CAROL NOGUEIRA/FOLHA
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Em março, Rihanna teve de cancelar shows nos EUA. Em Boston, ela havia vendido 3.700 dos 15 mil ingressos disponíveis. Em setembro, ela vai cantar no Rock in Rio para 100 mil pessoas em show com ingressos esgotados.
Isso porque, com a crise econômica, o público dos EUA e da Europa deixou de ir a shows. E, neste cenário, o Brasil reluz como um dos países menos afetados pela recessão e com público ávido por entretenimento. É o novo pote de ouro da indústria. Ainda assim, os brasileiros sofrem com os preços dos ingressos, muito mais altos que em outros lugares do mundo. Show da cantora Katy Perry em Los Angeles em agosto, por exemplo, custa de US$ 35 a US$ 50 (de R$ 55 a R$ 80). Em São Paulo, em setembro, o mesmo show sai de R$ 200 a R$ 450, mais taxa de conveniência (20% do ingresso) e entrega (R$ 18 em domicílio; R$ 3 na bilheteria).
| Glenn Pinkerton/Las Vegas News Bureau/Efe | ||
![]() | ||
| Rihanna teve que cancelar shows nos EUA, mas toca no Rock in Rio, que tem ingressos esgotados |
De um lado, os produtores alegam que os custos no Brasil são mais altos e que impostos e aluguel de equipamentos são os reais responsáveis por ingressos tão caros (veja o quadro acima).
De outro, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e o Procon garantem que essas empresas praticam ações consideradas abusivas. "Qualquer ação que discrimine o consumidor em detrimento do outro, como a pré-venda de ingressos para portadores de cartões de crédito específicos, é considerada ilegal pelo Procon", diz Renan Bueno Ferracioli, diretor de fiscalização da entidade. Mas, então, já que as práticas são consideradas irregulares, por que empresas as continuam praticando? "O Procon questiona a legitimidade da taxa de conveniência baseada em percentual há muito tempo e já multou essas empresas, mas não podemos impedi-las desta prática", finaliza.
Em abril deste ano, a Time For Fun (T4F) abriu seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo e levantou R$ 540 milhões para investir na expansão para Peru e Colômbia. Outras produtoras também estão investindo pesado, como a XYZ Live, do grupo ABC, de Nizan Guanaes, e a Geo Eventos, criada no ano passado, que trará o mega festival norte-americano Lollapalooza ao Brasil em 2012.
Além disso, produtoras novas abocanharam shows de bandas independentes. Afinal, todos querem tirar sua casquinha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário