Permanece, entretanto, o problema de como lidar com toda essa constante evolução. Muitos consumidores ainda não conseguem extrair o máximo desempenho de seus displays e projetores de última geração. E nessas horas a decepção é certa, ao constatar em casa que a imagem obtida está longe da desejada. Afinal, ninguém investe pesado naquele super TV ou projetor para depois se contentar com imagens lavadas e sem vida.

O QUE É NECESSÁRIO?
É importante ter em mente que todos os parâmetros que formam a imagem são interdependentes. Alterando um, muitas vezes acaba-se modificando outro recém-ajustado. Assim, o correto ajuste de vídeo é antes de tudo um exercício de paciência. Às vezes, é necessário refazer todo o procedimento, ou partes dele, várias vezes, até que o resultado fique do agrado (o que não significa tecnicamente perfeito). E isso pode consumir muitas horas!


E, independente de qual metodologia será usada, se a mais básica ou completa, é importante lembrar que as interfaces de vídeo (HDMI, vídeo componente e RF, por exemplo) possuem desempenhos bastante diferentes entre si, de forma que ajustaro TV ou projetor para uma não significa necessariamente ajustar para todas. O ideal, no caso, é efetuar ajustes individuais para cada conexão disponível.
COMO FAZER


Por sua vez, a mesma regulagem se mostrou inadequada à apreciação de programação de TV em alta definição, principalmente com as luzes acesas. Assim, fica a dica: caso o aparelho permita regulagens independentes para cada entrada, aproveite para memorizar tantas quantas possíveis, de forma a garantir a melhor imagem para cada ocasião.
AJUSTES BÁSICOS (BASIC SETTINGS)

Em aparelhos mal regulados, pode não ser obtido um tom de preto verdadeiro, e sim uma variação de cinza bem escuro. Considerando, porém, que preto é a total ausência de luz, o objetivo é alcançar na tela o negro realmente profundo. Mas cuidado, pois reduzir demasiadamente o brilho acaba por escurecer a imagem além da conta, resultando na perda de detalhes importantes da cena. Nos capítulos 1 e 2, ajuste o brilho do display ou projetor de forma a aparecerem piscando somente as barras numeradas de 17 a 25. Em alguns casos pode ser difícil visualizar o intervalo recomendado. Para essas situações, as barras de 19 a 25 piscando já surtem bom resultado.
Contraste: Nível de branco (White-Level)
O contraste (contrast) é também conhecido como nível de branco. Explicando melhor, em um filme com cenas iluminadas, existem vários níveis de branco, do verdadeiro aos mais sombreados, tendendo para o cinza bem claro. Quando bem regulado, o contraste lhe garante a correta apreciação de todas essas nuances. Para os capítulos 2 e 3, o ideal á ajustar o contraste de forma a permitir a visualização de todas as barras de 230 a 253 piscando. Isso garantirá que todos os tons de cinza estão sendo mostrado pelo display. Como sempre, existe uma diferença entre o ideal e o que lhe é visualmente confortável. Em nossos testes, o melhor resultado foi obtido com a visualização das barras no intervalo 230 a 246 piscando.

A regulagem de cor é uma das mais importantes. Cores em excesso distorcem os contornos dos objetos vistos na tela, como também comprometem a realidade da cena. Por exemplo, pessoas podem ficar com aparência alaranjada se o vermelho estiver muito carregado. Aqui, no capítulo 4, se faz necessário o uso de filtro azul posicionado em frente aos olhos para o correto ajuste. O objetivo é regular o nível de cor para cima e para baixo até encontrar o ponto em que os quadrados piscando nas extremidades da tela se igualem ao plano de fundo. A dificuldade maior para este parâmetro é a obtenção do filtro azul. Quem ainda mantém aqueles discos de calibragem mais antigos, da época áurea do Digital Vídeo Essentials, por exemplo, pode utilizar os filtros que os acompanham. Outra opção é comprar diretamente na loja online da THX os óculos com filtros azuis (http://www.costore.com/thx/welcome.asp). Por fim, alguns displays mais modernos já oferecem recursos de geração de filtros de cores (azul, vermelho e verde) na própria tela do aparelho, caso do televisor LCD-LED LG série SL90QD Borderless, utilizado na elaboração deste trabalho.
Matiz (Tint)
O ajuste de matiz busca a perfeita relação entre os níveis das cores básicas, principalmente vermelho e verde. Em um TV mal regulado, por exemplo, o céu (que até provem o contrário é azul) e a terra (marrom) podem assumir tonalidades ligeiramente esverdeadas. Ainda no capítulo 4, e igualmente fazendo uso do filtro azul, o objetivo é igualar a tonalidade dos 2 quadrados piscando na parte central da tela com o plano de fundo.
Nitidez
Por fim, a nitidez busca realçar os detalhes da imagem. Em alguns casos, o melhor ajuste dá-se nos valores mínimos da escala, quando as linhas e contornos da cena são suavizados. Por outro lado, se muito reduzida, a imagem ficará embaçada. Aumentando exageradamente o controle de nitidez, tem-se a impressão de ganhar em micro-detalhes na imagem, mas a partir de certo ponto começam a aparecer visíveis distorções nos contornos de objetos (ruídos de imagem). No capítulo 5, o ideal é encontrar um ponto em que as linhas pretas do grande quadrado central permaneçam perfeitas, sem sobreposição de luz emanada pela cor branca. Isso será quase sempre obtido com o nível mais baixo de nitidez possível. Em alguns displays o nível mais baixo pode provocar borrões acinzentados nas linhas pretas.
CALIBRAGEM PROFISSIONAL COM COLORÍMETRO


*Artigo publicado originalmente na revista HOME THEATER & CASA DIGITAL
Nenhum comentário:
Postar um comentário