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sábado, 31 de março de 2012

TUDO MUDA-Cuba declara feriado na Sexta-Feira Santa a pedido do papa

(EFE).- O governo de Cuba declarou a próxima Sexta-Feira Santa como feriado em consideração ao pedido do papa Bento XVI na sua visita à ilha, uma decisão que por enquanto tem "caráter excepcional".

O jornal oficial "Granma", porta-voz do Partido Comunista de Cuba lembrou que o Pontífice solicitou o feriado, parte das celebrações da Páscoa, em reunião na terça-feira, em Havana, com o presidente Raúl Castro.O pedido do papa Ratzinger dá continuidade ao realizado por seu antecessor, João Paulo II, na visita que realizou a Cuba em 1998, quando expressou seu desejo ao então líder Fidel Castro que o dia 25 de dezembro fosse declarado feriado de Natal, o que foi atendido pelo líder cubano da época.
Por sua parte, o Vaticano elogiou a decisão do governo cubano. "O fato de as autoridades cubanas terem atendido ao pedido feito pelo Santo Padre ao presidente Raúl Castro é certamente um sinal muito positivo", assinalou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, em comunicado.
A Santa Sé espera que a medida favoreça a participação dos cubanos "nas celebrações religiosas da festividade pascal e também que a visita do Pontífice continue dando os frutos desejados para o bem da Igreja e de todos os cubanos", acrescentou o porta-voz.Entre os dias 26 e 28 de março, Bento XVI realizou uma visita a Cuba, único país comunista da América, onde rezou duas grandes missas com mensagens em favor das liberdades fundamentais e da reconciliação entre cubanos.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cubano gay consegue visto para ficar no Brasil por união estável

Um economista cubano de 46 anos é o primeiro homossexual estrangeiro a conseguir visto de permanência no Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a união estável e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Ele vive em união estável com um brasileiro e há anos aguardava sua regularização no País, segundo o jornal O Estado de São Paulo.
A decisão, do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, foi publicada na segunda-feira no Diário Oficial da União. Antonio Herrera se casou em 8 de agosto deste ano com o funcionário público federal Wesley Vieira de Oliveira, 31 anos. Os dois são moradores de um condomínio em Araçatuba, a 468 km de São Paulo, e segundo um vizinho são muito discretos. A Justiça, em primeira instância, tem concedido visto a estrangeiros que comprovam união com brasileiros desde 2003.

domingo, 14 de agosto de 2011

Ex-seminarista gay e transexual se casam em Cuba

Ignacio Estrada e Wendy Iriepa formalizaram sua união, a primeira do tipo na ilha.

BBC 
Wendy passeia com bandeira do orgulho gay em Havana (Foto: BBC)Wendy passeia com bandeira do orgulho gay em
Havana (Foto: BBC)
Um ex-seminarista gay e uma transexual se casaram em Havana (Cuba) neste sábado, em uma união inédita na ilha.Ignacio Estrada e Wendy Iriepa formalizaram o seu casamento por volta das 17h (18h em Brasília), em uma cerimônia que teve como madrinha Yoani Sánchez, famosa blogueira de oposição ao regime cubano.
'Estamos muito felizes com o que ocorreu hoje', disse Sánchez em seu perfil no serviço de microblogging Twitter, logo depois do casamento. '(Foi) um passo grande em uma Cuba pequena.'
Em Cuba, os casamentos entre duas pessoas do mesmo sexo são proibidos, mas as autoridades permitiram a união, já que Wendy conseguiu ser reconhecida oficialmente como mulher em sua nova carteira de identidade. Ela passou por uma operação de troca de sexo em 2007.A relação entre Wendy e Ignacio superou entraves burocráticos e também visões de mundo. Ele é um católico conservador e chegou a estudar em um seminário para se tornar padre. Ela trabalhava em um centro de educação sexual, que ajuda gays e lésbicas em Cuba.Além disso, o casamento também teve dificuldades políticas. Devido à sua relação com Ignacio, que faz oposição ao governo, Wendy perdeu seu emprego no centro onde trabalhava - que é dirigido pela filha do presidente cubano, Raúl Castro.
Aniversário de Fidel
Neste sábado, também é celebrado o aniversário de 85 anos do ex-presidente cubano Fidel Castro.
'Agora foi que me dei conta que hoje é também o aniversário de Fidel Castro', disse Yoani Sánchez em seu perfil no Twitter.'É que eu já estou vivendo a era pós-Castro', afirmou a madrinha do casamento.
Segundo a madrinha, o casal, depois de assinar o termo de casamento, passou pelo Paseo del Prado e pelo Malecón, dois dos principais cartões-postais da capital cubana.No entanto, Sánchez afirmou que o acesso à Praça da Revolução foi bloqueada aos noivos.

Primeiro casamento entre transexual e gay desperta esperanças e desconfianças em Cuba

France Presse
HAVANA, 13 Ago 2011 (AFP) -Apesar da chuva fina e do preconceito, a transexual Wendy Iriepa chegou triunfal, este sábado, ao Palácio dos Matrimônios de Havana em um carro conversível e trazendo a bandeira do arco-íris nos braços, para se casar com um nervoso dissidente gay.A cerimônia, celebrada apenas três meses depois de o casal se conhecer, ocorreu no mesmo dia em que Fidel Castro completa 85 anos, como um "reconhecimento" ao líder, que há um ano admitiu sua responsabilidade na repressão aos homossexuais nos anos 60, disse o noivo, Ignacio Estrada, um soropositivo de 31 anos, que vestia terno branco e gravata vermelha."É o dia mais feliz da minha vida", derretia-se Wendy, de 37 anos, sentada no espaldar do conversível americano dos anos 50 enquanto, vaidosa, arrumava o longo vestido branco diante das câmeras dos jornalistas, cuja aglomeração parou o trânsito.Alguns operários, cujo caminhão ficou preso no engarrafamento, gritavam, debochados, para Wendy: "Olha, sinhá moça!", em alusão à telenovela brasileira que faz sucesso em Cuba.Wendy, que até 2007 era Alexis, se submeteu a uma das 16 cirurgias de mudança de sexo realizadas em Cuba desde 1988, a maioria delas auspiciadas pelo Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), dirigido por Mariela Castro, filha do presidente Raúl Castro.Ali a noiva trabalhou até 7 de julho passado, quando pediu demissão para se casar com Ignacio, ativista de um grupo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) que faz oposição ao governo."Estou muito contende de que se possa casar, não exatamente com um heterossexual, como queria (...), e nós lhe desejamos muitas felicidades", disse Mariela na sexta-feira à imprensa.Dezenas de convidados jogaram arroz nos noivos na entrada do Palácio dos Matrimônios, uma instituição oficial dedicada a estas cerimônias que incluem, também neste caso, marcha nupcial e buquê de flores.Entre os presentes estavam vários dissidentes, entre os quais os blogueiros opositores Yoani Sánchez e seu marido, Reynaldo Escobar, que foram os padrinhos."Agradeço a Mariela porque devo a ela parte desta realidade", disse Wendy apesar da ausência da diretora do Cenesex, que anunciou que não assistiria à cerimônia por não ter sido convidada.O blogueiro e músico opositor Ciro Díaz, as Damas de Branco (vestindo roupas escuras na ocasião) Berta Soler e Laura Pollán, e o dissidente Manuel Cuesta Morúa manifestaram sua aprovação ao casamento e com a data escolhida."É muito interessante. Um acontecimento que de baixo e sem esperar a lei, está tentando impor o direito à diversidade", afirmou à AFP Cuesta Morúa.No entanto, para o jornalista e blogueiro revolucionário Francisco Rodríguez - homossexual e portador do vírus HIV - "é um fato importante do ponto de vista humano". "Definitivamente, tudo o que se fizer hoje em Cuba é importante porque é aniversário de Fidel", afirmou.Uma centena de curiosos assistiu ao casamento do outro lado da calçada, alguns entre risos e piadas, outros envoltos em um silêncio de aprovação, mas também distanciados pelo caráter político da cerimônia.
Mariela Castro afirmou na sexta-feira que "existem fundos do governo americano para criar grupos LGBT contrários à posição do Cenesex (...) e há pessoas que se deixam seduzir por essas coisas".
A noiva se recusou a seguir a tradição de jogar o buquê pois, segundo ela, as flores serão depositadas em frente à casa de José Lezama Lima, um famoso escritor já falecido, que abordou o homossexualismo em sua obra.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Transexual e gay casam-se em Cuba, para homenagear aniversário de Fidel

Wendy, uma loura que deixou de ser Alexis, depois de uma cirurgia, e Ignacio, um homossexual assumido e membro da oposição, que contraiu o vírus HIV, vão se casar neste sábado em Havana, no dia do aniversário de 85 anos do líder Fidel Castro, na primeira união desse tipo em Cuba, não isenta de polêmica.
Para o casal, o matrimônio "marcará uma nova etapa em Cuba", sendo também um "presente" a Fidel Castro, que há um ano admitiu responsabilidade na exclusão sofrida pelos homossexuais na década de 1960, quando ficavam reclusos em campos de trabalho."Não é um ato de provocação. É um reconhecimento, pela primeira vez, em 52 anos de que a revolução admitiu culpa, embora isso não a desobrigue completamente", disse à AFP Ignacio Estrada, de 31 anos, enquanto acompanhava o companheiro na escolha do buquê na floricultura 'Aves del Paraíso', numa concorrida esquina de Havana.Aos 37 anos, Wendy Iriepa realiza o "sonho de toda a mulher", depois de ter sido submetida com sucesso, em 2007, à cirurgia de mudança de sexo gratuita, uma operação aprovada através do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), dirigido pela sobrinha de Fidel, Mariela Castro, filha do presidente Raúl Castro."Faremos o primeiro casamento entre gays em Cuba. Não quero que isso seja visto como um acontecimento político, embora seja um presente para Fidel e não me preocupa o que o governo pensa", afirma Wendy, ex-promotora de saúde do Cenesex, muito ligada à diretora.Ela conta que Mariela só não quis ser a madrinha do casamento porque o noivo é da oposição. A incumbência coube, agora, à 'blogueira' da oposição Yoani Sánchez, quem anunciou uma "cobertura minuto a minuto via Twitter".

desdecuba.com/generaciony/).

Em Cuba, onde já foram realizadas 16 operações de mudança de sexo, as uniões entre gays não são legalizadas ainda, mas sua aprovação já foi solicitada ao Parlamento.As núpcias de sábado serão possíveis porque Wendy já tem carteira de identidade com seu nome de mulher. "Alexis não existe mais", comenta sorrindo.Ignacio conta ter ficado sem respirar quando viu Wendy entrar nos escritórios do Cenesex no dia 13 de maio. Dois dias depois a convidava para sair. Na semana seguinte já viviam juntos. Três meses depois: o casamento. Um amor meteórico, e uma "química total" segundo Wendy."Sempre disse que era gay. Mas com Wendy é totalmente diferente, pela primeira vez na vida me sinto confuso, sem saber direito o que sou. A única coisa que realmente tenho certeza é de estar apaixonado por esta mulher", desabafou ele à AFP.Wendy não vê nenhum problema nisso. "É gay mas também é homem, tem um pênis e me faz feliz. Ele é uma caixinha de surpresas. Eu também, um dia tive um pênis, que usei numa época em que tive de me prostituir. Agora, se precisar recorrer a brinquedos sexuais para agradá-lo, não vou deixar de fazê-lo", diz, decidida.
E assim... tudo está pronto: a cerimônia com o escrivão no 'Palacio de los Matrimonios', o bolo, o brinde e o buquê com fitas coloridas - emblema da comunidade LGBT (Lésbias, Gays, Bissexuais e Transexuais).
"Nosso casamento será um canto à liberdade, pelos direitos da comunidade LGBT", completa o noivo ansioso.Esta semana Wendy fez os últimos ajustes em seu sensual vestido branco e longo. Aponta com orgulho os seios generosos, conseguidos com tratamento hormonal, dizendo que "aqui não houve cirurgia".
Para o casamento, estão convidados os opositores - inclusive as Damas de Branco -, diplomatas da Seção de Interesses de Washington em Havana, ativistas da comunidade LGBT, os funcionários do Cenesex, a própria Mariela e até os curiosos.
"Em nossa cama nos envolveremos com a bandeira da diversidade; qualquer coisa pode acontecer aí. Somos uma gama de cores", suspira Wendy.

domingo, 17 de julho de 2011

Cuba oficializará 1º casamento entre gay e transexual

Uma transexual e um homossexual cubanos vão se casar no dia 13 de agosto em Havana, na primeira oficialização destas características realizado na ilha e que além disso coincidirá com o 85º aniversário do ex-presidente Fidel Castro, confirmaram os noivos neste sábado à Agência Efe.
Wendy Iriepa, de 37 anos e submetida a uma cirurgia de mudança de sexo em 2007 na ilha, e Ignacio Estrada, de 31 anos e homossexual soropositivo, se casarão em cerimônia aberta que esperam marcar o país e que terá como madrinha à blogueira dissidente Yoani Sánchez."Nos conhecemos no dia 13 de maio deste ano e pensamos em nos casar três meses depois", disse à Agência Efe Estrada, que se considera homossexual, mas diz ter se apaixonado pela mulher que Wendy é.
O casal também decidiu casar-se na "polêmica" data de 13 de agosto para coincidir com o aniversário de 85 anos de Fidel Castro e destacar o "gigantesco" passo que significará sua união dentro da comunidade de Lésbicas, Gay, Bissexuais e Transexuais (LGBT) do país.
Estrada lembrou que há um ano Fidel Castro admitiu em entrevista a perseguição que pessoas homossexuais sofreram em Cuba no início da revolução, ao tempo que reconheceu sua responsabilidade por não emprestar "suficiente atenção" ao feito que qualificou de "grande injustiça".
Ignacio admitiu que este casamento só pôde ser concretizado graças às cirurgias de mudança de sexo promovidas pelo Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex).Essa instituição, dirigida por Mariela Castro, filha do presidente cubano, Raúl Castro, e sobrinha de Fidel, liderou nos últimos anos uma insistente campanha para sensibilizar nos planos políticos e da opinião pública sobre o respeito à diversidade sexual.
Entre suas conquistas está a legalização das operações de mudança de sexo por uma resolução do Governo em 2008.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Transexual cubano passa por cirurgia de mudança de sexo aos 61 anos

(EFE).- Aos 61 anos, Juani Santos realizou seu sonho após se transformar em um dos primeiros transexuais a ser submetido a cirurgia de mudança de sexo em Cuba, aprovadas pelo Governo de Raúl Castro em junho de 2008.
De estatura pequena e bigode, Santos disse em entrevista à Agência Efe que foi operado no início deste ano e ressaltou que é um dos dois transexuais cubanos que deixaram de ser mulher e viraram homem através das operações gratuitas promovidas pelo Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex).
"Foi o que desejei por toda a minha vida, era o que precisava como pessoa. Não há nada mais maravilhoso do que poder me identificar como um homem normal", diz Santos, que nasceu e viveu durante décadas com o nome de Juana na província ocidental de Matanzas.Desde a infância, Santos tentou trocar seu nome para Juani, enquanto rejeitou todos os vestidos que sua mãe queria que ele que usasse."Eu me considerei sempre, desde que nasci, um homem. Nunca me achei um homossexual. Muita gente pensava que eu era e isso me ofendia", relata.Ele revela que passou sua infância vestindo calças e jogando sem camisa e sem sapatos com os meninos da rua no bairro onde morava.Abandonou a escola na quinta série quando exigiram que ele usasse uniforme feminino e, depois de adulto, continuou seus estudos graças ao apoio de um diretor que convenceu os professores a incluírem ele nas listas como "Juani"."Queria ter sido engenheiro, pintor, restaurador. Mas meu nome dificultou muito as coisas para mim", disse Santos, que trabalha em uma fábrica de metais de Matanzas desde 1970.Esse ano marcou em Cuba o início de um período conhecido como "Quinquênio Cinza", que marcou a perseguição a intelectuais e artistas acusados de homossexualidade e que contribuiu para aumentar a homofobia no país.Ao narrar sua vida, Santos tenta omitir os contratempos e se centra nos que o ajudaram, desde sua família até Mariela Castro, diretora do Cenesex e filha do presidente Raúl Castro.
Santos viajou em 2009 junto a Mariela a Copenhague para representar Cuba na Conferência Internacional GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais) sobre Direitos Humanos, e assegura que em 2004 ela lhe prometeu que ele faria a cirurgia de mudança de sexo.
E foi assim que aconteceu. Há três anos, o Governo aprovou uma resolução para permitir essas operações em Cuba, onde tinha acontecido uma única cirurgia desse tipo, mas de um homem que queria se tornar mulher, em 1988.Em 2008 foi divulgado que cerca de 30 transexuais poderiam ser beneficiados com o procedimento gratuito e, nesse mesmo ano, começaram a ser realizadas operações desse tipo, a cargo de uma equipe assessorada por especialistas belgas.Em 2010, Mariela disse à imprensa que 15 cirurgias já tinham sido realizadas no país, apesar de sua política de não divulgar os custos nem o número exato de pessoas operadas até atingir a meta de 30.
Leal a essa estratégia, Santos não dá mais detalhes sobre sua operação, e só informa que foi realizada no início deste ano em Havana e que ainda passará por outras "mais simples".A cronologia de sua transformação começou em 1978 com uma primeira operação para reduzir os seios e, uma década depois, o Cenesex permitiu a ele que modificasse seu nome de batismo no documento de identidade."Com a mudança de nome recuperei parte da minha família. Foi um alívio", ressalta Santos, referindo-se, principalmente, a seu irmão mais velho, Fernando, de 67 anos.Fernando chegou a pensar que a atitude de Juani era uma "aberração" e em sua infância chegou a proibir que usasse calças, queimando todas as que estavam em seu guarda-roupa.Mas, nos últimos anos, foi ele que acompanhou Juani às cirurgias."Para nós, a mulher que ele deixou de ser, morreu. Quando alguém que conhecemos há anos nos pergunta por ela, a gente diz que faleceu, porque morreu espiritualmente", explicou Fernando à Efe.Santos lamenta apenas que em Cuba não se apoie mais o "maravilhoso" trabalho liderado por Mariela e disse que espera que as reformas legais a favor dos direitos dos homossexuais e transexuais sejam concretizadas em breve, para que outros não passem por tudo que ele passou.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cuba festeja centenário de nascimento de poeta homossexual

Cuba vai pagar uma das suas "maiores dívidas culturais", ao celebrar o centenário do nascimento do poeta e dramaturgo Virgilio Piñera (1912-1979), que foi marginalizado devido à sua homossexualidade, informou hoje o jornal oficial Granma.
Segundo o órgão do Partido Comunista cubano, algumas obras do escritor vão ser reeditadas e diversos textos inéditos publicados.
Virgilio Piñera, dramaturgo, poeta, romancista e crítico, morreu aos 67 anos, devido a uma crise cardíaca, em completo isolamento editorial e público. Várias personalidades literárias cubanas foram marginalizadas por causa da sua homossexualidade nos anos 70, numa altura em que o regime de Fidel Castro enviava os homossexuais para campos de reeducação.

DN Globo

Autor de renome continental, mais conhecido como dramaturgo e narrador do que como poeta, a obra de Piñera se caracteriza pelo absurdo, pela descontração e pela expressão conversacional *. Na década de 1940, integrou-se ao grupo de Orígenes, tomando-se uma espécie de franco-atirador das posições existencialistas, e produzindo, já em Las furias (1941), uma poesia impregnada de originalidade. Radicou-se na Argentina, até época próxima ao triunfo da Revolução. De regresso a Cuba, Piñera publicou La vida entera (1969), que reúne o essencial da sua criação lírica. Postumamente, apareceu Una broma colosal (1988). Alguns de seus poemas publicados de maneira dispersa, e outros poemas inéditos aguardam compilação em livro. Para a geração dos poetas coloquialistas, "Vida de Flora" representa a culminação dos dotes criativos do autor. Nesse poema, Virgilio coloca no papel de heroína uma passadeira**, cantada não pelos seus olhos nem pelos seus lábios de mulata tropical, mas sim pelos seus pés grandes, já que Piñera gos­tava de ressaltar a enormidade em tudo.
N. do T: Conversacional": ainda que esta palavra não esteja dicionarizada em português nem em espanhol. resolvemos conservá-la por tratar-se de expressão específica de terminologia literária de Cuba.
N. do T.: "Passadeira" - mulher que passa roupa a ferro.

UN DUQUE DE ALBA

A Lezama
Por más de veinte años
un duque de Alba
permaneció echado en su cama.
Entre la mugre de sus detritus
y la lepra de un amor desdichado,
veía salir el sol y ponerse,
veía, como una tumba más, la noche.
El aire mefítico que respiraba
mezclado venía con la fragancia
de los azahares de su amada.
A este duque de Alba, tan feliz,
lo envidiamos noblemente,
nosotros, en edad asolada
por la tecnocracia y la desconfianza.
Este duque de Alba tenía un solo
pensamiento, una idea, pero suya.
Lo iba gastando,
y al mismo tiempo enriquecía.
Pero nosotros, en varias camas,
con mugres y millones de lepras,
entre planes y simulaciones,
ya no sufrimos nada.
Nos permiten tomar pastillas,
y callar.

1972. (De: Una broma colosal, 1988)
Extraídos de VINTE POETAS CUBANOS DO SÉCULO XX; seleção, prefácio e notas de Virgilio López Lemus. Trad. Alai Garcia Diniz, Luizete Guimarães Barros. Florianópolis:Editora de UFSC, 1995.

domingo, 15 de maio de 2011

Gays cubanos pedem libertação de cinco presos nos EUA


 Mariela Castro, diretora do Centro Nacional de Educação Sexual e filha do presidente cubano Raúl Castro, discursa na marcha pelo pelo Dia Internacional de Combate à Homofobia. que reuniu centenas de pessoas em Havana, capital cubana Alejandro Ernesto/EFE
LA HABANA, 14 Mai 2011 (AFP) -Travestis e homossexuais portando fotos do líder Fidel Castro protestaram ao ritmo de tambores neste sábado, no centro de Havana, para exigir do presidente americano, Barack Obama, a libertação de cinco cubanos condenados por espionagem nos Estados Unidos.
Ao ritmo da clássica "conga" cubana e liderados pela sexóloga Mariela Castro - filha do presidente Raúl Castro - 400 participantes encerraram com o protesto a quarta jornada cubana pelo Dia Internacional Contra a Homofobia.
Com bandeiras cubanas e a tradicional bandeira multicolor da diversidade sexual, a conga percorreu um trecho do "Malecón" (rua costeira de Havana) e seguiu até o "Pabellón Cuba" (Pavilhão Cuba).
"Liberdade, liberdade!" cantavam em coro, fazendo referência aos presos cubanos Fernando González, Antonio Guerrero, Ramón Labañino, René González e Gerardo Hernández, detidos há 12 anos nos Estados Unidos.Segundo o governo cubano, os presos seriam na verdade antiterroristas, que vigiavam grupos anticastristas de Miami.

domingo, 8 de maio de 2011

Pela 1ª vez, travestis fazem shows no teatro Karl Marx, em Cuba

Teatro foi palco de discursos de Fidel e de reuniões do Partido Comunista.Evento foi organizado pela filha de Raúl Castro, Mariela Castro.

Da EFE

Artistas, transformistas, travestis e drag queens cubanos realizaram pela primeira vez uma festa contra a homofobia no teatro Karl Marx de Havana, o mais importante da ilha. Neste sábado (7), os shows concebidos para apoiar a causa da diversidade sexual, receberam cerca de 5 mil pessoas.
O evento reuniu cantores populares em Cuba, como Hayla e Maria Antonieta, transformistas conhecidos na ilha, como Imperio, Margot e Chantal, músicos, dançarinos e modelos.
Pela primeira vez o teatro Karl Marx, em Havana, palco de discursos importantes de Fidel Castro e de reuniões do partido comunista de Cuba, permite a realização de shows com travestis, transformistas e drag queens.  (Foto: Adalberto Roque / AFP Photo)
Pela primeira vez o teatro Karl Marx, em Havana, palco de discursos importantes de Fidel Castro e de reuniões do partido comunista de Cuba, permite a realização de shows com travestis, transformistas e drag queens. (Foto: Adalberto Roque / AFP Photo)
O público, em sua maioria integrantes da comunidade gay, desfrutou de três horas de música com clássicos da canção cubana, famosas peças de musicais como “Cabaré” e “Cats”, e sucessos internacionais de artistas como Whitney Houston, Beyoncé e Rihanna.A festa foi organizada pelo Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) e é uma das atividades em Cuba pelo Dia Mundial contra a Homofobia.A diretora do Cenesex, Mariela Castro, filha do presidente cubano, Raúl Castro, assistiu ao evento e recebeu homenagens dos artistas e do público.Ainda participaram do evento o presidente da União de Escritores e Artistas de Cuba, Miguel Barnet, e o Chefe do Departamento Ideológico do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Rolando Alfonso Borges.“Esta revolução torna muito mais invencível se todos e todas estamos unidos”, afirmou Margot, um dos transformistas que conduziu o espetáculo.
A 4ª Jornada cubana contra a homofobia se estenderá até o dia 17 de maio com atos em pelo menos dez das 15 províncias do país, e terá sua atividade central na cidade oriental de Santiago de Cuba.
Travestis e transformistas esperam para entrar no Teatro Karl Marx. O evento foi organizado por Mariela Castro, filha do presidente de Cuba, Raúl Castro. (Foto: Adalberto Roque / AFP Photo)
Travestis e transformistas esperam para entrar no Teatro Karl Marx. O evento foi organizado por Mariela Castro, filha do presidente de Cuba, Raúl Castro. (Foto: Adalberto Roque / AFP Photo)
Com o apoio de outras instituições, o Cenesex organizou um programa que também inclui conferências, exposições, apresentações de livros, entre outros atos.
Nos últimos anos esse centro liderou uma insistente campanha para sensibilizar nos planos político e da opinião pública a respeito da diversidade sexual. Entre as conquistas do Cenesex está a legalização das operações de mudança de sexo e a apresentação ao Parlamento de um projeto de lei que modificaria o Código de Família, com aspectos como a união legal entre casais homossexuais.

Em 2010,Fidel assumiu culpa pela onda homofóbica em Cuba há 50 anos

'Foram momentos de grande injustiça', disse o cubano.
'Pessoalmente, eu não tenho esse tipo de preconceito', acrescentou.

Da Reuters

O ex-presidente cubano Fidel Castro assumiu a culpa pela onda homofóbica empreendida por seu governo há quase cinco décadas, quando marginalizou os homossexuais e os enviou a campos de trabalho agrícolas forçados, acusando-os de serem "contrarrevolucionários", disse ele ao jornal mexicano "La Jornada".
Página do jornal mexicano 'La Jornada' traz a segunda parte da entrevista exclusiva concedida por Fidel Castro
Página do jornal mexicano 'La Jornada' traz a segunda parte da entrevista exclusiva concedida por Fidel Castro (Foto: Reprodução)
A declaração faz parte da segunda parte de uma entrevista publicada em 2010, na qual Castro afirmou que é o principal responsável pela perseguição aos homossexuais na ilha há 50 anos e lamentou não ter corrigido essa falha por estar envolvido na defesa do país.
"Sim, foram momentos de grande injustiça, uma grande injustiça! Fomos nós que fizemos, fomos nós... Estou tentando diminuir minha responsabilidade em tudo isso, porque, pessoalmente, eu não tenho esse tipo de preconceito", acrescentou.
"Escapar da CIA, que comprava tantos traidores, às vezes entre pessoas próximas, não era coisa fácil. Mas, no fim, de todas as formas, se tem que assumir a responsabilidade, assumo a minha. Não vou jogar a culpa nos outros", afirmou.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Público gay encontra seu espaço nas noites de Havana

Agencia EFE /Anett Ríos.

Havana, 24 mar (EFE).- Em uma cidade sem bares ou discotecas para os homossexuais, a comunidade gay que vive em Havana começa a encontrar seu espaço em alguns centros noturnos estatais que estão desbancando as festas clandestinas.Embora sejam poucos, esses locais atraíram o público homossexual, cuja melhor opção para se reunir até então eram as festas ilegais, que eram divulgadas pelo boca a boca.
Muito perto da Praça da Revolução, o "Café Cantante Mi Habana" é considerado o paraíso da comunidade gay nos finais de semana e conta com uma programação variada.Na noite de uma segunda-feira de março, o chão do famoso "Piano Bar Habaneciendo", situado no centro da cidade, treme com cerca de 200 clientes, em sua maioria gays, que dançam ao ritmo de Shakira, enquanto do lado de fora a fila para entrar ainda é grande.No antigo cabaré "Las Vegas", os homossexuais se reúnem nas noites de quintas-feiras para presenciar um espetáculo conduzido por dois dos travestis mais famosos do país.O "Las Vegas" funciona como o primeiro - e até agora único - centro noturno que apresenta regularmente shows de drag queens em Havana, com o apoio do Ministério da Cultura de Cuba.
A especialista do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), Ada Alfonso, disse à Agência Efe que em Cuba "não há lugares gays", mas esse público foi "se apoderando" de outros estabelecimentos.Segundo ela, o que ocorreu nos últimos meses foi que alguns ambientes caíram nas graças da comunidade gay e não se "espantaram" com a presença de namorados do mesmo sexo.Ada ressaltou que, historicamente, as casas noturnas que eram frequentadas pelos gays eram as que operavam de forma ilegal, aumentando "a vulnerabilidade social" dos homossexuais.Sua percepção é que o fenômeno atual está relacionado com a "sensibilidade particular" das administrações desses estabelecimentos e também com o trabalho de educação sexual realizado no país.O diretor do "Café Cantante Mi Habana" admitiu à Efe que, efetivamente, a popularidade que esse local alcançou entre o público gay forçou "uma mudança de mentalidade de todos os funcionários".Em grande medida, pode ser que a mudança tenha sido impulsionada pela intensa campanha que o Cenesex liderou nos últimos anos para sensibilizar a opinião pública em relação à diversidade sexual.
Essa instituição, dirigida por Mariela Castro, filha do presidente Raúl Castro, tem entre suas conquistas a celebração do Dia Mundial contra a Homofobia desde 2007, a legalização das operações de mudança de sexo e a apresentação ao Parlamento de um projeto de lei para modificar o Código de Família, com aspectos como a união legal entre casais homossexuais.Há seis meses, o Cenesex e o Ministério da Cultura assinaram um convênio cultural que abriu o "Las Vegas" para drag queens, em um projeto orientado a todos os públicos.
Membros da comunidade gay da ilha consideram que esses centros noturnos "romperam barreiras" e asseguram que há "normas" implícitas para preservá-los.Malú Cano, uma ativista pelos direitos dos homossexuais, disse à Efe que, como norma, "aquele que criar problemas não volta a entrar" nesses lugares, porque a comunidade gay não está disposta a perder o terreno ganho.Juan Manuel, de 44 anos e quem diz ter conhecido todo o circuito ilegal de Havana na busca de diversão, acredita que não se deve exagerar no otimismo, mas admite que há grandes avanços.Ele disse à Efe que o "reinado" das festas clandestinas perdeu muito terreno e que, se o Governo não censurar o que está ocorrendo nos novos estabelecimentos e admitir que surjam outros, as casas ilegais simplesmente desaparecerão.
"Agora, nestes ambientes novos, não é necessário se esconder nem se assustar com a chegada da Polícia", ressaltou.Além disso, acrescentou que os funcionários desses estabelecimentos estão encarando tudo "muito bem, apesar de ao seu redor estar ocorrendo algo pouco comum em Cuba: homens dançando com homens".

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