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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Pimenta Neves lerá Shakespeare e livros de punição e suicídio na prisão

Jornalista levou os 3 livros para a cadeia, diz delegado Waldomiro Milanesi.Chefe da Divisão de Capturas deverá transferir condenado por morte de ex.


Kleber Tomaz Do G1 SP
 
 

Antonio Marcos Pimenta Neves, de 74 anos, condenado pela Justiça a 15 anos de reclusão por matar a ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide, deverá ler pelo menos três livros na prisão. Um deles é de um grande dramaturgo inglês e os outros abordam a ‘prisão’ e até o ‘suicídio’, informou o delegado Waldomiro Milanesi, da Divisão de Capturas da Polícia Civil, responsável por prendê-lo.O jornalista está detido provisoriamente numa cela do 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, região central de São Paulo, desde a noite de terça-feira (24). A Polícia Civil deve transferi-lo para uma das unidades prisionais da secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ainda nesta tarde. Existe a possibilidade de que ele vá cumprir a pena em Tremembé, no interior do estado de SP.Antes de ser preso pela Divisão de Capturas na noite de terça-feira (24), o jornalista pediu para levar consigo um volume das obras do dramaturgo inglês William Shakespeare, além de Vigiar e Punir, do filósofo francês Michel Foucault, e O Deus Selvagem – um estudo do suicídio, do ensaísta britânico A.Alvarez.
Waldomiro Pompiani Milanesi, chefe da Divisão de Capturas, participou da detenção de Pimenta Neves na residência dele, na Zona Sul. Ele e sua equipe foram para a casa do jornalista na tarde de terça logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em negar o recurso da defesa dele para anular o júri que o condenou. Com isso, os ministros do STF mantiveram a condenação de 2006 determinando a prisão imediata.
“Eu e minha equipe fomos para lá assim que soubemos da decisão do STF. Mesmo escurecendo, poderíamos entrar se tivéssemos a certeza de que ele estaria lá dentro. Tivemos essa certeza quando tocamos a campainha e ele abriu a porta. Entramos e ele não ofereceu resistência. Eu então disse que ele estava preso e iria cumprir o mandado de prisão contra ele. Ele pediu apenas para pegar uma mala onde estavam mudas de roupas e três livros para ler”, disse o delegado Waldomiro Milanesi.
De acordo com o delegado da Divisão de Capturas, Pimenta Neves soube da decisão do STF e da decisão de prendê-lo novamente pela TV e internet. "Ele estava acompanhando tudo. Me disse que foi ele quem ligou para os seus advogados avisando da decisão", disse Milanesi.
Obras na prisãoDos três livros, dois tratam de assuntos polêmicos. Vigiar e Punir tem quatro partes intituladas "Suplício", "Punição", "Disciplina" e "Prisão". A obra faz uma análise da vigilância a punição em diversas entidades da sociedade. O autor questiona, por exemplo, o aspecto social de que a prisão é uma forma justa de cumprir uma pena.No O Deus Selvagem – um estudo do suicídio, o escritor busca justificar o ato radical de quem tira a própria vida. Ele descreve o poder de atração que a morte voluntária exerce sobre os artistas e a imaginação criadora.A transferência de Pimenta Neves do 2º DP para qualquer unidade prisional será feita pela Divisão de Capturas. Segundo o delegado, o jornalista terá de passar por novo exame de corpo de delito feito pelo Instituto Médico Legal (IML) para seguir para a penitenciária. “Para evitar confusão na porta da delegacia, deveremos levar novamente um médico do IML para a cela onde será feito o exame”, disse Waldomiro Milanesi.
Segundo o delegado, a Divisão de Capturas já prendeu 120 pessoas em cumprimento a mandados expedidos pela Justiça.
Regime semiabertoApesar da comemoração da polícia com a prisão de Pimenta Neves, o Ministério Público informou nesta manhã que o jornalista não deverá cumprir toda a pena de 15 anos em regime fechado. Segundo o promotor do caso, Carlos Sérgio Rodrigues Horta Filho, o assassino de Sandra Gomide deverá voltar às ruas no período de pouco mais de dois anos.
Segundo o representante do Ministério Público, responsável por denunciar o jornalista à Justiça pelo crime, Pimenta Neves terá o benefício à progressão de regime prevista na Lei de Execução Penal (LEP). Ainda de acordo com o promotor, o jornalista deverá ficar preso em regime fechado pelo período de 1 ano e 11 meses. Depois disso, se tiver bom comportamento ganhará o direito de passar para o regime semiaberto, em meados de 2013.A explicação para isso está na lei. Como o homicídio ocorreu antes da mudança de um dos artigos da LEP em 2007, vale a resolução anterior. Nesse caso, o condenado por crimes hediondos terá direito a passar do regime fechado para o semiaberto e do semiaberto para o aberto a cada dois anos. Em termos legais, a progressão regime é concedida para o sentenciado que cumprir um sexto do total da pena. No caso de Pimenta Neves, isso representaria 30 meses atrás das grades.Como o condenado já havia cumprido sete meses de prisão em regime fechado quando era investigado, na fase do inquérito policial, esse período será abonado do total da pena. "Infelizmente é o que determina a lei. Isso é natural”, disse o promotor Horta. “A LEP determina que todo condenado tenha o direito à progressão de regime.”

O crimeSandra Gomide foi morta pelas costas por dois tiros disparados por Pimenta Neves em 20 de agosto de 2000 no haras do pai dela em Ibiúna. Ele não aceitava o fim do romance e queria a reconciliação, mas a vítima, que tinha 32 anos, não quis. Os dois haviam trabalhado juntos na redação do jornal “Estado de São Paulo”. Na época, ela era repórter e ele, diretor de redação. Depois de dois anos de relacionamento, Sandra decidiu terminar o romance e foi demitida pelo ex-namorado.Como o STF é a última instância do Poder Judiciário, não cabem mais recursos contra a sentença de condenação de Pimenta Neves por parte de sua defesa. Na tarde de terça, os ministros do Supremo negaram o pedido de seus advogados que tentavam anular o júri popular que condenou o jornalista à prisão.Até a tarde de terça, Pimenta Neves estava livre, apesar da condenação. Ele tinha um habeas corpus do próprio STF que garantia ao condenado o direito de aguardar em liberdade o julgamento dos recursos impetrados por sua defesa. A alegação é que o jornalista era réu primário, tinha bons antecedentes e residência fixa.
Prisão domiciliarDo ponto de vista legal, uma possibilidade que os defensores do jornalista têm é entrar com algum pedido junto ao juiz da Vara das Execuções Criminais para que a prisão em regime fechado seja convertida em prisão domiciliar. Para isso, é necessário apresentar alguma justificativa, como, por exemplo, se ele é ou está doente. Durante o processo, laudos médicos particulares apontavam que Pimenta Neves sofria de depressão.Procurada nesta quarta-feira (25) para comentar o assunto, a advogada do jornalista, Maria José da Costa Ferreira, não respondeu a pergunta do G1 se a defesa irá entrar com essa solicitação para que o sentenciado cumpra a pena em sua casa.A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) também foi procurada nesta manhã para tentar saber se algum pedido deu entrada na Vara das Execuções Criminais em favor de Pimenta Neves.
“A meu ver ele não tem depressão. Ele não tem motivos para ficar preso em sua residência”, opinou o promotor Horta. Segundo ele, se os advogados de Pimenta Neves tiverem algum pedido sobre prisão domiciliar negado pela Vara das Execuções Criminais, eles poderão recorrer às instâncias superiores, como o TJ-SP, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e STF.

Pai de Sandra Gomide espera que Pimenta Neves fique 5 anos preso

Jornalista se entregou à polícia na noite desta terça-feira (24).
Pimenta Neves foi condenado em 2006 pela morte da ex-namorada.

Do G1, com informações do Jornal da Globo
 
 
Em entrevista exclusiva ao Jornal da Globo na noite desta terça-feira (24), João Gomide, pai da jornalista Sandra Gomide, comentou a prisão do também jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves. Ele está doente, mas satisfeito com o desfecho do caso.
"Eu me senti muito satisfeito, porque são 11 anos, vai fazer em agosto, que eu estou lutando, lutando, lutando. Não tinha muita esperança, não. Agora, hoje foi um dia de alegria. Eu me sinto alegre, porque recebi essa notícia. Eu gostaria que ele ficasse pelo menos cinco anos na cadeia", disse o pai, que ainda tem a foto da filha em frente à cama.Pimenta Neves foi levado para o 2º DP, no Bom Retiro, na região central de São Paulo, por volta das 23h35 desta terça, após ser submetido a exames de corpo de delito na sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no Centro. Ele passaria a noite na delegacia, onde chegou por volta das 23h40.Tanto ao deixar o prédio do DHPP como ao chegar ao 2º DP, o jornalista não quis dar declarações.
No 2º DP, no momento em que Pimenta Neves chegou, havia, contando com ele, oito presos. São dez celas no local.
Exame de corpo de delito
Pimenta Neves fez exames médicos na sede do DHPP. “Havia um médico de plantão e, por decisão do próprio IML, esse médico veio até aqui fazer o exame. O objetivo do médico do IML vir para o DHPP foi evitar um transtorno maior tendo em vista a publicidade [do caso] ou até mesmo um acidente de trânsito durante o percurso”, disse o delegado Waldomiro Pompiani Milanesi, chefe da Divisão de Capturas, pouco antes de o jornalista ser levado para o 2º DP.
Segundo o delegado, Pimenta Neves permanecerá na delegacia até a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) decidir para qual unidade prisional o jornalista será levado. “Pode ser que ele vá para qualquer presídio de São Paulo”, afirmou Milanesi.Pimenta Neves se entregou na noite desta terça para policiais civis da Divisão de Capturas. Investigadores e os delegados Pablo Baccin e Waldomiro Milanesi foram recebidos por ele por volta das 19h30. Ao abrir a porta de sua casa, na Chácara Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo, Pimenta Neves sorriu e cumprimentou os policiais.Meia hora depois, ele entrou em um carro da polícia. Parte das dezenas de pessoas que se aglomeravam em frente à casa bateu palmas no momento em que o carro saiu em direção à sede da Divisão de Capturas, no Centro da cidade. Outras pessoas gritaram “assassino”.
O advogado Itagiba Francês, um dos advogados de Pimenta Neves, disse que em nenhum momento seu cliente pensou em fugir. “Ele está ciente. Esperava isso há muito tempo. Não tem esse negócio de fugir.”De acordo com Francês, o jornalista de 74 anos “está bem, mas debilitado”. “Ele está magoado, triste. É um momento de tristeza.” Ele informou que Pimenta Neves mora sozinho e toma remédio para problemas de saúde, como hipertensão.
Eu estava esperando"
Pimenta Neves, ao chegar à Divisão de Capturas
Ao chegar à Divisão de Capturas, no Centro de São Paulo, Pimenta Neves disse: "Eu estava esperando". Questionado por jornalistas se estava preparado para ficar 15 anos preso, disse apenas uma palavra: “Claro”.
Malas prontas
O delegado Aldo Galeano, diretor do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), contou que Pimenta Neves não ofereceu resistência à prisão e que já tinha deixado pronta uma mala com roupas caso fosse preso.“Ele já tinha as roupas separadas”, informou Galeano, acrescentando que o jornalista pediu que sua integridade física fosse respeitada. Em frente à casa dele, além de muitos jornalistas, havia vizinhos e curiosos que se aglomeraram no portão esperando a saída de Pimenta Neves.
Ele já tinha as roupas separadas"
Aldo Galeano, diretor do Departamento de Identificação e Registros Diversos
“Dissemos que não poderíamos escondê-lo. Houve um processo de convencimento por telefone. Ele estava esperando. Essa sentença é irrecorrível e a gente mostrou para ele que haveria desgaste (caso ele resistisse à prisão)”, afirmou Galeano.Além de roupas e remédios, Pimenta Neves colocou na mala dois livros. A polícia não soube informar quais eram os títulos. “Ele pediu dois livros. Estava muito sereno. Falou que a mala estava arrumada desde a semana passada”, contou um investigador da Divisão de Capturas que não quis se identificar.
Vitória
O advogado da família da jornalista Sandra Gomide comemorou a decisão. Sergei Cobra afirmou que esse é o caso de maior impunidade da história do Brasil. “É uma vitória. Isso mostra que a Justiça dá uma resposta ao maior caso de impunidade que o Brasil já viu, até porque ele [Pimenta Neves] é réu confesso”, disse Cobra.
É uma vitória. Isso mostra que a Justiça dá uma resposta ao maior caso de impunidade que o Brasil já viu"
Sergei Cobra, advogado da família Gomide
STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou, por unanimidade dos cinco ministros que a integram, o último recurso pendente de Pimenta Neves, condenado em 2006 pela morte da ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide. O relator do caso, ministro Celso de Mello, determinou ao juiz da Comarca de Ibiúna (SP) o cumprimento da pena de 15 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado.
De acordo com o ministro relator, não há mais possibilidade de se recorrer da decisão. “É um fato que se arrasta desde 2000 e é chegado o momento de se por termo a este longo itinerário já percorrido. Realmente esgotaram-se todos os meios recursais, num primeiro momento, perante o Tribunal de Justiça de São Paulo; posteriormente, em diversos instantes, perante o Superior Tribunal de Justiça, e também perante esta Corte”, afirmou Mello durante o julgamento.

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