Senado confirmou salário de R$ 545, aumento real de 0,37% frente a 2010.Reajuste do mínimo de 2011 sofreu impacto da crise econômica de 2009.
O salário mínimo de R$ 545 aprovado na noite desta quarta-feira (23) pelo Senado registra o menor aumento real concedido desde 2003, início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostram dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O reajuste de 0,37% frente ao valor de 2010, que era de R$ 510, começa a valer em 1º de março. Desde janeiro deste ano, o salário mínimo vem sendo pago no valor de R$ 540. Isso porque o governo federal concedeu aumento com base na estimativa da inflação. No entanto, verificou-se posteriormente que a inflação foi maior e o mínimo deveria ser R$ 543. O valor, então, foi arredondado para R$ 545.
A política de valorização do salário mínimo prevê correção pela inflação do ano anterior, considerando o INPC, mais variação do crescimento da economia de dois anos atrás. O que aconteceu em 2011 foi que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 foi negativo, por conta da crise financeira internacional.
Considerando a política aprovada, o reajuste em 2012 será favorável ao trabalhador e próximo de 13%, sendo 5% de correção da inflação e 7,5% de aumento real, que é a estimativa de crescimento do PIB para 2010. Com isso, o mínimo seria superior a R$ 615.
A política aprovada no Senado nesta quarta já havia sido aprovada na Câmara na semana passada. Agora, vai à sanção da presidente Dilma Rousseff.Confira abaixo o que foi reposição e o que foi aumento real em todos os reajustes no salário mínimo desde 2003, a partir de quando os dados foram disponibilizados pelo Dieese na publicação "Política de Valorização do Salário Mínimo", de janeiro deste ano.
| Reajuste em | Salário anterior | Salário reajustado | Percentual de reajuste | Inflação (INPC) | Aumento real |
|---|---|---|---|---|---|
| Abril de 2003 | R$ 200,00 | R$ 240,00 | 20% | 18,54% | 1,23% |
| Maio de 2004 | R$ 240,00 | R$ 260,00 | 8,33% | 7,06% | 1,19% |
| Maio de 2005 | R$ 260,00 | R$ 300,00 | 15,38% | 6,61% | 8,23% |
| Abril de 2006 | R$ 300,00 | R$ 350,00 | 16,67% | 3,21% | 13,04% |
| Abril de 2007 | R$ 350,00 | R$ 380,00 | 8,57% | 3,3% | 5,1% |
| Março de 2008 | R$ 380,00 | R$ 415,00 | 9,21% | 4,98% | 4,03% |
| Fevereiro de 2009 | R$ 415,00 | R$ 465,00 | 12,05% | 5,92% | 5,79% |
| Janeiro de 2010 | R$ 465,00 | R$ 510,00 | 9,68% | 3,45% | 6,02% |
| Março de 2011 | R$ 510,00 | R$ 545,00 | 6,86% | 6,47% | 0,37% |
| Acumulado | 172,5% | 76,66% | 54,25% |
Dados da entidade apontam que 47 milhões de pessoas no país têm rendimentos referenciados no salário mínimo, considerando beneficiários do INSS, empregados do setor privado e trabalhadores domésticos.
Poder de compra se mantém
Com o valor de R$ 545, aponta o Dieese, um salário mínimo consegue comprar 2,06 cestas básicas, exatamente o mesmo índice de 2010. Trata-se do melhor resultado desde o início do Plano Real, conforme o instituto. Em 1995, por exemplo, um salário mínimo comprava 1,02 cesta básica. Em 2000, 1,28. Em 2005, 1,60 cesta básica.
70 anos depois
Apesar da manutenção do poder de compra nos últimos anos, se considerada a longo prazo, a queda no poder de compra foi elevado 70 anos depois de o salário mínimo ter sido criado, mostram os dados do Dieese.Quando foi instituído em 1940, durante o governo de Getúlio Vargas, o piso salarial valia R$ 1.202,29 em valores corrigidos pela inflação, conforme estudo do Dieese que leva em conta atualização com base no Índice do Custo de Vida (ICV) para a capital paulista. Em 1959, durante um período de crescimento econômico acelerado no governo de Juscelino Kubitschek, o mínimo chegou a R$ 1.732,28 em valores de 2011.


Nenhum comentário:
Postar um comentário