da Livraria da Folha
Obra reúne as mais sórdidas e curiosas histórias dos pontífices
Este volume, do mesmo autor de "1808", percorre 14 anos de história
"A História Secreta dos Papas" é o livro do ano na Livraria da Folha. Lançada no primeiro semestre pela editora Europa, a obra de capa dura foi uma das mais procuradas e comentadas em 2010, com um desempenho firme nas vendas ao longo de um ano marcado pela forte presença de livros de religião e história entre os best-sellers do site. Uma das razões do boom desse título, originalmente lançado pela editora inglesa DK (Dorling Kindersley), foi o frequente e chocante noticiário sobre casos de pedofilia na Igreja Católica, que culminou nesta semana com a confissão de um padre belga, cogitado para o Nobel da Paz, de ter abusado de um garoto de 8.
Em segundo lugar, combinando performance comercial e repercussão, ficou o brasileiro "1822", do jornalista Laurentino Gomes, que repetiu o sucesso registrado em 2007 com o seu "1802". A estante de história rivalizou com a de religião na disputa de quem foi a locomotiva das vendas em 2010. "Brasil: Uma História", de Eduardo Bueno, também foi um dos chamarizes do ano. Memória: Em 2009, "Honoráveis Bandidos" brilhou
Biografia do ditador alemão alia fluência narrativa e rigor histórico
Charmosa edição de bolso de "Alice" vem com capa dura e dois clássicos de Carroll
Já a biografia mais bem-sucedida de 2010 foi "Hitler", lançamento da Companhia das Letras, que despertou demanda relevante no período de pré-venda (encomendas dos leitores antes de o título chegar às estantes).
Entre os livros de vida prática, aqueles sobre finanças pessoais e de motivação mantiveram a tradição de xodós dos leitores. "12 Meses para Enriquecer", do economista Marcos Silvestre,, liderou esse filão, que teve ainda "Eu Vou Te Enriquecer", do guru Paul McKenna, como principal representante estrangeiro.
Na lista dos grandes volumes do ano, há apenas um da estante de gastronomia: "O Livro do Brigadeiro", da jornalista Juliana Motter. Colocado no mercado pela Panda Books, o título chegou a esgotar rapidinho sua tiragem, obrigando a editora a providenciar mais cópias para as livrarias.
O clássico do ano foi "Alice", bombado pelo filme 3D no primeiro semestre, sucedendo o fenômeno de 2009 verificado com o "O Pequeno Príncipe", que arrebanhou uma nova geração de fãs entre adultos e crianças. Já o livro de maior preferência masculina em 2010 foi "Incríveis Passatempos Matemáticos", de Ian Stewart, que acertou de novo na fórmula de volume de enigmas e charadas, após o sucesso anterior com Almanaque das Curiosidades Matemáticas, de 2009.
O título com maior público feminino foi "Justin Bieber", seguido por "Comprometida", de Elizabeth Gilbert, que teve seu "Comer, Rezar, Amar" adaptado para o cinema neste ano com Julia Roberts.
Ano ruim para a ficção
Bolaño apresenta cinco narrativas interligadas por 2 tramas centrais
Livro inédito de Gullar, que ficou 11 anos sem lançar um novo exemplar
Foi um ano ruim para a ficção, sem um grande, inédito e inconteste sucesso comercial apoiado em críticas positivas. "2666", do chileno Roberto Bolaño (1953-2003), foi o mais festejado pelos críticos, mas se brinca que se trata de um livro que dá prestígio ter na estante, mas de difícil, lenta e interrompida digestão. É só lembrar que são 856 páginas, reunindo cinco romances interligados por duas tramas. A vontade de Bolaño era que os romances fossem publicados separadamente. Após a morte do autor, no entanto, sua família deu aval à editora para que se lançasse tudo em um único volume.
Na literatura nacional, "Se Eu Fechar os Olhos Agora", do repórter da Globo Edney Silvestre, ganhou o Jabuti de melhor romance, embora tenha perdido para "Leite Derramado", lançamento de 2009, de Chico Buarque. Mas não houve uma obra nacional de 2010 unânime em público e crítica que servisse como a "cara do ano". No máximo, essas duas obras protagonizaram a maior polêmica do ano nas letras nacionais, expondo rixas regionais entres os mercados de Rio e São Paulo. Na poesia, Adélia Prado quebrou um jejum de dez anos e lançou "A Duração do Dia", enquanto Ferreira Gullar comemorou seus 80 anos com "Em Alguma Parte Alguma". Na crônica, "Eu, aos Pedaços" trouxe os melhores trabalhos de Carlos Heitor Cony.
O mico do ano foi de Paulo Coelho. "O Aleph" decepcionou, jogando para 2011 uma grande questão: quando o mago brasileiro vai fazer as pazes com sua lenda pessoal e voltar a parir um best-seller condizente com o tamanho de sua fama?
Nenhum comentário:
Postar um comentário