Modificação no setor de boot dos discos cria pragas persistentes.Técnica foi usada no Brain, primeiro vírus para PCs, em 1986.
Infecção do MBR era comum em disquetes paradisseminar os vírus. Hoje, técnica quer somente dificultar ação dos antivírus (Foto: Divulgação/SXC)
Contaminando o MBR, algumas pragas avançadas como o TDL (também chamado de TDSS e Alureon) conseguem burlar as proteções do Windows em 64 bits que impedem a execução de código em modo “kernel”. Na prática, isso significa que o vírus tem um controle maior sobre o sistema, dificultando sua remoção.
Empresas desenvolveram software específicospara lidar com pragas avançadas que se alojam no MBR (Foto: Reprodução/Kaspersky Lab)
Segundo o analista de vírus da Kaspersky Lab, Fabio Assolini, vírus desse tipo ainda não foram criados no Brasil, mas brasileiros podem ser infectados com pragas criadas fora do país. “Temos observado que muitos computadores no Brasil tem sido atacados pelo TDSS 4. No primeiro semestre de 2011 registramos mais de três mil tentativas de infecção da praga em diferentes computadores no Brasil”, conta o especialista.
Para eliminar o TDSS/Alureon/TDL, a Kaspersky oferece uma ferramenta gratuita chamada TDSSKiller.
Para se prevenir, o melhor é manter o sistema operacional, navegadores e plug-ins em suas versões mais recentes. Essas pragas costumam ser disseminadas por sites que exploram vulnerabilidades nesses softwares.
Na foto, computador teve 'poema geek' colocado noMBR (Foto: Altieres Rohr/Especial para o G1)
Bootkits
As pragas de hoje são chamadas de “bootkits” – uma mistura dos termos “boot” (que significa “inicialização”, a letra b do “MBR”) e o termo “rootkit”, usado para descrever pragas digitais que buscam se esconder do usuário, dos programas de segurança e até do próprio sistema operacional.
Pesquisadores da empresa de segurança eEye apresentaram um conceito de bootkit com o “BootRoot” na conferência Black Hat em 2005. O BootRoot foi especialmente criado para burlar proteções do Windows.
Segundo a empresa de segurança F-Secure, o Brain – o já mencionado primeiro vírus para PC – teria sido também o primeiro rootkit e bootkit, porque monitorava acessos do disco e camuflava sua presença – embora de uma forma muito diferente das pragas atuais.Isso significa que, depois de 25 anos, a maior diferença nos vírus está na motivação financeira de seus criadores. As técnicas mais avançadas voltam a ser apenas uma atualização do que um dia foi usado por vírus sem nenhum objetivo destrutivo ou financeiro -- como é o caso do Brain, que era uma praga muito interessante: o nome de seus autores está no código do vírus.
*Altieres Rohr é especialista em segurança de computadores e, nesta coluna, vai responder dúvidas, explicar conceitos e dar dicas e esclarecimentos sobre antivírus, firewalls, crimes virtuais, proteção de dados e outros. Ele criou e edita o Linha Defensiva, site e fórum de segurança que oferece um serviço gratuito de remoção de pragas digitais, entre outras atividades. Na coluna “Segurança digital”, o especialista também vai tirar dúvidas deixadas pelos leitores na seção de comentários.
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