terça-feira, 19 de julho de 2011

Mulher processa prefeitura em SP por diagnóstico errado de HIV

Ela diz ter feito tratamento durante três anos como se fosse soropositivo.Moradora de São José do Rio Pardo pede R$ 500 mil na Justiça.

Do G1 SP, com informações da EPTV

Uma moradora de São José do Rio Pardo, a 266 km da capital paulista, entrou com um processo contra a Prefeitura pedindo indenização de R$ 500 mil após receber um diagnóstico errado de HIV. Ela passou três anos pensando ter o vírus e chegou a receber tratamento.
A mulher, que preferiu não se identificar, disse que sofreu sem falar o motivo para a família. O problema começou nos exames durante a gravidez, quando o teste de HIV deu resultado indeterminado e ela passou a ser tratada como soropositivo. "Mandaram eu tomar uns remédios", afirmou.
Segundo ela, o centro de saúde não mostrou o resultado da contraprova. Acreditando ter o vírus, ela pediu demissão do trabalho e se isolou. “Eu tinha medo de contagiar os outros.”
Quando teve coragem de contar para a família, ela recebeu ajuda para fazer um teste em uma clínica particular e então soube que não tinha o vírus. Para o advogado Marcelo Costa, o problema não foi o resultado do exame, mas a falta de apoio do setor público. “Ela não teve qualquer acompanhamento por assistentes sociais ou psicólogos.”A Prefeitura perdeu em duas instâncias. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconheceu a falha do sistema de saúde, mas diminuiu o valor da indenização da primeira instância, de R$ 100 mil para R$ 50 mil, dizendo que não pode haver enriquecimento nem empobrecimento de nenhuma das partes. O advogado já recorreu. “Não concordo porque gera um estigma pelo fato de ela ser empregada doméstica. Isso redundaria em um valor menor."A Prefeitura de São José do Rio Pardo também recorreu. A enfermeira Denise Salvador, uma das integrantes do programa DST Aids, disse que as acusações não procedem. “Quando foi feito o novo teste, nós comunicamos que deu negativo. A medicação que seria usada por ela retornou”, ressaltou.
A enfermeira disse ainda que na época foi oferecido atendimento psicológico, mas a paciente não aceitou. Ela afirmou também que a mulher teve um acompanhamento multidisciplinar na Saúde da Mulher durante o pré-natal.

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