O Grupo Gay de Alagoas (GGAL) enviou ofício, ontem, ao Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul para tentar confirmar se o perfil “@stjsfm” é mesmo do desembargador daquele Estado Sérgio Fernandes Martins, no Twitter. No último dia 9, o desembargador teria publicado o link da matéria do Estadão sobre o assassinato do casal homossexual Márcio Lira de Souza e Eduardo Luiz Mello da Silva, sob o título “Casal gay é achado morto em Alagoas com olhos perfurados”. Em seguida, o desembargador Sérgio Martins comenta: “[Perfurados? Os seis?]”.
“...Além de publicar a Matéria do Jornal Estadão, Vossa Senhoria usa de um certo humor negro, ao se referir a prática de tortura (olhos perfurados), usa com total preconceito, desrespeito e linguagem pejorativa ao citar com interrogação se teriam perfurado o ânus de Márcio Lira Silva e seu companheiro Eduardo, durante as práticas de tortura vividas pelos mesmos antes de terem sua vida ceifada”, diz trecho do ofício enviado pelo GGAL ao TJ do MS e assinado por seu presidente, Nildo Correia.Mais adiante, o texto endereçado ao “Excelentíssimo Desembargador do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul dr. Sérgio Fernandes Martins” pede a confirmação sobre a autenticidade do perfil do desembargador do Twitter. LM-Dr. Sérgio Fernandes Martins: “Mesmo acreditando que alguém com a sua capacidade de conhecimento, intelectualidade, prestigio, caráter, QI entre outras qualidades, queremos ter certeza se a publicação na citada página é ou não de vossa autoria”.
Em entrevista por telefone à Gazeta, o presidente do GGAL, Nildo Correia, disse que tomou conhecimento do que classificou como “incitação homofóbica” por meio da repercussão do comentário infame nas redes sociais.
“Enviamos ofício para confirmar se a página no Twitter pertence de fato ao desembargador e agora estamos aguardando uma resposta para então tomarmos providências”, disse Nildo Correia.
Segundo Nildo, com o assassinato do casal sobe para oito o número de homossexuais assassinados em Alagoas somente em 2012. No ano passado foram registrados 21 crimes considerados homofóbicos, dos quais apenas cinco tiveram os inquéritos concluídos. Logo mais às 15 horas, no Calçadão da Rua do Comércio, o GGAL promove o “Varal da Homofobia”, que vai expor mais de duas mil fotos de homossexuais assassinados.

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