quinta-feira, 23 de junho de 2011

Fraudes na saúde em São Paulo chegam ao Hospital das Clíninas

Oito suspeitos de envolvimento na fraude em plantões dos hospitais estaduais foram soltos na quarta (23). Mas no HC, o maior hospital público do país, seis funcionários já foram flagrados fraudando o sistema de controle de impressão digital.

 

Em São Paulo, oito suspeitos de envolvimento na fraude em plantões dos hospitais estaduais foram soltos na quarta-feira (23) à noite. Eles conseguiram um habeas corpus e já deixaram o alojamento militar, onde ficaram uma semana presos.
A maioria saiu no carro dos advogados. Para a polícia e o Ministério Público, eles já forneceram as provas e prestaram os depoimentos que vão ajudar nas investigações. Agora, os investigadores vão se debruçar sobre o material recolhido em hospitais de São Paulo e de Sorocaba.Esse esquema já derrubou um secretário e um alto funcionário da Secretaria de Saúde de São Paulo e a cada momento surgem novas denúncias. O repórter José Roberto Burnier mostra agora que funcionários fraudavam o ponto eletrônico do Hospital das Clínicas.No maior hospital público do país, os olhos eletrônicos estão por toda parte. Duzentas e oitenta e uma câmeras monitoram corredores, salas, entradas e saídas do Hospital das Clinicas. O objetivo principal é controlar o expediente dos seis mil funcionários.
O rigor aumentou depois que fraudes foram descobertas nos plantões médicos do Hospital Regional de Sorocaba. O secretário estadual de Esportes, Jorge Pagura, e o coordenador dos hospitais estaduais, Ricardo Tardelli, deixaram os cargos por suspeita de envolvimento com o esquema.
No HC, todo funcionário registra a entrada e a saída no ponto eletrônico com reconhecimento de impressão digital. Em cima de cada ponto há uma câmera.Nos últimos quatro meses, seis servidores foram flagrados fraudando o sistema. Eles marcavam o expediente, mas não trabalhavam. Quatro médicos, uma psicóloga e outro funcionário respondem a processo administrativo e podem ser demitidos.O diretor executivo do hospital, Wilson Pollara, diz que o controle eletrônico diminuiu as fraudes: “Melhorou muito o nosso controle da identificação real da marcação do ponto. Associado a outras coisas, como câmeras e agenda nominal do que cada médico tem que fazer no hospital”, explica.De acordo com o secretário estadual da Saúde, Giovanni Cerri, sistemas de controle como o do HC deverão ser implantado em todos os hospitais públicos estaduais em, no máximo, quatro meses. “Isto permite uma transparência maior do sistema e melhores controles. A saúde depende muito dos seus funcionários. Eu sei que maioria são funcionários dedicados e nós temos que tirar do serviço público quem dá mau exemplo”, afirma Cerri.

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