
Lady Gaga sai de caixão com barriga de grávida em show da Radio 1 em Carlisle, na Inglaterra
Lady Gaga se veste até mesmo para um ensaio. Ela estava se preparando para ser a atração principal da festa de gala anual da Fundação Robin Hood, um encontro de 4 mil das pessoas mais ricas de Nova York em benefício de programas antipobreza, em um salão de baile do Centro de Convenções Jacob K. Javits em 9 de maio. Seu batom era um verdadeiro arco de cupido e seus olhos, grandes como faróis, estavam elaboradamente delineados e com os cílios arrumados. Suas unhas estavam pintadas em vermelho sangue com pequenas francezinhas douradas. Ela vestia uma jaqueta curta angular que mal chegava à sua cintura, calças verde-oliva, botas até o joelho com cadarços amarrados de modo elaborado e saltos altos enormes. Não era o figurino com ombreiras, de tamanho maior, que ela usaria posteriormente na apresentação, mas era muito mais do que os agasalhos usados pelos dançarinos ao seu redor. Ao final do ensaio, as calças seriam rasgadas pela dança e as unhas sumiriam, arrancadas pelo martelar ao piano. Havia se passado menos de duas semanas do último show da turnê Monster Ball, sua extravagância em arenas que percorreu o mundo por dois anos e encerrou em 27 de abril, em Cleveland. “Eu deitei no centro do palco e gritei até meus olhos saltarem quando a cortina fechou”, disse Lady Gaga nos bastidores, após o ensaio. “É muito emocionante para mim como artista. Quantas noites eu deixei meu coração naquele pedaço de 2,5 X 2,5 metros do palco?”
Mas ela não se deu tempo para descansar. Sua apresentação na festa de gala –seguida por uma participação como mentora em “American Idol”, apresentações em Londres e várias aparições na mídia– levou ao lançamento de seu novo álbum, “Born This Way”, que será lançado na terça-feira. O álbum é tão contagiante e euforicamente exagerado quanto a música que a transformou em sensação. Ele também adiciona uma dimensão extra às suas canções: o seu prezado relacionamento com um público de massa –os fãs que chamam a si mesmos de “Little Monsters” (Monstrinhos), vestidos com zelo de modo transgênero– para o qual ela é uma deusa, uma irmã mais velha, uma porta-voz, uma conselheira e uma chefe de torcida. “Eu posso ser a rainha que você precisa que eu seja”, ela canta.
“Born This Way” chega após um álbum multimilionário de Lady Gaga, “The Fame”, lançado em 2008, que vendeu mais de 4 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, e o EP que vendeu 1 milhão de cópias, “The Fame Monster”, lançado em 2009. Juntos, eles geraram sete singles Top 10 e aumentaram ainda mais o público nos concertos. Lady Gaga, 25 anos, que nasceu Stefani Germanotta e ainda tocava em pequenos clubes no final de 2007, se transformou na mais ostentosa e ubíqua estrela pop do século 21 até o momento. “Eu sou um show sem intervalo”, ela disse. Ela muda sua imagem com a velocidade da Internet. David Bowie desenvolvia uma nova imagem a cada álbum, Madonna a cada single; Lady Gaga parece ter uma para cada ciclo de notícias. O desfile de trajes criados por sua Haus of Gaga, para serem apresentados perante câmeras cada vez mais atentas, está presente nas capas de revistas, televisão, YouTube e na mídia social; há sempre um novo visual Gaga para elogiar, zombar e, acima de tudo, repostar. Mas no palco, em meio a todo o figurino, perucas e passos de dança, Lady Gaga mantém natural um elemento importante: ela não usa playback. Por trás do clichê de moda há uma pessoa que trabalha a música de modo diligente.
Independente de estar vestindo vinil, seda, couro, cabelo ou carne crua –esse foi o “vestido de carne” que ela usou no MTV Video Music Awards de 2010, que estará em exposição no Salão da Fama do Rock and Roll– ela chama atenção para suas canções ousadas, insistentes, com seus refrões gaguejantes (“pa-pa-pa-pa-paparazzi”) e batidas dançantes retumbantes. A faixa título de “Born This Way”, lançada em fevereiro, chegou ao 1º lugar e permanece no Top 20, ao lado de sua sequência levemente menos comercial, “Judas”.Diferente de grande parte da concorrência nas paradas pop, Lady Gaga é, em todos os aspectos, uma criação autoguiada. Apesar de colaborar com produtores, estilistas e diretores, seu vagalhão pop não é concebido por comitês ou consultores. “Independente do que seja, é ela que dá a direção”, disse Paul Blair, também conhecido como DJ White Shadow, um co-produtor de “Born This Way” e de outras canções do álbum. “Ela é 100% encarregada de 100% de tudo. O que é insano.” Nos bastidores, Lady Gaga enviou um tweet com um de seus muitos agradecimentos aos fãs –ela conta com 10 milhões de seguidores no Twitter– e meditou sobre uma tela de notebook com desenhos de figurinos potenciais antes de se sentar para uma entrevista. Ela não é tímida. Em seus três anos como celebridade, ela simultaneamente proclamou que “todo momento da minha vida é uma apresentação” e afastou qualquer mística. Ela ainda é, ela disse, “uma nova-iorquina italiana no coração, que apenas quer fazer música e fazer isto para sempre, porque amo”.Ela está acostumada a analisar perguntas sobre arte e artifício. “É sempre muito estranho quando as pessoas dizem: ‘Esta é a verdadeira você? É uma encenação?’” ela disse.
“‘Born This Way’ é uma espécie de resposta para todas as perguntas que me fizeram nos últimos três anos. É quem eu sou.” Em “Marry the Night”, a primeira canção do álbum, acordes de órgão como de igreja e uma batida dançante aumentam enquanto ela canta “Eu sou uma rainha guerreira/passionalmente viva esta noite”.Lady Gaga estica uma perna para mostrar o unicórnio que ela tatuou em sua coxa esquerda em setembro. “O unicórnio para mim é uma criatura mítica e mágica, e acredito que este álbum, de muitas formas, tenta aniquilar a ideia de que magia não é real. Eu acredito que magia é real. Eu acredito que fantasia é real. Eu vivo no meio termo entre fantasia e realidade o tempo todo.”
Seu ritmo é incansável. “Ninguém trabalha como essa garota”, disse Jimmy Iovine, o presidente da Interscope Geffen A&M Records, sua gravadora. “Ela é a primeira artista para a qual já pedi para parar. Você realmente implora para que ela pare, mas ela não para. Ela continua seguindo em frente.”
A maioria dos autores de sucessos separa turnês de gravações; Lady Gaga prefere ser multitarefa. Ela gravou “Born This Way” enquanto estava na estrada, gravando as canções após gritar por mais de duas horas no palco do Monster Ball. Studio Bus, como está creditado no álbum, era um ônibus extra da turnê contendo um estúdio de gravação; seu engenheiro, Dave Russell, e dois produtores, Blair e Fernando Garibay, viajaram com ela por um ano. “Basicamente após os shows, eu ia ao ônibus e trabalhava a noite toda”, ela explicou. “Então encostávamos os ônibus e eu voltava ao meu ônibus para dormir na minha cama, e então o ônibus seguia viagem.”“Eles discutiam comigo e diziam: ‘Gaga, não dá para gravar sua voz agora’, com o som do ônibus e a reverberação.” Xingando, ela dizia, “liga o microfone e me deixa fazer isso”. E continuou: “Eu estou inspirada e pronta para seguir em frente. Eu não sou o tipo de pessoa que consegue segurar minha criatividade; eu sempre preciso fazer isso na hora”.
Lady Gaga não foi exatamente uma sensação da noite para o dia, e sua rejeição inicial ainda dói. “Havia muita gente que não acreditava em mim”, ela disse. Antes do lançamento de “The Fame”, ela foi contratada e descartada pela Def Jam Records e trabalhou como compositora para Britney Spears e Pussycat Dolls enquanto aperfeiçoava sua persona de palco –glam rock mesclado com batidas de dance music e exibicionismo burlesco– nos clubes no centro de Manhattan.“The Fame” ignorou as tendências da metade da década, usando uma batida nada sutil –uma atualização da batida disco– em vez do funk sincopado do hip-hop e do rhythm and blues. Suas letras distorciam as seduções e afirmações de grande parte da dance music; elas tinham humor, vulgaridade, desafio e pensamentos sobre ambição e celebridade. “Algo presente em todas as minhas composições é este tom de aspereza, sombras e melancolia”, ela disse. “A amargura está escondida dentro dessas melodias realmente alegres, para cima.”
Quando Lady Gaga começou a fazer vídeos, ela era literalmente fora do padrão; sua coreógrafa, Laurieann Gibson, explicou que ela se move em 1 e 3, não nos habituais 2 e 4, uma peculiaridade que agora é sua marca registrada. No início, disse Lady Gaga, “as pessoas realmente tentavam me intimidar, porque o sentimento era sempre: ‘Ela não pode ser de verdade. Isso deve ser falso, deve ser artificial’. E sempre me dando ordens e me tratando como um bolinho pop descartável que apareceu e tem um contrato de gravação.” A batida 4/4 “four-on-the-floor” padrão da dance music há muito guia os sucessos na Europa, mas as emissoras de rádio americanas resistiam a ela. Iovine disse que foram necessários seis meses de promoção para colocar no ar o primeiro single de Lady Gaga, “Just Dance”. Ele chegou ao primeiro lugar. “As massas aceitam algo novo”, disse Iovine. “São os intermediários que atrapalham.” Lady Gaga está nas paradas desde então, com seus “monstrinhos” se multiplicando.
“A música ganha uma vida completamente diferente assim que entra no universo”, ela disse. “Os fãs e eu mesma começamos a ditar o sentimento em torno da canção, como ela se parecerá, qual será a sensação e onde será. É maravilhoso. Nunca está finalizado. A cultura pop é minha religião, então para dizer que a cultura pop é sua religião é melhor acreditar que seu trabalho nunca está finalizado, e que a arte é algo que transcende, que transforma.” A música em “Born This Way” é inseparável de seu fundo de shows de arena; Lady Gaga canta para e sobre os fãs. “Eu não consigo imaginar não compor na estrada, de certa forma”, ela disse. “Devido à empolgação do show e sua energia. Eu tenho tantas ideias olhando para a multidão, tipo: ‘Eu sei o que vocês querem ouvir. Eu sei o que vocês precisam’.”
Em canções como “Bad Kids” e “Hair” ela prega a autorrealização, a comunidade e o empoderamento; em outra, com um título escatológico, ela chama a si mesma de uma “feminista loira de salto alto”.
Intencionalmente, ela diz, suas novas canções são “ainda maiores, mais grandiosas, mais épicas e mais teatrais”. “Born This Way” é um álbum de canções impactantes; toda canção, tirando uma ou outra introdução, envolve e ruge. “É como ser atropelada por um caminhão”, disse Lady Gaga. “Eu considero o álbum muito íntimo. É íntimo ao meu modo. Eu sou uma mulher intensa. Se for íntima de um homem, eu vou gritar com ele.” Ela explora as batidas dos clubes como trance e techno, mas nunca se acomoda na repetitividade de grande parte da dance music; é um álbum trem-fantasma, com sustos sonoros e truques nos quais trabalhou por meses. O álbum tem ecos abundantes dos anos 80: não apenas Madonna, a antecessora óbvia de Lady Gaga em muitas coisas, mas também o peso e o martelar de piano do rock dos anos 80. Clarence Clemons, da E Street Band de Bruce Springsteen, toca saxofone em duas canções, e para a “power ballad” “You and I”, Lady Gaga procurou Mutt Lange, que produziu faixas para o Def Leppard nos anos 80. (Lange, por sua vez, trouxe Brian May, o guitarrista do Queen, a banda cuja canção “Radio Ga Ga” inspirou seu nome.)
“Eu disse para ele que queria que trabalhasse meus vocais até a exaustão”, disse Lady Gaga. Enquanto ela estava na estrada, ele pediu a ela que gravasse um vocal de referência para a canção. “Eu tinha fumado uns 30 cigarros, bebido dois copos de Jameson, e simplesmente coloquei uma faixa click e cantei direto, pensando que regravaríamos a voz”, ela disse. Não foi preciso; Lange adorou o que ela enviou.“Eu acho maravilhoso ter confiança no que você cria”, ela disse. “Eu acho que é preciso. Eu digo isso com a humildade dos fãs serem tão maravilhosos, mas com a integridade e a certeza das minhas habilidades como música.” Mas não é o tipo de confiança que permite a ela relaxar ou mesmo desacelerar. “Todo dia, no espelho, nas entrevistas, quando vou dormir, quando finalizo aquele refrão, eu sempre estou no ringue de boxe”, ela disse. “Mas eu tenho um golpe duplo: ambição e motivação.”
THE NEW YORK TIMES/Tradução: George El Khouri Andolfato


A cantora Lady Gaga foi fotografada se divertindo no "afterparty" do "Saturday Night Live" até as 4 da manhã, em Nova York. Gaga conversou com Justin Timberlake, fez DJ e tocou algumas das suas músicas, incluindo "Paparazzi"
Comercial mostra Lady Gaga como ícone de inspiração para os fãs
Lady Gaga gravou um comercial para o navegador Google Chrome. Com o tema "a web é o que você faz dela", o vídeo mostra a influência positiva da cantora sobre seus fãs.A loira aparece fazendo cooper em Nova York e enviando mensagens de motivação pela internet, como "vocês são todos lindos" e "fiquem firmes, monstrinhos". São intercaladas imagens do YouTube feitos pelos fãs, que cantam, dançam e copiam o visual de Lady Gaga. A trilha sonora é "The Edge of Glory", faixa de seu novo disco, "Born This Way", lançado oficialmente nesta segunda-feira (23).
Em seu Twitter, a cantora anunciou na noite deste domingo (22) que deve se apresentar no Brasil em 2012. "Ano que vem Born This Way Ball irá para o Brasil. É tão importante para mim ver meus monstrinhos brasileiros. Eu adoro vocês!", escreveu.
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