Mostrando postagens com marcador mec. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mec. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

EDUCAÇÃO FALIDA-MEC estuda ampliar número de dias letivos, diz ministro

As vezes me pergunto o que passa pela cabeça das pessoas. Mas penso que é melhor não saber. Não damos conta dos 200 dias letivos, aumentar para inglês ver... Mais um engodo educacional. Precisamos melhorar a qualidade e não quantidade. Pelo jeito querem que tenhamos mais dias ruins na escola. Concordo em aumentar a carga horária de permanência da crianças na escola, mas aumentar dia letivo, patacoada pura. Em outras palavras isso significa que continuaremos com uma escola pública sem qualidade. Cada idéia. Precisamos do básico. Infraestrutura, dignidade, condições para exercer a docência.

LARISSA GUIMARÃES DE BRASÍLIA - Folha de São Paulo

O MEC (Ministério da Educação) quer aumentar o número de dias letivos do calendário escolar, passando de 200 para 220 dias. A ideia é ampliar gradualmente o tempo das crianças e adolescentes na escola, atingindo o patamar de 220 dias em quatro anos. O plano do MEC foi tornado público nesta terça-feira pelo ministro Fernando Haddad (Educação), que fez uma palestra na abertura do congresso internacional "Educação: uma Agenda Urgente", promovido pelo Movimento Todos pela Educação. "Ou ampliamos o número de horas por dia ou, caso não haja infraestrutura para isso, aumentamos o número de dias letivos. Mas essas alternativas não são excludentes", disse Haddad, após sair do evento. De acordo com o ministro, o MEC já fez reuniões com o Consed (Conselho Nacional de Educação) e com a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação). Haddad disse que o plano ainda está em fase inicial, pois será preciso formar consenso antes de enviar um projeto de lei sobre assunto ao Congresso Nacional. A ideia de ampliar o tempo de crianças e jovens na escola surgiu a partir de pesquisas. "Estudos têm correlacionado o aprendizado com o tempo que a criança fica exposta no ambiente escolar", afirmou o ministro.
Segundo Haddad, mais recursos para a empreitada deverão vir após a aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação), que está na Câmara dos Deputados. O PNE define que sejam destinados 7% do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação. Atualmente, o governo aplica pouco mais de 5% para a área.

sábado, 2 de julho de 2011

Processo contra livro do MEC com erros de concordância é arquivado

Procurador diz que obra 'propõe a reflexão acerca da linguística'. Polêmica sobre 'nós pega o peixe' levou ministro a prestar esclarecimentos.

Do G1, em São Paulo


O Ministério Público Federal (MPF) da Procuradoria da República do Distrito Federal arquivou o inquérito civil instalado contra o Ministério da Educação por causa do livro "Por uma Vida Melhor", que contém erros de concordância. Na obra, os autores afirmam que o uso da língua popular - ainda que com seus erros gramaticais - é válido, permitindo frases como "nós pega o peixe" ou "os menino pega o peixe".
O MEC distribuiu o livro pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos. Na publicação, os autores dizem que o uso da linguagem popular é válida ainda que com erros de concordância. O MEC distribuiu o livro pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos a 484.195 alunos de 4.236 escolas do país.
COMO O MEC ESCOLHE OS LIVROS DIDÀTICOS
Inscrição das editoras
O edital que estabelece as regras para a inscrição do livro didático é publicado no Diário Oficial da União e disponibilizado no sítio do FNDE na Internet. O edital também determina o prazo para a apresentação das obras pelas empresas detentoras de direitos autorais. Triagem Para analisar se as obras apresentadas se enquadram nas exigências técnicas e físicas do edital, é realizada uma triagem pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).Os livros selecionados são encaminhados à Secretaria de Educação Básica do MEC, responsável pela avaliação pedagógica. A secretaria escolhe os especialistas para analisar as obras, conforme critérios divulgados no edital. Os especialistas elaboram as resenhas dos livros aprovados, que passam a compor o guia de livros didáticos Guia de livros O MEC disponibiliza o guia do livro didático no site do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e envia o mesmo material impresso às escolas cadastradas no Censo Escolar Escolha Diretores e professores das escolas analisam e escolhem as obras que serão utilizadas. A escola faz o pedido dos livros ao FNDE que, por sua vez, encomenda a compra às editoras Distribuição A distribuição dos livros é feita diretamente pelas editoras às escolas, por meio de um contrato entre o FNDE e os Correios. Os livros chegam às escolas entre outubro e o início do ano letivo.No documento publicado no último dia 22, que determinou o arquivamento do processo, o procurador Peterson de Paula Pereira afirma: "Transmitiu-se a ideia de que o indigitado livro pudesse ensinar a língua portuguesa de modo errado aos estudantes, quando, na verdade, o Ministério da Educação propôs à sociedade a introdução e reflexão acerca da linguística, que, conforme ensina o dicionário Houaiss da língua portuguesa, consiste em ciência que tem por objeto a análise da linguagem humana em seus aspectos fonético, morfológico, sintático, semântico, social e até mesmo psicológico; e a análise da origem, do desenvolvimento e da  evolução das línguas".Ele acrescenta: "Na verdade o livro propôs o início de reflexões, já no ensino fundamental e médio, da linguística, que apresenta-se como ciência que se preocupa com o conhecimento da realidade da língua, a reconhecer as diferenças da língua falada como parte integrante de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social, como preceitua o preâmbulo da Constituição Federal".
A polêmica gerada pelo livro levou o ministro da Educação, Fernando Haddad, a comparecer em audiência em uma comissão do Senado para prestar esclarecimentos. O ministro classificou de “injustiça crassa” as críticas realizadas por diferentes setores da sociedade a um livro didático distribuído pelo governo nas escolas que permitiria erros de concordância.Na audiência, Haddad disse ainda que não iria recolher os livros. Para ele, o livro “não faz o que os críticos dizem que ele faz [acolhe erros de concordância]”. “O livro parte de uma realidade comum aos adultos que voltam à escola e traz o adulto para a norma culta por meio de exercícios que pede ao estudante que faça a tradução da linguagem popular para a norma culta.”
Arte mostra trechos do livro (Foto: GloboNews/Reprodução)Arte mostra trechos do livro (Foto: GloboNews/ Reprodução)
A Academia Brasileira de Letras (ABL) discorda do teor da obra. Em nota, a ABL afirmou que “todas as feições sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas científicas, mas bem diferente é a tarefa do professor de língua portuguesa, que espera encontrar no livro didático o respaldo dos usos da língua padrão que ministra a seus discípulos, variedade que eles deverão conhecer e praticar no exercício da efetiva ascensão social que a escola lhes proporciona.”Os autores da Coleção Viver, Aprender da Editora Global, afirmaram em nota publicada no site da editora que o capítulo "Escrever é diferente de falar", chama a  atenção para algumas características da linguagem escrita e para a norma culta, também conhecida como norma de prestígio. "Pretende defender que cabe à escola ensinar as convenções ortográficas e as características da variedade linguística de prestígio justamente porque isso é valorizado no mundo do trabalho, da produção científica e da produção cultural. E ainda que o domínio da norma de prestígio não se dá de um dia para o outro, mas de modo gradual, constante e pela intensa prática e reflexão sobre seus usos."

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MEC divulga lista de aprovados na primeira chamada do Sisu

 MEC divulga lista do Sisu; confira aqui

O Ministério da Educação divulgou na manhã desta quarta-feira a primeira lista de aprovados no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), que seleciona alunos para vagas em universidades públicas com base na nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
As informações estão disponíveis no site do MEC. Os selecionados devem fazer as matrículas nos dias 27 e 28 de junho. A segunda lista de aprovados está prevista para ser divulgada em 2 de julho. Quem não foi chamado ainda poderá manifestar interesse por vagas remanescentes entre 2 e 7 de julho.
O Sisu oferece neste semestre 26.336 vagas em 48 instituições, sendo 19 universidades federais, quatro universidades estaduais, 23 institutos federais e dois centros federais de educação tecnológica. No momento da inscrição, os candidatos tiveram a opção de escolher dois cursos e selecionar um deles como primeira opção.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

EDUCAÇÃO-Após polêmica com 'kit contra a homofobia', MEC sofre nova crise

A polêmica que envolve Antônio Palocci e que tem feito o governo de Dilma Rousseff sofrer derrotas sucessivas no Congresso atinge mais uma vez o MEC (Ministério da Educação), informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada na Folha desta sexta-feira.Depois do kit contra a homofobia, a pasta já se debruçava ontem sobre nova crise: o problema de 26 mil funcionários contratados em hospitais universitários de maneira considerada irregular pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Com a derrubada da MP, no Senado, que criou a empresa pela qual eles seriam contratados, os servidores entraram num limbo jurídico.
Até ontem, o MEC não sabia como resolver a questão. No último dia 25, a presidente Dilma Rousseff determinou a suspensão da produção e distribuição do kit e definiu que todo material do governo que se refira a "costumes" passe por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de serem publicados ou divulgados.
No dia seguinte, o ministro Fernando Haddad (Educação) afirmou que o kit anti-homofobia será refeito. "A presidenta entendeu que esse material não combate a homofobia. Não foi desenhado de maneira apropriada para promover aquilo que ele pretende, que é o combate a violência", disse Haddad, afirmando em seguida que os "vídeos poderão ser integralmente refeitos".

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Ministério da Educação está sendo covarde", diz Jean Wyllys sobre suspensão do kit gay

Camila Campanerut /UOL
Em Brasília

Os vídeos do kit gay que causaram polêmica e levaram o governo a suspender o material já eram públicos e estariam aprovados, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação), de acordo com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Assista a um dos vídeos que compõem o kit

  • Dilemas sentimentais de um adolescentes que descobre sentir atração por garotos e garotas
"O ministério da Educação está sendo covarde. Não pode chegar agora e pegar um material feito por entidades parceiras e dizer que acha que partes dele precisariam ser mudadas. É claro que está em jogo o Palocci. Ele [o ministro Fernando Haddad] foi obrigado a recuar", afirmou Wyllys na tarde desta sexta-feira (27).Segundo Wyllys, quando os vídeos foram apresentados na Comissão de Educação no Senado em novembro do ano passado, os técnicos do MEC e o próprio ministro teriam demonstrado concordar com o teor das produções. Na ocasião, eles teriam comentado que para finalizar o trabalho "faltava apenas incluir a linguagem de libras (para deficientes auditivos)" segundo Jean Wyllys, líder da frente LGBT da Câmara. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, "a Secad [Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade] aprovou, [ela] se deu por satisfeita", disse o ministro sobre a elaboração conjunta de ONGs e MEC do kit gay. Mas o material ainda teria que passar pelo comitê de publicações do MEC, segundo Haddad.

Chantagem

“Neste caso, a verdade tem que ser dita: o governo foi vítima de chantagem. Meu papel é pressionar. Não sou contra o governo, não faço oposição sistemática. Mas é meu dever, minha responsabilidade explicar o que está acontecendo”, afirmou o deputado.Depois da pressão da bancada evangélica e de grupos católicos do Congresso e das ameaças dos parlamentares desses grupos de apoiar investigações sobre o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o governo federal decidiu suspender a produção e a distribuição do kit anti-homofobia na quarta-feira (25). Segundo o governo, todo o material do governo que se refira a "costumes" passará por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de serem publicados ou divulgados.O governo nega que a decisão tenha sido por causa das pressões. A presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o kit Escola sem Homofobia na manhã de quinta (26). Ela disse que assistiu a um dos vídeos e não gostou do seu conteúdo. "Não aceito propaganda de opções sexuais. Não podemos intervir na vida privada das pessoas", afirmou.Um dos motivos pelos quais a presidente Dilma Rousseff suspendeu o kit anti-homofobia teria sido uma "frase inadequada" em um dos vídeos que já circulava na internet, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad na manhã desta sexta (27).

Vídeos misturados

Em uma das reuniões para discussão do material -- que está sendo produzido com verba liberada por uma emenda da Câmara dos Deputados -- vídeos de combate às DST (doenças sexualmente transmissívies) teriam sido apresentados como parte do kit do MEC. O conteúdo chocou os parlamentares que se voltaram imediatamente contra o projeto "Escola sem Homofobia".Segundo Wyllys, a inclusão teria sido feita por Anthony Garotinho (PR-RJ) -- o que ele classificou de ”jogo sujo”. Segundo Wyllys, ele chegou a tentar conversar com Garotinho sobre o equívoco, mas o deputado teria desconversado. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) foi procurado pela reportagem, mas ainda não retornou aos contatos para comentar o assunto."O material não vai ser distribuído para crianças de cinco ou seis anos. Essa informação fez virar uma histéria coletiva. A população foi enganada. As pessoas se colocaram contra por falta de informação. Os vídeos e as cartilhas só seriam encaminhadas para as escolas que solicitassem e que já tivessem casos de homofobia. A verdade tem que ser dita", conclui Jean Wyllys.

"Frase inadequada" sobre bissexualidade fez Dilma suspender kit anti-homofobia, diz Haddad

Karina Yamamoto/UOL/Editora de Educação
Em São Paulo


Um dos motivos pelos quais a presidente Dilma Rousseff suspendeu o kit anti-homofobia teria sido uma "frase inadequada" em um dos vídeos que já circulava na internet, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad na manhã desta sexta (27).Um exemplo é uma fala de um garoto que comenta que o fato de desejar "ficar com meninos e meninas aumenta a [sua] probabilidade" de encontrar alguém. Esse vídeo tem como título "Probabilidade".

Dilemas sentimentais de um adolescentes que descobre sentir atração por garotos e garotas

A frase sugere que bissexualidade seja uma coisa boa -- comentou Haddad -- e o objetivo do material é combater a violência e a homofobia. Haddad descarta que a decisão da presidente tenha sido para poupar o ministro Antonio Palocci de ser convocado a explicar a multiplicação de seu patrimônio.
Na quinta (26), Dilma disse que não aceitaria "propaganda de opções sexuais". A presidente disse, ainda, que o governo defende a luta contra práticas homofóbicas. “O governo pode, sim, ensinar que é necessário respeitar a diferença e que você não pode exercer práticas violentas contra os diferentes.”

Secad havia aprovado material

A discussão do material já vinha sendo feito entre a equipe que estava produzindo o material e a equipe da Secad (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade). "A Secad aprovou, [ela] se deu por satisfeita", disse o ministro sobre a elaboração conjunta de ONGs e MEC do kit gay. Mas o material ainda teria que passar pelo comitê de publicações do MEC, segundo Haddad.
Questionado se não houve um viés na elaboração do material ao se convidar ONGs LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) para a produção, o ministro respondeu que o processo de produção do kit tem passado por diversas instituições como o ministério da Justiça, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e outras entidades civis.
O ministro, que foi à Câmara dias atrás, comentou que estava havendo uma confusão sobre materiais entre os deputados. "Estava circulando material de combate à DST [doenças sexualmente transmissíveis] na Câmara como se fosse material para [ser apresentado para] crianças de seis anos", contou.
Após a polêmica desta semana, a Presidência decidiu ter um comitê de avaliação na Secom (Secretaria de Comunicação) para todo material que for produzido pelo governo e que trate de valores e costumes.
O kit "Escola sem Homofobia" deve sair ainda neste ano -- para atender cerca de 6.000 escolas que já relataram problemas dessa natureza.

Dinheiro de volta

Questionado sobre a proposta do DEM (Democratas) de pedir o dinheiro que foi gasto de volta, o ministro disse que o convênio foi assinado em 2007 e vai continuar. Ele explicou que, se o produto final não ficou de acordo com o pedido e esperado pelo MEC, os vídeos terão de ser refeitos.
O convênio do programa Escola sem Homofobia tem dotação orçamentária de R$ 1,8 milhão. No momento da entrevista, o ministro não disse quanto do orçamento já foi gasto ou quanto a ONG responsável pela produção do vídeo já recebeu.
"Quando há conformidade [entre pedido e produto entregue], [o convêncio] encerra; se não há, não encerra", afirmou.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Professora transexual diz que alunos sabem lidar com a diversidade

Marina Reidel foi vítima de homofobia antes de passar por 'transformação'. Ela aprova kit do MEC e diz que ganhou o respeito de pais e estudantes.

Paulo Guilherme/Do G1, em São Paulo
 
Marina Reidel é transexual e dá aulas em uma escola pública de Porto Alegre (Foto: Arquivo pessoal)Marina Reidel é transexual e dá aulas em uma
escola pública de Porto Alegre (Foto: Arquivo
pessoal)
Os estudantes adolescentes sabem lidar com tranquilidade quando lhes é apresentado em sala de aula o tema da diversidade sexual. É a conclusão que chegou a professora Marina Reidel por sua experiência didática em uma escola pública de Porto Alegre. Ela se sente muito à vontade para falar sobre o tema que gerou a polêmica suspensão do projeto "Escola sem homofobia", que iria debater a diversidade sexual nas escolas públicas por meio de vídeos e uma cartilha – o chamado" kit anti-homofobia". Marina é transexual desde os 30 anos (ela não revela a idade) e é tratada com respeito por alunos, pais e diretores por seu trabalho em sala de aula.De família com ascendência alemã, Marina sempre teve o carinho dos pais, que viam o filho brincando com bonecas desde pequeno. Mas nunca teve diálogo necessário para falar sobre sua orientação sexual em casa. Talvez por isso tenha demorado tanto tempo para assumir a sua condição.
No trabalho nas escolas viveu duas realidades distintas. Antes de decidir se tornar transexual, deixando o cabelo crescer e assumindo a sua feminilidade, Marina era o professor Mário e, como homossexual, era vítima de preconceito nas escolas.
“Enquanto eu era um gay não assumido tive alguns problemas”, conta a professora, que faz mestrado em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Teve um pai que não aceitava que eu desse aula para a filha dele. Uma mãe retirou a filha da escola porque não aceitou o fato de ela ter um professor homossexual. Eu até fui ofendido por um aluno da oitava série. Registrei boletim de ocorrência e ele acabou saindo da escola.”Depois que se tornou transexual, as coisas mudaram. Mario avisou a direção da escola que iria se ausentar por alguns meses e voltaria diferente. A diretora e os outros professores prepararam os alunos para receber esta mudança. E a transexual voltou à escola como uma respeitada professora Marina. “Depois que me transformei ninguém questionou nada sobre minha história ou meu trabalho. Nem os meus alunos, que têm de 10 a 17 anos. E os pais confiam na escola e no trabalho que a gente faz.”
Marina participou de trabalhos de capacitação promovidos pelo MEC sobre a questão da diversidade sexual nas escolas. Teve acesso aos vídeos preparados para o kit anti-homofobia e até promoveu com os alunos trabalhos abordando o tema. “Tivemos trabalhos excelentes sobre a conscientização desta temática”, avalia.Ela lidera uma associação de professores transexuais do país. Diz que tem 15 professores transexuais nas escolas da rede pública, sendo quatro no Rio Grande do Sul. “Deve haver mais, mas nem todo mundo assume sua condição”, diz. Ao saber da suspensão da distribuição do material didático voltado para a orientação do professor, Marina achou um retrocesso. Ela diz que muitos professores querem abordar a temática, mas não têm material didático para se basear. E outros professores não querem se envolver com o tema por “preguiça”. “Eles se preocupam só com seus conteúdos enquanto na sala de aula temos violência, bullying, homofobia, drogas...”Sobre a proibição do kit preparado a pedido do MEC, Marina disse que a interferência dos políticos está atrapalhando o desenvolvimento de uma questão importante para a educação brasileira. “Acho muito estranho é que na educação todo mundo dá palpite. No posto de saúde ninguém diz para o médico o que deve ser feito. Por que nós educadores temos que dar ouvidos às pessoas que não entendem de educação e querem dar pitacos no nosso trabalho? Por que os deputados evangélicos podem se meter tanto se o estado é laico?”

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Comunidade gay reage à suspensão do 'kit anti-homofobia'

ANA CAROLINA MORENO/FOLHADE SÃO PAULO

A decisão da presidente Dilma Rousseff de suspender a distribuição do kit anti-homofobia, em fase de preparação pelo MEC, nas escolas, deixou as entidades que militam pelos direitos dos homossexuais "perplexas".
Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), afirmou que, na tarde desta quarta-feira, quatro reuniões aconteciam simultaneamente em Brasília e uma nota oficial da coalização de entidades será divulgada até o fim do dia.
"Até agora nosso diálogo foi muito franco e aberto com o governo, todo o pessoal aliado está muito perplexo e buscando todas as informações para verificar o que tem de verdade nessa história", afirmou Reis à Folha.Ele evitou emitir uma posição oficial sobre o caso antes da divulgação da nota.
Dilma determinou nesta terça-feira a suspensão da produção e distribuição do kit anti-homofobia em planejamento no Ministério da Educação, e definiu que todo material do governo que se refira a "costumes" passe por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de serem publicados ou divulgados.No dia anterior, a bancada evangélica na Câmara havia iniciado uma investida contra o governo para suspender o kit, com ameaças a obstruir votações, engrossar o coro da oposição por explicações do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) sobre sua evolução patrimonial e com pedidos de exoneração do ministro Fernando Haddad (Educação).

EDUCAÇÃO FALIDA-Comissão convida Fernando Haddad para explicar 'kit anti-homofobia'

Ministro será questionado ainda sobre erros em livro distribuído pelo MEC.A comissão também convidou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Do G1, em Brasília
 
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara (CFFC) aprovou nesta quarta-feira (25) requerimento que convida o ministro da Educação, Fernando Haddad, para uma audiência onde ele deve tirar dúvidas dos parlamentares sobre o material criado pelo Ministério da Educação (MEC) composto por vídeos e cartilhas contra a homofobia, conhecido como “kit anti-homofobia”.
Após protestos das bancadas religiosas no Congressso, a presidente Dilma Rousseff determinou nesta quarta-feira a suspensão do "kit anti-homofobia", informou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.Os membros da comissão pretendem também questionar Haddad sobre os erros de concordância encontrados no livro "Por uma Vida Melhor", distribuído pelo MEC. Na publicação, os autores dizem que o uso da linguagem popular é válida ainda que com erros de concordância. Os parlamentares também pretendem questionar o ministro sobre o problema das merendas escolares.

A comissão também convidou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Os deputados pretendem questioná-lo sobre a acusação de alguns parlamentares de que o Ministério da Saúde (MS) tem incentivado o homossexualismo. A data das reuniões ainda não foi definida.
Um requerimento de convocação do ex-ministro José Dirceu foi rejeitado pela comissão. O deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), autor do requerimento, queria ouvir do ex-ministro “esclarecimentos sobre acusações de tráfico de influência”.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Conheça os vídeos que fazem parte do polêmico kit "Escola sem homofobia"

Os vídeos que compõe o kit "Escola sem homofobia", também chamado de "kit gay", são histórias fictícias que abordam situações cotidianas – três delas em ambiente escolar – relacionadas à diversidade sexual. Quando retratados, os casais homossexuais são de idade parecida com a dos estudantes de ensino médio e aparecem no máximo de mãos dadas.
O kit é composto de três tipos de materiais: o caderno do educador, seis boletins para os estudantes e cinco vídeos, dos quais três já estão em circulação na internet.

ASSISTA AOS VÍDEOS DO KIT "ESCOLA SEM HOMOFOBIA"

  • Dilemas sentimentais
  • Enfrentando tabus
  • Encontrando Bianca
O material foi encomendado pelo MEC e visa combater a violência contra homossexuais nas escolas públicas do país. "A violência contra esse público é muito grande e a educação é um direito de todos os brasileiros, independentemente de cor, crença religiosa ou orientação sexual. Os estabelecimentos públicos têm que estar preparados para receber essas pessoas e apoiá-las no seu desenvolvimento”, defendeu o ministro Fernando Haddad na manhã desta quinta-feira (19), durante o programa de rádio Bom Dia, Ministro, produzido pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.Já o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) acusa o ministério de "incentivar a homossexualidade". Ele chegou a mandar imprimir 50 mil panfletos contra contra o plano nacional que defende os direitos dos gays. O deputado federal eleito pelo PP do Rio está distribuindo o material em residências e escolas do Estado.Para o professor português António Nóvoa acha que o melhor local para discussão do tema não é a sala de aula. “Trata-se de um diálogo educativo que vai muito além desta”, afirma. “Mas como a comunidade não tem condições ainda de arcar com essa responsabilidade, a solução é deixar a escola assumir parte do trabalho”.

Defendendo a ignorância-Acusação contra livro é equivocada, diz ministro da Educação

O ministro da Educação, Fernando Haddad, fala durante o programa Bom Dia Ministro 

. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O ministro da Educação, Fernando Haddad, falou sobre o livro distribuído pelo MEC durante o programa Bom Dia Ministro
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu nesta quinta-feira a abordagem utilizada pelo livro Por uma Vida Melhor, de alfabetização de adultos, que defende o uso da norma popular em situações de fala. O livro causou polêmica ao incluir frases com erro de concordância como "nós pega o peixe" em uma lição que apresentava a diferença da norma culta e a falada. No texto, a autora da obra defende que os alunos podem falar do "jeito errado", mas devem dominar as regras da norma culta e ter atenção quanto ao seu uso. Para o ministro, acusação de que o livro "ensina a falar errado" é um equívoco. "O livro parte da situação da fala, mas induz o jovem a se apropriar da norma culta. Os críticos infelizmente não leram o livro, fizeram juízo de valor com base em uma frase pinçada do contexto", disse Haddad durante entrevista ao programa de rádio Bom Dia, Ministro.Haddad comparou os erros de concordância muito comuns na língua falada, especialmente na população mais pobre e não escolarizada, à linguagem utilizada pelos usuários da internet e de redes sociais."Quando um jovem manda mensagens no seu Twitter, no seu e-mail ou Orkut, ele faz uso da linguagem habitualmente utilizada naquele ambiente, até de maneira lúdica, ele modifica a língua e cria sinais próprios. Ali também tem norma e para você entender tem que se familiarizar com determinados padrões. Mas ele sabe que se migrar para um ambiente formal, seja um entrevista de emprego ou uma prova da escola, a linguagem não será apropriada", afirmou.O ministro disse que a escola tem que ensinar a norma culta, mas a abordagem pode partir da linguagem popular. "Há formas e abordagens diferentes para ensinar a norma culta. Você ensina a norma culta para uma criança de um jeito, para o adulto de 40 anos, de outro. Aquele adulto já tem uma história de vida da qual você tem que partir para que ele se familiarize da norma culta", afirmou.

EDUCAÇÃO FALIDA:-Haddad diz que cidadão poderá dar sugestão sobre kit contra homofobia

Fernando Haddad esteve no programa ‘Bom Dia Ministro’ nesta quinta (19).'Continuaremos nossa política de combate ao preconceito', diz ministro.


Do G1, em Brasília
 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, durante o programa Bom Dia Ministro. (Foto: Antonio Cruz/ABr)Ministro da Educação, Fernando Haddad, durante
o programa Bom Dia Ministro.
(Foto: Antonio Cruz/ABr)
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (19), ao participar do programa “Bom Dia Ministro”, transmitido para rádios de todo o país, que o governo federal vai receber sugestões de cidadões sobre o material composto por vídeos e cartilhas contra a homofobia que o Ministério da Educação pretende distribuir para escolas do ensino médio. Segundo o ministro, uma comissão do ministério vai decidir as estratégias de divulgação do material."Todo cidadão pode encaminhar a sugestão, isto não significa que a comissão acatará ou não a opinião, explicou o ministro, que nesta quarta-feira (18) reuniu-se com deputados das bancadas evangélica e católica na Câmara dos Deputados. Ficou decidido que um grupo de parlamentares vai acompanhar a distribuição do kit. "Nós continuaremos nossa política de combate ao preconceito para que as pessoas tenham um ambiente acolhedor na escola", afirmou Haddad.De acordo com o ministro, o primeiro módulo da cartilha é voltado para a formação de professores, a fim de auxiliar os magistrados a entender as situações estabelecidas. “A violência contra esse grupo é grande. A violência tem aumentado e a educação é um direito de todos. Os estabelecimentos públicos têm de estar preparados para receber estas pessoas. Este material, depois de recebido, será encaminhado para uma comissão de publicação do Ministério da Educação, que faz um balanço e estabelece uma estratégia de divulgação", disse Haddad.O ministro acrescentou que "a educação é direito de todos, independente de orientação sexual", e que "os estabelecimentos públicos têm que estar preparados para receber estas pessoas, orientá-las e prepará-las para se desenvolver afetivamente, cognitivamente e intelectualmente".
Sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que começa as inscrições na próxima segunda-feira (23), o ministro afirmou que os maiores problemas que o governo têm enfrentado são em relação às gráficas e não com segurança. Segundo ele, há um empenho das gráficas para que não aconteçam novos problemas."Os maiores problemas que temos enfrentado estão localizados nas gráficas. Nós contratamos as melhores gráficas, maiores, multinacionais, com grande experiência nestes serviços. Nós temos de continuar perseverando na melhoria da qualidade do serviço", afirmou.
Livro
O ministro da Educação voltou a defender a o livro "Por uma Vida Melhor", que contém erros de concordância e foi publicada pelo ministério. Segundo ele, o que é sugerido no livro é a linguagem usada, forçando o estudante a usar a forma culta nos exercícios. O ministro já garantiu que o livro não será retirado de circulação."Ele [livro] não ensina a falar errado. Ele parte da maneira como as pessoas falam e induz esses jovem e adultos a abraçarem a norma culta. A acusação que se faz que o livro ensina o erro, na minha opinião, é um erro", disse.Haddad ainda criticou as acusações que têm sido feitas contra a publicação. "O que eu notei é que os críticos do livro não leram o livro. Não creio que as pessoas tenham sido muito justas com a professora [autora]. Foram muito sarcásticas".
Pronatec
Haddad reforçou a proposta do governo de reforçar os investimentos no ensino ténico, especialmente para os jovens que deixam a escola e sem profissionalização. "Muitos dos jovens que temos hoje no ensino médio não vão para a universidade. Nos queremos oferecer oportunidade para o jovem. A educação profissional acaba fortalecendo o currículo tradicional".
Segundo ele, o ministério está mapeando a oferta de cursos técnicos no país. "Estamos pegando a escolas e vendo a capacidade que elas têm de receber novos estudantes", afirmou.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

EDUCAÇÃO FALIDA E BURRA-Haddad diz que MEC não recolherá livro polêmico

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje que o Ministério não vai mandar recolher o livro "Por uma Vida Melhor", distribuído nas escolas e que permite erros de concordância. "Já foi esclarecido que as pessoas que acusaram esse livro não tinham lido. Uma pena que as pessoas se manifestaram sem ter lido", afirmou Haddad, na Câmara dos Deputados.
O Ministério da Educação (MEC) distribuiu o livro pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos (PNLD-EJA) a 484.195 alunos de 4.236 escolas.
Nele, os autores afirmam que o uso da língua popular - ainda que com seus erros gramaticais - é válido, permitindo frases como "nós pega o peixe" ou "os menino pega o peixe".
MEC nega ter distribuído "kit gay" e diz que material pode mudar

MÁRCIO FALCÃO/FOLHA
DE BRASÍLIA

Após polêmica sobre o chamado kit anti-homofobia, o ministro Fernando Haddad (Educação) não descartou nesta quarta-feira que o material possa sofrer alterações. Haddad disse ainda que parte do material recebido pela bancada evangélica da Câmara e divulgado como parte do kit "não saiu do MEC".
Segundo o ministro, o kit foi entregue ontem a pasta e será avaliado pela comissão de publicação do órgão, que vai ouvir secretários estaduais e municipais sobre o conteúdo. Também serão chamados para discutir o kit deputados da bancada evangélica, católica e da frente parlamentar de defesa da família.O ministro foi chamado hoje às pressas para explicar o kit para as bancadas religiosas da Câmara que haviam anunciado ontem que "não votariam" nenhuma matéria caso o material não fosse recolhido. Parlamentares da bancada evangélica sustentam que o material já está sendo divulgado.
Haddad disse que o MEC não distribuiu o material, mas não quis apontar o vazamento. Deputados que participaram da reunião disseram que no encontro o ministro atribuiu a divulgação do Kit, que não estaria pronto, à empresa responsável pela produção.O ministro disse à Folha que o material que não seria do MEC contém cenas de sexo explícito. Na reunião, deputados mostraram uma cartilha que tem o símbolo do MEC que fala, por exemplo, de masturbação e ainda uma cartilha com símbolo do Ministério da Saúde com ilustrações com cenas de sexo entre dois homens."Eu recebi ontem o material. [...] Vai para comissão que vai ouvir os secretários estaduais e municipais e os parlamentares que pediram para participar e participarão. O material que vi circulando aqui [Congresso] não é do ministério. Vários dos materiais que foram distribuídos aqui, que circularam aqui não são do Ministério da Educação".O ministro afirmou que a produção do kit foi contratada a uma ONG há três anos e só será oficial após a aprovação do ministério. "O problema do vídeo que está no youtube é que esse material está sendo produzido há mais de um ano. Teve muitas idas e vindas. O MEC recomenda alterações, modificações, e o material acaba sendo refeito a partir da perspectiva do ministério da educação. Ele só se torna oficial quando é aprovado pela comissão de publicação".
O vice-presidente da bancada evangélica, deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), afirmou que o kit pode levar meninos e meninas a se tornarem homossexuais. "Dinheiro público deve ser empregado para combater a homofobia e não para estimular opção sexual".

MEC confirma datas do Enem deste ano

Thiago Santos e UOL
do Agora

O MEC (Ministério de Educação) confirmou ontem as datas para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011. As provas serão realizadas nos dias 22 e 23 de outubro.
O Inep (instituto responsável pelo exame) vai divulgar hoje as datas de inscrição e o calendário de provas do primeiro semestre de 2012.No ano que vem, o Enem terá duas edições. Ainda não há confirmação oficial da data das provas do primeiro semestre de 2012 --há dois finais de semana prováveis: 5 e 6 de maio ou ainda 28 e 29 de abril. Essa data só será confirmada hoje, de acordo com o ministério.
O edital do Enem --com as datas e o preço de inscrição-- deve ser publicado na próxima quinta-feira.
Simulado
O "Guia do Estudante" recebe até amanhã as inscrições para a quarta edição do Simuladão Enem. A prova será aplicada neste sábado, nos campi da universidade Anhembi Morumbi.
A inscrição é gratuita. Os candidatos que obtiverem a terceira e a segunda colocações na classificação geral vão receber um notebook cada um. Já o primeiro colocado vai ganhar um carro 0 km.
Para se cadastrar é preciso acessar http://guiadoestudante.abril.com.br/simuladaoenemge/

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Frente Parlamentar Evangélica quer avaliar "kit gay" do MEC

Ana Cláudia Barros/TERRA
O recente aval da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) ao kit anti-homofobia desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) acrescentou um capítulo à discussão sobre o projeto, que ainda está em fase de análise. A proposta é combater a discriminação a gays, lésbicas e transexuais nas escolas, capacitando professores para lidar com o tema em sala de aula. Mas a notícia de que o material - composto por cartilha, cartazes, folders e vídeos educativos - seria distribuído em 6 mil instituições de ensino da rede pública, eriçou o pelo de segmentos mais conservadores, que não tardaram a demonstrar descontentamento. Manifestações contrárias se disseminaram na internet e no próprio Congresso Nacional. Presidente da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) - formada por 71 parlamentares, três deles, senadores -, deputado João Campos (PSDB-GO), conta a Terra Magazine que foi feito requerimento ao MEC, pedindo um exemplar do kit. A ideia é examinar o material para verificar se a denúncia de que faz "apologia à prática homossexual" - principal argumento dos opositores - procede de fato. A razão de tanta desconfiança, justifica Campos, está nos "precedentes".
- Temos experiências anteriores por parte do governo do então presidente Lula em que material que era confeccionado com determinado propósito e, quando depois tomávamos conhecimento, ia muito além daquilo - afirma, insinuando que a comunidade homossexual tem sido privilegiada pelo Executivo federal na comparação com outras minorias.- Aonde está a política do governo em relação aos outros segmentos? Esses outros segmentos também não sofrem discriminação? Graças a Deus, a sociedade brasileira não é altamente discriminatória. Nem a gays, nem a religiosos, nem a idosos, nem a ciganos. Temos ocorrência de discriminação aos diversos segmentos, mas isso não é uma situação com tanta frequência como em outros países. Todavia, ela ocorre. E, ocorrendo, o governo deve estabelecer uma política pública adequada em relação aos diversos segmentos, e não apenas a um. Fazendo em relação a um, quem sabe, seja só o início. Mas por que não ampliar? Sobre outros temas polêmicos, como o projeto que criminaliza a homofobia (PLC 122), desarquivado pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) e a regulamentação da união civil entre casais do mesmo sexo, que vai ganhar novo projeto, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica sinaliza que a resistência às matérias vai seguir firme e o debate deve avançar menos do que o esperado. Para ele, o PLC 122, apelidado pelos críticos de "mordaça gay", "fere a liberdade de expressão". "Você não pode emitir um conceito. Você não pode dizer o que pensa acerca do homossexual, mas você pode dizer o que pensa acerca da prática política, acerca da prática religiosa... Não é crime", ironiza.Já a união civil homossexual é considerada pelo deputado como "flagrantemente inconstitucional".
- A Constituição Federal, no artigo 226, ao tratar da união civil estável, é clara, não depende de interpretação. Ela se refere à união estável entre homem e mulher - diz, enfático.
Confira a entrevista.
Terra Magazine - Como a Frente Parlamentar Evangélica vai se posicionar em relação ao kit anti-homofobia desenvolvido pelo MEC? O material recebeu, recentemente, avaliação favorável da Unesco.
João Campos - Eu não conheço a manifestação da Unesco. Gostaria de conhecer para me pronunciar. Ainda não tive oportunidade de lê-la.
A atitude da Frente Parlamentar Evangélica é de prevenir. Não conhecemos o kit. Fizemos um requerimento ao ministro da Educação (Fernando Haddad), pedindo um exemplar do material para que possamos, através da nossa assessoria, examiná-lo. Queremos ver se esse kit tem apenas esse alcance ou vai além disso.
Temos experiências anteriores por parte do governo do então presidente Lula em que material era confeccionado com determinado propósito e, quando depois tomávamos conhecimento, ia muito além daquilo.

Como por exemplo?
Houve um momento em que o Ministério da Saúde editou uma cartilha para prevenir doenças sexualmente transmissíveis e a cartilha era uma apologia ao sexo livre, uma cartilha inteiramente pornográfica. Se estivesse numa banca de revistas, ficaria lacrada. Entretanto, o governo estava distribuindo nas escolas.
É claro que nos posicionamos. Somos a favor de políticas que previnam as doenças sexualmente transmissíveis, mas chegamos à conclusão de que o conteúdo do material tinha outro alcance. Estimulava, quem sabe, a prostituição.
Houve outro momento em que o governo editou um folder também para prevenir doença sexualmente transmissível, me parece que voltado para homossexual, em que o material era uma apologia, uma incitação à prática do homossexualismo (sic). Não dá.
Em função desses precedentes é que estamos nos prevenindo. Queremos saber quem elaborou o kit, qual foi a rubrica que pagou, quais os dados que o Ministério da Educação tem para editar este material. Se o ministério está com material só para prevenir a discriminação em relação à comunidade homossexual ou se também em relação a outras minorias na sociedade, como por exemplo os ciganos, quilombolas, deficientes físicos, idosos. O governo não pode adotar uma política pública em relação a um segmento e deixar de adotar em relação a outros segmentos que sofrem do mesmo mal.
No entedimento do senhor, o governo privilegia a comunidade homossexual?
Estamos requerendo as informações para poder fazer essa avaliação. Primeiro: se o material proposto está dentro de uma visão pedagógica, dentro daquilo que foi anunciado, se é tão somente para prevenir a homofobia ou se vai além disso, fazendo apologia ao homossexualismo (sic), induzindo à prática homossexual.O ponto dois é que queremos avaliar as políticas do governo em relação às diversas minorias que há na sociedade brasileira. Queremos avaliar se está sendo privilegiado apenas um segmento da sociedade. Até porque, um outro dado recente nos levou à reflexão. Em dezembro último, o então presidente Lula assinou um decreto, criando um conselho nacional contra a discriminação. Esta era a ementa do decreto, e nós aplaudimos. Só que, quando fomos examinar o conteúdo, vimos que não continha absolutamente nada sobre a discriminação às pessoas em geral ou pelo menos das outras minorias. O decreto trata única e exclusivamente da composição do conselho nacional contra discriminação a gays, lésbicas, travestis, transexual.
Então, o senhor acha que neste caso houve privilégio?
Não acho. Eu tenho convicção. O presidente editou o decreto com todas as letras. Aonde está a política do governo em relação aos outros segmentos? Esses outros segmentos também não sofrem discriminação? Graças a Deus, a sociedade brasileira não é altamente discriminatória. Nem a gays, nem a religiosos, nem a idosos, nem a ciganos. Temos ocorrência de discriminação aos diversos segmentos, mas isso não é uma situação com tanta frequência como em outros países. Todavia, ela ocorre. E, ocorrendo, o governo deve estabelecer uma política pública adequada em relação aos diversos segmentos, e não apenas a um. Fazendo em relação a um, quem sabe, seja só o início. Mas por que não ampliar? É uma pergunta que nós temos.
Em relação ao kit anti-homofobia, uma das justificativas do MEC para elaborar o material foi a constatação, por meio de pesquisas, de que as escolas são ambientes hostis para estudantes homossexuais. Como o senhor vê iniciativas como essa no sentido de minimizar a discriminação aos homossexuais?
Aplaudimos toda e qualquer iniciativa no sentido de minimizar a discriminação a homossexuais, a religiosos, ciganos, negros, quilombolas. Essas iniciativas não podem vir desvirtuadas, vir com vícios, direcionadas apenas a um segmento.
Esse dado que o MEC diz que tem é outro dado que precisamos conhecer. Que instituto fez a pesquisa? Ela foi feita onde? Quais as escolas? Sabemos que existe discriminação, não só na escola, mas não só a homossexuais. Por que não também uma pesquisa que possa medir a discriminação a religiosos? A espíritas, a ciganos? O Estado não é um Estado de todos? Parece que o governo tem compromisso apenas com uma minoria daquelas que compõem a sociedade brasileira.
O senhor mencionou um folder desenvolvido pelo governo federal que faria apologia à homossexualidade. O que na avaliação do senhor significa induzir, fazer apologia a práticas homossexuais?
Estimular, propagar...
O senhor pode me dar um exemplo?
Um exemplo? Esse material. O governo com dinheiro público confecciona um material que faz toda uma mídia em favor dessa prática. Incentivando, induzindo.
Como a Frente Parlamentar Evangélica vai se posicionar em relação a outros temas polêmicos, como o PLC 122 e o projeto da união civil entre casais do mesmo sexo, que voltarão a ser discutidos no Congresso?
O posicionamento que sempre tivemos. Não somos contra a criminalização da homofobia, assim como não somos contra a criminalização de qualquer outra conduta discriminatória à pessoa humana. Agora, o PLC 122 que está no Senado, na nossa análise, não é constitucional. Ele fere princípios fundamentais da Constituição brasileira. Se o Senado corrigir essas imperfeições de natureza inconstitucional, aí terá nossa aprovação. Mas um dos princípios que ele fere é o da liberdade de expressão. Você não pode emitir um conceito. Você não pode dizer o que pensa acerca do homossexual, mas você pode dizer o que pensa acerca da prática política, acerca da prática religiosa... Aí, não é crime.
E o que se refere à união civil entre casais do mesmo sexo?
O projeto da união civil de pessoas do mesmo sexo, chamado de casamento gay, é flagrantemente inconstitucional. A Constituição Federal, no artigo 226, ao tratar da união civil estável, é clara, não depende de interpretação. Ela se refere à união estável entre homem e mulher. Como um projeto de lei infraconstitucional pode dispor diferente daquilo que a Constituição dispõe? Não precisa ser um jurista clássico. Basta ser um acadêmico de Direito para ter essa compreensão dentro do princípio da hierarquia das leis. A lei menor não pode contrariar a lei maior.
Mas no meio jurídico, uma das discussões é que o Direito precisa acompanhar as mudanças que acontecem na sociedade. O senhor não acha que seria o caso de fazer uma reavaliação?
Concordo. Sou bacharel em direito, especialista em direito constitucional. Então, o primeiro passo é aprovar uma emenda constitucional, e não um projeto de lei, que não pode alterar a Constituição.
Se a maioria do Parlamento entender que precisa aprovar uma emenda constitucional desta natureza, significa dizer que a maioria da sociedade então já evoluiu a esse ponto. Se a maioria do Congresso Nacional entender que precisa rejeitar, reprovar essa proposta, significa dizer que a maioria da sociedade não tem essa compreensão, ainda não está no estágio de evoluir a esse ponto. É o processo democrático.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...