordo com Christine Roff, pesquisadora da Universidade de North Staffordshire, o medicamento ainda está em fase de testes, mas se estes forem bem-sucedidos, a droga poderá ser usada regularmente dentro de três anos.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Sexo evoluiu por dar resistência a parasitas, afirma estudo
RICARDO BONALUME NETO/FOLHA
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Experimentos com vermes e bactérias dão mais peso a uma teoria que explica a origem da reprodução sexual. É a primeira vez que se faz um estudo em laboratório da coevolução entre parasita e hospedeiro para testar as vantagens evolutivas do sexo.
Uma população que se reproduz sem sexo, duplicando todos seus genes, cresce no dobro da rapidez de outra que pratique a coisa, pois não são necessários dois indivíduos para procriar como na reprodução sexual. Essa aparente ineficiência do sexo está envolta em mistério. Os experimentos feitos por Levi Morran e colegas da Universidade de Indiana (EUA). publicados na "Science", mostraram que o sexo permitiu ao verme milimétrico da espécie Caenorhabditis elegans produzir prole geneticamente diversa e mais resistente à bactéria causadora de doenças Serratia marcescens.
"Não sei dizer por que ninguém tentou esse estudo em particular antes do meu grupo. O campo da biologia evolutiva está só agora começando a explorar a coevolução experimental, a prática de permitir que múltiplas espécies evoluam conjuntamente no laboratório, como uma ferramenta de pesquisa", disse Morran à Folha.
O Caenorhabditis elegans pode ser hermafrodita ou macho. Numa população selvagem, entre 20% e 30% são machos. Mas, na presença da bactéria parasita coevoluindo, a frequência de reprodução via sexo passa a ser quase 90%. Os que fazem sexo com outros indivíduos apresentaram mais resistência.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Parasitas de gatos podem aumentar chance de câncer cerebral
Foto: Getty Images
Os gatos podem estar "espalhando" câncer cerebral aos seus donos, segundo cientistas. A informação foi publicada no jornal Daily Mail nesta quarta-feira (27) e questiona a relação entre um parasita que se reproduz no estômago dos bichanos e os tumores cerebrais em humanos.
O parasita em questão é o toxoplasma gondii, que está presente em cerca de um terço da população e já foi associado a mudanças da personalidade de seus portadores. Para se ter uma ideia, as mulheres grávidas são aconselhadas a não entrarem em contato com caixas de necessidades dos gatos, pois a infecção pode ser fatal para os bebês em gestação. Cientistas franceses coletaram dados globais sobre câncer cerebral em homens e mulheres e comparou com dados sobre a taxa de infecção pelo parasita. Os estudos mostraram que a taxa de câncer de cérebro é maior em países onde o parasita está mais presente, mesmo quando outros fatores como renda foram levados em conta. Além do risco de câncer, alguns sintomas do parasita já são conhecidos. Em ratos, ele causa uma alteração no comportamento que faz com que o animal perca o medo de gatos, o que o torna mais provável que eles sejam mortos e comidos pelos gatos, completando o ciclo de vida do parasita, que se aloja novamente no intestino do animal doméstico. O parasita também pode influenciar o comportamento humano. A pesquisa sugere que os homens infectados se transformem em pessoas mais agressivas e ciumentas, já as mulheres ficam mais desinibidas. Outra pesquisa já chegou a apontar a ligação entre o parasita e a esquizofrenia.
As principais causas de infecção em seres humanos são provenientes do consumo de carne mal cozida, especialmente de porco, ou da ingestão de água contaminada por fezes de gato. Apesar da ligação direta entre o parasita e o câncer não ter sido comprovada, os cientistas acreditam que é necessária a realização de estudos adicionais para determinar a real ligação entre a Toxoplasma gondii e os tumores cerebrais.
O parasita em questão é o toxoplasma gondii, que está presente em cerca de um terço da população e já foi associado a mudanças da personalidade de seus portadores. Para se ter uma ideia, as mulheres grávidas são aconselhadas a não entrarem em contato com caixas de necessidades dos gatos, pois a infecção pode ser fatal para os bebês em gestação. Cientistas franceses coletaram dados globais sobre câncer cerebral em homens e mulheres e comparou com dados sobre a taxa de infecção pelo parasita. Os estudos mostraram que a taxa de câncer de cérebro é maior em países onde o parasita está mais presente, mesmo quando outros fatores como renda foram levados em conta. Além do risco de câncer, alguns sintomas do parasita já são conhecidos. Em ratos, ele causa uma alteração no comportamento que faz com que o animal perca o medo de gatos, o que o torna mais provável que eles sejam mortos e comidos pelos gatos, completando o ciclo de vida do parasita, que se aloja novamente no intestino do animal doméstico. O parasita também pode influenciar o comportamento humano. A pesquisa sugere que os homens infectados se transformem em pessoas mais agressivas e ciumentas, já as mulheres ficam mais desinibidas. Outra pesquisa já chegou a apontar a ligação entre o parasita e a esquizofrenia.
As principais causas de infecção em seres humanos são provenientes do consumo de carne mal cozida, especialmente de porco, ou da ingestão de água contaminada por fezes de gato. Apesar da ligação direta entre o parasita e o câncer não ter sido comprovada, os cientistas acreditam que é necessária a realização de estudos adicionais para determinar a real ligação entre a Toxoplasma gondii e os tumores cerebrais.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Defeito em proteína pode ser uma das causas de infertilidade masculina
Defeito genético não é detectável por exames normais.
Espermatozoide fica impossibilitado de alcançar o óvulo.
Do G1, em São Paulo
alcançar e fecundar o óvulo (Foto:
Ted Tollner/UC Davis)
Para fecundar um óvulo, o espermatozoide precisa evitar o sistema de defesa do organismo da mulher – para que ele não o reconheça como um “intruso” e o destrua. Passar com segurança por todo o trajeto é responsabilidade de uma proteína chamada “DEFB126”.
genético (Foto: Ted Tollner/UC Davis)
De acordo com o trabalho, metade da população masculina possui ao menos uma cópia do gene com defeito; um quarto possui duas cópias. E mais: os exames normais de infertilidade não detectam o problema.
A descoberta pode render novas formas de diagnosticar e tratar a infertilidade, segundo os pesquisadores.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Beber 2 litros de água por dia não traz benefícios à saúde
Especialista afirma que não há evidências científicas que comprovem tal tese perpetuada. A exceção diz respeito a pessoas com histórico de pedras nos rins
“Não há evidências científicas confiáveis dos benefícios de se beber grandes quantidades de água. Mas o mito de que não se bebe o suficiente é perpetuado por vários defensores”, diz Margareth. A médica faz referência à organização Hydration for Health (Hidratação para Saúde, em tradução literal), criada pela empresa Danone e que incentiva o consumo de água, e ao National Health Institute, organização de saúde da Grã-Bretanha, que recomenta a ingestão de seis a oito copos diários de água ou outros líquidos.
Exceção - De acordo com a pesquisa, os únicos benefícios comprovados da alta ingestão de água dizem respeito a pacientes com histórico de pedras nos rins. "Parece, portanto, que a água não é uma solução simples para vários problemas de saúde", pontua. Margareth coloca em xeque ainda relatos anteriores de que o consumo elevado de água em crianças melhoraria a concentração e a performance mental e reduziria os riscos de obesidade. Segundo a pesquisadora, também não há evidências científicas que comprovem essas teses.
Especialistas na área indicam que o consumo de água deva estar vinculado à sede, exceto em crianças e idosos que podem não sentir sede. Períodos longos de seca ou de muito calor também pedem uma atenção extra ao consumo de água.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Descobertos indícios genéticos para a esquizofrenia
É mais comum encontrar mutações genéticas em pacientes com esquizofrenia do que em pessoas que não sofrem com a doença. Contudo, essas mutações não estão presentes nos pais dos pacientes. Essa descoberta foi feita pelos pesquisadores da Universidade de Montreal e do CHU Hospital Sainte-Justine, no Canadá.
Publicado na revista especializada Nature Genetics, o estudo pode permitir aos pesquisadores definirem como a doença resulta dessas mutações e desenvolverem novos tratamentos para ela. "A ocorrência de mutações, como foi observado neste estudo, pode em parte explicar a alta incidência de esquizofrenia em todo o mundo", diz Dr. Rouleau, Diretor do Centro de Pesquisa CHU Sainte-Justine e pesquisador da Universidade de Montreal."Justamente porque as mutações estão localizadas em muitos genes diferentes, agora podemos começar a estabelecer redes genéticas que definem como estas mutações genéticas predispor à esquizofrenia", acrescenta Simon Girard, um dos pesquisadores da equipe de Rouleau. Girard explica que a maioria dos genes identificados pela pesquisa não tinham sido relacionados à esquizofrenia até então. Com essa descoberta, esses genes tornaram-se novos potenciais alvos terapêuticos.
Fonte: EurekAlert!
Publicado na revista especializada Nature Genetics, o estudo pode permitir aos pesquisadores definirem como a doença resulta dessas mutações e desenvolverem novos tratamentos para ela. "A ocorrência de mutações, como foi observado neste estudo, pode em parte explicar a alta incidência de esquizofrenia em todo o mundo", diz Dr. Rouleau, Diretor do Centro de Pesquisa CHU Sainte-Justine e pesquisador da Universidade de Montreal."Justamente porque as mutações estão localizadas em muitos genes diferentes, agora podemos começar a estabelecer redes genéticas que definem como estas mutações genéticas predispor à esquizofrenia", acrescenta Simon Girard, um dos pesquisadores da equipe de Rouleau. Girard explica que a maioria dos genes identificados pela pesquisa não tinham sido relacionados à esquizofrenia até então. Com essa descoberta, esses genes tornaram-se novos potenciais alvos terapêuticos.
Fonte: EurekAlert!
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