Winehouse foi encontrada morta em sua residência em Londres, no bairro de Camdem Town, às 16h deste sábado, hora local. Seu corpo foi achado pela polícia, chamada para socorrer uma mulher inconsciente. Não foi informado até o momento quem chamou ajuda.
| Juan Medina - 4.jul.08/Reuters | ||
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| Amy Winehouse bebe uma taça de vinho durante sua performance no festival Rock in Rio Madri |
"Ao chegar, oficiais encontraram o corpo de uma mulher de 27 anos, que foi declarada morta no local", diz o comunicado publicado inicialmente pelo TMZ. "As investigações sobre as circunstâncias da morte continuam. Neste estágio inicial, ela está sendo tratada como não esclarecida", finaliza o comunicado.
Winehouse, que em janeiro deste ano trouxe sua turnê ao Brasil, nasceu em Londres em 14 de setembro de 1983. Ela tinha dois álbuns lançados e estava finalizando seu terceiro trabalho de estúdio.
Amy se tornou mundialmente conhecida e consagrada com o sucesso do seu segundo CD, "Back to Black", lançado em 2006. Ele trazia canções que falavam sobre drogas, bebidas e relacionamentos conturbados, como "Rehab", "Back to Black" e "You Know I'm No Good". No início deste mês, Amy bebeu até "apagar" pelo menos três vezes em uma semana, segundo o tabloide "The Sun". "Amy está constantemente fora de controle por causa da vodka", contou à publicação uma pessoa próxima a ela. "Ela está fazendo muito barulho quando bebe para esquecer de tudo em sua casa no norte de Londres."
Os problemas de Amy Winehouse com drogas e álcool começaram com sua carreira musical e atraíram cada vez mais as atenções da mídia à medida que sua fama crescia. Em 18 de junho passado, ela teve sua turnê cancelada na Europa após uma performance desastrosa em Belgrado, na Sérvia, onde nem sequer conseguiu cantar.
Amy impulsionou o "neo soul" na última década; veja comentário
Mundialmente conhecida e consagrada com o sucesso do seu segundo CD, "Back to Black" (2006), Amy Winehouse ajudou a impulsionar o chamado "neo soul", abrindo portas para outros artistas brancos que integram o gênero, antes composto predominantemente por negros.
No vídeo acima, a repórter da Ilustrada Carol Nogueira comenta a importância da cantora, que foi encontrada morta em sua residência em Londres às 16h (hora local) deste sábado.
"Embora o termo 'neo soul' já existisse há muito tempo, Amy Winehouse deu força a esse gênero. Hoje em dia, tem muitos outros cantores brancos que formam essa cena do novo soul", diz a jornalista.
O corpo da cantora foi descoberto pela polícia, que foi chamada para socorrer uma mulher inconsciente. Não foi informado até o momento quem chamou a polícia.
Ivan Finotti: Na caça de Amy Winehouse em Londres
Há cerca de seis meses, aterrissei em Londres, com uma missão inglória, passada pela revista mensal da Folha, a "Serafina": caçar Amy Winehouse pela capital inglesa. Conseguir uma entrevista com a musa do cabelo duro, que havia anunciado shows no Brasil em janeiro de 2011. Convencê-la a posar para a foto de capa da revista. Desafiá-la a um campeonato para ver quem de nós bebe mais num pub londrino qualquer (bem, essa não foi exatamente passada pelo meu editor; mas eu não ia perder a chance...)
Missão inglória, é claro, mas, como se vê, divertida. De todas essas incumbências, consegui realizar exatamente nenhuma. Por isso, o jeito foi rodear a cantora e seus conhecidos para tentar extrair algo de bom. Escutar histórias divertidas e edificantes sobre ela, para mais tarde escrever apenas as divertidas.Desnecessário dizer que todos os seus amigos, colaboradores e familiares insistiam que a "agora vai", ou seja, Winehouse havia se recuperado das drogas, estava gravando seu terceiro disco e finalmente ia ser feliz. Consegui contato com o guitarrista Robin Banerjee, que participara das gravações do megassucesso mundial "Back to Black", de 2006. Acostumado com as regras imprensa inglesa, Robin inicialmente perguntou se eu estava disposto a pagar 125 libras para entrevistá-lo. Disse que nada. Ele disse que me levaria a um ensaio do terceiro álbum, com a presença de Amy. "Mesmo assim nada, Robin. Não é certo pagar por entrevistas." Ele desligou. Mas, no dia seguinte, havia se convencido de que seria bom para sua carreira aparecer numa revista publicada no outro lado do mundo e acabou falando. Mas não conseguiu nada sobre o ensaio. Provavelmente porque eles não estavam acontecendo. Em seguida, conversei com o egípcio Sam Shaker, dono do Jazz After Dark, um inferinho de shows no Soho, onde Amy sempre ia dar canjas, com o tatuador dela, o norte-americano Henry Martinez, com o pessoal que da loja que lhe vendia as inseparáveis sapatilhas cor-de-rosa e com os bartenders do pub Hawley Arms, em Camden Town, a verdadeira casa de Amy.
E foi nesse pub que eu encontrei a coisa mais legal da reportagem, pelo menos para mim, amante de música. O gerente do Hawley Arms me levou para um cubículo no terceiro andar, que era o lounge exclusivo de Amy. Sofás de couro, cortinas negras, uma cabeça de cervo prateada pendurada e ali, num canto, a maior preciosidade: uma jukebox privada, com suas canções preferidas. As músicas que Amy ouvia, de onde tirava inspiração para fazer as suas próprias. "Dedicated Follower of Fashion", dos Kinks, "Rock the Casbah", do Clash, "Waiting on a Friend", dos Stones, e "Rocket Man", de Elton John, e outras 200. Na minha opinião, um tesouro.
Leia entrevista de Amy Winehouse à Folha em 2007 DE SÃO PAULO
Mundialmente conhecida e consagrada com o sucesso do seu segundo CD, "Back to Black" (2006), Amy Winehouse ajudou a impulsionar o chamado "neo soul", abrindo portas para outros artistas brancos que integram o gênero, antes composto predominantemente por negros.
No vídeo acima, a repórter da Ilustrada Carol Nogueira comenta a importância da cantora, que foi encontrada morta em sua residência em Londres às 16h (hora local) deste sábado.
"Embora o termo 'neo soul' já existisse há muito tempo, Amy Winehouse deu força a esse gênero. Hoje em dia, tem muitos outros cantores brancos que formam essa cena do novo soul", diz a jornalista.
O corpo da cantora foi descoberto pela polícia, que foi chamada para socorrer uma mulher inconsciente. Não foi informado até o momento quem chamou a polícia.
Ivan Finotti: Na caça de Amy Winehouse em Londres
IVAN FINOTTI
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Há cerca de seis meses, aterrissei em Londres, com uma missão inglória, passada pela revista mensal da Folha, a "Serafina": caçar Amy Winehouse pela capital inglesa. Conseguir uma entrevista com a musa do cabelo duro, que havia anunciado shows no Brasil em janeiro de 2011. Convencê-la a posar para a foto de capa da revista. Desafiá-la a um campeonato para ver quem de nós bebe mais num pub londrino qualquer (bem, essa não foi exatamente passada pelo meu editor; mas eu não ia perder a chance...)
Missão inglória, é claro, mas, como se vê, divertida. De todas essas incumbências, consegui realizar exatamente nenhuma. Por isso, o jeito foi rodear a cantora e seus conhecidos para tentar extrair algo de bom. Escutar histórias divertidas e edificantes sobre ela, para mais tarde escrever apenas as divertidas.Desnecessário dizer que todos os seus amigos, colaboradores e familiares insistiam que a "agora vai", ou seja, Winehouse havia se recuperado das drogas, estava gravando seu terceiro disco e finalmente ia ser feliz. Consegui contato com o guitarrista Robin Banerjee, que participara das gravações do megassucesso mundial "Back to Black", de 2006. Acostumado com as regras imprensa inglesa, Robin inicialmente perguntou se eu estava disposto a pagar 125 libras para entrevistá-lo. Disse que nada. Ele disse que me levaria a um ensaio do terceiro álbum, com a presença de Amy. "Mesmo assim nada, Robin. Não é certo pagar por entrevistas." Ele desligou. Mas, no dia seguinte, havia se convencido de que seria bom para sua carreira aparecer numa revista publicada no outro lado do mundo e acabou falando. Mas não conseguiu nada sobre o ensaio. Provavelmente porque eles não estavam acontecendo. Em seguida, conversei com o egípcio Sam Shaker, dono do Jazz After Dark, um inferinho de shows no Soho, onde Amy sempre ia dar canjas, com o tatuador dela, o norte-americano Henry Martinez, com o pessoal que da loja que lhe vendia as inseparáveis sapatilhas cor-de-rosa e com os bartenders do pub Hawley Arms, em Camden Town, a verdadeira casa de Amy.
E foi nesse pub que eu encontrei a coisa mais legal da reportagem, pelo menos para mim, amante de música. O gerente do Hawley Arms me levou para um cubículo no terceiro andar, que era o lounge exclusivo de Amy. Sofás de couro, cortinas negras, uma cabeça de cervo prateada pendurada e ali, num canto, a maior preciosidade: uma jukebox privada, com suas canções preferidas. As músicas que Amy ouvia, de onde tirava inspiração para fazer as suas próprias. "Dedicated Follower of Fashion", dos Kinks, "Rock the Casbah", do Clash, "Waiting on a Friend", dos Stones, e "Rocket Man", de Elton John, e outras 200. Na minha opinião, um tesouro.
| Ivan Finotti/Folhapress | ||
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| Jukebox particular de Amy Winehouse no pub Hawley Arms, em Camden Town, em Londres |
Amy Winheouse, que foi encontrada morta neste sábado em sua casa em Londres, falou com a Folha em 2007. A entrevista foi concedida a Vivian Whiteman e publicada em 8 de janeiro.
LEIA ABAIXO *
Os cabelos pretos, cheios de ondas vivas, passam longe do estilo louro-e-domesticado da maioria das cantoras jovens, e o visual é um mix original da moda anos 60 com os acessórios dourados dos rappers e dos "chavs" ingleses. As músicas revelam os traços de uma mulher geniosa, sincera, cool e divertida, capaz de rir da estupidez alheia e de suas próprias burradas, de confessar seus vícios e de contar como chorou largada no chão da cozinha por causa de um romance fracassado.
| Joel Ryan/AP | ||
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| A cantora Amy Winehouse se apresenta em Chelmsford (Inglaterra) em agosto de 2008 |
Apesar de ter conseguido muito espaço na mídia graças a seu pavio curto e por se envolver em confusões quando exagera nos drinques, Amy é muito mais do que uma marqueteira da pá virada. Sua voz irresistível, que parece pertencer a uma diva do soul com bem mais de 23 anos, impressionou a crítica especializada e, entre seus fãs, está o ícone mod Paul Weller, que a convidou para dividir o palco em uma série de shows.
De Londres, Amy falou à Folha, por telefone e e-mail, sobre música, bebidas e moda.
Folha - O single "Rehab" fala sobre como você se recusou a participar de um programa de reabilitação para alcoólatras. Qual é a sua relação com a bebida?
AMY Winehouse - Estava passando por um momento pessoal difícil, e meus agentes quiseram me levar para uma clínica, mas decidi que resolveria tudo sozinha. Eu e a bebida temos uma relação bem intensa, de amor e ódio. Tenho noites incríveis e divertidas e momentos péssimos, que me causam sérios problemas.
Folha - Você é conhecida por falar sempre o que pensa, e isso nem sempre é bem visto no mundinho das celebridades...
Winehouse - Não dou a mínima para essa gente que se preocupa demais com as aparências. Ignoro completamente.
| Kevork Djansezian/AP |
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| Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa em Londres |
Winehouse - Gosto de me vestir como uma adolescente dos anos 60 ou como uma dona-de-casa daquela época. Eu mesma escolho as peças, faço a minha maquiagem e arrumo o meu cabelo.
Folha - Quase todas as suas letras falam de seus relacionamentos e problemas pessoais. Você não tem medo de se expor demais?
Winehouse - Não mesmo. Quem sai na chuva, se molha.
Folha - Já pensou em criar outras coisas com suas histórias de amor, como poemas ou um romance?
Winehouse - Desde criança eu sempre escrevi músicas, poemas, histórias. Gosto de criar pequenos contos a partir do que acontece com as personagens das minhas canções. Mas, acima de tudo, adoro escrever letras para as minhas músicas.
Folha - Seu disco tem uma forte pegada retrô. Quais foram suas referências para gravar esse álbum?
Winehouse - Eu estava obcecada pelas coisas da Motown, especialmente pelos grupos vocais femininos dos anos 60. Enfim, músicas desesperadas, de partir o coração.
Folha - Você tem sido comparada com divas do porte de Aretha Franklin e Etta James. O que acha disso?
Winehouse - Fico lisonjeada, embora nunca tenha sido especialmente influenciada por elas. Admiro a originalidade dessas cantoras. Elas são artistas únicas.
Folha - Por curiosidade, qual é o seu drinque preferido?
Winehouse - Dia diferente, drinque diferente.
Nina Lemos: Amy Winehouse, a cabra marcada para morrer
Amy, em seus poucos anos de fama, virou a garota drogada e problemática mais famosa do mundo. Fotos suas usando drogas valiam milhões. Vídeos dela xingando os paparazzi viravam sucesso imediato de audiência. Quanto pior, melhor. Seu gosto pelas drogas e sua atitude única suscitou o que existe de mais perverso na tal indústria de celebridades. Seu pai dava entrevistas falando que temia sua morte. Fotos de ambulância na porta da sua casa eram exibidas com destaque. Parecia que o mundo só esperava a hora que Amy, a cabra marcada para morrer (pelos mórbidos e pela indústria) fizesse o que eles tanto esperavam. E morresse, de fato. De preferência, de uma maneira bem deprimente.
Sua voz única, sua beleza estranha e seu talento para escrever letras mais que sinceras podem ter contribuído, sim, para que ela fosse marcada. Afinal, ela era a garota que chorava de amor no chão da cozinha, que transava com um ex pensando no outro. E que cantava, dançando, que não, não, não, não ia para a reabilitação. Tanta força em uma garota aparentemente tão frágil faziam de Amy uma mulher e tanto.
Esqueçam Madonna. Esqueçam Michael Jackson. As coisas ali não eram programadas. E o que não é programado às vezes foge do controle. O que era maravilhoso para os jornalistas que a perseguiam. Sim, ela corria pela rua, ela dava escândalo. E cada vexame público rendia muito dinheiro para quem se alimenta de fofocas de famosos. Triste ver que Amy fez o que todo mundo esperava. E que muita gente mundo afora deve estar intimamente satisfeito com a sua morte. "Drogada tem que morrer!", gritam os moralistas. "Onde o mundo vai parar com jovens como esses?". Como se cada um dos seus "julgadores" não tivessem na família, ou no círculo de amigos, algum viciado em drogas. Existe alguém que não conheça um alcoólatra? Mas não, Amy era o purgatório de toda loucura humana. E seu destino, traçado aos 27 anos, só faz com que os falsos moralistas, que vão comentar a sua morte bebendo no bar, ganhem força. Afinal. "ela era louca, desestruturada, um mau exemplo". E os urubus que a perseguiram não vão parar de segui-la por muito tempo. Triste e perverso.
Amy pode ter inéditas; ouça última música lançada pela cantora
No fim do ano passado, a cantora Amy Winehouse, que morreu neste sábado aos 27 anos, lançou sua última música, cover de "It's My Party", da cantora Lesley Gore, para o disco "Q Soul Bossa Nostra", tributo ao produtor Quincy Jones.
Amy Winehouse - "It's My Party"
Durante sua curta carreira, Winehouse lançou apenas dois discos --"Frank", de 2003, e "Back to Black", de 2006. O terceiro álbum, embora tenha ganhado diversas datas de lançamento, a última, em janeiro deste ano, nunca chegou perto das prateleiras.
Ao menos algumas inéditas são certas, gravadas com o produtor Salaam Remi durante sua estadia na ilha de Santa Lucia, no Caribe, em 2009. As faixas iriam compor seu terceiro disco, mas a gravadora Island rejeitou as demos quando viu que as gravações da cantora, que fez fama no soul, eram todas no estilo reggae.
Em julho daquele ano, Amy declarou que o disco seria lançado no máximo em janeiro de 2011. "Vai ser bem parecido com o meu segundo álbum, tem muita coisa de 'jukebox' e músicas que são... é só 'jukebox', mesmo", disse a cantora. No mesmo mês, o produtor Mark Ronson, responsável por catapultar Amy ao sucesso, disse que iria gravar o terceiro disco da cantora, mas que eles não haviam nem começado. Em setembro daquele ano, os dois discutiram pelo Twitter e Winehouse declarou: "Você está morto para mim". Ela também havia sido escolhida por Tony Bennett para gravar uma música para o novo álbum do cantor, "Duets II", que tem lançamento previsto para o próximo dia 20 de setembro. Com a morte de Winehouse, o destino das últimas faixas gravadas por ela, ainda inéditas, fica nas mãos da gravadora e de quem ficar responsável pelo espólio da cantora. O que um dia foi rejeitado agora pode virar um disco disputado.
CARREIRA
O talento de Winehouse era indiscutível. Mas com certeza foi eclipsado por tantas bebedeiras, drogas e brigas com o ex-marido, Blake Fielder Civil. Foi Amy quem deu força a onda do novo soul feito por brancos, que hoje tem nomes como Adele, Mayer Hawthorne e Jamie Lidell. Amy teve uma ascensão muito rápida. Seu primeiro disco, "Frank", de 2003, fez bastante sucesso no Reino Unido, onde vendeu cerca de 600 mil cópias. Mas foi com "Black to Black", de 2006, que ela virou uma das maiores promessas da música. Só no Reino Unido, o álbum vendeu mais de 3 milhões de cópias. Foi também com esse disco que ela se tornou a primeira cantora britânica a ganhar cinco Grammys --vencendo nas categorias revelação, gravação do ano e música do ano, três das quatro maiores da premiação.
PROBLEMAS
No fim de 2006, a avó de Amy, que era uma grande referência pra ela, morreu. A família acredita que esse foi o ponto que teria dado origem ao alcoolismo e ao vício da cantora em drogas. Já em 2007, a cantora cancelou shows no Reino Unido. Em 2008, Amy teve que ser internada várias vezes em clínicas de reabilitação. A partir dali, todo mundo sabia que era questão de tempo. A morte de Amy virou até motivo de apostas. Um site criado nos Estados Unidos chamado "When Will Amy Winehouse Die?" (quando Amy Winehouse vai morrer?) ficou famoso em 2008. Quem adivinhasse a data ganharia um iPod. Os shows que ela fez no Brasil, em janeiro, foram alguns dos últimos de sua carreira. No show de São Paulo, o último no país, Amy demonstrou muita dificuldade para cantar, esqueceu algumas letras, tropeçou em outras e ia muito para o fundo do palco, ninguém sabe ao certo o porquê.
No seu último show, no começo do mês passado, em Belgrado, na Sérvia, ela foi vaiada até sair do palco e teve que cancelar todos os shows na Europa. Aquele seria o primeiro show da turnê europeia.
Namorado de Amy Winehouse é fotografado em frente à casa da cantora
Poucas horas depois de anunciada a morte de Amy Winehouse, fãs e fotógrafos já se reuniam na porta da casa da cantora em Londres. Entre os curiosos foi fotografado o cineasta Reg Traviss, atual namorado da cantora. Encostado a uma grade, Traviss parecia estar sozinho e demonstrava tristeza e desolação.
Winehouse foi encontrada morta em sua casa na tarde deste sábado. Seu corpo foi achado pela polícia e ela foi declarada morta no local.
NINA LEMOS/FOLHA
DE SÃO PAULO
"Doidona, doidona!" No show de Amy Winehouse realizado no Brasil no início deste ano alguns convidados VIPs bradavam esse grito de guerra. Na porta do hotel, fotógrafos a chamavam de acabada. E assim foi mundo afora durante a sua curta carreira. Amy era cabra marcada para morrer. "Quanto será que ela dura?", perguntavam seus fãs mórbidos ao redor do planeta. DE SÃO PAULO
Amy, em seus poucos anos de fama, virou a garota drogada e problemática mais famosa do mundo. Fotos suas usando drogas valiam milhões. Vídeos dela xingando os paparazzi viravam sucesso imediato de audiência. Quanto pior, melhor. Seu gosto pelas drogas e sua atitude única suscitou o que existe de mais perverso na tal indústria de celebridades. Seu pai dava entrevistas falando que temia sua morte. Fotos de ambulância na porta da sua casa eram exibidas com destaque. Parecia que o mundo só esperava a hora que Amy, a cabra marcada para morrer (pelos mórbidos e pela indústria) fizesse o que eles tanto esperavam. E morresse, de fato. De preferência, de uma maneira bem deprimente.
| Mastrangelo Reino/Folhapress | ||
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| Amy Winehouse é fotografada na piscina do hotel no Rio de Janeiro, durante passagem pelo Brasil |
Esqueçam Madonna. Esqueçam Michael Jackson. As coisas ali não eram programadas. E o que não é programado às vezes foge do controle. O que era maravilhoso para os jornalistas que a perseguiam. Sim, ela corria pela rua, ela dava escândalo. E cada vexame público rendia muito dinheiro para quem se alimenta de fofocas de famosos. Triste ver que Amy fez o que todo mundo esperava. E que muita gente mundo afora deve estar intimamente satisfeito com a sua morte. "Drogada tem que morrer!", gritam os moralistas. "Onde o mundo vai parar com jovens como esses?". Como se cada um dos seus "julgadores" não tivessem na família, ou no círculo de amigos, algum viciado em drogas. Existe alguém que não conheça um alcoólatra? Mas não, Amy era o purgatório de toda loucura humana. E seu destino, traçado aos 27 anos, só faz com que os falsos moralistas, que vão comentar a sua morte bebendo no bar, ganhem força. Afinal. "ela era louca, desestruturada, um mau exemplo". E os urubus que a perseguiram não vão parar de segui-la por muito tempo. Triste e perverso.
Amy pode ter inéditas; ouça última música lançada pela cantora
CAROL NOGUEIRA
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
No fim do ano passado, a cantora Amy Winehouse, que morreu neste sábado aos 27 anos, lançou sua última música, cover de "It's My Party", da cantora Lesley Gore, para o disco "Q Soul Bossa Nostra", tributo ao produtor Quincy Jones.
Amy Winehouse - "It's My Party"
Durante sua curta carreira, Winehouse lançou apenas dois discos --"Frank", de 2003, e "Back to Black", de 2006. O terceiro álbum, embora tenha ganhado diversas datas de lançamento, a última, em janeiro deste ano, nunca chegou perto das prateleiras.
Ao menos algumas inéditas são certas, gravadas com o produtor Salaam Remi durante sua estadia na ilha de Santa Lucia, no Caribe, em 2009. As faixas iriam compor seu terceiro disco, mas a gravadora Island rejeitou as demos quando viu que as gravações da cantora, que fez fama no soul, eram todas no estilo reggae.
| 18.jun.2011/Associated Press | ||
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| Amy Winehouse durante show em Belgrado no qual foi vaiada pela plateia |
Em julho daquele ano, Amy declarou que o disco seria lançado no máximo em janeiro de 2011. "Vai ser bem parecido com o meu segundo álbum, tem muita coisa de 'jukebox' e músicas que são... é só 'jukebox', mesmo", disse a cantora. No mesmo mês, o produtor Mark Ronson, responsável por catapultar Amy ao sucesso, disse que iria gravar o terceiro disco da cantora, mas que eles não haviam nem começado. Em setembro daquele ano, os dois discutiram pelo Twitter e Winehouse declarou: "Você está morto para mim". Ela também havia sido escolhida por Tony Bennett para gravar uma música para o novo álbum do cantor, "Duets II", que tem lançamento previsto para o próximo dia 20 de setembro. Com a morte de Winehouse, o destino das últimas faixas gravadas por ela, ainda inéditas, fica nas mãos da gravadora e de quem ficar responsável pelo espólio da cantora. O que um dia foi rejeitado agora pode virar um disco disputado.
CARREIRA
O talento de Winehouse era indiscutível. Mas com certeza foi eclipsado por tantas bebedeiras, drogas e brigas com o ex-marido, Blake Fielder Civil. Foi Amy quem deu força a onda do novo soul feito por brancos, que hoje tem nomes como Adele, Mayer Hawthorne e Jamie Lidell. Amy teve uma ascensão muito rápida. Seu primeiro disco, "Frank", de 2003, fez bastante sucesso no Reino Unido, onde vendeu cerca de 600 mil cópias. Mas foi com "Black to Black", de 2006, que ela virou uma das maiores promessas da música. Só no Reino Unido, o álbum vendeu mais de 3 milhões de cópias. Foi também com esse disco que ela se tornou a primeira cantora britânica a ganhar cinco Grammys --vencendo nas categorias revelação, gravação do ano e música do ano, três das quatro maiores da premiação.
PROBLEMAS
No fim de 2006, a avó de Amy, que era uma grande referência pra ela, morreu. A família acredita que esse foi o ponto que teria dado origem ao alcoolismo e ao vício da cantora em drogas. Já em 2007, a cantora cancelou shows no Reino Unido. Em 2008, Amy teve que ser internada várias vezes em clínicas de reabilitação. A partir dali, todo mundo sabia que era questão de tempo. A morte de Amy virou até motivo de apostas. Um site criado nos Estados Unidos chamado "When Will Amy Winehouse Die?" (quando Amy Winehouse vai morrer?) ficou famoso em 2008. Quem adivinhasse a data ganharia um iPod. Os shows que ela fez no Brasil, em janeiro, foram alguns dos últimos de sua carreira. No show de São Paulo, o último no país, Amy demonstrou muita dificuldade para cantar, esqueceu algumas letras, tropeçou em outras e ia muito para o fundo do palco, ninguém sabe ao certo o porquê.
No seu último show, no começo do mês passado, em Belgrado, na Sérvia, ela foi vaiada até sair do palco e teve que cancelar todos os shows na Europa. Aquele seria o primeiro show da turnê europeia.
Namorado de Amy Winehouse é fotografado em frente à casa da cantora
DE SÃO PAULO
Poucas horas depois de anunciada a morte de Amy Winehouse, fãs e fotógrafos já se reuniam na porta da casa da cantora em Londres. Entre os curiosos foi fotografado o cineasta Reg Traviss, atual namorado da cantora. Encostado a uma grade, Traviss parecia estar sozinho e demonstrava tristeza e desolação.
Winehouse foi encontrada morta em sua casa na tarde deste sábado. Seu corpo foi achado pela polícia e ela foi declarada morta no local.
| Joel Ryan/Associated Press | ||
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| Reg Traviss, namorado de Amy Winehouse, se mistura a curiosos em frente à casa da cantora em Londres |
| Andy Rain/Efe | ||
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| Fotógrafos se reúnem diante da casa de Amy Winehouse de Londres |








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