quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tribunal adia julgamento de Berlusconi no caso Rubygate

O Tribunal de Milão decidiu nesta quarta-feira adiar para o próximo dia 31 de maio a audiência do julgamento contra o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, pelo caso conhecido como Rubygate, no qual é acusado de incitação à prostituição de menores e abuso de poder.
Berlusconi, de 74 anos, é acusado de ter pago para manter relações sexuais com uma dançarina de boate, a adolescente Karima El Mahroug (conhecida como Ruby), quando ela ainda não havia completado 18 anos, e de ter atuado junto à polícia de Milão para obter a libertação da menor quando ela foi detida por roubo no dia 27 de maio de 2010.Nem o chefe de governo nem a jovem marroquina compareceram à audiência.
O premiê, em uma carta entregue por seus advogados aos juízes, afirmou que gostaria de participar na audiência, mas que não foi possível em consequência dos "compromissos institucionais".
Os advogados da jovem marroquina afirmaram que Ruby não se constituirá parte civil no julgamento.
Tanto o premiê quanto Ruby negam que tenham mantido relações sexuais, mas a jovem admitiu que Berlusconi lhe pagou 7.000 euros após um primeiro encontro.
O primeiro-ministro é julgado de acordo com um procedimento particularmente rápido previsto pelo Código Penal italiano que se baseia em "provas evidentes".
Ettore Ferrari/Efe/AP
Berlusconi ao lado da dançarina Ruby; premiê ganha apoio do Parlamento um dia antes de julgamento
Berlusconi ao lado da dançarina Ruby
MANOBRA POLÍTICA
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, ganhou um "teste de força" no Parlamento nesta terça-feira durante uma votação na Câmara Baixa do Parlamento como objetivo transferir a audiência para um tribunal ministerial especial.Contando com a presença de todos os deputados de centro-direita que puderam ser reunidos, o governo obteve 314 votos a favor contra 302. Os juízes encarregados de abrir nesta quarta-feira as audiências do caso não eram obrigados a se guiarem por esse resultado, mas acabaram decidindo adiar o julgamento à espera de uma resposta definitiva da Corte Constitucional.
BERLUSCONI NEGA
O caso também contribuiu para enfraquecer Berlusconi nas pesquisas de opinião, que já vinham apontando queda de sua popularidade havia meses, como resultado da fraca economia e de crises como a do lixo, na cidade de Nápoles, no sul do país.Berlusconi nega ter pago por sexo e também rejeita uma acusação relacionada ao caso, a de abusar de seus poderes quando pressionou autoridades policiais para libertar a moça de uma delegacia em Milão, onde estava presa por uma alegação de furto, não vinculada a ele.Foi esta última acusação que levou à votação de terça-feira no Parlamento. Berlusconi não nega ter telefonado para a polícia, mas diz ter feito isso por acreditar que Karima fosse sobrinha do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, razão pela qual, diz ele, quis evitar um incidente diplomático.
A oposição ridicularizou essa justificativa, mas os partidários do governo argumentam que como a alegação de Berlusconi se refere a um ato decorrente de sua função de primeiro-ministro, ele teria de ser ouvido em audiência por um tribunal ministerial especial, e não em uma corte comum.

Com France Presse e Reuters

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