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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Injeção que pode tratar esquizofrenia chega ao Brasil neste mês

GIULIANA MIRANDA/FOLHADE SÃO PAULO

Uma injeção que precisa ser tomada apenas uma vez por mês chega ao mercado brasileiro em dezembro e pode ajudar a contornar um dos principais problemas do tratamento da esquizofrenia: o abandono da medicação.

"Muitas vezes o paciente não se dá conta de que está doente e corta a medicação. Uma alternativa que diminua a frequência de remédios ajuda na aderência e no controle da medicação", diz Helio Elkis, coordenador do Programa de Esquizofrenia do Hospital das Clínicas da USP. Aprovado em junho pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o palmitato de paliperidona é o que se chama de antipsicótico --um remédio que ajuda a prevenir distúrbios característicos da doença.
Um levantamento feito pelo Instituto de Psiquiatria do HC revelou que cerca de 50% das pessoas com esquizofrenia abandonam a medicação após um ano do início do tratamento.
Essa interrupção pode agravar os sintomas da doença e favorecer o acontecimento de surtos psicóticos.
Além dos fatores psicológicos, os muitos efeitos colaterais da medicação também são apontados como razão para que os pacientes abandonem os remédios. Os remédios, sobretudo os mais antigos, podem desencadear desde aumento de peso até rigidez muscular e um quadro de tremores parecido com o do mal de Parkinson. O excesso de saliva e a dificuldade de controlá-la, que deram o apelido pejorativo de "louco babão" aos afetados, derivam, na verdade, da medicação, e não são sintomas naturais do transtorno.
Para controlar esses efeitos indesejáveis, muitos pacientes usam conjuntamente outros medicamentos.
Abaixo,trailer dos filmes "Uma mente brilhante" e "Don Juan de Marco" sobre o assunto.


COQUETEL
Como no Brasil a maioria das pessoas com esquizofrenia toma antipsicóticos em forma de comprimidos diários, é comum que haja um verdadeiro "coquetel" de pílulas, facilitando o esquecimento e até o abandono da medicação pelos pacientes. "Diminuir a quantidade de remédios é algo bom, mas eu diria que a maior vantagem do palmitato de paliperidona é a redução dos efeitos colaterais", diz Rodrigo Bressan, coordenador do Proesq (Programa de Esquizofrenia) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Embora menores, as reações adversas também acontecem com os usuários. Um estudo com o remédio publicado na revista especializada "Schizophrenia Research" lista, entre outras coisas, ganho de peso, dores de cabeça e insônia. Ainda assim, como em boa parte dos remédios recentes, esses efeitos foram menos intensos do que nos da primeira geração de antipsicóticos.
O TRANSTORNO
Os mecanismos que causam a esquizofrenia --transtorno que afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde)-- ainda não foram totalmente esclarecidos. Sabe-se, no entanto, que existe um componente hereditário forte. Filhos de esquizofrênicos têm mais chances de desenvolver a doença, embora ela também apareça em pessoas sem histórico familiar.
O transtorno costuma se manifestar entre o fim da adolescência e o início da vida adulta. Em geral, os sintomas aparecem nas mulheres de forma um pouco mais tardia do que nos homens.
Além das manifestações mais conhecidas, como alucinações auditivas e visuais, pessoas com esquizofrenia podem apresentar diminuição da capacidade de raciocínio, abstração, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas e quadros de depressão.
'Foi difícil aceitar a esquizofrenia', diz engenheiro
José Alberto Orsi, 44 anos, começou a sentir os efeitos da esquizofrenia aos 26 anos, após se formar na faculdade de engenharia. Ele é hoje membro da Abre (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia).
Karime Xavier/Folhapress
José Alberto Orsi, 44, começou a sentir os efeitos da esquizofrenia aos 26 anos, após se formar em engenharia
José Alberto Orsi, 44, começou a sentir os efeitos da esquizofrenia aos 26 anos, após se formar em engenharia

Leia o depoimento abaixo:
"Tive as primeiras manifestações da esquizofrenia aos 26 anos, depois que já havia me formado na faculdade de engenharia e conseguido um bom emprego. A doença começou a aparecer quando eu descobri que havia sido transferido no trabalho. A nova função era muito mais estressante, e eu entrei numa crise grande em relação à profissão. Fiquei apático, em depressão profunda. Isso também é sintoma de esquizofrenia, mas pouca gente associa. Foi muito difícil aceitar o diagnóstico. Meu pai também tinha problemas mentais, e vi todas as coisas ruins que aconteceram com ele. Dificuldade de conseguir emprego, internações e crises. Tudo isso me veio à cabeça quando se falou que eu tinha esquizofrenia. Eu não queria ficar do mesmo jeito.
Hoje, trabalho ajudando outros pacientes. Na ONG, participo de vários projetos ligados à arte. Vivo bem."


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Afastamentos por doenças mentais disparam no país

O mercado de trabalho tornou-se um foco de doenças como depressão e estresse. A tendência já se reflete em forte aumento no número de brasileiros afastados pelo INSS por esse tipo de problema de saúde, informa reportagem de Érica Fraga e Venscelau Borlina Filho publicada na Folha desta sexta-feira.

As concessões de auxílio-doença acidentário --que têm relação com o trabalho-- para casos de transtornos mentais e comportamentais cresceram 19,6% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aumento foi quatro vezes o da expansão no número total de novos afastamentos autorizados pelo INSS. Nenhum outro grupo de doença provocou crescimento tão forte na quantidade de benefícios de auxílio-doença concedidos entre janeiro e junho deste ano.
"Há ondas de doenças de trabalho. A onda atual é a da saúde mental", diz Thiago Pavin, psicólogo do Fleury. Mudanças adotadas pelo Ministério da Previdência Social em 2007 facilitaram o diagnóstico de doenças causadas pelo ambiente de trabalho. Isso levou a um forte aumento nas concessões de benefícios acidentários para todos os tipos de doença em 2007 e 2008. Os afastamentos provocados por casos de transtornos mentais e comportamentais, por exemplo, saltaram de apenas 612 em 2006 para 12.818 em 2008. Mas, depois desse ajuste inicial, tinham subido apenas 5% em 2009 e recuado 10% em 2010.

Editoria de arte/Folhapress

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Redes sociais fazem jovens viverem como em um zoológico, diz psiquiatra

JULIANA CARPANEZ||Do UOL Tecnologia
De Londres
  • 'A informação publicada sobre você [na internet] é como uma jaula', diz psiquiatra britânico 'A informação publicada sobre você [na internet] é como uma jaula', diz psiquiatra britânico
As redes sociais estão totalmente integradas à vida dos adolescentes: nesses sites eles interagem com seus amigos, conhecem pessoas novas, expõem suas fotos e também seus vídeos. O fato de muitas informações pessoais – publicadas pela própria pessoa ou por seus amigos -- ficarem disponíveis na web, no entanto, pode fazer com que os jovens vivessem como se estivessem no zoológico. Ou em um circo. Quem define é o psiquiatra britânico Richard Graham, 48, especializado em crianças e adolescentes: “Todos passam, assistem ao que eles estão fazendo e solicitam algo”. “A informação publicada sobre você [na internet] é como uma jaula. As pessoas vão dizer isso e aquilo, vão colocar fotos suas e então você estará preso. E tentará controlar isso da forma como pode, mudando seu status, os dados do seu perfil, mas é como brigar com o oceano, onde há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo”, afirmou o especialista ao UOL Tecnologia.Graham lidera desde março de 2010 um serviço de atendimento no hospital Capio Nightingale, em Londres, voltado a jovens viciados em tecnologia.A instituição particular tem diferentes tipos de tratamentos para aqueles que não conseguem se desconectar – entre eles, uma internação em que o paciente passa cerca de um mês vivendo no local, sem acesso a computadores.Confira abaixo os trechos da entrevista ao UOL Tecnologia, em que ele fala sobre redes sociais.
  • Divulgação
UOL Tecnologia – Como as redes sociais mudam a vida dos adolescentes?
Graham – Os jovens hoje crescem não apenas em um mundo social, mas em um mundo transparente, onde quase tudo é visto por todos. Se você cometer um erro, ele será publico. Se fizer algo bom, também será publico. É como viver em uma casa de vidro sem cortinas, sem portas, onde qualquer um pode entrar e vê-los. Da mesma forma, eles também podem ver todo mundo, o que acaba criando uma competição intensa e uma comparação intensa.
Talvez por isso muitos deles criem identidades falsas: somente sendo outra pessoa, eles conseguem ser eles mesmos. Essa é uma forma de colocar cortina em suas casas de vidro.
UOL Tecnologia – A internet, então, é uma vitrine de gente? 
Graham – É uma vitrine, uma constante competição em que todos querem estar no topo o tempo todo. E isso demanda muito de seus usuários.
UOL Tecnologia – A internet pode aumentar a ansiedade, pelo fato de o usuário querer checar e responder mensagens?
Graham – Sim. A informação publicada sobre você é como uma jaula. As pessoas vão dizer isso e aquilo, vão colocar fotos suas e então você estará preso. E tentará controlar isso da forma como pode, mudando seu status, os dados do seu perfil, mas é como brigar com o oceano, onde há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.Se pensarmos que, além dos amigos, as empresas também estão de olho nas informações publicadas online, me parece que os jovens hoje podem se sentir como vivendo em um zoológico. Ou em um circo. Todos passam, assistem ao que eles estão fazendo e solicitam algo deles.Isso sem contar aqueles que sofrem ciberbullying, quando às vezes recebem por dia centenas, milhares de mensagens. Isso faz a pessoa se sentir incapaz de controlar o que está sendo dito sobre ela. E quanto mais você confrontar o que é dito, mais poderoso será o efeito [da mensagem]. Minha preocupação com os jovens é que essa situação seja tão intensa que possa ser capaz de controlá-los.Mas essa situação também pode funcionar de outro jeito. Você pode ser o Justin Bieber e fazer muito sucesso na internet. Ou organizar via mensagens na internet manifestações como as que aconteceram no Egito, na Líbia, na Tunísia.
UOL Tecnologia – Hoje em dia, muitas pessoas ficam conectadas à internet de seus celulares mesmo quando estão com outras pessoas. Qual o impacto desse hábito?
Graham – Quando você anda pelas ruas, hoje, a sensação é de que 30, 40% das pessoas estão olhando para seus celulares. O que perdemos com isso é a satisfação de realizarmos coisas mais complicadas, difíceis ou desafiadoras, que certamente não são tão rápidas. Temos a impressão de que algo só vale a pena se acontecer rápido. Em toda situação vai existir alguns momentos que são entediantes, que não são tão importantes, que pode se sentir um pouco excluído. Hoje, nesses momentos, é como se tivéssemos um irmão gêmeo [virtual] e recorrêssemos a ele o tempo todo.
UOL Tecnologia – Mas esse “eu virtual” pode ser mesmo mais divertido, não?
Graham – Isso tem um preço. Ele pode fazer com que você perca coisas que seriam mais envolventes, mais gratificantes. Quando você vai a um show, hoje, as pessoas ficam segurando seus telefones e assistindo a tudo pela tela do telefone. O que você vê na tela pode mostrar o que acontece, mas é bidimensional, não é tão imersivo como se você usasse todo o seu corpo, seus sentidos. Você pode levar três dias para ler um livro, mas é uma experiência diferente de ver um vídeo de três minutos: no livro algo se constrói, há uma construção.
UOL Tecnologia – A oferta da internet está cada vez maior, inclusive nos celulares. Para onde caminhamos com tanta tecnologia disponível?
Graham - Ninguém vai impedir que a tecnologia se desenvolva, mas nós que trabalhamos com saúde precisamos entender como ela muda e como ela nos muda. Temos de nos manter atualizados com a tecnologia e trabalhar com a indústria para que eles também sejam socialmente responsáveis por ela.
O Google, por exemplo, tem 50% ou mais de seu quadro de funcionários composto por engenheiros, não há psicólogos. Eles pensam no que funciona para o negócio, o que é bom para a economia, mas há problemas com os quais precisamos lidar.Precisamos desenvolver diretrizes para usar a internet e, fundamentalmente, aumentar a consciência de todos sobre o uso da internet. Para pais e profissionais como eu há muitas dúvidas sobre qual a coisa certa a fazer. Temos, juntos, de achar algumas respostas, senão deixaremos essa geração de crianças abandonadas nesse zoológico ou nesse no circo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Saiba como identificar um psicopata


Às vezes você pode pensar que uma pessoa é absolutamente louca enquanto conversa com ela, mas é realmente difícil distinguir pessoas simplesmente estranhas de psicopatas genuínos.
Pesquisadores da Universidade Cornell entrevistaram psicopatas criminosos e analisaram suas falas. Com isso, descobriram que existem certos padrões de fala que os psicopatas tendem a usar nas conversas.
De acordo com os pesquisadores, psicopatas tendem a mostrar falta de emoção e descrever seus crimes em termos de causa e efeito. Eles concentram sua atenção em necessidades básicas, como comida, bebida e dinheiro.Essas coisas não são facilmente identificadas em uma conversa informal, não é mesmo? A não ser que alguém comece a descrever seus crimes para você. Mas existem alguns outros maneirismos mais específicos na fala de um psicopata, como tiques verbais. O uso do pretérito pode ser um indicador de distanciamento psicológico, e os pesquisadores também descobriram que psicopatas usam mais o tempo presente do que outras pessoas. Psicopatas também interrompem mais suas falas com “hum” e “hums”.Isso tudo é interessante, mas pode ser usado no mundo real, digamos, em um primeiro encontro? Não exatamente. Essas descobertas são mais propensas a serem usadas por policiais que tem acesso a softwares de análise de discurso – não são técnicas tão boas a ponto de detectar um assassino em um encontro em um bar. Se uma pessoa não para de fazer “hum” e “hums” em um encontro, o que isso significa? Que ela é apenas uma pessoa normal nervosa! Usando esse critério, seria muito fácil diagnosticar incorretamente o pobre rapaz ou moça que só quer te convidar para sair, mas morre de medo que você diga não.

domingo, 23 de outubro de 2011

"Mentes Ansiosas" ensina aos mais afoitos a como ter equilíbrio na vida

da Livraria da Folha
Divulgação
Medo pode ser um exemplo de ansiedade que altera sua vida
Medo pode ser um exemplo de ansiedade que altera sua vida

"Mentes Ansiosas" é o novo livro de Ana Beatriz Barbosa Silva, a psiquiatra responsável por tornar acessível o diagnóstico dos sintomas mais agudos da sociedade contemporânea.
Já foi assim com o estrondoso sucesso "Bullying", além dos também aclamados "Mentes Perigosas" e "Mentes e Manias". Nesta nova obra, a psiquiatra conversa com um vasto público, o dos ansiosos e afoitos, estes que sofrem muitas vezes apenas com suposições, e não necessariamente fatos reais.
Mais do que nunca, a ansiedade tem sua causa na cultura, no modo de vida que a sociedade capitalista de consumo tem se comportado frente a tanta oferta e objetivos (obrigações) de vida feliz.
A psiquiatra usa como referência as definições estabelecidas pela Associação de Psiquiatria Americana, para agrupar e apontar as diversas formas e os diferentes graus de intensidade dos transtornos de ansiedade:
1 - Súbitos ataques de pânico, que podem evoluir para o transtorno do pânico.
2 - Fobia social ou timidez patológica, na qual as pessoas percebem ameaças potenciais em situações sociais e em exposição ao público.
3 - Medos diversos ou fobias simples, cuja ameaça provém de estímulos bem específicos (animais, lugares fechados, chuvas, avião, etc.)
4 - Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), quando se vive experiências traumáticas significativas (seqüestros, perdas de entes queridos, acidentes, etc.)
5 - Transtorno de ansiedade generalizada (TAG), que se caracteriza por um estado permanente de ansiedade, sem qualquer associação direta com situações ou objetos específicos
6 - Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), no qual a mente é invadida por pensamentos intrusivos e sempre de conteúdo ruim (obsessões), que desencadeiam rituais repetitivos e exaustivos (compulsões), na tentativa de exorcizar tais ideias.
Com muita cautela, a psiquiatra explica e esclarece o que vem a ser a ansiedade, sua associação com o medo, em quais outras particularidades ela pode se desdobrar e o que não é ansiedade também.
*
"Mentes Ansiosas"
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar
Páginas: 208
Quanto: R$ 26,90 (preço promocional)*
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Depressão pode diminuir raiva

(Bibliomed). Pessoas com depressão frequentemente apresentam uma desconexão do chamado “circuito da raiva” em seus cérebros. Segundo os pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, o circuito da raiva, que conecta o giro frontal superior, a ínsula e o putâmen, e representa a conexão que interliga as partes do cérebro quando uma pessoa sente raiva.

Para detectar isso, os cientistas submeteram 39 pessoas com depressão e 37 voluntários saudáveis a exames de ressonância magnética funcional (fMRI). Os resultados dos exames mostraram diferenças significativas no funcionamento de cérebro das pessoas dos dois grupos.
A maior diferença foi observada no cérebro das pessoas deprimidas, onde se pôde notar uma menor atividade no circuito raiva. Notou-se também diferenças menos intensas nos circuitos relacionados ao risco e às reações, recompensas e emoção, atenção e processamento da memória.
Nas pessoas com depressão observou-se que os circuitos da raiva e o de risco/ação tinham 92% de probabilidade de estar desacoplado, enquanto para o de emoção/recompensa era de 82%.
"Os resultados são claros, mas desafiadores à primeira vista, já que sabemos que a depressão é frequentemente caracterizada por auto-aversão, e não há indicações óbvias de que os depressivos tenham menos tendência a ter raiva dos outros," comenta os pesquisadores.
Segundo os pesquisadores, o fato de as pessoas deprimidas não conseguirem controlar seus relacionamentos e aprender com as situações sociais podem ser a causa dessas características.
Fonte: Diário da Saúde

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Medicina-100 personalidades diferentes vivem dentro em Kim Noble



Chegou hoje às livrarias britânicas a autobiografia da pintora Kim Noble. O livro, na verdade, está longe de ser uma autobiografia padrão, já que a própria Kim não se lembra de muita coisa de sua vida. Kim é o corpo – ou um nome na certidão de nascimento – que abriga mais de 100 personalidades. Ela sofre de um transtorno psiquiátrico chamado dissociativo, mais conhecido na linguagem popular como “múltiplas personalidades”. Kim ficou famosa na Inglaterra há alguns anos, quando suas personalidades começaram a pintar quadros como forma de revelar seus traumas e aflições. O caso de Kim repercutiu até Estados Unidos, onde ela deu uma entrevista à Oprah Winfrey no ano passado. Agora, mais de dez anos depois de muita terapia para conciliar todos os perfis que habitam a mente de Kim, ela conseguiu reunir seus fragmentos de memória para tecer sua própria história no livro “All of Me: My Incredible Story of How I Learned to Live with the Many Personalities Sharing My Body”. Um livro para contar a história de tanta gente não poderia ter um nome menor. Na tradução para o português seria algo do tipo: Tudo sobre mim – minha incrível história de como aprendi a conviver com as múltiplas personalidades que compartilham o meu corpo). Os medicos e terapeutas que atendem Kim acreditam que o transtorno dissociativo tenha sido causado pelos sucessivos abusos que ela sofreu na infância. Seus pais eram operários e Kim era freqüentemente deixada com pessoas desconhecidas. Sua mente teria se fragmentado para se proteger do trauma do abuso. Muitas das personalidades não se lembram das violências, outras, como Ria Pratt, uma menina de 12 anos, retratam cenas chocantes por meio das pinturas. Patrícia, atualmente o perfil dominante, diz ser feliz porque não lembra dos abusos. É Patrícia quem está no comando de Kim na maior parte do dia. É ela quem cuida de Aimee, a filha de 14 anos de Kim. Mas, na hora das refeições, quem aparece é Judy. A personalidade de 15 anos se acredita gorda e tem problemas para comer. Dentro de Kim vivem até homens. Um deles é Ken, de 21 anos, gay. Cada uma dos perfis de Kim não tem conhecimento da existência das outras – com exceção de Patrícia, que aceita ter o transtorno dissociativo. Mas isso não significa que ela se lembre do que acontece quando é outro perfil que está no comando. Isso pode causar uma série de problemas a Kim: uma personalidade pode mudar o celular de lugar e a outra não irá encontrá-lo, uma marca consulta com um médico, mas a que está no comando no horário do compromisso não sabe que tem uma consulta. Kim diz que já deixou bilhetes pela casa com recados para as personalidades. Mas freqüentemente encontra respostas do tipo “Cuide de sua própria vida”. Kim, ou melhor, Patrícia, que é quem falar por ela boa parte do tempo, diz que as trocas de personalidade acontecem de três a quatro vezes por dia.A história de Kim foi marcada por sucessivas internações em hospitais psiquiátricos. Ela só recebeu o diagnóstico de transtorno dissociativo quando tinha 34 anos. A notícia, conta, foi um alívio. Ela já havia recebido tratamento para depressão, esquizofrenia e alguns outros transtornos dos manuais de psiquiatria. Desde que começou a tratar as múltiplas personalidades, não passou por nenhuma internação e parou de tomar remédios. Ela diz que a terapia foi fundamental para aprender a conciliar os múltiplos perfis. Para agendar horários e entrar em contato com a terapeuta, cada personalidade tem sua própria conta de e-mail com uma senha.
Mesmo em meio a essa confusão de perfis, Kim encontrou forças para lutar pela guarda da filha, retirada pela Justiça assim que Aimee nasceu e devolvida apenas seis meses depois. A Justiça achava que Kim que não teria condições de criar uma criança. Quem deu a luz à Aimee foi a personalidade Dawn, que ficou traumatizada com a perda da guarda e continua “vivendo” no ano de nascimento de Aimee, 1997, em busca da filha. Ela acha que a Aimee, hoje uma adolescente de 14 anos, é filha de uma amiga. Quando Aimee era criança, foi Hayley, uma super mãe, que se tornou a personalidade dominante naquela época.
Imaginem o que deve ter sido para Aimee crescer com tantas mães! Ela diz estar perfeitamente acostumada e conhece melhor do que ninguém cada uma das personalidades. Kim diz que tem certeza de que nenhum de seus perfis seria capaz de fazer a mal à sua filha porque eles apareceram justamente como uma forma de proteção durante a infância de Kim.

Marcela Buscato é editora de ÉPOCA em São Paulo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Em 2011, 700 professores se licenciaram na rede pública de Vitória por problemas psiquiátricos

Flávia Bernardes
Especial para o UOL
Em Vitória


Depressão, transtornos de ansiedade, transtornos bipolares e o estresse são as doenças responsáveis por mais de 50% dos afastamentos dos professores da rede municipal pública de Vitória, no Espírito Santo, segundo o Sindiupes (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo).
Segundo o levantamento do sindicato, foram concedidas 700 licenças médicas por problemas psiquiátricos até agosto de 2011, sendo 356 por depressão, 187 por transtornos de ansiedade, 41 por transtornos bipolares e 72 por estresse. No total, a rede possui cerca de 4.000 docentes.Na avaliação do diretor  do Sindiupes, Rafael Ângelo Brizotto, o quadro é "grave". “Hoje os professores estão doentes devido à excessiva carga horária de trabalho, o grande número de alunos que prejudica a organização, o pouco tempo que há para se deslocar entre uma escola e outra, inclusive, que impede muitas vezes que o professor  almoce, o que consequentemente acarreta um caos na saúde do profissional”, disse Brizotto.Segundo o Sindiupes, os mais de 50% de educadores de Vitória afastados da rede municipal de educação deve-se também ao medo da violência sofrida muitas vezes por alunos de apenas 12 e 13 anos e aos baixos salários.

Preocupante

Segundo a doutoranda e funcionária dos Recursos Humanos da Secretaria Municipal de Educação de Vitória, Karla Veruska Azevedo, o número de licenças é, sem dúvida, preocupante. Segundo ela, no primeiro semestre deste ano, os licenciamentos ocorreram primeiramente nos casos que tratam de mães e esposas (problemas ligados a família e a saúde); em 2º por problemas respiratórios (sinusite, asma, bronquite); em 3º devido a recuperações cirúrgicas e em 4º devido as doenças chamadas da modernidade, como a depressão e o estresse.
“Entendemos que essa situação se estende ao externo também, ou seja, se constitui tanto dentro do trabalho como fora, na ligação com a família, a cidade, entre outros agentes”, disse Karla Azevedo.
Neste sentido, além da medicina do trabalho que acompanha e discute o problema, foi formado pela prefeitura de Vitória um grupo de trabalho que atua integrado com as escolas e seus atores para identificar os problemas. Segundo ela, um seminário vem sendo organizado para unir as propostas neste sentido.
Entre as medidas em andamento, Karla Azevedo informou que há um trabalho específico para diminuir o número de alunos na sala de aula, que hoje chega a atingir 35 alunos por sala de aula.  Entretanto, o trabalho é gradativo,  já que é necessário estrutura para alocar os alunos removidos das salas em questão e reduzir a quantidade para 30 alunos por sala no máximo. “O afastamento dos educadores também é uma preocupação nossa, afinal, a conseqüência deste problema é um buraco na educação”, ressaltou Karla Azevedo.Só em 2010, por exemplo, foram 7.587 licenças médicas concedidas a funcionários do magistério da rede municipal de Vitória. Em primeiro lugar na causa dos afastamentos estão problemas respiratórios, seguido por doenças músculo-esqueléticas (dores nas costas, artroses, dores lombares ou outras dores pelo corpo). Já os distúrbios psiquiátricos apareceram em terceiro lugar no ranking com 703 casos durante todo o ano de 2010 – número bem inferior aos 700 já registrados no primeiro semestre de 2011.
FEVEREIRO DE 2011-Em SP, concurso reprova professor que teve depressão

Professores aprovados no último concurso para a rede estadual de São Paulo estão impedidos de assumir seus cargos por terem tirado, em algum momento de suas carreiras, licenças médicas por motivo de depressão. Por essa razão, devem continuar com contratos temporários. Especialistas afirmam que a decisão é preconceituosa.
O concurso que selecionou docentes para atuar no ciclo 2 do ensino fundamental tem diversas etapas: prova inicial, curso de preparação (que dura cerca de quatro meses), prova pós-curso e diversos exames de perícia médica - fase na qual os professores que tiveram depressão foram "reprovados". Docentes míopes e obesos também foram impedidos de assumir seus cargos nessa mesma seleção.

A psiquiatra da Unifesp Mara Fernandes Maranhão afirma que vetar um docente pelo fato de ele ter tido depressão é preconceito. "Toda pessoa está sujeita a passar por situações difíceis", explica. "Aquelas que têm propensão ou componente genético desenvolvem processos depressivos". Segundo ela, são poucos os quadros realmente curáveis, já que há grande chance de recorrência. "Mas a doença é tratável e, com acompanhamento, o paciente pode voltar a trabalhar normalmente"Eli Alves da Silva, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB-SP, concorda. "Essa pessoas estão sendo discriminadas pelo próprio Estado, que é quem deveria combater esse tipo de coisa". Para o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o governo deve "propor acompanhamento a todos os casos de professores com problemas de saúde e não alijá-los do trabalho". A entidade ressalta que seu departamento jurídico tem ingressado com ações na Justiça para garantir aos professores nessa situação o direito de lecionar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
"A depressão é ainda infelizmente uma doença a que muita gente dá pouca importância em termos sociais. Eu era também daqueles que, por pura ignorância (preconceito), considerava a depressão uma demonstração de “preguicite aguda”, até assistir ao drama pessoal de duas colegas que apanharam uma depressão profunda. Uma delas nunca conseguiu recuperar totalmente, revelando falta de força para acompanhar ritmos normais de trabalho, denota perdas de memória, qualquer assunto de simples resolução é uma enorme complicação, demonstra enormes níveis de insegurança pessoal sofrendo ainda de crises terríveis de ansiedade. A outra colega ficou “incapaz para qualquer trabalho e teve aposentação antecipada com cerca de 45 anos de idade.Foi aí que mudei a imagem preconceituosa que tinha da depressão.Sabe-se quando começa uma depressão, mas nunca se sabe quando ela acaba!
Mas o pior, é que, quando mal curada e mal acompanhada, a depressão pode diminuir em muito as capacidades intelectuais de uma pessoa. Para quem no quotidiano lida com várias pessoas, como é o caso dos professores, é necessário uma grande higiene mental para que a depressão não tome conta das nossa vidas.
Técnicas de relaxamento, convívio com os amigos, sair de casa mesmo quando não nos apeteça, evitar a rotina, saídas aos fins de semana, boa alimentação, são factores que dou agora mais importância depois daquilo a que assisti dessas colegas.
Quando mais de 40% dos professores, em algum momento da vida, sofreram ou ainda sofrem de depressão, estamos perante uma situação, desculpem a minha ousadia pouco científica, de doença profissional. Por esse motivo os professores deveriam ter um regime especial de aposentação, mais cedo para os professores do 1º e 2º ciclo, um bocado mais tarde para os professores do 3º ciclo e secundário. Não se compreende a atitude deste de governo em exigir que as condições mínimas para a aposentação dos professores sejam 40 anos de serviço e 65 anos de idade, pois serão muito poucos aqueles que aguentarão tal meta. Com a experiência de ex-PCE (8 anos) posso garantir, com pouca margem de erro, que a maior parte dos professores a partir dos 55 anos de idade já demonstra um enorme desgaste profissional: irritabilidade, perdas de memória, lapsos durante as aulas, etc, etc. Note-se que fui PCE de uma escola que na altura tinha mais de 250 professores, e de facto eram poucos os docentes que a partir dos 55 anos demonstravam a “energia” necessária e suficiente para “defrontar” as vicissitudes emocionais da docência.
Tenho assistido a uma verdadeira explosão de casos depressivos, resultantes não só de um burnout provocado pela humilhação a que fomos sujeitos, mas também por enorme aumento da carga de trabalho. "(Pedro Castro )
A falta de acompanhamento médico de professores afastados da sala de aula, por problemas de depressão, também ocorre no Executivo Federal. A Coluna mostrou que os docentes do estado não recebem assistência quando se afastam, mesmo com a depressão, a ansiedade e a Síndrome do Pânico representando 70% dos motivos de licença-médica.Segundo o Ministério do Planejamento, o que existe atualmente são programas de prevenção que estão inseridos no Siass (Sistema de Atenção à Saúde do Servidor). Os trabalhos acabam direcionados para as principais doenças que afastam servidores do trabalho. A pasta informou que é de responsabilidade do órgão criar projetos de prevenção condizentes com a realidade do funcionário.Já a Secretaria Estadual de Educação informou que o Programa de Saúde Mental, oferecido pela pasta, tem orientado os professores nas situações de conflito e tensão no ambiente escolar. De acordo com a secretaria, uma equipe volante, composta por educadores e psicólogos, dá suporte imediato em situações de emergência. Há palestras e reuniões com pais e alunos. Os profissionais que atuam no programa não fazem perícia no professor estaduais. Apenas atuam na prevenção de doenças.

domingo, 28 de agosto de 2011

Séries sobre distúrbios psiquiátricos viram cult na TV paga

NINA LEMOS/FOLHA
De SÃO PAULO

Depois que ficou viúvo, um senhor que mora no interior dos EUA transformou sua casa em um lixão. Começou a comprar coisas em ferros-velhos e bazares e nunca mais jogou nada fora. Hoje, ele vive praticamente soterrado.
Para entrar em seu quarto, é preciso escalar uma montanha de coisas amontoadas. Sua sala de estar já era. Almoça em um cantinho, encurralado pelos objetos que junta.
Esse é um dos personagens bizarros (e todos se parecem) de "Acumuladores" (sáb., às 23h), que estreou em março no Discovery Home & Health e virou cult ao mostrar casos extremos do que psiquiatras chamam de "colecionismo". "Acumuladores" é a série mais comentada de um gênero que ganha cada vez mais espaço na TV: programas sobre distúrbios psíquicos.
Letícia Moreira/Folhapress
Administradora Cristina Trama, 34, fã do programa "Acumuladores" porque identifica nos personagens seu marido
Administradora Cristina Trama, 34, fã de "Acumuladores" porque identifica nos personagens seu marido

Há nos canais pagos séries sobre alcoólatras e drogados, obsessivos compulsivos, ansiosos e por aí vai. A maioria delas acompanha casos reais, com direito a muita gente chorando e especialistas tentando ajudar os doentes.
Em "Acumuladores", um homem fala aos prantos: "Não quero me livrar disso", enquanto segura uma caneca e é acompanhado por um "especialista" que tenta convencê-lo a largar o objeto. No A&E, há programa parecido, "Obsessivos Compulsivos" (ter., às 20h), dedicado a quem sofre desse transtorno e de outras obsessões. O Discovery Home & Health estreia hoje dois programas: "Ansiedade Extrema" e "Mulheres com Medo". As "síndromes" nunca estiveram tão na moda. Nem os remédios. Faz sentido que sejam vistas com gente pensando: "Ainda bem que eu não sou assim". Caso da administradora Cristina Trama, 42, que vê semanalmente "Acumuladores". "O que me chama a atenção é que o meu marido é meio assim. Ele guarda várias coisas, tem milhares de coleções, mas, claro, não chega a esse nível", conta. Cristina diz que foi útil ver o marido retratado, mesmo com tintas carregadas. "Identifiquei alguns comportamentos dele, mas sei que nunca vai chegar a esse ponto."
"Acho esse tipo de reality melhor que os cafonas que estão na TV aberta", diz o DJ e produtor Johnny Luxo. "Tem tanta loucura no mundo que essa de juntar coisas acaba sendo tranquila", brinca o DJ, que já foi um acumulador. "Mas com tudo arrumado."
MULHERES COM MEDO
Estreia do reality sobre fobias
QUANDO hoje, às 22h, no Discovery Home & Health
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
ANSIEDADE EXTREMA
Estreia do reality sobre ansiedade
QUANDO hoje, às 23h, no Discovery Home & Health
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Conheça diferenças entre a depressão e o estado de melancolia

IARA BIDERMAN/GUILHERME GENESTRETI/FOLHA
DE SÃO PAULO

O cineasta dinamarquês Lars von Trier trouxe à cena a melancolia, que estava escondida num canto escuro da casa, encoberta pelo termo médico "depressão".
Seu novo filme é um retrato desse estado de ânimo em todos os aspectos: dos psiquiátricos (sintomas da depressão) aos filosóficos (a tristeza como consciência da solidão humana no universo).
Divulgação
Justine (Kirsten Dunst), deusa e mártir da melancolia, luta contra o sentimento paralisante no longa de Lars von Trier
Justine (Kirsten Dunst), deusa e mártir da melancolia, luta contra o sentimento paralisante no longa do dinamarquês Lars von Trier

O tema está na ordem do dia, afirma o psicólogo Marco Antônio Rotta Teixeira, que faz sua tese sobre melancolia e depressão na tradição do pensamento ocidental. "Mas a melancolia vem sendo falada com a roupa da depressão." O atual conceito médico da depressão usa dados mensuráveis para definir esse estado, como tempo de duração de sintomas. Para a psicanálise, a melancolia é o estágio mais extremo da depressão. A apatia do melancólico é fruto da perda de algo ou de alguém, que precisa ser compreendida e superada, em um processo semelhante ao do luto. A diferença é que, enquanto no luto a perda é compreendida, na melancolia ela é inconsciente: não se sabe o que foi perdido. "Nada atrai o melancólico, a não ser o próprio sofrimento. Ele está absorvido nele mesmo", diz Sandra Edler, autora de "Luto e Melancolia: À Sombra do Espetáculo" (Civilização Brasileira, R$ 19). A cultura atual conspira contra o melancólico, diz a psicanalista. "Se a pessoa perde algo, precisa se recolher, mas a vida a chama para um eterno desempenho, se não quiser perder espaço."
É o que pensa, também, a psicóloga Ana Cleide Moreira, autora de "Clínica da Melancolia" (Escuta, R$ 37). "Se não temos tempo nem de pensar, não percebemos a perda de algo importante."
Nesse caso, é mais fácil aliviar o sofrimento com remédios. "A sociedade não assimila os estados de tristeza. Precisamos eliminá-los rapidamente para continuar trabalhando", diz Teixeira.
Essa crítica não significa, ressalta ele, fazer apologia da tristeza ou rejeitar as chances dadas pela ciência para lidar com ela.
"As pessoas falam que há um aumento dos casos de depressão, mas o que as pesquisas mostram é um aumento na prescrição de antidepressivos", diz o psiquiatra Ricardo Moreno, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Mas psiquiatras, psicanalistas e psicólogos concordam que drogas têm um papel importante.
"Muitas vezes é necessário tratar a melancolia com remédios. Sem eles, alguns não conseguem nem chegar ao consultório", diz a psicanalista Sandra Edler.
TEMPERAMENTO DE GÊNIOS
No filme de Trier, as referências aos sintomas de depressão são explícitas. Como na cena em que Justine (personagem baseada na experiência pessoal do cineasta) não consegue nem entrar no banho.
Os clichês usados para abarcar a tristeza profunda também estão lá: noite, lua, sombras, noiva.
É a retomada da concepção de melancolia como algo que tem uma manifestação doentia (a depressão), mas não é só isso, não pode ser explicado só pela ciência e transcende o indivíduo.
Mesmo sem dizer seu nome, as pessoas reconhecem o sentimento de melancolia. Está na hora em que você percebe não fazer parte da festa, no banzo da noite de domingo, na lembrança da morte.
"A melancolia ganhou diferentes definições na história e até hoje é assim, dependendo de quem fala dela" diz Teixeira.
Hipócrates (460-377 a.C.) a definiu como doença causada por acúmulo da bile negra, que resultaria no temperamento melancólico. O vocábulo vem do grego "melas" (negro) e "kholé" (bile).
O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) levou o conceito para outro plano: a melancolia era uma característica da genialidade, associada ao conhecimento e à intelectualidade.
O professor e crítico de arte Rodrigo Naves lembra que a associação entre genialidade e melancolia é de uma época em que o conceito de individualidade não existia.
"A melancolia era uma deusa, que regia as artes liberais. Nessa noção, a pessoa é preenchida por algo que vem de fora, é regida por entidades, planetas", diz Naves.
Na mitologia e na astrologia, é Saturno, deus do tempo, que devora seus filhos, que traz a morte. No filme de Trier, é o planeta que vem acabar com o mundo.
"A grande ideia da melancolia é justamente a de embaralhar as fronteiras entre dois temperamentos que parecem opostos: o da pessoa deprimida e o da pessoa criativa", diz Frédéric René Guy Petitdemange, professor de História da Arte da Universidade Anhembi Morumbi.
Na semana passada, Petitdemange deu uma aula sobre a iconografia da melancolia na arte do Ocidente, baseada em uma exposição sobre esse tema realizada em Paris e Berlim, em 2006.
Para ele, a essência da melancolia -tristeza profunda ligada ao sentimento de vazio, à perda e à impossibilidade de encontrar sentido nos rituais sociais- não mudou. "A maneira de se discutir o tema pode mudar, mas são questões universais."
Editoria de Arte / Folhapress

 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Homofobia: uma doença social

Marianna Moreira /SEGS
Psicanalista fala sobre o preconceito contra os homossexuais no país

As estatísticas são preocupantes. O preconceito e a violência contra os homossexuais tornaram-se pauta de discussões e debates em todo o país. Na novela “Insensato Coração”, da Rede Globo, cenas forte chocaram o país mostrando as várias formas de manifestações homofóbicas existentes na sociedade. O mais grave foi o assassinato de um jovem por sua opção sexual. Na vida real, a situação parece cada vez mais crítica e não difere da ficção. Apesar de várias conquistas, como o reconhecimento legal da união estável gay, a cada dois dias morrem três homossexuais no país. O que torna o Brasil campeão de assassinatos devido à opção sexual. Segundo a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, a homofobia é um problema sério, que vem ganhando força nos últimos anos devido ao maior número de pessoas assumindo sua sexualidade sem medo e vergonha. “A homofobia define o ódio, o preconceito, a repugnância que algumas pessoas nutrem contra os homossexuais”, diz Soraya.Muitas pessoas com receio dos outros duvidarem de sua sexualidade, ou de assumi-la, usam de violência contra os que se declaram gays. “Esse tipo de atitude serve para reafirmar sua sexualidade. É como um mecanismo instintivo de defesa contra qualquer possibilidade de desenvolver um sentimento diferente por pessoas do mesmo sexo. Desta forma, os sujeitos tornam-se agressivos e podem até mesmo cometer assassinatos para se preservarem de qualquer risco. Muitas vezes, porém, a homofobia parte do próprio homossexual, como um processo de negação de sua sexualidade ou por instinto de proteção”, explica a psicanalista. A médica acredita que a homofobia é uma doença moral e social, que pode ser curada somente com educação e leis mais rígidas. “O respeito ao próximo e às diferenças devem ser ensinados desde criança, pois, somente assim, podemos minimizar e até mesmo acabar com qualquer tipo de preconceito”, afirma a médica.
Soraya Hissa de Carvalho
Soraya Hissa de Carvalho é médica formada pela UFMG e tem especializações em psiquiatria, endocrinologia, geriatria, medicina psicossomática, medicina tradicional chinesa, medicina ortomolecular, psicanálise, neurociência e comportamento.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cadu ficará mais três anos em prisão psiquiátrica por morte de cartunista

A Justiça decidiu: o assassino confesso do cartunista Glauco Villas Boas e do filho dele, Raoni, não tem condições de ir para um presídio comum.

 


Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, vai permanecer no complexo médico de Pinhais, na região de Curitiba, por mais três anos, no mínimo. Essa é uma prisão para pessoas que sofrem de problemas psiquiátricos e não podem cumprir pena em presídios.
Em março do ano passado, Cadu matou com quatro tiros o cartunista Glauco Villas Boas e o filho dele, Raoni. Ele era frequentador da igreja fundada pelo cartunista, dedicada ao culto do Santo Daime.
Segundo a polícia, o rapaz invadiu o sítio onde Glauco morava com a família, porque queria que o cartunista confirmasse que o irmão de Cadu era a reencarnação de Jesus Cristo. Cadu foi preso ao tentar cruzar a fronteira com o Paraguai depois de atirar em policiais rodoviários federais.
A decisão da Justiça é definitiva e não cabe mais recurso. Segundo o juiz que deu a sentença, Cadu não pode ir a julgamento nem cumprir pena em uma penitenciária comum porque sofre de esquizofrenia, doença que provoca delírios e alucinações.Passado o prazo de internamento, o rapaz só será posto em liberdade se laudos comprovarem que ele não oferece mais perigo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Saiba se você sofre de depressão

A doença do século, muitos vezes é confundida com um sentimento de tristeza, e entender as diferenças é fundamental para o diagnóstico precoce.
É só tristeza?
A tristeza é um sentimento momentâneo, considerado saudável e até importante pelos médicos. Ajuda na elaboração das perdas, ou sofrimentos ocasionais. As pessoas atingidas pela ocorrência de perdas, do emprego ou de entes queridos, atravessam uma fase de sofrimento e angústia, que pode se prolongar por um determinado período de tempo (cerca de 2 meses), mas esse quadro vai se atenuando e paulatinamente a vida vai retomando o ritmo normal. Agora, se a tristeza não passa, e começam a surgir sentimentos de apatia, indiferença, desesperança, falta de perspectivas ou prazer pela vida, saiba que esse é um sintoma claro de depressão. Os sintomas podem aparecer ou desaparecer de maneira sutil e quase imperceptível, mas é importante saber que eles podem voltar. A depressão é doença séria e assim deve ser tratada.

PIRACICABA-Idosa é suspeita de matar irmã esganada no interior de SP

Suspeita de crime em Piracicaba tem esquizofrenia.Segundo polícia, ela confessou crime a vizinha, mas negou na delegacia.

Do G1 SP, com informações da EPTV

A polícia investiga a morte de uma idosa de 72 anos que pode ter sido esganada pela irmã, de 75 anos, em Piracicaba, a 160 km de São Paulo, nesta terça-feira (2). A suspeita tem esquizofrenia. De acordo com a equipe de investigação, a suspeita chegou a relatar a uma vizinha ter matado a irmã “com as próprias mãos”, mas negou o fato na delegacia. A polícia aguardava a liberação dos laudos periciais nesta quarta (3) para determinar as causas da morte.Segundo o delegado responsável pelo caso, Emerson Gardenal, a idosa morta apresentava sinais de unhas no pescoço e estava com as roupas sujas de urina quando foi encontrada. Isso, segundo ele, afasta a suspeita de morte por causa natural.
A mulher suspeita foi detida e ouvida na delegacia nesta terça-feira, mas foi liberada rapidamente. Em depoimento à polícia, ela disse que não havia cometido o crime e que a irmã ainda estava viva.
De acordo com o delegado, filhos da irmã da vítima disseram que ela apresentava comportamento violento frequentemente. Se for comprovada a ação da idosa, ela pode responder por homicídio.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Descobertos indícios genéticos para a esquizofrenia

É mais comum encontrar mutações genéticas em pacientes com esquizofrenia do que em pessoas que não sofrem com a doença. Contudo, essas mutações não estão presentes nos pais dos pacientes. Essa descoberta foi feita pelos pesquisadores da Universidade de Montreal e do CHU Hospital Sainte-Justine, no Canadá.

Publicado na revista especializada Nature Genetics, o estudo pode permitir aos pesquisadores definirem como a doença resulta dessas mutações e desenvolverem novos tratamentos para ela. "A ocorrência de mutações, como foi observado neste estudo, pode em parte explicar a alta incidência de esquizofrenia em todo o mundo", diz Dr. Rouleau, Diretor do Centro de Pesquisa CHU Sainte-Justine e pesquisador da Universidade de Montreal."Justamente porque as mutações estão localizadas em muitos genes diferentes, agora podemos começar a estabelecer redes genéticas que definem como estas mutações genéticas predispor à esquizofrenia", acrescenta Simon Girard, um dos pesquisadores da equipe de Rouleau. Girard explica que a maioria dos genes identificados pela pesquisa não tinham sido relacionados à esquizofrenia até então. Com essa descoberta, esses genes tornaram-se novos potenciais alvos terapêuticos.

Fonte: EurekAlert!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pesquisa explica como analgésico também pode atacar depressão

REINALDO JOSÉ LOPES/FOLHA
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Pesquisadores nos EUA acabam de mostrar como um analgésico, a cetamina, também produz um efeito antidepressivo bem mais potente do que os remédios contra depressão disponíveis hoje.

A chave para o impressionante efeito da cetamina é a ação sobre um fator do cérebro que ajuda os neurônios a sobreviverem e formarem conexões entre si, consolidando memórias, por exemplo. Detalhes do estudo estão em artigo na revista científica "Nature". Lisa Monteggia e seus colegas da Universidade do Texas em Dallas avaliaram o potencial antidepressivo do remédio contra a dor em camundongos.
Já havia indícios de que, quando injetada, a cetamina é capaz de aliviar os sintomas de uma depressão forte -e isso em questão de apenas duas horas, com efeitos durando cerca de duas semanas.
Os antidepressivos tradicionais, por outro lado, podem demorar semanas para fazer efeito. Casos críticos, em que há risco de suicídio do paciente, poderiam se beneficiar muito de uma ação mais rápida do remédio.
ROEDOR TRISTE
Para comprovar esse efeito e entender como a droga atua, os cientistas ministraram cetamina a modelos animais de depressão --basicamente roedores cujo comportamento reproduz aspectos importantes da doença.Injeções do remédio tiveram efeito antidepressivo após 30 minutos nos animais.
Mas camundongos geneticamente modificados para não produzir o BDNF, o fator cerebral que atua como "salva-vidas" de neurônios, não se beneficiaram, indicando que esse fator é o alvo do medicamento no cérebro. Para os cientistas, a descoberta reforça a possibilidade de utilizar esse mecanismo em futuros antidepressivos de ação mais rápida.O princípio é mais importante do que a substância, já que a cetamina em si pode ter efeitos colaterais indesejáveis.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Especialistas explicam sintomas e tratamento da síndrome do pânico

Bem Estar desta terça (14) teve o psiquiatra Luiz Vicente de Mello, do HC.Cardiologista Roberto Kalil falou sobre taxas de frequência cardíaca.

Do G1, em São Paulo
 
 

Uma situação desesperadora em que a pessoa sente tontura, falta de ar, taquicardia, medo e suor frio – entre vários outros sintomas. Essa tensão toda, se for recorrente, é chamada de síndrome do pânico, que pode ser provocada por uma situação de limite ou desafio, em que o indivíduo tem dificuldade de “dominar” o ambiente em que vive.
Durante as crises, que duram até meia hora (com picos entre 5 e 10 minutos), o cérebro envia sinais para o corpo fugir ou lutar – mas esse alarme está desregulado. Pode ser no meio de uma multidão, no engarrafamento, metrô, elevador, shopping, supermercado ou na fila do banco.
O humor, nesse período, parece uma montanha-russa: com picos de ansiedade e aumento da pressão e da respiração, até atingir um estado de exaustão e sonolência, como se fosse o fim de uma guerra.
Síndrome do pânico (Foto: Arte/G1)
Para falar sobre como identificar essa doença e qual o tratamento disponível, o Bem Estar desta terça-feira (14) contou com a presença do psiquiatra Luiz Vicente de Mello, do Hospital das Clínicas. Ao lado dele, o cardiologista e consultor Roberto Kalil explicou o que é uma frequência cardíaca normal, alta e baixa.
Essa mudança brusca e completa do metabolismo, em que a vítima demonstra uma reação desproporcional – como se estivesse diante de uma ameaça real –, causa um aumento tão grande da pressão arterial, que a pessoa muitas vezes acha que está tendo um infarto e vai morrer.


A primeira manifestação pode ser desencadeada por algum acontecimento traumático ou estressante, que desestabiliza o indivíduo. Nas ruas de São Paulo, a repórter Marina Araújo foi conhecer a história de alguns portadores de síndrome do pânico, como a secretária Vanessa Grandolpho Lopes e o bancário João Paulo de Souza. Eles tentam controlar as crises, entender a doença e recuperar o controle de si. Vanessa recorre a exercícios de respiração, terapias alternativas e remédios para vencer o medo.
É importante destacar que ter um ataque de pânico ou uma crise específica não é necessariamente uma síndrome. Antes de procurar um médico específico (cardiologista ou psiquiatra), observe seus sintomas com atenção. Se você estiver passando por uma crise de pânico ou ver alguém em uma, procure se acalmar e tranquilizar a pessoa. E elas têm prazo de validade: logo passam.
Frequência cardíaca
O normal é o coração bater de 50 a 100 vezes por minuto. Quando bate mais que isso, ocorre a taquicardia. Se for abaixo desse nível, chama-se bradicardia.Segundo Kalil, um coração acelerado constantemente pode ser sinal de várias doenças, como hipertireoidismo, diabetes, febres infecciosas, fibrilação atrial (o coração se desregula e bate como um telégrafo), insuficiência cardíaca e arritmias.
Já em um atleta ou esportista, a bradicardia pode ser apenas uma adaptação fisiológica. Se não for nada relacionado com a atividade física, pode ser algum problema no sistema elétrico do coração, como a doença de Chagas ou a doença do nó sinusal, que é como se a bateria do coração "descarregasse".

terça-feira, 31 de maio de 2011

Fobias e síndrome do pânico ainda são tabus em empresas; assista ao vídeo

Por Bandnews
 
Pessoas que sofrem de fobias e síndrome do pânico enfrentam ainda o desafio de serem compreendidas em seus ambientes de trabalho. Muitas empresas ainda não sabem como lidar com esse problema. A síndrome do pânico é vista com preconceito em alguns lugares. Mas é possível tratar e conviver com pessoas que sofram desses males. E o bom humor é um bom remédio em alguns casos.

 

Saúde mental é foco em 75% das empresas

JULIANO MOREIRA/COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A saúde mental dos funcionários tem ganhado atenção nas empresas. Pesquisa da consultoria Great Place to Work, obtida com exclusividade pela Folha, aponta que 75% das organizações concedem apoio psicológico total ou parcial aos empregados.A ideia do serviço é fazer com que o trabalhador possa resolver os problemas familiares e os de trabalho, segundo o estudo realizado no ano passado com cem negócios de grande porte no Brasil."As gerações que chegam passam a inserir novos conceitos nas empresas. São pontos relacionados à produtividade e à felicidade dos funcionários", diz a diretora de projetos da Great Place to Work, Roberta Hummel.
Isadora Brant/Folhapress
Mauro Barros já teve fortes dores de cabeca por causa da sobrecarga de trabalho
Mauro Barros já teve fortes dores de cabeca por causa da sobrecarga de trabalho

O levantamento mostra ainda que, para 82% dos profissionais dessas companhias, o local de trabalho é psicologicamente e emocionalmente saudável.Para Ricardo Munhoz, diretor-executivo da Ricardo Xavier Recursos Humanos, políticas que visam ao bem-estar mental asseguram a permanência dos profissionais."As grandes empresas, principalmente as multinacionais, concedem apoio psicológico. É válido, pois cerca de 70% das demissões em níveis estratégicos são por motivos comportamentais."
Alto escalão é mais suscetível a estresse
Profissionais que ocupam cargos de alta responsabilidade estão mais suscetíveis a problemas emocionais como estresse, segundo especialistas ouvidos pela Folha.A extenuante rotina de tomada de decisões, de reuniões e de viagens são fatores preponderantes para a configuração desse quadro.As distorções no comportamento, porém, são distintas entre os gêneros.
"As mulheres costumam chorar e são mais sentimentais; os homens se tornam agressivos e impacientes", compara Ana Cristina Limongi-França, coordenadora do Núcleo de Gestão da Qualidade de Vida do Trabalho da Universidade de São Paulo.A especialista estima que, nos últimos cinco anos, os pedidos de demissão por questões relacionadas a estresse tenham representado de 30% a 40% dos desligamentos.
Em abril, pesquisa da UnB (Universidade de Brasília) mostrou que, por problemas emocionais, 1,3 milhão de brasileiros receberam auxílio-doença em 2008.
PRESSÃO ALTA
O coordenador fiscal Mauro Barros teve que diminuir o ritmo devido aos efeitos da sobrecarga no organismo.Com equipe reduzida na multinacional em que atuava e sob pressão da matriz, o profissional trabalhava de 14 a 16 horas por dia.As fortes dores de cabeça foram determinantes para que procurasse um hospital, onde foi orientado a utilizar um monitor de pressão.Em momento de pico, no dia seguinte à consulta, o aparelho registrou pressão arterial de 22 por 12 -pela diretriz da American College of Cardiology Foundation e da American Heart Association, ela deve ser menor que 14 por 9 em pessoas de até 79 anos."O médico pediu para eu parar, pois estava prestes a sofrer um AVC [acidente vascular cerebral]", diz ele.
"Aproveitar momentos de relaxamento para realizar alguma atividade que faça o profissional se desvencilhar do trabalho, além de manter alimentação adequada, é importante para a saúde", afirma Ligia Raquel Brito, médica do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Depressão é uma das principais causas de afastamento do trabalho

A cada cinco minutos um trabalhador brasileiro é afastado do serviço por depressão. Só no ano passado, mais de 80 mil profissionais tiraram licença pelo INSS para se tratar.

Giovana Teles/G1 Brasília, DF
 
 
A Organização Mundial de Saúde calcula que 17 milhões de brasileiros têm depressão. Isso quer dizer que de cada cem pessoas nove estão com o problema.A auxiliar administrativa Lídice Freire termina em junho o tratamento de um ano. Viu que precisava de ajuda quando passou a sentir um desconforto permanente. “Muita ansiedade, memória falha, desmotivação, fora a insônia que eu já tinha”.O desempenho caiu muito, em casa e no trabalho. “Eu não estava conseguindo ser aquela supermãe, aquela superprofissional”.Problemas no trabalho podem ser responsáveis pela depressão, como a sobrecarga de tarefas, a falta de perspectiva de crescimento profissional, o ambiente ruim entre os colegas e com a chefia.
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Transtornos mentais e de comportamento, como a depressão, já são a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil.Só no ano passado, mais de 80 mil profissionais tiraram licença pelo INSS para se tratar.No governo do distrito federal existe um programa para ajudar os funcionários. “Vejo o que ele está passando na sua vida, tanto no trabalho quanto no dia a dia,e encaminho para o apoio psicológico. Ele pode ser readaptado, realocado em outra posição em outro setor”, explica a psicóloga Ellen da Silva.
O programa também orienta os chefes. “Além de liderar, o chefe tem que ter uma sensibilidade”.
Qual é a diferença entre um quadro de depressão e um simples desânimo, um período de tristeza? “Ela não tem vontade mais de fazer as coisas. Quer ficar quieta, parada, deitada. Não tem vontade de trabalhar, não tem vontade de sair, diminuição da libido”, afirma Synara Ferreira, psicóloga.Além da ajuda de médicos e terapeutas, é preciso ter vontade de reagir. “Ela pode fazer uma atividade física, uma coisa que ela goste de fazer, é muito importante que ela goste de fazer”.Lídice aprendeu a ser menos exigente com ela mesma e começou a fazer corridas todos os dias. Está pronta para retomar a vida. “Daqui para frente, só coisas boas, se deus quiser”.

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