ANA SOUSA/FOLHA
DE RIBEIRÃO PRETO
DE RIBEIRÃO PRETO
Na contramão da redução neste ano de 80% dos casos de dengue no Estado de São Paulo, ao menos seis cidades do interior -Araraquara, Bauru, Franca, Ituverava, Lorena e Sertãozinho-- registraram aumento da doença. Representantes desses municípios ouvidos pela Folha atribuem a alta da dengue a questões climáticas, à falta de colaboração de moradores e à importação de casos.
Em Lorena (198 km de SP), foram registrados até ontem 2.661 casos de dengue. Em 2010, o município teve apenas seis. "Sabemos que 80% dos focos estão dentro das casas. Se não tiver a participação da população, não conseguiremos reduzir os casos", diz o secretário da Saúde, Adriano Aurélio dos Santos.
A Prefeitura de Lorena desenvolve um projeto de lei para multar moradores que não exterminarem criadouros --como o aprovado pela Câmara de Taubaté, cidade que já registrou neste ano três das 12 mortes ocorridas no Estado.
Silva Junior/Folhapress | ||
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Agente de controle de vetores faz nebolização em casa do bairro São João, em Sertãozinho, em SP |
Em Sertãozinho (333 km de SP), o número de pessoas infectadas pela dengue saltou de 497 em 2010 para 885 nos primeiros meses de 2011. Uma morte foi registrada, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
A cidade atribui o aumento à proximidade de Ribeirão Preto (313 km de SP), que tem mais de 10 mil registros neste ano. Em Araraquara (273 km de SP), as notificações positivas já superaram o total de todo o ano passado (1.375 até abril contra 1.308). Lá, uma morte também foi registrada. De acordo com o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Feiz Matta, as chuvas e a falta de cooperação dos munícipes contribuíram para o problema. Em Ituverava (413 km de SP), 1.057 pessoas foram infectadas pela dengue este ano --quase o triplo do total de vítimas do ano passado. "Fazemos mutirão e na semana seguinte os criadouros estão de volta", diz Sérgio Chicote, secretário da Saúde.
Em Franca (400 km de SP) e Bauru (329 km de SP), onde o número de casos deste ano já é praticamente quatro vezes superior ao total do ano passado, a Saúde pede o apoio dos moradores para combater a doença. O infectologista Gustavo Johanson, da Unifesp (Federal de São Paulo), afirma que a alta dos casos não pode ser atribuída simplesmente à participação dos moradores. Segundo ele, são vários os fatores determinantes para o crescimento --inclusive a melhoria do diagnóstico.
MORTES
Além de Taubaté e Sertãozinho, outras oito cidades registraram morte por dengue neste ano no Estado de São Paulo: Andradina, Cândido Mota, Caraguatatuba, Cosmópolis, Ribeirão Preto, Votuporanga, São José do Rio Preto e Sumaré. O balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde na última sexta-feira aponta que 32.494 casos autóctones foram registrados nestes quatro meses.
No primeiro bimestre do ano passado houve um total de 157.506 notificações.
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