(AFP) -"Imortais", o ultraestilizado filme épico dos produtores de "300", leva o estilo barroco a uma Antiguidade grega muito afastada da tradição histórica, onde o futuro da humanidade e os deuses do Olimpo repousam nos ombros de Teseu e de alguns mortais.
Os produtores Mark Canton e Gianni Nunnari, entusiasmados com o grande sucesso da adaptação da graphic novel de Frank Miller "300" em 2006, com participação do brasileiro Rodrigo Santoro e que arrecadou mais de 450 milhões de dólares em todo o mundo, voltam a ambientar um filme na antiguidade grega, desta vez sob a direção do indiano Tarsem Singh.A estreia do longa, que custou 75 milhões de dólares, acontecerá na sexta-feira nos Estados Unidos e em dezembro no Brasil.O filme narra as aventuras de Teseu (interpretado por Henry Cavill, o novo "Superman", atualmente em produção), um jovem talhador que inicia uma revolta contra o violento rei Hiperión (interpretado por Mickey Rourke) para vingar a morte de sua mãe, sob os olhares dos deuses gregos do Olimpo, que trocaram as barbas por traços mais joves e têm os rostos de Luke Evans e Kellan Lutz."O que mais me interessava no filme era ver como os deuses interferem no mundo humano", disse Tarsem Singh à AFP.
As origens gregas, romanas ou de outros lugares não importava muito para o cineasta, formado em publicidade e conhecido pelo filme de 2000 "A Cela". "Se dependesse de mim mudaria os nomes, porque não me interessa que tenham nomes gregos", completou.O diretor afirma que tinha como objetivo dar coerência à mescla de fantasia e antiguidade, com referências mais pictóricas que históricas."Sempre fui acusado de preferir a forma ao conteúdo", admitiu o cineasta, que disse ter se inspirado nas pinturas de Caravaggio para estabelecer a paleta de cores e definir os cenários, essencialmente digitais.
De fato, apesar da história simplificada, a ambição estética do filme, exibido em 3D, é inegável.
Singh confessou que sus decisões chegaram a surpreender a própria equipe. Ao dar um tom oriental ao retrato de Fedra, foi questionado pensava em um "bar de sushi no deserto", recordou.
E quando situou os deuses cobertos de ouro em um Olimpo reduzido a uma plataforma situada diante de um monitor verde, antes do processamento digital que daria a imponente visão de uma paisagem, afirmaram que era muito "kitsch"."As pessoas vão rir, vão odiar os deuses", afirmaram.Singh estava convencido de suas escolhas, incluindo a original e corajosa estilista japonesa Eiko Ishioka, responsável pelo figurino.Em alguns momentos, o resultado é espetacular, com destaque para o "quadro" da luta nos céus, que recorda os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina.
"A princípio havia imaginado muito mais violenta, e com todos os personagens nus, mas tive o mesmo problema que Michelangelo com o Papa. Me disseram: 'Tape o sexo. Vista-os!'".Apesar das concessões, o cineasta se declarou satisfeito.
"Era muito caro de fazer, especialmente para uma cena de poucos segundos, mas valeu a pena porque acredito que é memorável", afirmou o diretor.
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