"Vi que não teria condições de ensinar. Só uma aluna prestou atenção, vários falavam ao celular. E tive de ajudar uma professora a trocar dois pneus do carro, furados pelos estudantes. Se continuasse, iria entrar em depressão. Não vale passar por isso para ganhar R$ 1.000 por 20 horas na semana."
Até a última sexta-feira (18), 60 professores já haviam finalizado o processo de exoneração, a pedido, média de mais de dois por dia letivo. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) diz ser normal o número de desistências, considerando a quantidade de efetivações (9.30). No entanto, os educadores discordam.
Para a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Maria Marcia Malavasi, "o cenário é triste; especialmente na periferia, os professores encontraram escolas sem estrutura, profissionais mal pagos, amedrontados e desrespeitados."
Dois professores pedem demissão por dia
Folha de S.Paulo
A Secretaria de Estado da Educação atende a dois pedidos de demissão de professores a cada dia. Até sexta-feira, 60 docentes já haviam finalizado o processo de exoneração a pedido, depois de 39 dias do início das aulas, sendo apenas 25 letivos. Os profissionais fazem parte de um grupo de 260 mil professores que participaram do concurso estadual, em 2010. Do total, 12.044 foram classificados para as 10.083 vagas, mas somente 9.304 foram chamados depois do curso de formação. Neste semestre, o Estado quer chamar mais 25 mil professores.
Segundo os docentes, as desistências estão ligadas principalmente à falta de condições de trabalho (como salas lotadas, por exemplo), à desmotivação dos estudantes e à baixa remuneração. O professor de filosofia Gilson Lopes Silva, 30 anos, foi um dos que pediu demissão. "A realidade da escola é totalmente diferente da mostrada no curso", afirmou. Assim como ele, Edson Rodrigues da Silva, 31, professor de matemática, também pediu demissão e vai continuar apenas na rede particular. Para Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (sindicato da categoria), além das más condições de trabalho, "a formação nas universidades não é satisfatória, pois trabalha com uma escola irreal, de alunos quietinhos".
Editoria de arte/Folhapress | ||
![]() |
SINAL DE VIDA INTELIGENTE EM SP-Alckmin supera Covas e Serra em avaliação positiva, diz Datafolha
DE SÃO PAULO
Escolas de tempo integral não seguem horário
Fabiana Cambricoli/do Agora
Criadas para oferecer uma formação mais completa aos alunos da rede estadual, as escolas de tempo integral têm falhas no cumprimento da carga horária de aulas. O Vigilante Agora visitou na última semana doze dessas escolas na capital. Em quatro delas, a carga de aulas de nove horas diárias --definida pela Secretaria da Educação-- não é seguida. Para cumprir as nove horas, as escolas costumam adotar o horário das 7h às 16h10. No entanto, algumas não respeitam o horário. Na escola Dulce Ferreira Boarin, no Limão (zona norte), os alunos saem mais cedo todos os dias. De segunda a quinta-feira, a saída acontece às 15h20 e, às sextas-feiras, os alunos saem às 14h10. Em outras três escolas ,os estudantes saem mais cedo em alguns dias da semana.
Nenhum comentário:
Postar um comentário