MÁRCIO NEVES/FOLHA
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
O grupo hacker LulzSecBrazil, que vem promovendo ataques e invasões a sistemas e sites ligados ao governo, divulgou na manhã desta sexta-feira (24) um arquivo que teria sido retirado de computadores da Petrobrás com dados pessoais de funcionários da empresa.
A Folha entrou em contato com um destes funcionários e confirmou a veracidade das informações, que incluía número de CPF, função exercida na Petrobrás e dados bancários. Procurada pela reportagem, a empresa não se manifestou sobre o assunto até a publicação desta notícia. Ontem, o grupo já havia postado em sua conta no Twitter um link para um arquivo com supostos dados pessoais da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Muitas dessas informações são públicas e constam, por exemplo, da prestação de contas dos mandatários durante as campanhas eleitorais. As informações relativas a Dilma a vinculam à Petrobras, o que poderia sugerir que as informações foram coletadas quando ela fazia parte do Conselho de Administração da empresa, do qual saiu no início do ano passado, antes do lançamento de sua campanha à Presidência.
Desde a madrugada de quarta-feira (22) o grupo de hackers tem sido responsabilizado por uma série de ataques a sites governamentais, fazendo com que alguns deles ficassem fora do ar por algumas horas.
O próprio site da Petrobras esteve entre os alvos do grupo. Um suposto ataque de hackers tirou o site do ar na tarde desta quarta-feira. A queda foi reivindicada pelo grupo chamado LulzSecBrazil no Twitter, com mensagens como "Acorda Brasil! Nao queremos mais comprar combustivel a R$2.75 a R$2.98 e expotar a menos da metade do preco! ACORDA DILMA!".
A empresa informou, por meio de nota, que "o site recebeu alto volume de acessos simultâneos" e "o congestionamento momentâneo do servidor não causou nenhuma alteração de conteúdo ou dano de informações disponíveis".
SAIBA MAIS
O grupo de hackers LulzSec (Lulz Security) chamou a atenção mundial pela primeira vez há dois meses, com a invasão da rede on-line do PlayStation, da Sony, e o vazamento dos dados de milhões de usuários. O game, de alcance global, passou dias fora do ar. Na semana passada, o grupo assumiu um ataque ao site da CIA. Anteontem, o FBI invadiu e confiscou equipamentos de um servidor de internet no Estado de Virgínia, parte de uma investigação dos membros do LulzSec realizada junto com a própria CIA e agências europeias, segundo o 'New York Times'. Um membro do LulzSec foi preso no Reino Unido.
O nome Lulz vem de LOL ('laugh out loud', rir alto), uma gíria de internet usada, em geral, após brincadeiras on-line e pegadinhas. Anterior e mais conhecido, o grupo Anonymous nasceu como coletivo hacker há cerca de três anos. A exemplo do LulzSec, começou com brincadeiras on-line, até realizar uma série de ataques em defesa do WikiLeaks, em dezembro do ano passado.
Conseguiu afetar a operação de sites globais como Visa, MasterCard e PayPal, por terem suspendido contas da organização de Julian Assange, que expôs segredos americanos.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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714 sites governamentais brasileiros foram invadidos no ano, diz pesquisa
Portal do IBGE foi hackeado na madrugada desta sexta-feira (24). Sites 'gov.br' sofrem cerca de 4 invasões por dia, diz levantamento.
Blog do Planalto sofreu ataque de pichaçãoem fevereiro, conforme registro do site Zone-h (Foto: Reprodução)
Na madrugada desta sexta-feira (24), o portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sofreu um ataque de pichação. No topo da página na internet estava escrito "IBGE Hackeado – Fail Shell", e uma imagem com um olho representando a bandeira do Brasil.A maioria das pichações ou “defaces” (alterações de páginas) no Brasil é a sites de prefeituras, conforme os arquivos do Zone-H. Dos 16 portais governamentais atingidos entre os dias 17 e 22 de junho, 7 eram de prefeituras e 2 de câmaras municipais.No entanto sites de governos e órgãos estaduais e federais também são alvos. Em 17 de fevereiro, por exemplo, o grupo de hackers "Red Eye" invadiu o Blog do Planalto e postou uma mensagem. Ainda de acordo com o Zone-H, no dia 9 de junho, o mesmo grupo “pichou” o site do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).O Zone-H é o principal site no mundo que cataloga pichações, segundo o pesquisador Dmitry Bestuzhev, da fabricante de antivírus Kaspersky Labs, em entrevista ao G1 em 2009. "Ele serve como uma espécie de ranking para os hackers, pois mede a quantidade de invasões, os países e a importância. É muito mais interessante para um pichador alterar um site '.gov' do que um '.com'", diz Bestuzhev.
O Zone-H afirma que toda informação contida nos seus arquivos é coletada na internet por meio de fontes públicas ou é notificada diretamente pelo próprio hacker, que não precisa se identificar.
Ataques
Os hackers que invadiram o site do IBGE negaram ter relações com os grupos LulzSec ou Anonymous no Brasil. O LulzSecBrazil é apontado como o responsável pelos ataques que derrubaram sites do governo na madrugada de quarta-feira (22). Foi o maior ataque sofrido pelo governo, com mais de 2 bilhões de tentativas de acesso em um curto período de tempo, segundo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). O órgão informou que o ataque não causou danos às informações disponíveis nas páginas e partiu de servidores localizados na Itália.O canal de comunicação usado pelo LulzsecBrazil foi fechado por volta das 22h desta quinta (23). A decisão foi tomada pelos administradores da rede que também hospeda o canal usado pela operação do Lulzsec original.Um possível indício do surgimento de um grupo de piratas contrários ao LulzSecBrazil é a divulgação de um documento que acusa um hacker de ser líder do movimento brasileiro. Ele seria Al3XG0, um conhecido criminoso digital envolvido com o roubo de senhas bancárias e cartões de crédito e que mantinha um site que pegava informações de brasileiros usando uma falha no site do Ministério do Trabalho. O documento indica também nome, RG e CPF de uma pessoa que, segundo o texto, seria o hacker Al3XG0. Há ainda um link para uma fotografia, supostamente do hacker.
Site do Ministério da Cultura sofre tentativa de ataque
Sites do governo sofrem ataques de hackers há 3 dias.Ministério detectou sobrecarga de acesso causada por apenas um IP.
Site do Ministério da Cultura na manhã destasexta (Foto: Reprodução)
Entre 7h e 8h, o G1 acessou o portal por diversas vezes e, em pelo menos 5 vezes neste período, apareceu a mensagem "Error establishing a database connection".
O G1 questionou o ministério sobre o fato, e a assessoria informou que, no horário mencionado, foi detectada uma sobrecarga de acesso causada por apenas um IP. "A ameaça foi detectada e logo neutralizada", disse a assessoria.Por meio da assessoria de imprensa, o coordenador de infraestrutura tecnólógica do MinC, Hugo Gois Cordeiro, informou que o IP era do Brasil e que tudo indica que hackers tenham tentado derrubar o sistema do ministério. De acordo com a pasta, não houve nenhum dano.
A instabilidade no site do Ministério da Cultura ocorreu após invasão ao site do IBGE durante a madrugada. No topo da página na internet, estava escrito "IBGE Hackeado - Fail Shell", e uma imagem com um olho representando a bandeira do Brasil vinha logo abaixo.
Site do Ministério do Esporte foi tirado do ar paravarredura (Foto: Reprodução)
Ministério do Esporte
O site do Ministério do Esporte ficou fora do ar na manhã desta sexta, mas por volta das 9h estava normalizado. A assessoria de imprensa da pasta havia informado na quinta que tiraria o site do ar para que seja feita uma varredura. Segundo a assessoria, o procedimento é padrão para o trabalho de rastreamento. Um laudo técnico pode ser divulgado nesta sexta.

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