segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tv Paga-Em “Terra Nova”, a única possibilidade de futuro está no passado

Antonio Farinaci

No futuro, o planeta Terra descambou. O mundo chegou à beira de um colapso ambiental. A atmosfera foi irremediavelmente poluída. Já quase não há mais qualquer tipo de vegetação. O céu está constantemente encoberto por nuvens escuras. E a sociedade vive dominada por uma paranoia orwelliana. Felizmente, nem tudo está perdido. Diante da catástrofe iminente, os cientistas foram capazes de descobrir uma saída: uma maneira de viajar no tempo. Através desse subterfúgio, é possível enviar seres humanos a um passado remoto (à era dos dinossauros), para recolonizar o planeta.

Esse é o argumento do seriado “Terra Nova”, que estreou no Brasil na última segunda (10). Produzido por Steven Spielberg, ele é tipo uma mistura de “Lost” com “Parque dos Dinossauros”, “Blade Runner”, “Arquivo X” e “O Elo Perdido”. Nos Estados Unidos, onde a série estreou em setembro, as críticas foram duras, apesar do sucesso de público (seu episódio de estreia teve a melhor audiência para uma série nova).
O “New York Times” acabou com o roteiro e chamou a série de careta. O “Miami Herald”, mais escrachado, disse que, apesar dos bons efeitos especiais, daqui a pouco, se o roteiro não melhorar, os telespectadores vão preferir assistir a “Barney e seus Amigos” (o seriado do dinossauro cor-de-rosa).
Não é para menos. O primeiro episódio é uma sucessão de acontecimentos sem nexo aparente. As falas e as atitudes dos personagens são um tanto destrambelhadas. Às vezes, frias demais; às vezes, desproporcionalmente intensas. Geralmente, todos parecem estar sempre com cara de mau (ou, quem sabe, de apavorados, como na foto acima). A overdose de efeitos especiais é uma característica marcante. Consta que cada episódio leva cerca de seis semanas em retoques de pós-produção, por conta desses efeitos: Mais ou menos o dobro do que levam em média episódios de outras séries. Mas o resultado, apesar de bem acabado, é exageradamente “trabalhado”. Os panoramas externos da cidade denunciam essas horas a mais, bem como as florestas e dinossauros.Mas parece que a maior complicação de “Terra Nova” é estar baseada num escapismo que não tem saída: a única esperança de futuro está no passado. Tipo um curto-circuito. É impressão minha, ou essa ideia é meio rasa?
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O que “Terra Nova” tem em comum com outros seriados:
DINOSSAUROS
A referência mais imediata é “Parque dos Dinossauros”, mas há ecos de “O Elo Perdido” (“Land of the Lost”), série produzida de 1974 a 1976, que conta as aventuras de uma família moderna aprisionada num universo paralelo habitado por dinossauros e outros seres estranhos.
COMEÇAR DE NOVO
Apesar de algumas variações nas circunstâncias, a premissa de “Terra Nova” é mais ou menos a mesma de outros seriados apocalípticos recentes, que falam sobre uma reconstrução da sociedade (geralmente após um evento terminal): “Falling Skies” (também produzida por Spielberg), “Jericho” (cancelada após a primeira temporada) e a novíssima “Outcast” (produzida pela BBC) pertencem a essa linhagem.
A FAMÍLIA
O núcleo familiar de “Terra Nova”, os Shannon, faz lembrar os Robinson, de “Perdidos no Espaço”, que, por sua vez, roubaram o nome da família do Robinson suíço (romance infantil do século 19). São todos náufragos: os primeiros no tempo, os outros no espaço e no mar. Cada época teve o território desconhecido em que coube viajar e se perder. Infelizmente, falta aos Shannon um contraponto carismático (e complexo) como o Sr. Smith de “Perdidos no Espaço”.
OS OUTROS
Assim como em “Lost”, há um grupo de dissidentes. Os “Outros” de “Terra Nova” são os “Sixers”, colonos da sexta leva de assentamentos (os Shannon são da décima), que, por razões ainda não claras, se opõem à colônia de Terra Nova.
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O seriado “Terra Nova” passa no canal Fox (só para assinantes), segunda-feira, às 22h.
No site “Portal Terra Nova” dá para baixar episódios que já foram ao ar nos EUA (sem legendas).

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