domingo, 15 de maio de 2011

"Michael" leva drama sobre pedofilia ao Festival de Cannes

Ofuscados pelo blockbuster da saga de "Piratas do Caribe", dois filmes polêmicos conquistaram os holofotes no tapete vermelho de Cannes: o austríaco "Michael", retrato de um pedófilo do diretor Markus Schleinzer, e "Footnote", uma comédia israelense sobre a competição intelectual e familiar.
Markus Schleinzer que foi diretor de elenco de "A Fita Branca", premiado com a Palma de Ouro do festival francês há dois anos, apresenta um projeto que em momentos parece um filme do seu 'tutor' Michael Haneke e que conta também com a interpretação impressionante de Michael Fuith.
Por trás das câmeras, Schleinzer reduz quase totalmente sua narrativa a dois personagens: Wolfgang, uma criança de 10 anos, e Michael, o homem que o sequestrou, mantendo-o preso em um porão para abusá-lo sexualmente com regularidade. O diretor e roteirista, consciente do delicado do tema, decidiu explorar toda a maldade do mundo, embora siga a máxima lei do diretor de "A Professora de Piano": ensinar o antes e o depois, mas nunca o durante.
Com fortes semelhanças ao recente escândalo austríaco envolvendo Natascha Kampusch e Josef Fritzl, "Michael" capta com fidelidade a apavorante realidade sobre crimes, segredos e por outro lado, a cultura do respeito à intimidade.
Entre suas reflexões mais poderosas a que, por outro lado, já teceu com mais brio
"Em 'Michael' evitei deliberadamente qualquer julgamento ou explicação moral. Simplesmente é um homem e uma criança interagindo", diz o diretor na coletiva de imprensa. O julgamento, no entanto, foi feito pela plateia e ficou dividido: recebendo tantos aplausos como vaias. Talvez pela escolha de um tema tão indigesto ou porque investe diversos elementos fortes no início e a partir da metade da projeção, o filme se movimenta por inércia. Em paralelo, está a exibição da comédia israelense "Footnote", dirigida por Joseph Cedar, que também não foi recebida com alvoroço porque também teve suas razões para a reprovação e para a admiração.
Joseph Cedar, que vinha de uma carreira de filmes politizados e premiados como "Beaufort", sobre a Guerra do Líbano, aguça o gênero e se arrisca em outro tipo de guerra, entre um pai e um filho, pelo sucesso profissional em um mesmo campo: o estudo do Talmude, peça central da literatura rabínica.
Por assim dizer, uma novela de Philip Roth, mas com menos silêncios, o choque de egos surge quando o pai recebe por engano os cumprimentos do primeiro-ministro por ter conseguido um Prêmio Israel que na realidade tinha sido outorgado a seu filho. Por sua vez, a pouca ambição formal cede espaço aos diálogos engenhosos e a um brilhante retrato da competição que se esconde após todo grupo intelectual.

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