sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Em Elvis e Madona, gays não são marginais, defende diretor

Heitor Augusto

Elvis e Madona
Foto: Divulgação



















Quase dois anos separam a primeira exibição de Elvis e Madona de sua estreia comercial, que ocorre nesta sexta-feira (26/9). No período, ganhou prêmio de roteiro no Festival do Rio, foi agraciado em Natal e conquistou até os espectadores de Oslo.
Por onde o filme passou, até mesmo na capital norueguesa, cuja paisagem é bem diferente dos tipos de Copacabana, o filme protagonizado por Simone Spoladore e Igor Cotrim. Mesmo que, à priori, essa inusitada história de amor de uma lésbica com uma travesti, conduzida com um humor repleto de traços de Almodóvar e da chanchada, pudesse afastar o espectador.Para o diretor Marcelo Laffitte, veterano curta-metragista que finalmente estreia em um longa, a explicação para as recepções favoráveis ao filme é a identificação com o espectador. “É uma história de amor e de realizações de sonhos, e isto é universal. Todo mundo se apaixona, ama e sofre por amor; todo mundo tem projetos de vida que luta para realizar”.


José Wilker faz uma participação como Pachecão, um policial cafajeste fundamental na trama


Diversidade

No filme, Elvira, ou Elvis, tenta ganhar a vida como fotógrafa, mas precisa fazer bicos como motogirl. Já Adailton, ou Madona, sobrevive como cabeleireira, mas sonha em fazer um grande show num teatro carioca.Puxando a sardinha para seu lado, o diretor diz que “pela primeira vez no cinema brasileiro, os personagens que sempre foram mostrados como marginais, estão inseridos socialmente e vivem uma história como a de qualquer outro ser humano”.Além de servir como locação, Copacabana é personagem fundamental para o desenvolvimento de Elvis e Madona. Será que o filme poderia se passar em outro lugar? “Não sei. Já fui sondado por um produtor de Los Angeles se poderia haver um remake nos EUA, e é claro que eu disse que sim. Mas ficamos pensando, sem chegar a nenhuma conclusão, em qual cidade norte-americana poderia ambientar esta história”.Laffitte justifica o porquê da ambientação carioca. “Copacabana é o bairro mais plural do mundo, pois lá vivem pessoas vindas de todos os países do mundo e de todos os estados brasileiros. Ao mesmo tempo que é cosmopolita e fervilha 24 horas por dia, Copacabana é provinciana. Esta diversidade está no filme e na alma dos personagens. Se o cenário fosse outro, com certeza os temperos culturais seriam outros e haveria outro sabor”.

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