Oito suspeitos de envolvimento na fraude em plantões dos hospitais estaduais foram soltos na quarta (23). Mas no HC, o maior hospital público do país, seis funcionários já foram flagrados fraudando o sistema de controle de impressão digital.
Em São Paulo, oito suspeitos de envolvimento na fraude em plantões dos hospitais estaduais foram soltos na quarta-feira (23) à noite. Eles conseguiram um habeas corpus e já deixaram o alojamento militar, onde ficaram uma semana presos.
A maioria saiu no carro dos advogados. Para a polícia e o Ministério Público, eles já forneceram as provas e prestaram os depoimentos que vão ajudar nas investigações. Agora, os investigadores vão se debruçar sobre o material recolhido em hospitais de São Paulo e de Sorocaba.Esse esquema já derrubou um secretário e um alto funcionário da Secretaria de Saúde de São Paulo e a cada momento surgem novas denúncias. O repórter José Roberto Burnier mostra agora que funcionários fraudavam o ponto eletrônico do Hospital das Clínicas.No maior hospital público do país, os olhos eletrônicos estão por toda parte. Duzentas e oitenta e uma câmeras monitoram corredores, salas, entradas e saídas do Hospital das Clinicas. O objetivo principal é controlar o expediente dos seis mil funcionários.
O rigor aumentou depois que fraudes foram descobertas nos plantões médicos do Hospital Regional de Sorocaba. O secretário estadual de Esportes, Jorge Pagura, e o coordenador dos hospitais estaduais, Ricardo Tardelli, deixaram os cargos por suspeita de envolvimento com o esquema.
No HC, todo funcionário registra a entrada e a saída no ponto eletrônico com reconhecimento de impressão digital. Em cima de cada ponto há uma câmera.Nos últimos quatro meses, seis servidores foram flagrados fraudando o sistema. Eles marcavam o expediente, mas não trabalhavam. Quatro médicos, uma psicóloga e outro funcionário respondem a processo administrativo e podem ser demitidos.O diretor executivo do hospital, Wilson Pollara, diz que o controle eletrônico diminuiu as fraudes: “Melhorou muito o nosso controle da identificação real da marcação do ponto. Associado a outras coisas, como câmeras e agenda nominal do que cada médico tem que fazer no hospital”, explica.De acordo com o secretário estadual da Saúde, Giovanni Cerri, sistemas de controle como o do HC deverão ser implantado em todos os hospitais públicos estaduais em, no máximo, quatro meses. “Isto permite uma transparência maior do sistema e melhores controles. A saúde depende muito dos seus funcionários. Eu sei que maioria são funcionários dedicados e nós temos que tirar do serviço público quem dá mau exemplo”, afirma Cerri.
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