Vítima registrou boletim de ocorrência e fez exame de corpo de delito.Agressão teria acontecido dentro da sala de aula.
Uma professora da Escola Estadual Padre José Narciso Vieira Ehrenberg em Paulínia, a 117 km de São Paulo, deixou de dar aula nesta quinta-feira (7) após ter sido agredida a socos por um aluno de 14 anos nesta quarta-feira (6). A agressão ocorreu depois que a professora pediu que dois alunos parassem de brigar.Nesta quinta, a professora se submeteu a exame de corpo de delito, após registrar o caso na polícia. Segundo a Polícia Civil, no boletim de ocorrência ficou registrado que, em uma discussão entre dois alunos, a professora pediu que eles parassem. Um deles quis sair da sala, mas a professora tentou impedir. O adolescente, então, empurrou as carteiras e deu dois socos no rosto dela.
Alunos da sala do quinto ano afirmam que ocorreu uma discussão entre dois adolescentes. A professora pediu que eles parassem e teria dado um tapa na carteira do agressor.
O pai do estudante acusado de agressão assinou termo de compromisso para apresentar o filho na Vara na Infância e Juventude. O aluno pode ser transferido para outra escola, o que será decidido em uma reunião com a Secretaria de Educação.
Procurada pela equipe de reportagem da EPTV, a professora preferiu não falar sobre o assunto e preservar a identidade.
O pai do estudante acusado de agressão assinou termo de compromisso para apresentar o filho na Vara na Infância e Juventude. O aluno pode ser transferido para outra escola, o que será decidido em uma reunião com a Secretaria de Educação.
Procurada pela equipe de reportagem da EPTV, a professora preferiu não falar sobre o assunto e preservar a identidade.
Ataque a alunos no Rio ganha destaque na imprensa estrangeira
Os sites americanos CNN, The New York Times e Washington Post deram detalhes sobre o massacre. O francês Le Figaro; o espanhol El País; o português Publico; a TV Al Jazeera, do Catar; e o jornal argentino La Nación também noticiaram o tiroteio.
O ataque no Rio de Janeiro ganhou um destaque amplo na imprensa estrangeira. Os sites dos americanos CNN, The New York Times e Washington Post deram detalhes sobre o massacre. Relatos de testemunhas também ganharam espaço nos britânicos BBC e The Guardian.O francês Le Figaro e o espanhol El País lembraram que esse tipo de tiroteio é comum nos Estados Unidos. A manchete do português Publico é sobre a falta de antecedentes criminais do atirador. O massacre também teve ampla cobertura na TV Al Jazeera, do Catar, e no site do jornal argentino La Nación.
Famílias decidem doar órgãos de crianças mortas no massacre no RJ
Foram retirados ossos, córneas e medulas. A avó de uma das vítimas disse que a doação pode ajudar muitas pessoas e isso vai ser uma benção.
Mesmo para quem está acostumado a lidar com a morte, hoje foi um dia terrível. O IML do Rio recebeu os corpos de 12 adolescentes. A maioria delas mortas com tiros na cabeça, a queima roupa.
Muito mais difícil até de se imaginar foi a dor das famílias. Pessoas que viram suas crianças saírem pra ir pra escola, e tiveram que buscá-las no IML.Durante toda a tarde, parentes cumpriram o difícil processo de identificar os mortos e perceberam quantos sonhos terminaram. Karine Lorraine Chagas tinha 14 anos, e queria ser atleta.Mariana Rocha de Souza, 15 anos, era o xodó da casa. “Nós perdemos o nosso tesouro”, diz um familiar.A brutalidade das mortes tornou complicada a identificação de algumas vítimas. Á tarde, o pai de Ana Carolina Pacheco da Silva, de 13 anos, esteve no IML. Mas saiu ainda procurando a filha. O pai de Samira Pires Ribeiro, de 13 anos, também não reconheceu a menina entre os mortos.
Mas já a noite os dois retornaram. Com mais calma e com a ajuda dos peritos descobriram que suas filhas já estavam no local.
Na tragédia também morreram:
Bianca Rocha Tavares, de 13 anos;
Géssica Guedes Pereira, que não teve a idade divulgada;
Larissa dos Santos Atanázio, de 13 anos;
Laryssa Silva Martins, também de 13;
Luiza Paula da Silveira Machado, de 14 anos;
Milena dos Santos Nascimento, de 14;
Rafael Pereira da Silva, de 14 anos;
Um outro menino que não teve o nome divulgado.
Mesmo com o esquema especial montado no IML, para agilizar o trabalho, a noite chegou sem que as famílias tivessem conseguido levar os corpos para os velórios. Em meio a toda essa dor, em um momento tão difícil, que eles tomaram uma decisão importante para outras vidas: pais, mães, avós de algumas vítimas decidiram doar órgãos dos jovens.
Foram retirados ossos, córneas, medulas. Quase sem forças pra ficar em pé, destruída pela perda da neta, a avó de Karine, resumiu o motivo da decisão. “Isso aí vai ser uma benção para muitas pessoas e eu agradeço a Deus por isso”, diz a avó de uma das vítimas.
Doze crianças morreram no tiroteio da manhã de quinta-feira.
Muito mais difícil até de se imaginar foi a dor das famílias. Pessoas que viram suas crianças saírem pra ir pra escola, e tiveram que buscá-las no IML.Durante toda a tarde, parentes cumpriram o difícil processo de identificar os mortos e perceberam quantos sonhos terminaram. Karine Lorraine Chagas tinha 14 anos, e queria ser atleta.Mariana Rocha de Souza, 15 anos, era o xodó da casa. “Nós perdemos o nosso tesouro”, diz um familiar.A brutalidade das mortes tornou complicada a identificação de algumas vítimas. Á tarde, o pai de Ana Carolina Pacheco da Silva, de 13 anos, esteve no IML. Mas saiu ainda procurando a filha. O pai de Samira Pires Ribeiro, de 13 anos, também não reconheceu a menina entre os mortos.
Mas já a noite os dois retornaram. Com mais calma e com a ajuda dos peritos descobriram que suas filhas já estavam no local.
Na tragédia também morreram:
Bianca Rocha Tavares, de 13 anos;
Géssica Guedes Pereira, que não teve a idade divulgada;
Larissa dos Santos Atanázio, de 13 anos;
Laryssa Silva Martins, também de 13;
Luiza Paula da Silveira Machado, de 14 anos;
Milena dos Santos Nascimento, de 14;
Rafael Pereira da Silva, de 14 anos;
Um outro menino que não teve o nome divulgado.
Mesmo com o esquema especial montado no IML, para agilizar o trabalho, a noite chegou sem que as famílias tivessem conseguido levar os corpos para os velórios. Em meio a toda essa dor, em um momento tão difícil, que eles tomaram uma decisão importante para outras vidas: pais, mães, avós de algumas vítimas decidiram doar órgãos dos jovens.
Foram retirados ossos, córneas, medulas. Quase sem forças pra ficar em pé, destruída pela perda da neta, a avó de Karine, resumiu o motivo da decisão. “Isso aí vai ser uma benção para muitas pessoas e eu agradeço a Deus por isso”, diz a avó de uma das vítimas.
Novas imagens mostram ataque de atirador dentro de escola no Rio
Doze crianças morreram no tiroteio da manhã de quinta-feira.
O atirador se matou após ser alvejado pela polícia na Zona Oeste.
Novas imagens do circuito interno de segurança da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, mostram o ataque do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, que matou 12 crianças na manhã desta quinta-feira (8). Segundo a Secretaria estadual de Saúde, 11 vítimas continuam internadas.Wellington atirou contra alunos em salas de aula lotadas, foi atingido por um policial e se suicidou. O crime foi por volta das 8h30. De acordo com polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais.
O vídeo mostra, também, momentos antes do crime. Nele, é possível ver os alunos chegando para mais um dia de aula e um professor entrando acompanhando por alunas. Em pouco tempo, esse professor se transformaria num dos heróis desse dia de tragédia.De acordo com os registros, alguns garotos ainda estão no corredor quando Wellington chega. Os alunos estranham a presença dele que para em frente à porta e espera que todos entrem para começar o massacre. Depois, as imagens mostram as crianças fugindo desesperadas. Elas rastejam pra tentar escapar do assassinato.Uma das crianças sai com a mão no ombro, aparentemente ferida. O professor fica na porta, ajudando os alunos. Outra câmera registrou o momento em que a maior parte das crianças consegue fugir. O professor corre e o assassino sai armado. Em seguida, ele aparece no canto da outra sala, e atira contra os alunos.
Depois é possível ver o atirador entrando e saindo da sala para recarregar a arma, e volta a fazer o mesmo. Em seguida, ele vai até o início do corredor, perto das escadas, mas volta para a classe. As imagens mostram ainda o momento que Wellington é atingido por um tiro, provavelmente do sargento da Polícia Militar Márcio Alves, do Batalhão de Polícia Rodoviária do Rio.No vídeo, é possível ver que os policiais, ainda sem saber se Wellington tinha comparsas, entram com cautela. Dois PMs dão cobertura para o sargento que chega na sala onde há crianças mortas. Alguns alunos que conseguiram sobreviver saíram com a ajuda dos policiais.
Fotos
Fotografias feitas de dentro de uma das salas em que o assassino esteve revelam o drama que os estudantes viveram. Nelas, é possível ver mochilas, cadeiras espalhadas, muitas cápsulas de bala e marca de sangue por todo lado.Do lado de fora da escola, um cinegrafista amador registrava o que parecem ser tiros. O vídeo do YouTube mostra as crianças que esperam pra receber atendimento. Dentro do prédio, uma mãe grita em desespero.
Gritaria e confusãoOutras imagens feitas no interior da escola mostram muita gritaria e confusão. Elas mostram os pais à procura dos filhos. No caminho, o corpo do assassino no chão. O vídeo mostra, ainda, alunos feridos sendo retirados às pressas. Do lado de fora, crianças esperam em macas.
Wellington cometeu suicídio após atirar contra
alunos (Foto: Reprodução/TV Globo)“Teve uma época que soltaram bombinha dentro da escola, por isso pensamos que era brincadeira, fomos ver o que era, a turma do lado começou a sair, um monte de gente baleada”, disse Bruna Vitória, de 14 anos.Enquanto as crianças eram retiradas das salas, pais e amigos chegavam desesperados: “Todo mundo estava em casa, foi um ligando para o outro, mãe ligando para mãe, vizinho chamando vizinho e todo mundo desceu”, disse a mãe de um dos alunos.Muitos alunos em estado de choque foram amparados na porta da escola. Tainá passou mal quando ficou sabendo que as amigas morreram. Até semana passada, ela fazia parte da turma que foi atacada: “Era ela da sala deles, aí essa semana minha cunhada mudou ela de turno, passou ela pra noite. Porque ela estaria aqui, agora de manhã”, disse Stefany Folha, tia de Tainá.
Ainda com imagens feitas pelo celular, o cinegrafista amador registrou a revolta da população, que queria linchar o autor do massacre. Mas neste momento Wellington já havia sido ferido pelo policial militar e logo em seguida se matou com um tiro na cabeça.
Homenagens
Um grupo de três jovens veio foi até a escola na noite desta quinta-feira para prestar uma homenagem às crianças que foram assassinadas. Os três adolescentes eram amigos de três meninas que foram mortas. Eles rezaram, acenderam velas, escreveram uma carta pra elas e choraram muito.

O vídeo mostra, também, momentos antes do crime. Nele, é possível ver os alunos chegando para mais um dia de aula e um professor entrando acompanhando por alunas. Em pouco tempo, esse professor se transformaria num dos heróis desse dia de tragédia.De acordo com os registros, alguns garotos ainda estão no corredor quando Wellington chega. Os alunos estranham a presença dele que para em frente à porta e espera que todos entrem para começar o massacre. Depois, as imagens mostram as crianças fugindo desesperadas. Elas rastejam pra tentar escapar do assassinato.Uma das crianças sai com a mão no ombro, aparentemente ferida. O professor fica na porta, ajudando os alunos. Outra câmera registrou o momento em que a maior parte das crianças consegue fugir. O professor corre e o assassino sai armado. Em seguida, ele aparece no canto da outra sala, e atira contra os alunos.
Depois é possível ver o atirador entrando e saindo da sala para recarregar a arma, e volta a fazer o mesmo. Em seguida, ele vai até o início do corredor, perto das escadas, mas volta para a classe. As imagens mostram ainda o momento que Wellington é atingido por um tiro, provavelmente do sargento da Polícia Militar Márcio Alves, do Batalhão de Polícia Rodoviária do Rio.No vídeo, é possível ver que os policiais, ainda sem saber se Wellington tinha comparsas, entram com cautela. Dois PMs dão cobertura para o sargento que chega na sala onde há crianças mortas. Alguns alunos que conseguiram sobreviver saíram com a ajuda dos policiais.
Fotos
Fotografias feitas de dentro de uma das salas em que o assassino esteve revelam o drama que os estudantes viveram. Nelas, é possível ver mochilas, cadeiras espalhadas, muitas cápsulas de bala e marca de sangue por todo lado.Do lado de fora da escola, um cinegrafista amador registrava o que parecem ser tiros. O vídeo do YouTube mostra as crianças que esperam pra receber atendimento. Dentro do prédio, uma mãe grita em desespero.
Gritaria e confusãoOutras imagens feitas no interior da escola mostram muita gritaria e confusão. Elas mostram os pais à procura dos filhos. No caminho, o corpo do assassino no chão. O vídeo mostra, ainda, alunos feridos sendo retirados às pressas. Do lado de fora, crianças esperam em macas.

alunos (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ainda com imagens feitas pelo celular, o cinegrafista amador registrou a revolta da população, que queria linchar o autor do massacre. Mas neste momento Wellington já havia sido ferido pelo policial militar e logo em seguida se matou com um tiro na cabeça.
Homenagens
Um grupo de três jovens veio foi até a escola na noite desta quinta-feira para prestar uma homenagem às crianças que foram assassinadas. Os três adolescentes eram amigos de três meninas que foram mortas. Eles rezaram, acenderam velas, escreveram uma carta pra elas e choraram muito.

Onze alunos permanecem internados, quatro em estado grave
Logo depois da tragédia, começou uma peregrinação de pais e parentes por hospitais e pelo Instituto Médico-Legal (IML) em busca de notícias.
No Hospital Albert Schweitzer, onde muitas das vítimas são atendidas, quatro adolescentes de 13 e 14 anos permanecem internadas, um deles em estado grave. Ele foi baleado no abdômen e na mão. Ao todo, 11 crianças permanecem internadas em seis diferentes hospitais da Região Metropolitana do Rio.
O estado de saúde de algumas dessas crianças e adolescentes ainda inspira cuidados. No Hospital de Saracuruna, um menino de 13 anos foi baleado no olho direito. Chegou a ser operado e está em coma. Uma menina de 14 anos foi atingida no abdômen e na coluna. Estilhaços de bala atingiram a medula dela, e ela corre o risco de ficar paraplégica.Na manhã desta sexta-feira (8), parentes e amigos chegam ao Hospital Albert Schweitzer. A movimentação é tranquila. Mas na quinta (7), logo depois da tragédia, começou uma peregrinação de pais e parentes por diferentes hospitais e pelo Instituto Médico-Legal (IML) em busca de notícias. Na porta do IML, a difícil espera das famílias dos adolescentes atingidos na tragédia. “Mataram minha sobrinha, mataram a minha sobrinha”, chora uma mulher.
Muitos parentes pareciam não acreditar no que aconteceu. “Quando foi 6h45 ela saiu de casa e foi embora para nunca mais voltar”, lamentou a avó Nilza Ferreira.Os 12 alunos mortos na Escola Tasso da Silveira foram atingidos de forma brutal. “Tiros na cabeça, no tórax e uns inclusive à queima-roupa”, contou um senhor.Por causa da violência dos ataques, pais tiveram dificuldade de reconhecer os corpos dos filhos. À tarde, os pais de Ana Carolina Pacheco da Silva e Samira Pires Ribeiro, de 13 anos, estiveram no IML, mas saíram ainda com esperança de encontrar as filhas vivas. Já à noite eles retornaram e com ajuda dos médicos legistas descobriram que as filhas estavam entre os adolescentes que tiveram sonhos e planos interrompidos.
A lista de mortos foi confirmada. Todos tinham entre 12 e 14 anos: Karine Lorraine Chagas de Oliveira; Rafael Pereira da Silva; Milena dos Santos Nascimento; Mariana Rocha de Souza; Larissa dos Santos Atanázio; Bianca Rocha Tavares; Luiza Paula da Silveira Machado; Laryssa Silva Martins; Géssica Guedes Pereira; Samira Pires Ribeiro; Ana Carolina Pacheco da Silva; e um menino que morreu no hospital, mas não teve o nome divulgado.Muitos pais decidiram doar os órgãos dos filhos mortos. Os feridos foram levados para seis hospitais do Rio. Alguns chegaram em estado grave e precisaram ser operados às pressas. Para os pais dessas crianças e adolescentes, ainda há esperança de que os filhos consigam sair vivos dessa tragédia.Ao longo de todo o dia, pais e parentes desesperados em buscavam notícias. O Hospital Albert Schweitzer, que fica a três quilômetros da Escola Tasso da Silveira, recebeu a maior parte dos adolescentes atingidos. Mas como a unidade não tem setor de neurocirurgia, os alunos que foram atingidos na cabeça tiveram de ser transferidos de helicóptero.Médicos se apresentaram voluntariamente de outros hospitais para ajudar. Outros que estavam de plantão durante a madrugada continuaram trabalhando de dia. Mesmo acostumados com uma rotina difícil, não escondiam a tristeza. “Eles atendiam e choravam ao mesmo tempo”, contou uma enfermeira.“Você vê toda a equipe do Albert, nós estamos aqui com os diretores, as pessoas chorando no corredor, as pessoas muito emocionadas, porque é uma situação que a gente não está acostumada a viver. Uma violência tão grande, uma violência totalmente desnecessária contra crianças”, declarou o secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Cortês.A mãe de Karine soube da morte da filha no hospital e deu a notícia ao pai da menina pelo telefone. “Nossa Karine está morta. O cara que entrou na escola deu um tiro na cabeça dela”, contou.À noite, a secretária Nacional de Direitos Humanos, a ministra Maria do Rosário, chegou representando a presidente Dilma Rousseff. “Passamos essa mensagem de força às famílias que agora estão cuidando dos seus filhos. Acho que há um sentimento no coração dos brasileiros que diz: basta de violência contra as crianças”, afirmou a ministra.Em um hospital em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o pai do menino Luan vivia a angústia de ver o filho em coma. Uma aluna foi baleada nas costas. “Só após a operação vão passar o quadro dela, se tem chance de ela depois caminhar. Não gosto nem de pensar”, disse a avó.
As famílias estavam unidas pela dor. “É difícil falar, porque não foi só ela. Foram muitas outras coleguinhas que vieram a falecer. Ela era estudiosa, carinhosa e infelizmente Deus levou. Interrompeu a vida cedo”, lamentou uma jovem.
O estado de saúde de algumas dessas crianças e adolescentes ainda inspira cuidados. No Hospital de Saracuruna, um menino de 13 anos foi baleado no olho direito. Chegou a ser operado e está em coma. Uma menina de 14 anos foi atingida no abdômen e na coluna. Estilhaços de bala atingiram a medula dela, e ela corre o risco de ficar paraplégica.Na manhã desta sexta-feira (8), parentes e amigos chegam ao Hospital Albert Schweitzer. A movimentação é tranquila. Mas na quinta (7), logo depois da tragédia, começou uma peregrinação de pais e parentes por diferentes hospitais e pelo Instituto Médico-Legal (IML) em busca de notícias. Na porta do IML, a difícil espera das famílias dos adolescentes atingidos na tragédia. “Mataram minha sobrinha, mataram a minha sobrinha”, chora uma mulher.
Muitos parentes pareciam não acreditar no que aconteceu. “Quando foi 6h45 ela saiu de casa e foi embora para nunca mais voltar”, lamentou a avó Nilza Ferreira.Os 12 alunos mortos na Escola Tasso da Silveira foram atingidos de forma brutal. “Tiros na cabeça, no tórax e uns inclusive à queima-roupa”, contou um senhor.Por causa da violência dos ataques, pais tiveram dificuldade de reconhecer os corpos dos filhos. À tarde, os pais de Ana Carolina Pacheco da Silva e Samira Pires Ribeiro, de 13 anos, estiveram no IML, mas saíram ainda com esperança de encontrar as filhas vivas. Já à noite eles retornaram e com ajuda dos médicos legistas descobriram que as filhas estavam entre os adolescentes que tiveram sonhos e planos interrompidos.
A lista de mortos foi confirmada. Todos tinham entre 12 e 14 anos: Karine Lorraine Chagas de Oliveira; Rafael Pereira da Silva; Milena dos Santos Nascimento; Mariana Rocha de Souza; Larissa dos Santos Atanázio; Bianca Rocha Tavares; Luiza Paula da Silveira Machado; Laryssa Silva Martins; Géssica Guedes Pereira; Samira Pires Ribeiro; Ana Carolina Pacheco da Silva; e um menino que morreu no hospital, mas não teve o nome divulgado.Muitos pais decidiram doar os órgãos dos filhos mortos. Os feridos foram levados para seis hospitais do Rio. Alguns chegaram em estado grave e precisaram ser operados às pressas. Para os pais dessas crianças e adolescentes, ainda há esperança de que os filhos consigam sair vivos dessa tragédia.Ao longo de todo o dia, pais e parentes desesperados em buscavam notícias. O Hospital Albert Schweitzer, que fica a três quilômetros da Escola Tasso da Silveira, recebeu a maior parte dos adolescentes atingidos. Mas como a unidade não tem setor de neurocirurgia, os alunos que foram atingidos na cabeça tiveram de ser transferidos de helicóptero.Médicos se apresentaram voluntariamente de outros hospitais para ajudar. Outros que estavam de plantão durante a madrugada continuaram trabalhando de dia. Mesmo acostumados com uma rotina difícil, não escondiam a tristeza. “Eles atendiam e choravam ao mesmo tempo”, contou uma enfermeira.“Você vê toda a equipe do Albert, nós estamos aqui com os diretores, as pessoas chorando no corredor, as pessoas muito emocionadas, porque é uma situação que a gente não está acostumada a viver. Uma violência tão grande, uma violência totalmente desnecessária contra crianças”, declarou o secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Cortês.A mãe de Karine soube da morte da filha no hospital e deu a notícia ao pai da menina pelo telefone. “Nossa Karine está morta. O cara que entrou na escola deu um tiro na cabeça dela”, contou.À noite, a secretária Nacional de Direitos Humanos, a ministra Maria do Rosário, chegou representando a presidente Dilma Rousseff. “Passamos essa mensagem de força às famílias que agora estão cuidando dos seus filhos. Acho que há um sentimento no coração dos brasileiros que diz: basta de violência contra as crianças”, afirmou a ministra.Em um hospital em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o pai do menino Luan vivia a angústia de ver o filho em coma. Uma aluna foi baleada nas costas. “Só após a operação vão passar o quadro dela, se tem chance de ela depois caminhar. Não gosto nem de pensar”, disse a avó.
As famílias estavam unidas pela dor. “É difícil falar, porque não foi só ela. Foram muitas outras coleguinhas que vieram a falecer. Ela era estudiosa, carinhosa e infelizmente Deus levou. Interrompeu a vida cedo”, lamentou uma jovem.
Veja lista de vítimas do tiroteiro em escola de Realengo, no Rio
12 crianças morreram em ataque na manhã desta quinta-feira (7).Atirador se matou após ser alvejado por policial em escola da Zona Oeste.
A Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio informou, na noite desta quinta-feira (7), que o número de crianças mortas no ataque à escola em Realengo, na Zona Oeste do Rio, subiu para 12, sendo 10 meninas e dois meninos. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, atirou contra alunos em salas de aula lotadas, foi atingido por um policial e se suicidou. O crime foi por volta das 8h30.
Wellington é ex-aluno da escola onde foi o ataque. Seu corpo foi retirado por volta das 12h20, segundo os bombeiros. De acordo com polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais.
A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para 6 balas.Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra.De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula. O barulho dos tiros atraiu muitas pessoas para perto da escola .O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, fazia uma blitz perto da escola e diz foi chamado por um aluno baleado. "Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio", disse o policial.
Veja lista das vítimas | |
---|---|
![]() | 1- Karine Chagas de Oliveira, 14 anos |
2- Rafael Pereira da Silva, 14 anos | |
3- Milena dos Santos Nascimento, 14 anos | |
![]() | 4- Mariana Rocha de Souza, 12 anos |
![]() | 5- Larissa dos Santos Atanázio, (aguardando documento) |
6- Bianca Rocha Tavares, 13 anos | |
7- Luiza Paula da Silveira, 14 anos | |
8- Laryssa Silva Martins, 13 anos | |
9- Géssica Guedes Pereira (aguardando documento) | |
10- Samira Pires Ribeiro, 13 anos | |
11- menina não identificada - aguardando identificação de familiares | |
12 - menino não identificado - aguardando identificação de familiares |
A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para 6 balas.Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra.De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula. O barulho dos tiros atraiu muitas pessoas para perto da escola .O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, fazia uma blitz perto da escola e diz foi chamado por um aluno baleado. "Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio", disse o policial.
Escola atacada no RJ amanhece com flores em homenagens a vítimas
Velas e cruzes com nomes de mortos também foram colocados no local.Doze morreram em chacina na Escola Tasso da Silveira, em Realengo.
A noite após o ataque da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, foi de tristeza e homenagens em frente à unidade onde crianças foram vítimas do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos. Na manhã desta sexta-feira (8), do lado de fora, no muro da unidade havia flores, velas e cruzes, além de papéis com os nomes dos mortos no massacre.A previsão é que assistentes sociais e psicólogos façam plantam próximo a escola para dar auxílio a alunos, funcionários e suas famílias. O colégio passou a noite lacrado, com a presença de policiais militares. As aulas estão suspensas.
'Não caiu a ficha', diz mãe de aluno
Um dia depois da tragédia, a mãe do menino Mateus, de 12 anos, Fátima Moraes Coelho afirmou que o filho não quer voltar à escola.
“Ele dormiu um pouco à tarde, depois ficou lembrando dos colegas, falou que não caiu a ficha ainda", contou Fátima, que pretende levá-lo a um psicólogo.
Polícia quer traçar perfil psicológico do atirador
O delegado titular da Divisão de Homicidios do Rio, Felipe Ettore, disse nesta madrugada, em entrevista ao Jornal da Globo, que o principal objetivo das investigações é traçar um perfil psicológico de Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo ataque."Pelas entrevistas que fizemos hoje com parentes localizados e pessoas do convívio, [Wellington] atua como uma pessoa que tinha patologia mental, o que motivou esse crime", afirma Ettore."A mãe biológica dele seria portadora de esquizofrenia, segundo relatos dos familiares identificados. A importância é traçar se essa doença mental dele é hereditária", completou, que afirmou que a perícia na escola continuará a ser realizada nesta sexta.
Como foi
A tragédia foi por volta das 8h30 de quinta-feira (7). Wellington entrou na escola e atirou em salas de aula lotadas. Segundo lista divulgada no início da noite, 12 crianças morreram. O atirador se matou, de acordo com a polícia.
A perícia realizada nesta tarde achou sua casa totalmente destruída: móveis e eletrodomésticos foram quebrados.Os investigadores querem saber como um rapaz sem antecedentes criminais sabia manusear as armas. Ele usou dois revólveres: um de calibre 38 e outro de calibre 32 e estava com muita munição num cinturão. Ele usava um equipamento chamado de "speedloader", um dispositivo que ajudava a recarregar as armas rapidamente, de uma vez só.A polícia está tentando descobrir como Wellington conseguiu as armas. O revólver 38 está com a numeração raspada, o que dificulta o rastreamento. Os investigadores localizaram a origem da outra arma, de calibre 32. O dono dela já morreu e, em depoimento, seu filho disse que o revólver tinha sido roubado há quase 18 anos.
Atirador deixou uma carta
O atirador deixou uma carta. Nela, citou Jesus, Deus e traçou planos para o próprio funeral. O rapaz disse que os impuros não poderiam tocá-lo sem usar luvas. Ele afirmou que era virgem, pediu o banhassem e o envolvessem num lençol branco que ele teria deixado no prédio, numa bolsa. E que só depois fosse colocado no caixão e enterrado ao lado da sepultura da mãe.
Wellington disse que gostaria que um fiel seguidor de Deus orasse pedindo o perdão de Deus pelo o que ele fez e pediu que Jesus o despertasse do sono da morte para a vida. Em nenhum momento, o criminoso explica os motivos dos disparos.
Em São Paulo
Escrita em computador e impressa em papel sulfite, a carta de dois parágrafos e 35 linhas escrita por Wellington Menezes de Oliveira tem teor moralizante, denota fanatismo e guarda proximidade com escritas típicas de seitas religiosas, na análise de especialistas ouvidos pelo UOL Notícias.
Como explica o psicólogo Antonio Serafim, coordenador do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, ao insistir na questão da impureza ( "os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos (...) nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue", diz trecho da carta), o rapaz estava tentando demonstrar que se incomodava com alguma “sujeira” do mundo, que mereceria ser combatida, vencida. “Pode ser uma pessoa que foi desrespeitada, que sofreu indiferença, que teve problemas com uma ‘sujeira’ ao redor dele”, afirma.Na análise do especialista, sempre falando de forma teórica, o atirador provavelmente agiu tentando penalizar o mundo que o agrediu. “A morte é a grande mensagem dele. Estou fazendo (matando), pois vocês me obrigaram. Ele pode ter escolhido crianças em uma tentativa de salvá-las dessa sujeira. Ele não estava matando, mas as salvando. É uma visão muito presente em discursos de assassinos desse tipo”, reflete o estudioso, falando ainda no campo das hipóteses.Como explica Sirio Possenti, professor do departamento de Linguística do Instituo de Estudos da Linguagem da Universidade de Campinas (Unicamp), a carta seria uma peça sem sentido se não soubéssemos o desfecho do caso. Ao virar uma espécie de despedida de um assassino suicida, o texto ganha outras dimensões. “A carta só adquire sentido quando ele mata e morre.”Para Possenti, não é possível ignorar que Oliveira tinha alguma questão não resolvida com a “sujeira”, seja ela moral (promiscuidade das mulheres, por exemplo) ou física (algum abuso que sofreu, por exemplo).
Na carta, existe ainda um cuidado desmedido com a figura feminina –e ele matou, na maioria, meninas. Há uma especial citação à figura materna. “Ele faz questão de ser enterrado ao lado da mãe. Por que ele não fala de irmão, pai, nada? Pode ser que ele não aceitasse a morte de mãe”, pondera o linguista, sempre argumentando “em tese”.
Possenti também estranha a solicitação do assassino para que sua herança seja revertida em nome de entidades que cuidam de animais. “Ele poderia deixar para uma instituição de caridade. Mas falta racionalidade, sobra radicalismo. Há uma carência na noção da relação com o diferente. Prefere os animais aos humanos. Pode ser um indício de que ele olhasse o mundo por um ângulo só. Soa como um pequeno fanático.”
De toda forma, como aponta o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os conceitos lembram mais valores de uma seita específica.
“Pode ter nascido (a teoria) da cabeça dele, como uma fantasia. Se não for isso, parece ser de alguma seita. Ele usa terminologias próprias. A morte é tratada como sono. A vinda de Cristo parece uma coisa eminente. E há um rigorismo, um puritanismo muito estranho”, avalia o estudioso.
Costa diz ainda que não acredita que os conceitos usados pelo atirador guardem semelhança com os ensinamentos pentecostais e evangélicos. “O tom é outro. São outras terminologias. O texto do assassino tem características próprias”, afirma.Para o padre, a carta do matador de Realengo soa como mensagens de igrejas milenaristas, que fazem previsões sobre o fim do mundo. “Ou ele é muito desequilibrado ou ele participa de alguma seita que lida com a morte e com Deus de uma forma extremamente fria”, analisa.
Em São Paulo
A última vítima de Oliveira a morrer foi um adolescente de 13 anos que estava internado no hospital estadual Adão Pereira Nunes. Ele teve morte encefálica ontem pouco após as 19h.Conforme a Secretaria de Saúde do Estado do Rio, são 12 os feridos na tragédia. No hospital Albert Schweitzer, há um adolescente de 14 anos, baleado no abdômen e mão, em estado grave.Segundo o diretor de Polícia Técnica Científica do Estado, Sérgio da Costa Henrique, o processo de identificação das vítimas no IML (Instituto Médico Legal) demorou três horas. Ao menos quatro famílias autorizaram doações de órgãos das vítimas.
Homem abriu fogo em escola em Realengo, no Rio, nesta quinta.
No Rio de Janeiro Karine Lorraine se jogou no chão quando vieram os primeiros disparos. Fingiu-se de morta até que a situação ficasse mais calma. Quando levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo, levou um tiro mortal na testa, disparado por Wellington Menezes de Oliveira, 23, um ex-aluno que na manhã desta quinta-feira (7) voltou à escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, para cometer o massacre. O atirador invadiu o local com duas pistolas e matou doze alunos --dez meninas e dois meninos-- que cursavam a oitava série.Até a madrugada desta sexta-feira (8), a mãe da menina, Sheila, que mora em Seropédica, na região metropolitana do Rio, ainda não tinha sido informada pelos parentes da morte da filha. O celular dela passou o dia todo fora de área. Karine morava com a avó, Nilza da Cruz, 63, que a criou desde pequena, e costumava passar as férias com a mãe na região de Itajaí. Quando falou com a reportagem do UOL Notícias, já tarde da noite, Nilza estava extremamente abatida. Fazia apenas algumas horas que ela tinha reconhecido a neta na tela do computador do Hospital Albert Schweitzer, para onde foram levadas inicialmente as vítimas.
A história da morte da menina foi contada à família por um colega de classe, que se fingiu de morto ao lado dela. "Um horror", disse a tia Ana Paula Sampaio dos Santos.A família, no entanto, lembra com serenidade de Karine. Contam que ela era uma menina calma e quieta, "mal falava". Na foto do celular da tia, ela aparece sorrindo e tímida, apesar da pose comum às meninas vaidosas da sua idade.
'Não caiu a ficha', diz mãe de aluno
Um dia depois da tragédia, a mãe do menino Mateus, de 12 anos, Fátima Moraes Coelho afirmou que o filho não quer voltar à escola.
“Ele dormiu um pouco à tarde, depois ficou lembrando dos colegas, falou que não caiu a ficha ainda", contou Fátima, que pretende levá-lo a um psicólogo.
Polícia quer traçar perfil psicológico do atirador
O delegado titular da Divisão de Homicidios do Rio, Felipe Ettore, disse nesta madrugada, em entrevista ao Jornal da Globo, que o principal objetivo das investigações é traçar um perfil psicológico de Wellington Menezes de Oliveira, responsável pelo ataque."Pelas entrevistas que fizemos hoje com parentes localizados e pessoas do convívio, [Wellington] atua como uma pessoa que tinha patologia mental, o que motivou esse crime", afirma Ettore."A mãe biológica dele seria portadora de esquizofrenia, segundo relatos dos familiares identificados. A importância é traçar se essa doença mental dele é hereditária", completou, que afirmou que a perícia na escola continuará a ser realizada nesta sexta.
Como foi
A tragédia foi por volta das 8h30 de quinta-feira (7). Wellington entrou na escola e atirou em salas de aula lotadas. Segundo lista divulgada no início da noite, 12 crianças morreram. O atirador se matou, de acordo com a polícia.
A perícia realizada nesta tarde achou sua casa totalmente destruída: móveis e eletrodomésticos foram quebrados.Os investigadores querem saber como um rapaz sem antecedentes criminais sabia manusear as armas. Ele usou dois revólveres: um de calibre 38 e outro de calibre 32 e estava com muita munição num cinturão. Ele usava um equipamento chamado de "speedloader", um dispositivo que ajudava a recarregar as armas rapidamente, de uma vez só.A polícia está tentando descobrir como Wellington conseguiu as armas. O revólver 38 está com a numeração raspada, o que dificulta o rastreamento. Os investigadores localizaram a origem da outra arma, de calibre 32. O dono dela já morreu e, em depoimento, seu filho disse que o revólver tinha sido roubado há quase 18 anos.
Perfil do atirador
Wellington, que era ex-aluno da escola, nunca apresentou problemas no colégio. Ele cursou o ensino fundamental de 1999 a 2002. De acordo com a Secretaria de Educação, era bom estudante e nunca repetiu de ano. Também não há registros de mau comportamento na sala de aula.Wellington era filho adotivo, caçula de cinco irmãos. O pai morreu há cinco anos e a mãe, há dois anos. Em 2008, ele trabalhou no almoxarifado de uma fábrica de salsichas, de onde pediu demissão em agosto do ano passado. Segundo funcionários, ele era um jovem de poucas palavras.O rapaz, considerado estranho pelos vizinhos, morou com a família em uma casa, na mesma rua da escola, cenário do massacre. Há 8 meses, Wellington se mudou para outra casa, em Sepetiba, também na Zona Oeste do Rio. O imóvel foi herança do pai.Atirador deixou uma carta
O atirador deixou uma carta. Nela, citou Jesus, Deus e traçou planos para o próprio funeral. O rapaz disse que os impuros não poderiam tocá-lo sem usar luvas. Ele afirmou que era virgem, pediu o banhassem e o envolvessem num lençol branco que ele teria deixado no prédio, numa bolsa. E que só depois fosse colocado no caixão e enterrado ao lado da sepultura da mãe.
Wellington disse que gostaria que um fiel seguidor de Deus orasse pedindo o perdão de Deus pelo o que ele fez e pediu que Jesus o despertasse do sono da morte para a vida. Em nenhum momento, o criminoso explica os motivos dos disparos.
Carta do atirador é moralizante, denota fanatismo e ligação com seitas, dizem analistas
Arthur Guimarães/Do UOL NotíciasEm São Paulo
Escrita em computador e impressa em papel sulfite, a carta de dois parágrafos e 35 linhas escrita por Wellington Menezes de Oliveira tem teor moralizante, denota fanatismo e guarda proximidade com escritas típicas de seitas religiosas, na análise de especialistas ouvidos pelo UOL Notícias.
Imagens mostram atirador e crianças fugindo em corredor
Na carta, existe ainda um cuidado desmedido com a figura feminina –e ele matou, na maioria, meninas. Há uma especial citação à figura materna. “Ele faz questão de ser enterrado ao lado da mãe. Por que ele não fala de irmão, pai, nada? Pode ser que ele não aceitasse a morte de mãe”, pondera o linguista, sempre argumentando “em tese”.
Possenti também estranha a solicitação do assassino para que sua herança seja revertida em nome de entidades que cuidam de animais. “Ele poderia deixar para uma instituição de caridade. Mas falta racionalidade, sobra radicalismo. Há uma carência na noção da relação com o diferente. Prefere os animais aos humanos. Pode ser um indício de que ele olhasse o mundo por um ângulo só. Soa como um pequeno fanático.”
ANÁLISES
Terminologia cristã, mas com jeito de seita
Apesar das informações da irmã do atirador de que ele teria ligações com o fundamentalismo islâmico –o que foi negado por autoridades muçulmanas–, as palavras do matador se misturam com terminologias cristãs. Deus é citado duas vezes –já Jesus, uma, e Alá ou Maomé, nenhuma.De toda forma, como aponta o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os conceitos lembram mais valores de uma seita específica.
“Pode ter nascido (a teoria) da cabeça dele, como uma fantasia. Se não for isso, parece ser de alguma seita. Ele usa terminologias próprias. A morte é tratada como sono. A vinda de Cristo parece uma coisa eminente. E há um rigorismo, um puritanismo muito estranho”, avalia o estudioso.
Costa diz ainda que não acredita que os conceitos usados pelo atirador guardem semelhança com os ensinamentos pentecostais e evangélicos. “O tom é outro. São outras terminologias. O texto do assassino tem características próprias”, afirma.Para o padre, a carta do matador de Realengo soa como mensagens de igrejas milenaristas, que fazem previsões sobre o fim do mundo. “Ou ele é muito desequilibrado ou ele participa de alguma seita que lida com a morte e com Deus de uma forma extremamente fria”, analisa.
Vítimas de massacre em escola pública do Rio começam a ser enterradas pela manhã
Do UOL NotíciasEm São Paulo
Começam a ser enterradas nesta sexta-feira (8) as vítimas do massacre na escola municipal Tasso de Oliveira, no bairro do Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Ao todo, 12 estudantes da unidade --10 meninas e dois meninos-- foram mortos no tiroteio promovido por um ex-aluno, Wellington Oliveira, que, segundo a polícia, se suicidou depois de ser atingido.Foram confirmados os funerais de quatro vítimas: Laryssa Silva Martins, 13, e Mariana Rocha de Souza, 12, serão sepultadas às 11h no cemitério do Murundu, na zona oeste; Géssica Guedes Pereira, 15, no cemitério Ricardo de Albuquerque, também na zona oeste do Rio, às 15h; e Larissa dos Santos Atanázio, 13, no cemitério Jardim da Saudade (o horário não foi divulgado).Já o atirador, em carta que deixou antes de se matar, pediu para ser enterrado "ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu”.Ontem (7), a presidente Dilma Rousseff afirmou em Brasília que estaria hoje na capital fluminense para acompanhar a despedida das vítimas, o que, até o final da noite de ontem, ainda não estava confirmado em sua agenda oficial.
Casa de atirador em Sepetiba tem pichações e vidros quebrados
O crime
Por volta das 8h30 de quinta-feira (7), o atirador Wellington Menezes de Oliveira entrou no prédio dizendo que iria fazer uma palestra em comemoração aos 40 anos do colégio. Lá dentro, chegou a ser reconhecido por uma professora. Segundo testemunhas, ele foi para o primeiro andar da escola e se dirigiu a uma sala de aula de oitava série, com 40 alunos, onde os disparos começaram. Mais de 400 jovens estudam no local, em 14 turmas do 4º ao 9º ano.Durante o tiroteio, houve muita gritaria e os professores trancaram as portas das salas para proteger os alunos.O atirador estaria usando uma roupa que imitava fardamento militar e entrou na escola com duas pistolas e muita munição.A irmã adotiva do atirador disse em entrevista à rádio Band News, que o atirador estava "muito ligado" ao Islamismo, não saía de casa e ficava o tempo inteiro no computador.Em uma carta deixada, Oliveira orientou seu enterro e pediu que sua casa fosse doada para entidades que cuidam de animais.O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que o episódio é uma “tragédia sem precedentes” e que este é um “dia de luto” para a educação brasileira. "Poderia ter sido maior".O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), disse que o massacre poderia ter sido maior, se um terceiro sargento da Polícia Militar não tivesse interferido. Segundo o governador, o sargento Alves, que cumpria uma operação na região, foi avisado por dois estudantes feridos que fugiram da escola no momento do massacre.“Ele estava participando de uma operação a dois quarterões da escola e foi avisado por dois meninos que fugiram”, disse. Cabral afirmou que o sargento atingiu o atirador na perna quando ele estava no terceiro andar, quando ele já havia atirando contra os alunos e se preparava para atacar mais crianças. “Sem dúvida nenhuma a atuação dele [o sargento] foi fundamental. Ele já estava preparado para mais disparos."EUA, Finlândia e Alemanha tiveram casos de tiroteios em escola
Homem abriu fogo em escola em Realengo, no Rio, nesta quinta.
Conheça outros casos pelo mundo.
Na manhã desta quinta-feira (7), um homem entrou numa escola do Rio de Janeiro e abriu fogo, matando 11 crianças. O atirador também morreu. Confira outros casos parecidos ocorridos no mundo:
Alemanha
Quinze pessoas - nove alunos, três professoras e três pedestres - de um colégio de Winnenden, perto de Stuttgart (sudoeste) morreram vítimas dos tiros de um ex-aluno, em março de 2009. O atirador, Tim Kretschmer, de 17 anos, suicidou-se em seguida. A polícia disse que o assassino se submeteu a tratamento para depressão por cinco meses.
Finlândia
Em setembro de 2008, Matti Juhani Saari, vestido de preto e usando óculos de esqui, entrou armado na Escola de Hotelaria de Kauhajoki e matou dez pessoas. A seguir, ele atirou em si mesmo e morreu mais tarde no hospital. Uma semana antes, ele havia sido interrogado pela polícia, depois de ter colocado um vídeo na internet em que aparecia atirando. Ele tinha 22 anos e estudava para ser chef de cozinha.
O caso ocorreu um ano após outro parecido no país, quando um adolescente atirou contra seus colegas e matou oito pessoas antes de atirar contra a própria cabeça, na cidade de Tuusula. Pekka-Eric Auvinen, autor do tiroteio, havia completado 18 anos em junho e cursava seu último ano de Filosofia e História nesse colégio de ensino médio.
Virgínia Tech
O estudante sul-coreano Seung-Hui Cho levou apenas nove minutos para disparar mais de 170 tiros e matar 32 pessoas, entre colegas e funcionários da universidade Virginia Tech, nos EUA, em abril de 2007. A polícia e a universidade foram criticadas pela demora em avisar os frequentadores do campus de que havia um atirador à solta, no que foi o pior ataque a tiros em escola da história americana.
Columbine
Na tarde de 20 de abril de 1999, os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold detonaram bombas caseiras e abriram fogo no colégio Columbine, no subúrbio de Denver, Colorado (EUA), matando 13 pessoas (12 estudantes e um professor) e ferindo 23 outras antes de cometerem suicídio. Enquanto atiravam, eles riam e gritavam.Harris e Klebold planejaram por meses detonar as bombas dentro da cafeteria do colégio na hora do almoço e depois atirar nos sobreviventes, segundo mostrou uma investigação policial. A maioria de suas bombas falhou, mas eles atiraram do mesmo jeito, matando pessoas deliberadamente dentro e fora da escola.
Alemanha
Quinze pessoas - nove alunos, três professoras e três pedestres - de um colégio de Winnenden, perto de Stuttgart (sudoeste) morreram vítimas dos tiros de um ex-aluno, em março de 2009. O atirador, Tim Kretschmer, de 17 anos, suicidou-se em seguida. A polícia disse que o assassino se submeteu a tratamento para depressão por cinco meses.
Finlândia
Em setembro de 2008, Matti Juhani Saari, vestido de preto e usando óculos de esqui, entrou armado na Escola de Hotelaria de Kauhajoki e matou dez pessoas. A seguir, ele atirou em si mesmo e morreu mais tarde no hospital. Uma semana antes, ele havia sido interrogado pela polícia, depois de ter colocado um vídeo na internet em que aparecia atirando. Ele tinha 22 anos e estudava para ser chef de cozinha.
O caso ocorreu um ano após outro parecido no país, quando um adolescente atirou contra seus colegas e matou oito pessoas antes de atirar contra a própria cabeça, na cidade de Tuusula. Pekka-Eric Auvinen, autor do tiroteio, havia completado 18 anos em junho e cursava seu último ano de Filosofia e História nesse colégio de ensino médio.
Virgínia Tech
O estudante sul-coreano Seung-Hui Cho levou apenas nove minutos para disparar mais de 170 tiros e matar 32 pessoas, entre colegas e funcionários da universidade Virginia Tech, nos EUA, em abril de 2007. A polícia e a universidade foram criticadas pela demora em avisar os frequentadores do campus de que havia um atirador à solta, no que foi o pior ataque a tiros em escola da história americana.
Columbine
Na tarde de 20 de abril de 1999, os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold detonaram bombas caseiras e abriram fogo no colégio Columbine, no subúrbio de Denver, Colorado (EUA), matando 13 pessoas (12 estudantes e um professor) e ferindo 23 outras antes de cometerem suicídio. Enquanto atiravam, eles riam e gritavam.Harris e Klebold planejaram por meses detonar as bombas dentro da cafeteria do colégio na hora do almoço e depois atirar nos sobreviventes, segundo mostrou uma investigação policial. A maioria de suas bombas falhou, mas eles atiraram do mesmo jeito, matando pessoas deliberadamente dentro e fora da escola.
Aluna se fingiu de morta antes de levar tiro mortal, diz família
Fabiana Uchinaka/Enviada especial do UOL NotíciasNo Rio de Janeiro Karine Lorraine se jogou no chão quando vieram os primeiros disparos. Fingiu-se de morta até que a situação ficasse mais calma. Quando levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo, levou um tiro mortal na testa, disparado por Wellington Menezes de Oliveira, 23, um ex-aluno que na manhã desta quinta-feira (7) voltou à escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, para cometer o massacre. O atirador invadiu o local com duas pistolas e matou doze alunos --dez meninas e dois meninos-- que cursavam a oitava série.Até a madrugada desta sexta-feira (8), a mãe da menina, Sheila, que mora em Seropédica, na região metropolitana do Rio, ainda não tinha sido informada pelos parentes da morte da filha. O celular dela passou o dia todo fora de área. Karine morava com a avó, Nilza da Cruz, 63, que a criou desde pequena, e costumava passar as férias com a mãe na região de Itajaí. Quando falou com a reportagem do UOL Notícias, já tarde da noite, Nilza estava extremamente abatida. Fazia apenas algumas horas que ela tinha reconhecido a neta na tela do computador do Hospital Albert Schweitzer, para onde foram levadas inicialmente as vítimas.
A respeito da tragédia ocorrida no RJ, Cabral declara luto de 7 dias e presta solidariedade a todos envolvidos, vitimas familiares e ainda... O governador afirmou em coletiva que professores, funcionários e os 400 alunos da instituição estão recebendo assistência psicológica.
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